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terça-feira, 26 de julho de 2016

Os críticos de cinema, o sofá da avó e os filmes (e séries) à borla

César Mourão, actor e apresentador de televisão (e que rejeita a classificação de humorista) recupera uma eterna polémica sobre a crítica, a propósito do "remake" de "A Canção de Lisboa", em que é um dos actores, numa entrevista ao suplemento "b.i." do jornal "Sol" do passado sábado.
Mourão, cuja proficiência profissional não posso apreciar, faz a dado passo umas afirmações interessantes:

"A única coisa que separa um crítico da minha avó é o sofá em que cada um se senta. O da minha avó se calhar é um sofá mais antigo, onde ela se senta há muitos anos, e gosta daquele maple, e se calhar já viu mais filmes do que um crítico. O que é que é um crítico? Uma pessoa que viu mais filmes e que sabe mais? (...) É uma pessoa normal que tem a cabeça dela e tem uma opinião (...) O crítico normalmente não paga um bilhete de cinema (...) Se calhar, se tivesse gasto cinco euros no filme, que muitos deles não têm dinheiro para os pagar, se calhar via o filme com outros olhos e dizia: 'espera aí que isto custou-me cinco euros, ainda assim'."

Nos dias de hoje, em que qualquer pessoa (não apenas nos blogues mas também na imprensa) pode fazer de crítico de cinema (ou de livros), a apreciação é sugestiva. E, independentemente da questão do sofá, talvez seja certeira no que se refere ao cinema à borla. Já era, quando eu fiz crítica de cinema, há mais de vinte anos.
Aliás, aplica-se por inteiro à "crítica" sobre as séries de televisão que vive... de quê? De materiais promocionais? De viagens promocionais para encontros com produtores, realizadores e actores? Do que se "saca" da internet? D
o que tenho visto (no "Expresso", por exemplo) e, ainda hoje, no "Observador", há muita gente a escrever sobre séries de televisão que não tem conhecimento da matéria.
É um domínio onde, aliás, também se reflectem muitas das opções da imprensa de hoje, no que em especial se refere à gritante impreparação de muita gente que dela faz, ou quer fazer, profissão.



segunda-feira, 4 de julho de 2016

O fim do cinema (pelo menos em Caldas da Rainha)


As salas de cinema do centro comercial Vivaci (agora La Vie), em Caldas da Rainha, nunca me entusiasmaram e, pouco depois de me ter mudado para este concelho, ainda cheguei a ir a Leiria vir um filme que muito me interessava. O custo da deslocação (em tempo e dinheiro) não convidou à repetição da experiência.
Ainda fui algumas vezes às salas do Vivaci mas acabei por desistir.
Habituado às grandes salas de Lisboa e arredores, dei-me mal com os seus ecrãs modestos, com o som desequilibrado e com as cadeiras que não me davam espaço para arrumar as pernas.
Acabei por ver cinema em casa, primeiro através de videoclubes, de alguns DVDs que ia comprando e, agora, do serviço de "videoclube" da televisão. E, por vários motivos (nomeadamente, o respeito pelos direitos de autor dos outros e a questão da qualidade), nunca fui "sacar filmes à net".
O fecho, talvez definitivo a avaliar por esta notícia, das salas do agora La Vie não surpreende. O cinema em sala tem estado a perder clientes em todo o mundo e a responsabilidade não é só dos "piratas" mas dos próprios distribuidores e exibidores nacionais.
Neste caso, como terá decerto acontecido em muitos outros concelhos, as salas ter-se-ão tornado pouco atraentes, nunca foram confortáveis, nunca deixaram ver que o cinema em sala pode ser um espectáculo grandioso.
Lamenta-se o fecho, lamentam-se os postos de trabalho perdido, lamenta-se que não haja alternativa. Mas o cinema, por muito que alguns intelectuais não o queiram perceber, é uma actividade comercial e esta, claramente, não rende, pelo menos desenvolvida como tem sido. Ou melhor, subdesenvolvida. Paz à sua alma, portanto.

domingo, 8 de novembro de 2015

Não é muito diferente disto

 
O arranjinho poliamoroso do PS com o BE, o PCP e até com essa extraordinária agremiação que se intitula PEV, com acordo, desacordo ou assim-assim e eventualmente governo ou talvez melhor desgoverno, não tem uma ilustração que mais lhe convenha senão o controverso filme "The Human Centipede" ("A Centopeia Humana", que em Portugal só passou no Fantasporto) e, por exemplo, esta sequência que aqui se reproduz.
No palco político português não se sabe bem quem é o criador mas a primeira figura é a do derrotado nas eleições de 4 de Outubro. Quanto às duas outras, fica à imaginação do leitor.
 





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quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Adeus a Lee Child

 
Li o primeiro livro de Lee Child em 2002, penso que "The Killing Floor", comprado autografado numa livraria do centro comercial Apolo 70, e gostei de imediato da personagem de Jack Reacher.
Li praticamente todos os seus livros desde então e só posso elogiar o modo como Child construiu a imagem física do seu herói e a fez entrar em histórias bem escritas e bem contadas.
No entanto, não gostei mesmo nada de saber que o actor Tom Cruise se apropriou da personagem de Jack Reacher (num filme de 2012) e até pensei que a tolice se resumiria a um único episódio. Cruise terá 1,70 de altura e Jack Reacher tem dois metros. Pela descrição, a presença física de Reacher é impressionante. Cruise não é. É como ter um carapau em lugar do tubarão branco que é a estrela do "Tubarão" de Spielberg.
Porque é possível alterar uma personagem mas não uma personagem que foi sendo desenvolvida e estruturada ao longo de quase vinte anos e cuja dimensão corporal é quase sempre fundamental para os segmentos mais importantes da narrativa.
Fiquei a saber agora que Cruise vai voltar a ser Jack Reacher (o segundo filme estreia-se no próximo ano).
Lee Child, que andou tantos anos à espera de ver as suas histórias no cinema, não terá sabido resistir ao disparate (e ao dinheiro, muito provavelmente). E pelo andar da coisa ainda começa a encolher Jack Reacher, cortando-lhe os trinta centímetros que o separam de Cruise. É um pouco como uma antiga anedota em que figura Bocage e em que intervém um periquito.
Por isso, desisto de Lee Child.
Pode ser que releia alguns dos seus livros a.C. (antes de Cruise) mas tenho tantas outras coisas para ler que até me parece que nem terei tempo...

domingo, 30 de agosto de 2015

Stephen King PG-13

 
"The Shining" é um dos primeiros romances do prolífico Stephen King. Publicado em 1977, faz parte do seu período inicial (mais virulento, mais criativo, mais directo). É uma boa história de fantasmas e de um local assombrado por coisas muito sinistras.
Stanley Kubrick levou-a ao cinema, com o mesmo título, em 1980 mas o filme, impecável, afastava-se da história original.
Uma mini-série, em 1997, andou mais próximo do romance mas nunca poderia ter deixado de ser, ela própria, assombrada pelas qualidades de qualquer produção de Kubrick. 
"The Shining" teve sempre um sobrevivente que é fundamental: o pequeno Dan Torrance, que é o herói da história. E é por aí que começa Stephen King para escrever o que é uma continuação do seu romance: "Doctor Sleep" (2013).
Nele Dan Torrance, com um percurso de vida bastante complexo, é adulto, a "luz" ou "brilho" (o que é descrito como "shining") é um fardo e a relação com o mundo só é satisfatória no acompanhamento de doentes terminais, que ajuda a morrer. Mas há mais gente que tem esse dom, como a jovem Abra Stone, que entra mentalmente em contacto com uma seita religiosa denominada True Knot. São vampiros (a fazerem lembrar os do extraordinário filme "Near Dark", de Kathryn Bigelow) mas de uma espécie diferente: o que os alimenta é o "vapor" (a alma?!) dos seres humanos, que são para eles uma subespécie.
E temos assim Dan Torrance, Abra e alguns aliados de ocasião a combaterem a seita, numa história  marcada pelo habitual brilhantismo narrativo de King mas, depois, insatisfatória.
A violência subjacente resolve-se em tom brando, o horror atenua-se, a emoção transfere-se para domínios mais espirituais e... não há uma gota de sangue derramado. Não seria obrigatório mas ajudaria a criar um clímax mais adequado ao desenvolvimento da história.
É como se "Doctor Sleep" tivesse sido escrito a pensar em qualquer versão audiovisual (cinema ou TV), adaptável sem alterações de fundo a uma classificação etária mais próxima do "PG-13" (genericamente desadequado para pré-adolescentes) do que do "R" (a classificação do "The Shining" de Kubrick, que obriga os menores de 17 anos ao acompanhamento por adultos) no padrão americano, longe, muito longe dos seus melhores títulos do género como "Cujo", "Firestarter", "The Stand" ou "Pet Sematary".

domingo, 9 de agosto de 2015

"Hannibal" e "True Detective": entre o "remake" e a reinvenção


O realizador Michael Mann revelou ao mundo, em 1986, um novo tipo de psicopata assassino: o Dr. Hannibal Lecter, que no seu filme "Manhunter" ("Caçada ao Amanhecer") se chamava Lektor e era interpretado por Brian Cox, visitado na prisão onde se encontrava por Will Graham (William Petersen, acabado de sair do extraordinário "Viver e Morrer em Los Angeles"). Graham procurava apanhar o "serial killer" Francis Dolarhyde e pedia ajuda a Lektor/Lekter.
A história, baseada em "Red Dragon" (o segundo livro do escritor Thomas Harris), repetiu-se em "Red Dragon" ("Dragão Vermelho", 2002), já com Anthony Hopkins como Lecter e sob a direcção de um realizador pouco inspirado, Brett Ratner.
 
 
"Manhunter", 1986


"Red Dragon", 2002

 
Treze anos depois temos, em televisão, a terceira versão da história e o drama, pode dizer-se, termina aqui, depois de ter começado em 2002 com o esgotamento do filão de Hannibal Lecter.
Desta vez, a história de Francis Dolarhyde aparece ensanduichada numa espécie de segunda metade da série televisiva "Hannibal" (AXN), cuja terceira temporada, em curso, parece ser mesmo a última, talvez inevitavelmente.
 

A versão televisiva, transformada em "remake"
 
"Hannibal", a série, começou titubeante, teve uma muito boa segunda temporada e depois caiu.
Há dois motivos para isso: o facto de se ter transformado num "remake" algo condensado e de o filão de base se ter esgotado. Thomas Harris (que brilhou com "Red Dragon", "O Silêncio dos Inocentes" e "Hannibal", perdeu por completo o pé com "Hannibal Rising", em 2006, que deu origem a um filme desinteressante e que foi a sua última obra) não tem mais nada escrito e a sua personagem Clarice Starling, de "O Silêncio dos Inocentes", não podia ser usada nesta série por questões relacionadas com direitos de autor.
A terceira temporada da série é um "remake" dos dois "Red Dragon" e de "Hannibal" (cinema, o filme de Ridley Scott, de 2001, que tem toda a história de Mason Verger e dos porcos) e com uma curiosa homenagem ao filme de Ridley Scott: a cena das tripas do polícia italiano que caem no solo florentino é decalcada de Ridley Scott. Homenagem, ou apenas o reconhecimento de que é impossível fazer melhor?


"Hannibal", 2001

Sem mais material de origem, sem a possibilidade de utilizar a personagem de Clarisse Starling (Jodie Foster/Julianne Moore), que resta a este "Hannibal" televisivo? Pouco, muito pouco, sob o manto de uma banda sonora que parece ter sido inspirada em Penderecki e enfeitado, como uma árvore de Natal, com efeitos gongóricos que só distraem e perturbam a narrativa.

 

A segunda temporada de "True Detective" mantém o nível da primeira (de que aqui falei)

"True Detective" (TV Séries), a segunda temporada, é diferente e ilustra da melhor maneira o preceito de que no "thriller" é mais importante o conteúdo do que a forma.
A segunda temporada desta série (e falta-me ver o último episódio) tem sido quase perfeita.
Há uma ou outra canção como música de fundo que não ficam bem (mas o genérico de abertura ao som fortemente cadenciado de Leonard Cohen é óptimo!) e alguns diálogos são dispensáveis. Mas no resto... está lá tudo: quatro personagens fortíssimas (sobretudo as que são compostas por Vince Vaughn, Colin Farrell e Rachel McAdams) que convergem habilmente no final do primeiro episódio, uma narrativa directa e que não se perde com pormenores secundários, atmosferas asfixiantes e uma cena de tiroteio com uma construção admirável.
O ambiente e os temas (os polícias e os políticos vendidos ao crime, o criminoso que de repente se viu desapossado de quase tudo o que tinha, as obras públicas de cariz suspeito, as várias dependências) podem ser banais mas o que faz uma boa história policial é a capacidade de os combinar, de os reinventar na narrativa, de jogar com o espectador (ou leitor) um jogo de inteligência. E "True Detective" tem isso tudo.
É o que faz de "True Detective" uma série fascinante por contraste, por exemplo, com a série crescentemente entediante em que "Hannibal" se transfigurou.


Actualização (17.08.15) - O último episódio de "True Detective", com os seus 86 minutos de duração, desequilibra a boa impressão deixada pelo conjunto da série. Consta que Nic Pizzolato, autor dos argumentos, e Cary Fukunaga, produtor e realizador, se desentenderam e o que fica é na realidade a desagradável impressão de que esse episódio, desajustadamente arrastado, não teve os cortes de que precisaria.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

A criatividade ausente em parte incerta: a propósito de "Em Parte Incerta/Gone Girl"

 
"Em Parte Incerta" ("Gone Girl", realização de David Fincher, romance e argumento de Gillian Flynn, visto ontem à noite): durante uma hora temos Nick (Ben Affleck ) às voltas com o desaparecimento da sua mulher, Amy (Rosamund Pike); de repente passamos a ter Amy, que nos diz logo estar viva; nos 83 minutos (quase hora e meia) de filme que se seguem temos a explicação do que aconteceu e, de certa forma, uma recriação de "Atracção Fatal". Sem o coelho.
Foi nessa transição de 60 minutos de filme para os restantes 83 minutos (como se fossem dois filmes diferentes) que deixei de gostar de "Em Parte Incerta".
Foi esse o momento em que um "thriller" aceitável (Amy desapareceu, Nick é o inevitável suspeito) se transformou num "thriller" à procura da respeitabilidade "normal": Amy está viva e bem viva, maquinou tudo para se vingar de Nick, mata um antigo pretendente sem sombra de hesitação (Desi Collings é o coelho, de certa maneira, regressa para junto de Nick, os dois vão fazer-se mutuamente a vida negra e... às 2 horas e 23 minutos de filme, cai o pano.
O "thriller", estilo que na literatura e no audiovisual só permite a isenção em caso de obras-primas inquestionáveis, tem regras.
E essas regras, por conservadoras que pareçam, destinam-se a dar ao leitor e/ao espectador quase todas as armas para poder entrar no jogo. A criatividade não está na destruição das regras (o que, em geral, permite fins frouxos e indecisos como acontece em "Gone Girl") mas na invenção de novas histórias que, respeitando as regras, consigam sempre suscitar o interesse renovado do leitor/espectador.
Não é o que acontece com "Em Parte Incerta". E David Fincher, o David Fincher de "Seven" e de "House of Carda" até sabe fazer melhor.



A versão francesa do cartaz de "Gone Girl": Amy e Nick tinham ouvido falar
 em "Atracção Fatal 2" e foram ao engano

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Uma obra-prima anónima

 
Apesar de ter havido alguns "crossovers" em papel que juntaram, normalmente em confronto, super-heróis da DC e da Marvel, é pouco provável que vejamos estes encontros, que nunca poderiam deixar de ser épicos, no cinema.
Mas um fã que dá pelo nome de Alex Luthor resolveu fazer o seu próprio "crossover" e o resultado, reunindo imagens habilidosamente editadas, de filmes e episódios de televisão, põe, por exemplo, o Super-Homem em luta com o Hulk, o Homem de Ferro em combate com o Batman e, entre outras preciosidades, a Mulher-Maravilha a enfrentar o ladino Rocket Racoon.
É, à sua maneira, uma pequena obra-prima. Podem ver, com explicações adicionais, aqui.
Ou directamente aqui:
 




quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

O "Observador" a descobrir a pólvora

Hoje parte um comboio de Lisboa para o Porto. Hoje parte um comboio do Porto para Lisboa. Isto é notícia? Só o será se este movimento de comboios sofrer alguma alteração e por algum motivo que não uma simples avaria.
Mas para o "online" "Observador" isto é capaz de ser notícia, tipo invenção da pólvora.
É um simples exemplo para ilustrar o que verdadeiramente acontece. É este jornal (de que se esperaria melhor) que noticia com grande destaque que "A tragédia de Shakespeare que fez desmaiar a audiência chega aos cinemas". Como se fosse a primeira vez. Só que não é.
"Titus Andronicus", a peça em questão, já tinha "chegado ao cinema", por exemplo em 1999 (realização de Christopher Dunne) e em 2000 (real. Richard Griffin) e à televisão por várias vezes (num telefilme de 1985, realizado por Jane Howell).
A informação está à disposição de toda a gente no sempre inestimável IMDB. É tão simples como isso.
 

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

"Vikings": Michael, o Terrível



"Vikings", de Michael Hirst: Travis Fimmel é Ragnar Lothbrok

 
Michael Hirst é um classicista. E gosta de "Ivan, o Terrível", um dos muitos grandes filmes que fez o grande Serguei Eisentein. Mostrou-o nos corredores sombrios percorridos pela rainha Isabel I (a Elizabeth interpretada por Cate Blanchett no filme de Shekhar Kapur, que Hirst escreveu) e agora na recriação da figura semi-lendária do conquistador e rei viking Ragnar Lodbrok, na série televisiva "Vikings"
"Vikings" (duas temporadas por agora, teremos a terceira no próximo ano) é mais um momento  épico de televisão.
Hirst, que também escreveu e produziu o menor "Os Tudors", salvou esta aventura de recorte clássico da banalidade que deu cabo do "Spartacus" televisivo e ergueu uma história de poder e famílias quase fascinante. E conseguiu-o pelos ambientes, pelo enquadramento musical (à excepção da canção do genérico), pelas cores e pela actuação que impôs ao actor australiano Travis Fimmel.
O seu Ragnar Lothbrok é, nas melhores de todas as cenas, uma recriação do Ivan, o Terrível, de Eisenstein, abrigando-se nas sombras, conspirando sozinho ou com os seus aliados de ocasião, perigoso e alucinado, de olhar turvo e enviesado, senhor de grande poder mas com um aspecto por vezes frágil.
É uma interpretação que felizmente faz esquecer algumas sequências domésticas, como aquela a que, talvez num momento de indecisão da história (e da História), se entrega este Ragnar, o Terrível, na paz familiar com um cabritinho ao colo.
"Vikings" já foi comparado, por exemplo, a "A Guerra dos Tronos" pela violência.
Mas é uma violência menos visível do que parece e o melhor de todos os exemplos é a notável cena de tortura da "águia de sangue", em que as costas da vítima são abertas verticalmente, em cada flanco, as costelas lhes são partidas com um machado e os pulmões lhe são arrancados... pelas costas.
Se a vítima não gritar, irá para o Valhalla. Se gritar ficará para sempre condenada. Nós pouco vimos. Mas sabemos, antecipadamente, como vai ser. O tormento do espectador mais sensível é muito pior.
Depois de "Elizabeth" (e esqueçamos o filme que se lhe seguiu), Michael Hirst tem em "Vikings" a sua melhor criação. Já tem direito ao Valhalla dos produtores e argumentistas. Tal como Ragnar Lothbrok.

Travis Fimmel e Michael Hirst já têm direito ao Valhalla

domingo, 28 de setembro de 2014

Sobre a necrofilia, a propósito de "Alabardas"

Uma obra criada por um autor é, para mim, um objecto completo.
Como leitor ou espectador de cinema, interessa-me a história completa, o livro tal como o escritor o escreveu e foi depois publicado, o filme tal como o realizador, o argumentista e o produtor o tornaram possível. É desse modo que um e o outro objecto são postos à disposição do público.
Posso ter interesse no livro ou no filme inacabados, no "director's cut" de um filme ou no romance que, por razões alheias à arte, o editor não publicou. Mas, nestes casos, a minha curiosidade advém do conhecimento que possa ter das outras obras do autor e da curiosidade de confrontar uma obra incompleta com todas as outras ou da sua relevância histórica, cultural ou mesmo política.
Serguei Eisenstein teve planos, aparentemente, para um terceiro "Ivan, o Terrível" e desse projecto só restou um fragmento. As suas filmagens no México deram origem a duas versões diferentes, construídas já depois da sua morte com vinte anos de distância. Vi uma delas e não me entusiasmou como "Ivan, o Terrível" ou "O Couraçado Potemkin" ou mesmo "Alexander Nevsky". Não era Eisenstein, era apenas uma parte de um seu trabalho.
José Saramago deixou uma história inacabada que seria, as informações não coincidem, novela ou romance. Melhor: a história, com três capítulos, não está inacabada. Está apenas começada. Haverá quem queira conhecer o texto, haverá quem, sabendo que ele não termina, não o queira conhecer.
As herdeiras de Saramago e a editora que agora detém os direitos das suas obras não foram dessa opinião e os três capítulos aparecem agora em livro. Não por si, como uma obra completa, mas acompanhadas (pela descrição) de vários outros textos que já permitem transformar três capítulos num livro... comercializável.
E é aí que nasce a dúvida. Estes três capítulos representam na sua integralidade o projecto do autor (morto antes de poder dar seguimento à história)?
Sabemos, aparentemente, qual é a última linha de diálogo com que a história terminaria mas nunca a leremos. Porque não existe.
E, nesse caso, não teria sido preferível respeitar a natureza e respeitar o autor, mantendo a reserva sobre uma história por escrever?
Ou, então, optando-se pela sua divulgação (para a qual o autor não foi consultado), não teria sido de maior lisura oferecer os três capítulos aos potenciais interessados, disponibilizando-os gratuitamente? Poderá dizer-se que, desse modo, o autor não seria remunerado pelo trabalho feito. Mas o autor, já ausente deste mundo, nunca poderia usufruir dos seus proventos. E, sendo Saramago um vigoroso combatente do capitalismo, não se justificaria que, em sua memória, prescindissem o editor e as herdeiras dos lucros da publicação, que será decerto muito mais aliciante para os estudiosos da sua obra e para os seus fãs indefectíveis?
É que, não sendo esse o caso, a iniciativa da publicação de "Alabardas", a versão curta do que seria o título original ("Alabardas, alabardas, Espingardas, espingardas") da história que ficou por escrever, assemelha-se a um exercício de necrofilia. Obviamente lucrativo.  

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Para que servem as receitas de bilheteira?

Diz o realizador João Botelho ao "Sol" (5.08.14"): "A grandeza do cinema português, que eu adoro, é que é um cinema sem pressão do mercado. Tenho uma liberdade que não tem preço: nunca fui obrigado a fazer qualquer coisa para ter público. Nunca filmei com essa pressão. claro que quero que o maior número de pessoas veja os meus filmes, quero mostrar o que fiz, mas enquanto filmo não cedo a nada".
Segundo informa o blogue Blasfémias, João Botelho recebeu do Instituto do Cinema e Audiovisuais (ICA) 600 mil euros para o seu mais recente filme, "Os Maias – (alguns) episódios da vida romântica”, a que se juntarão mais 900 mil euros do "Montepio, do Brasil, e da Câmara Municipal de Lisboa" (cujo presidente recebeu o apoio de João Botelho nas eleições internas do PS).

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Um cartaz

 
 
"Fury" (que terá o título português de "Fúria"), de David Ayer, é um filme de guerra, passado na sua fase final, com Brad Pitt a comandar um grupo de cinco homens num carro de combate atrás das linhas inimigas. O seu cartaz (o sargento personificado por Brad Pitt apoiado no cano do blindado) é um dos cartazes mais estranhos que vi até hoje, com a sua atmosfera sombria e de derrota e um céu de chumbo sobre um soldado que parece demasiado cansado.

quinta-feira, 15 de maio de 2014

A propósito de "Arrow": DC, 2 - Marvel, 1

Homem de Ferro, Thor, Capitão América, os Vingadores, e o Hulk. Grandes filmes, grandes projectos cinematográficos, concebidos pela própria Marvel como um plano em várias fases, combinando o facilmente espectacular (Thor) com histórias mais elaboradas (e mais adultas, no caso do Homem de Ferro). E sem o controlo do Homem-Aranha, do Wolverine e dos X-Men, que em matéria de direitos de cinema, ficaram nas mãos de empresas completamente alheias à Marvel, onde nasceram.
O cinema, no entanto, contrasta com a televisão em séries de imagem real.
"Os Agentes da SHIELD" (transmitida pela Fox em Portugal) é uma série débil, afastada da essência do universo Marvel (os seus super-heróis da banda desenhada), reduzida a uma série de aventuras quase pedestres.
A Marvel venceu no cinema, como até certa altura parece ter vencido na banda desenhada, a sua concorrente, a DC Comics, a proprietária do Super-Homem e de Batman. Foi necessário Christopher Nolan e o seu admirável "reboot" de Batman para trazer para o cinema parte da evolução destes clássicos, na era do Cavaleiro Negro pós-Frank Miller. E se o mais recente "Homem de Aço", de Zack Snyder, não entusiasma (mas, também, não conhecemos todos de ginjeira as origens do Super-Homem?!), o seu "Superman vs. Batman", anunciado para 2016 em despique directo com o terceiro filme do Capitão América, promete.
Até porque a DC começou a trilhar outros caminhos - os da televisão. E é aqui que está a marcar o terreno e de uma maneira inteligente e é capaz de ser essa a via para se afirmar além da banda desenhada.
A série "Arrow" foi a precursora.
 
 

O Arqueiro Verde da banda desenhada e o Arqueiro Verde de "Arrow":
já começam a estar mais parecidos
 
Apresentada em doses duplas no AXN português, "Arrow" revelou-se uma série bem interessante, de início claramente concebida para o público dos "jovens adultos" mas depois começou a ganhar uma nova dimensão, combinando a já habitual história das origens do super-herói (o Arqueiro Verde) com uma espécie de campo de cultivo para o desenvolvimento de outras personagens da DC que se ligam também a outros super-heróis, como a Liga dos Assassinos, de Ra's Al Ghul, Roy Harper/Arsenal, Deathstroke/Slade Wilson, e o Esquadrão Suicida, por exemplo.
E o Flash, claro.
Barry Allen, o Flash, apareceu aliás em alguns dos episódios de "Arrow" e num deles é mesmo encenado o acidente que o transforma no super-herói. E o Flash vai ter também a sua série televisiva, já este ano.
Um primeiro "trailer" conta parte do seu começo mas há outro, mais recente, que cruza criativamente o Arqueiro Verde e o Flash e que, além do mais, é divertido.
 
 
"Nem pisquem os olhos"... é o título deste pequeno "trailer"
 
 
E há "Gotham", ainda.
Gotham é a Nova Iorque de Batman e a série tem como principal protagonista o comissário Gordon, o aliado do super-herói. É uma história de origens, onde já vão aparecer o Pinguim, a Mulher-Gato, o Enigma... e Bruce Wayne, o futuro Batman. O tom do "trailer" é sugestivo, invocando o tom sombrio dos novos "thrillers" televisivos, como se quisesse equilibrar o estilo "jovem adulto" do arranque da série "Arrow" e o que parece ser o de "Flash".
 
 
"Gotham": as origens de Batman no pequeno ecrã
 
 
Com a televisão a garantir uma maior influência do que o cinema, por chegar a públicos mais vastos e durante mais tempo, a DC parece merecer mais a classificação de "casa das ideias" do que, talvez por equívoco, a Marvel recebeu. Só é preciso que "Gotham" e "Superman vs. Batman" não falhem...







segunda-feira, 28 de abril de 2014

"The big picture": o santo guerreiro contra o dragão da maldade


A notícia é esta:

Paulo Branco denunciou em conferência de imprensa na quarta-feira a estratégia da Big Picture e as ligações de um antigo administrador da PT e do Fundo de Investimento para o Cinema e Audiovisual (FICA) naquela empresa de distribuição.
O produtor, exibidor e distribuidor já se queixou da situação «insustentável» à Autoridade da Concorrência, ao Instituto do Cinema e do Audiovisual e ao secretário de Estado da Cultura, e crê que «o Ministério Público (MP) tem matéria para investigar». Ao SOL diz: «Se o MP não fizer nada, vou avançar com uma queixa na Procuradoria».
O premiado produtor chama a atenção para a empresa Big Picture, que nasceu para produzir animação. O administrador não executivo da Zon Antunes João teve a seu cargo a pasta do FICA, que concedeu 1,5 milhões de euros àquela empresa. «Pouco depois aparece a Big Picture a actuar na distribuição (com o catálogo da Fox), com o senhor Antunes João à cabeça, que tinha sido o principal mentor do financiamento da Big Picture. Curiosamente, pouco depois a ColumbiaTriStarWarner fecha as portas e a Big Picture fica com o sumo, os catálogos da Sony e da Columbia, e a Lusomundo fica com a Warner».

Mas falta-lhe alguma coisa: "background", o pano de fundo, a "the big picture", ou seja, perceber que além da árvore há uma floresta, o que também é o equivalente à expressão inglesa "the big picture", o grande quadro que convém conhecer antes e depois de ver uma pequena parte dele.
E, neste caso, "the big picture" é a situação da distribuição e de cinema em Portugal (e, já agora, a do "home cinema"), com as recentes alterações do tecido empresarial (a separação Zon/Meo, a queda da Castello Lopes, a entrada em cena da empresa Big Picture, as transferências de catálogos de "home cinema" e de direitos de exibição, a propriedade das salas de cinema, por exemplo).
Este sector até movimenta muito milhões de euros, apesar da dimensão do país, e é notícia noutros países (basta ver o que se passa nos EUA, não apenas na "indústria" mas nas publicações que dela se ocupam, como o "Variety" e o "Hollywood Reporter"). 
Em Portugal, no entanto, não é notícia. Mas já foi. 
No início da década de noventa um conjunto alargado de pessoas que escreviam sobre cinema nos jornais (jornalistas e críticos de cinema, e ainda restam alguns no activo, que devem andar um pouco desmemoriados) conseguiram estabelecer um bom diálogo com a maior parte das empresas do sector, por mérito das duas partes, e associar à crítica de cinema o enquadramento noticioso que o cinema devia, e deve, ter. É dessa altura, e foi um dos pioneiros pela parte empresarial, o administrador da Big Picture, José Antunes João, que hoje é visado na "denúncia" de Paulo Branco.
Aliás, e esse é outro aspecto interessante, este conflito (Paulo Branco vs. Antunes João) já vem de longe.
Paulo Branco já era produtor e exibidor, com as suas várias empresas. Antunes João era nessa altura um dos dirigentes da Lusomundo (que foi uma empresa pioneira no sector e que acabou engolida, e mal digerida, pela então Portugal Telecom) e o sucessor do sempre discreto e eficaz tenente-coronel Luís Silva na Lusomundo. No território pequeno da distribuição e da exibição em Portugal, Paulo Branco e a então Lusomundo mantiveram sempre uma "guerra fria" )que foi uma espécie de guerra de fronteiras entre a distribuição e a exibição) que nunca terá chegado a um acordo de paz, decerto que por motivos muito racionais para cada uma das partes em conflito.
É possível, por outro lado, que Antunes João e a sua Big Picture se tenham fechado à imprensa enquanto Paulo Branco parece ter alargado os seus contactos entre os jornalistas mas, nisto tudo, verifica-se um dos males da imprensa nacional: a falta de memória, a falta de arquivos e o desinteresse pelo enquadramento. É claro que também não se lhe pede mais (nem o público que ainda resta lhe pede mais). 
Por isso, a "big picture" deste velho problema, que tem muito a ver com a crise económica, a diminuição de espectadores e a pirataria (e seria interessante saber como agiria a Lusomundo de Luís Silva neste quadro), fica reduzido à sua expressão mais simplista: o "produtor premiado" e independente ergue-se como um santo guerreiro contra os monopólios da distribuição, que têm como dragão da maldade um homem que até era um modelo de diálogo.
Para o novo jornalismo português parece ser suficiente.


Paulo Branco (© EFE)
 
Antunes João (© Gonçalo Villaverde/ Global Imagens) 




Um acrescento cautelar para os leitores menos avisados: a expressão "O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro" faz parte do título do filme "António das Mortes" (1969), de Glauber Rocha, um dos expoentes do Cinema Novo brasileiro.

domingo, 16 de março de 2014

"Drácula": em louvor de Coppola e Gary Oldman

 
Uma reposição ocasional traz ao nosso convívio no canal Fox Movies o "Drácula" de Francis Ford Coppola, visualmente extravagante e admiravelmente construído e uma das melhores recriações do romance de Bram Stoker.  É a melhor demonstração da debilidade criativa da série televisiva com o mesmo título que passa no canal SyFy, com um desinspirado Jonathan Rhys Meyer em registo "young adult", num registo que nada tem a ver com Gary Oldman, Christopher Lee, Bela Lugosi ou Max Schreck. Nem com Bram Stoker, aliás.


Gary Oldman como Drácula na versão de Coppola




domingo, 16 de fevereiro de 2014

Fantasporto, 34 anos


O Festival Internacional de Cinema do Porto (Fantasporto) volta à cena a partir de 28 de Fevereiro, na sua 34.ª edição que, tendo sido uma das mais difíceis de concretizar, é, pelo programa que aqui se pode consultar, pode vir a ser uma das melhores.
Numa época de clara depreciação do cinema e de crise económica, a insistência deste festival de cinema em afirmar-se e em se manter é uma lição de vida e uma declaração de resistência que honra os seus criadores Beatriz Pacheco Pereira e Mário Dorminsky, que voltaram a lançar se à aventura sem recuar perante dificuldades diversas e incompreensões várias.


© "Correio da Manhã" 
O êxito do Fantas é, antes de tudo, o êxito deles: de uma mulher e de um homem que já faziam muito pela visibilidade e pela dignidade cultural do Porto e do País quando muitos dos seus conterrâneos ainda se deixavam cativar pelas lantejoulas lisboetas.
É possível que Beatriz Pacheco Pereira e Mário Dorminsky nunca venham a ter o reconhecimento oficial que deviam ter, na sua cidade, na sua região e no seu país, mas têm o reconhecimento e a gratidão de muitos admiradores, de muitos amigos e das muitas pessoas que sabem distinguir o valor alheio apesar dos filtros que às vezes lhes tentam impor. 

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

4 coisinhas que eu gostava de saber

Quantas pessoas, das que protestaram contra o encerramento dos cinemas King e Londres em Lisboa, é que (nos últimos 12 meses)...
 
-> ... saíram de casa para ir ver cinema em salas de cinema, onde, o quê e quantas vezes;
 
-> ... viram cinema em casa e que meios utilizaram (canais de televisão, DVDs comprados nos circuitos legais, alugados em videoclube ou emprestados, "downloads" legais ou ilegais);
 
-> ... nunca fizeram um "download" ilegal nem se aproveitaram de um feito por outra pessoa;
 
-> ... quantos filmes é que viram e quais os que melhor recordam.

domingo, 29 de dezembro de 2013

Gostei de "A Gaiola Dourada"... e sei que parece mal

 
Gostei de "A Gaiola Dourada", da articulação hábil entre a comédia (e em vários registos, de situações e de personagens e de interpretações, de Rita Blanco a Maria Vieira) e o melodrama, da história (simples e bem contada), do sentido impecável de "timing" do seu realizador, Ruben Alves.
O filme foi um êxito de bilheteira e ainda bem. Até porque aponta um caminho ao cinema português: ir sem problemas, e inteligentemente, ao encontro do público, procurar co-produções (para garantir outros mercados), voltar costas à desgraçada dependência dos subsídios estatais para tudo (do experimentalismo à arte e ensaio, passando pelo assim-assim) e aos padrões de gosto da elite intelectual dominante.
"A Gaiola Dourada" tem pontos de contacto com o cinema de Pedro Almodovar (que à comédia e ao melodrama associou todos os fantasmas sexuais espanhóis) e isso não lhe fica mal. O terreno cultural e social não é muito diferente.
Parece mal, no entanto, gostar de "A Gaiola Dourada".
Ontem mesmo, um representante da secção professoral da crítica de cinema lisboeta rematava um seu escrito, em que rasgava as vestes pelo facto de "o financiamento público do cinema português ter ficado pelas ruas da amargura" este ano, com uma observação razoavelmente depreciativa para os 750 mil espectadores que compraram bilhetes para ir às salas de cinema ver "A Gaiola Dourada": "Nada contra o trabalho e ambição do filme mas... se é disto que o Zé Povinho gosta!..."
Pela minha parte, apesar de nem me importar de ser "Zé Povinho" (até porque resido no concelho de Caldas da Rainha...), respondo ao distinto docente com um manguito apropriado e fico à espera de mais filmes assim, saudando o realizador e a sua óbvia coragem.

Joaquim de Almeida e Rita Blanco em "A Gaiola Dourada"
(imagem retirada de http://www.agaioladourada.pt/index.html)

 


segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Piratas à solta

À procura de críticas portuguesas sobre o filme "A Gaiola Dourada" (lá iremos) encontrei um blogue onde a sua autora, pelo menos vagamente identificada, pergunta a quem lhe possa responder onde é que pode encontrar o filme na internet. Não no cinema, não na televisão, não em DVD.
A pergunta tem várias respostas, de pessoas que até dizem que a qualidade da cópia obtida por essa via é boa.
A isto chama-se roubo (de direitos de autor, para começar) e pirataria. Mas é comum. 
Há maneiras de o combater e nem todas elas pelos mecanismos punitivos que um ex-inspector da PJ conseguiu vender ao Estado português. Só que cá isso não acontece.
Assume-se que a pirataria é normal e que não faz mal nenhum.
Dos distribuidores às administrações e direcções dos jornais (que promovem tudo como "obras-primas da sétima arte"), passando por muitos realizadores e produtores que dependem dos subsídios e não do público e pelas carpideiras dos cinemas de arte e ensaio fechados, não se ouve uma palavra sobre o assunto.
E depois admiram-se de que a frequência das salas de cinema vá minguando e queixam-se da "crise", que serve para tudo.