sábado, 22 de agosto de 2026

CostaTerra: a lavandaria do "Expresso" lava mais branco


Em 2022, numa fase auspiciosa da sua ressurreição que durou pouco tempo, o semanário "Tal&Qual" contou uma história pouco edificante: o investimento de um grupo ligado aos negócio da droga na América do Sul na aquisição de terrenos no litoral alentejano e o consequente encerramento ao público de extensões de terreno que não pareciam ter saído do domínio público.

As reportagens do "Tal&Qual" lançaram também suspeitas, nunca esclarecidas, sobre o modo como a Câmara Municipal de Grândola e o seu presidente à época (eleito pelo PCP) pareciam estar a facilitar a expansão do grupo, cujo centro de operações era Melides e que tinha como principal impulsionador Carlos Hank González, aliás ‘El Profesor’, um destacado político mexicano retratado na série televisiva "Narcos".



Apesar do silêncio dos outros órgãos de informação (que, tanto quanto me parece, só a revista "Sábado" terá quebrado, chegando a ir ao local), o "Tal&Qual" não desistiu. O impacto ambiental do empreendimento e o bloqueio dos acessos a algumas praias da costa de Melides, juntamento com a compra acelerada de casas já habitadas e de terrenos, continuaram a ser os pontos mais polémicos do empreendimento do "clã mexicano".

A contratação de um advogado muito especial, e irmão do então Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa, também foi objecto de atenção do "Tal&Qual", que não deixou de ir acompanhando a expansão do grupo.






A controvérsia em torno do projecto da costa de Grândola não cessou e, há pouco tempo, a "Sábado" tentou entrar no local e os seus repórteres acabaram perseguidos pelos seguranças locais. E a questão do acesso às praias, incluindo ao parque de campismo de Melides, controlado pelo grupo e gradualmente limpo dos campistas habituais, ganharam mais visibilidade.

E ontem, sexta-feira, talvez na perspectiva de que o ataque é a melhor defesa, o grupo CostaTerra quis revelar-se. O veículo escolhido para o que tem todo o apecto de ser uma "publirreportagem" foi o semanário "Expresso". 








Com nomes de clientes e frequentadores famosos, a completa omissão da ligação ao duvidoso mexicano, a apologia do "luxo de pé descalço", fotografias de instalações vazias de gente (que até parecem fotografias de um folheto promocional, um mapa do "resort" e garantias de porta-voz de que os problemas ambientais não existem ou estão resolvidos e de que os acessos às praias são livres embora seja necessário mostrar o cartão de cidadão (porquê?!), o que o "Expresso" publica dificilmente poderá ser considerado um trabalho jornalístico respeitável e profissional.

É como se fosse, em tudo, um exercício de lavagem de imagem do grupo CostaTerra, motivado pelo simples desejo de se mostrar mais respeitável ou, quem sabe?, para prevenir eventuais situações mais difíceis ou, simplesmente, para angariar mais compradores das tais casas que chegam a custar entre 3 a 7 milhões de euros.

A pergunta é legítima. Tal como legítima são estas perguntas: houve vantagens materiais para o "Expresso" nesta publicação? Quem é que tomou a iniciativa, o grupo CostaTerra ou o "Expresso"?










(Imagem de fonte aberta de acesso público.)

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