Passava já das seis da tarde quando o dia começou hoje a ficar menos claro. Duas horas depois regressou a claridade do lusco-fusco. Pelo meio, e por entre nuvens, ainda foi possível ver a imagem do sol desprovida do equivalente a uma talhada.
O eclipse de hoje, o tal "espectáculo do século" ou coisa que o valha, foi isto, na simpática vila de Esmoriz (em Ovar) onde me encontro. Ao arrepio da histeria mediática, eu e os outros três adultos (e três cães) não ficámos de cabeça no ar e dedicámo-nos aos prazeres da mesa, mais relevante do que o "prato do dia" mediático.
Compreendo bem a triste lógica da imprensa que temos, mas, mesmo assim, ainda me custa a perceber a relevância dada a este acontecimento astronómico que, contra o que se afirmou e escreveu, não mergulhou o País na escuridão. A escuridão do País, digamos assim, é mais política do que astronómica.
O "Jornal de Notícias", por uma vez, acertou no alvo com a sua manchete: andou tudo de cabeça no ar. Incluindo o deslavado Presidente da República, que quis dar um ar da sua graça. A fotografia, retirada do Facebook (sem indicação de autoria), é, na realidade, a de um eclipse. Mas não do Sol.


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