domingo, 31 de julho de 2022

À beira do abismo

Cinquenta anos depois, "Deliverance" ("Fim-de-Semana Alucinante", 1972), de John Boorman, continua a ser um filme perfeito e uma das suas sequências fundamentais é a dos "dueling banjos", um confronto de culturas que os campistas chegados a uma espécie de mundo perdido encaram com uma felicidade quase arrogante e que antecipa o abismo de violência em que os citadinos vão mergulhar.

A montagem é impecável e o "I'm lost!" é tão sincero como premonitório. 






sexta-feira, 29 de julho de 2022

Notas de prova

 


Solar dos Lobos   Tinto 2008 — Reserva — Vinho Regional Alentejano
Syrah (50%), Alicante Bouschet (30%) e Touriga-Nacional (20%)
Silveira e Outro, Lda. - Herdade Vale D'Anta, Redondo
14,5% vol.
Muito bom!



Conventual  Tinto 2011 — Reserva — Vinho Regional Alentejano
Aragonez, Trincadeira e Alicante Bouschet
Adega Cooperativa de Portalegre, Portalegre
14,5% vol.
Muito bom.




Conventual  Tinto 2019 — DOC Alentejo
Trincadeira, Aragonez e Alicante Bouschet
Adega Cooperativa de Portalegre, Portalegre
14,5% vol.
Bom!




Terras de Baco  Tinto 2018 — Vinho Regional Alentejano
Trincadeira, Aragonez e Castelão
Adega Cooperativa de Portalegre, Portalegre
14% vol.
Bom!





quinta-feira, 28 de julho de 2022

Na guerra há os que morrem e os que se promovem

 


O presidente do governo de Kiev levou longe demais a sua campanha de promoção pessoal. Comediante de profissão, posou agora com a mulher, guionista, para uma das mais chiques revistas cor-de-rosa de moda. 

Depois de ter destruído a Ucrânia (e teremos sorte se a destruição for apenas localizada) e se ficar sem emprego na política, pode fazer carreira como modelo.




Ler jornais já não é saber mais (150): muitos puns já são peidorreia











































terça-feira, 26 de julho de 2022

Mercado Medieval de Óbidos: assim, não

 "Isto é um bocado medieval", diz-me, admirada com o que vê, uma das jovens que está a fazer de bilheteira, no terceiro posto de venda de bilhetes de ingresso no Mercado Medieval de Óbidos. 

Tem o meu Cartão de Cidadão enfiado num aparelho que lhe diz, surpresa das surpresas, que eu resido no concelho de Caldas da Rainha e não no concelho de Óbidos.

Não compreendo o motivo da sua dúvida porque, se lhe entreguei o cartão, foi para beneficiar apenas do desconto de uns modestos 2 euros que me garantem os mais de 65 anos. 

Mas este desconto, convenientemente desaparecido dos preçários expostos nas bilheteiras, parece ser usado por pouca gente. Quem apresenta as respectivas identificações, para poder entrar à borla, são os residentes em Óbidos e daí a surpresa da minha interlocutora.

Nem a ela nem à colega ao lado lhe ocorrem uma pergunta simples que deviam fazer ao cliente (o motivo do desconto) ou a simples verificação da data de nascimento. Talvez por não saberem ler.

Esta penitência diante da terceira bilheteira do Mercado Municipal de Óbidos (a primeira estava apinhada de gente e na segunda foi necessário esperar para outra criatura da mesma espécie me rejeitar a apresentação do Cartão de Cidadão) foi apenas um dos passos difíceis do acesso ao recinto onde não ia, salvo erro, desde 2018.

Estacionar (com um parque gerido pelos Bombeiros de Óbidos que cobram a preços de luxo), percorrer a comprida Rua Direita que leva ao Mercado e depois passar mais de quinze minutos à espera de poder comprar os bilhetes foram as outras etapas desta via sacra.

E para quê? Valeu a pena? 

Não.

Interrompido em 2020 e em 2021, à conta dos confinamentos alarmistas da pandemia, o Mercado Municipal de Óbidos podia ter melhorado: melhor organização, melhores espaços, melhores ofertas de paragem e de zonas de alimentação, melhores actividades de comércio, melhores exposições e iniciativas temáticas. E não me refiro aos espectáculos porque nem consegui ver nenhum. 

Depois de mais de meia hora para tentar entrar, que atirou a chegada à zona das refeições (um propósito legítimo) para depois das oito e meia, há o calvário de tentar encontrar lugar a uma mesa e de ir buscar comida. 

O acaso levou-nos à área da Associação de Caçadores das Freguesias de São Pedro, Santa Maria e Usseira (Taberna dos Caçadores), uma das associações que gerem restaurantes improvisados, que tinha um dos seus dinâmicos membros a assegurar o serviço de mesa e um entrecosto bem assado e saboroso. Isto e os sempre divertidos Os Alquimistas, com os seus licores espirituosos, foram os únicos pontos altos de uma jornada melancólica.

Escrevi aqui que o Mercado Medieval de Óbidos se havia transformado em mais uma "feira de tasquinhas".  

Dez anos depois, os seus organizadores (a nebulosa empresa municipal Óbidos Criativa e a Câmara Municipal de Óbidos) nada fizeram de novo. As multidões que atraem (e que fazem do certame uma iniciativa muito rentável, à margem de impostos) devem dar-lhes a confiança necessária para acreditarem que estão a fazer um bom trabalho. Só que não estão.

Óbidos merece uma visita (mas sem a confusão do seu inglório Mercado Medieval), as lojas ao longo da rua principal são sempre interessantes (apesar dos preços "turísticos" que praticam) e até pode haver uma oferta interessante de comes e bebes. Mas não nesta época.

No regresso, já a caminho da saída, ainda parei numa livraria da moda, na Rua Direita, que parece chamar-se "Livraria e Mercado Biológico", onde se vendem livros (é livraria...) e mercearias várias. 

Mas, significativamente, o vasto salão dos livros estava vedado e só restavam as mercearias. É lógico: na Idade Média, o povo não sabia ler...  


Tasquinhas Medievais de Óbidos, pra inglês ver...




segunda-feira, 25 de julho de 2022

domingo, 24 de julho de 2022

Poderemos, um dia, regressar à racionalidade?

 


Vi esta criança na farmácia da Foz do Arelho na passada terça-feira: num carrinho de bebé, mas com aparência de já andar, e com uma máscara facial que quase lhe cobria os olhos. 

É certo que o uso das fraldas faciais continua a ser - estupidamente - obrigatório nas farmácias, mas também é verdade que as crianças até aos doze anos estão desobrigadas de andar de cara tapada nos espaços onde a coisa ainda é obrigatória. A decisão de lhe pôr a máscara há de ter sido, pelo menos, da pessoa (mãe? outra pessoa da família?) que a levou à farmácia.

O uso das máscaras deixou de ser obrigatório desde Abril deste ano, com excepções incompreensíveis, mas há quem insista. E muitas das pessoas que o fazem são idosas, com dificuldades evidentes de locomoção, com gestos presos, e uma óbvia necessidade de respirarem melhor para poderem suportar com menos dificuldade os seus problemas físicos. Infelizmente, são essas pessoas que andam de cara tapada... e até na rua. 

O zelo fascista da Direcção-Geral de Saúde já não se manifesta aqui. 

Os seus "especialistas" encontrarem todos os argumentos, estúpidos e inteligentes, para imporem as máscaras, resistiram ao fim da sua obrigatoriedade, mas são agora incapazes de dar o passo essencial seguinte: sem outra justificação de força maior, as máscaras são inúteis e fazem mal à saúde. A DGS não lhes diz que já podem respirar livremente.

O medo continua, assim, a imperar. 

Vê-se nas pessoas idosas que andam aos tropeções pela rua... mas com máscara. Vê-se naquelas que põem a fralda facial ao entrarem nos supermercados, mesmo com pouca gente, e que a tiram quando... regressam aos seus carros, ou que nem a tiram quando partem, dentro do carro, com as suas compras.

Não sei se alguma vez poderemos regressar a um ambiente de racionalidade, e este, das máscaras, é de absoluta irracionalidade. 

Mas, pelo menos, já vi no ginásio que frequento quatro irredutíveis das fraldas faciais a tirarem-nas enquanto se dedicam às suas actividades: descendo-as para o queixo, em dois casos, e abdicando agora delas nos outros dois. 

Poderemos, um dia, regressar à racionalidade?


Numa loja, há uma semana


quinta-feira, 21 de julho de 2022

10 meses: nada mudou



Isto parece uma estrada, mas, oficialmente, é uma rua: a Rua Vasco da Gama, no Cabeço da Vela, na Serra do Bouro (Caldas da Rainha). É uma onde há casas de habitação e onde mora gente e este segmento (cerca de uma terça parte do comprimento total da via) foi asfaltado no Verão de 2020.

A autoria da obra foi da omnipresente Cimalha, uma empresa muito amiga da Câmara Municipal de Caldas da Rainha quando era seu presidente Tinta Ferreira. A obra decorreu um ano mais tarde do que o previsto e logo no início ficou bem à vista o que parece ser a fragilidade da cobertura da via.

De então para cá, num período de dois anos, o alcatrão abriu numerosas fendas, que parecem ter sido remendadas com um líquido escuro, e continua a fragmentar-se. E as plantas continuaram a romper pelo alcatrão, numa prova bem evidente da sua fragilidade.

A Cimalha, pelo menos por aqui, nunca foi capaz de fazer obra de jeito. A Câmara Municipal de Tinta Ferreira nunca a incomodou. A Câmara Municipal de Vítor Marques, o tal que ia "mudar" quando foi eleito presidente há 10 meses, seguiu os mesmos passos.

Também aqui, nesta situação de inércia e de incompetência, se vê a fraude política que foi o "vamos mudar" deste movimento que nunca quis, ou soube, mudar fosse o que fosse. 

Faltam três anos e dois meses para as eleições...




terça-feira, 19 de julho de 2022

Eleições presidenciais

Vale a pena registar uma primeira sondagem sobre as eleições presidenciais de 2026, divulgada ontem pela CNN portuguesa.

O resumo do que interessa está aqui:



Assinale-se que o título está (pouco inteligentemente) enviesado. 

Nos dois primeiros lugares estão o almirante das vacinas e o anterior primeiro-ministro. O actual primeiro-ministro aparece numa posição longínqua e em terceiro lugar, apesar de o título o pôr em segundo, a seguir ao almirante e antes de Pedro Passos Coelho. O título é mentiroso, o que não surpreende.



A propósito: o meu candidato, e espero que ele entre em cena, é Pedro Passos Coelho.



Ouro líquido




Conhecendo, e apreciando muito, os vinhos da Quinta da Fata, não espero ter surpresas quando os consumo. 

Há matizes, claro, que variam de ano de colheita para ano de colheita ou em função da opção (os tintos de lote ou os monocastas Touriga Nacional, por exemplo). Mas sei que a qualidade, o gosto, o aroma e tudo o que faz um vinho estão dentro da garrafa e, depois, no copo.

Só que, depois, há mesmo surpresas. E este Encruzado de 2016 (o branco da Quinta da Fata é sempre monocasta), aberto agora, surpreendeu-me: macio, saboroso, cheio de corpo e com uma cor dourada tão espectacular como o produto que saiu das duas garrafas que abri, de um conjunto de 3931. Está magnífico, e não sei se, entre alguns dos brancos da Quinta da Fata que tenho, me resta mais alguma garrafa de 2016.

E já há, claro, o de 2021, saído há pouco meses, já depois de alargada a área das vinhas com cerca de 10 mil garrafas. Mas esse ainda não o provei. 



Notas de prova

Selecção dos Enófilos  Tinto 2020 — Reserva — DOC Dão
Touriga-Nacional, Tinta Roriz e Alfrocheiro
União Comercial da Beira/Intermarché, Carregal do Sal
13,5% vol.
Bom!



Quinta dos Monteirinhos  Tinto 2017 — DOC Dão
Touriga-Nacional (60%), Tinta Roriz (20%) e Jaen (20%)
Quinta dos Monteirinhos, Moimenta de Maceira Dão
13% vol.
Bom!




Vinha de Pucaros  Tinto 2019 — Reserva — DOP Dão (Serra da Estrela)
Tinta Roriz, Jaen e Touriga Nacional 
Seacampo, Sociedade Agrícola, Lda., Vila Nova de Tazem 
13% vol.
Bom!
(Bebido no restaurante O Recanto, em Caldas da Rainha, 
a acompanhar pratos diversos)





segunda-feira, 18 de julho de 2022

Vinho é vinho, Cabriz é só marketing


A empresa Global Wines, de Carregal do Sal, tem um bom restaurante (Quinta de Cabriz, onde vou sempre quando me desloco à região do Dão) e alguns vinhos de qualidade, de entre os quais se destaca o Quinta do Encontro.

Entre os seus produtos vinícolas está uma gama de vinho tinto, branco e rosé que leva a designação de "Cabriz". Já foi "Quinta de Cabriz", e há muita gente iludida que ainda lhe chama isso, mas o facto de estar a ser feito com uvas compradas fora do que seria o seu "terroir", em Carregal do Sal, retirou-lhe a possibilidade de ostentar a designação de "quinta".

Já bebi Cabriz (que está à venda por todo o lado, parecendo ser em maior quantidade do que todo o vinho que poderia ser produzido em toda a região do Dão...) e nunca gostei. Conheço bem os vinhos do Dão, e desde há muito tempo, e nunca encontrei numa garrafa de Cabriz uma sugestão de aroma ou de gosto que me fizessem lembrar o Dão, esse berço de ouro do vinho português. 

As garrafas de vinho comercializadas com a marca "Cabriz" até podem ter vinho, mas não passam de um produto de marketing, destinado a um público ignorante em matéria de vinho e com poder de compra desigual. 

Esta manobra publicitária do vinho comercializado em garrafas multicoloridas mostra isso mesmo: Cabriz não é vinho, verdadeiramente. A quem o compra e bebe interessa pouco o que está dentro das garrafas da marca "Cabriz". Tem nome e até pode ser que a mistura proposta seja saborosa. E se a "capa" for gira, tanto melhor.

Um dia hão de vender merda liquefeita nas suas garrafas e, surpresa das surpresas?, o público deles há de gostar...




Foi-se

 




E, um dia, já não voltou...

Deixavam-no sair, fosse a que horas fosse, furando todos os obstáculos que iam plantando sem grande convicção nas bordas da vedação que rodeia a propriedade. Pouco lhe ligavam. Ausentavam-se e deixavam-no entregue a si próprio. Horas e, às vezes, dias. 

Que andasse por aí, a ser atropelado (como foi) ou a ladrar às portas de outras casas (como fez, uma noite, às duas e meia frente à casa onde foi acolhido outro cão com quem ele se dava), interessava-lhes pouco.

Deixou de ser visto, e já não regressou a casa, há duas semanas. 

Parece que terão ido à GNR (fazer o quê?), que andaram "por aí" à procura dele, mas não se vêem os papéis a perguntar se alguém o viu, não se vêem os alertas de "desapareceu" no Facebook e nos sites indicados e nem perguntaram aos vizinhos se o viram. Compreende-se: livraram-se de uma chatice.

Acredito que deve estar morto, atropelado (como já tinha sido) ou enfiado em algum buraco onde possa ter caído e de onde já não saiu.

Chamaram-lhe "Sweet", mas não foi tratado com doçura. Merecia ter tido melhor sorte.


*

Escrevi neste blogue sobre esta triste história de abandono em Uma história de abandono e em Tratam mal o cão.


*

[Uma nota de actualização: em 25.07.22, o cão e reapareceu, voltando a entrar e a sair da propriedade sem quaisquer problemas por parte dos seus putativos proprietários e verdadeiros filhos-da-; mas duas semanas depois, foi-se... outra vez.]




domingo, 17 de julho de 2022

A prevenção é uma treta e a "contingência" faz milagres

Na zona florestal da Serra do Bouro, em Caldas da Rainha, há terrenos por limpar que são verdadeiros depósitos de combustível. 

Há proprietários que não querem saber, pode haver outros que nem sabem que os terrenos são deles. 

A GNR faz vista grossa e não me esqueço de que, na sequência de um incêndio de grandes proporções aqui ocorrido em Outubro de 2017, respondeu a uma minha denúncia que não conseguia identificar o proprietário do terreno que estava por limpar e que era contíguo a duas casas.

A Protecção Civil de Caldas da Rainha gosta mais do folclore e das coboiadas propagandísticas do que de agir.







O que dá nisto: estes terrenos (e não é impossível às autoridades, em querendo, identificar os seus proprietários) estão por limpar e a vegetação que neles possa arder vai levar as chamas a duas casas vizinhas.

Mas há de haver sempre uma "situação de contingência", ou "de alerta", ou mesmo "de emergência", que, como se tem visto desde 2020, resolve tudo de uma penada e até consegue o milagre, nesta altura, de fazer baixar as temperaturas.





quinta-feira, 14 de julho de 2022

7 anos catastróficos

 

Nuvem de fumo de incêndio fotografada por mim, à porta de casa, em 3 de Setembro de 2012


2016

2017 (Pedrógão e outros casos)

2018 

2019

2020

2021

2022 (6 meses).

7 anos. 

Com o mesmo Governo, o mesmo PM, o mesmo PR... e sempre com o mesmo flagelo dos incêndios florestais.




quarta-feira, 13 de julho de 2022

Irresistíveis

 No restaurante O Recanto (Caldas da Rainha),


Rancho.


Mão de vaca com grão.




Bife de touro.



Picadinho de borrego.




Açorda de camarão.