quarta-feira, 13 de maio de 2026

Patadas na língua, patadas no jornalismo (12): pandemia de asneiras




Sim: na CNN tuga escreveu-se mesmo "o general prusso" ("prussiano", em português). 





A CNN tuga escreve "Ren", mas é RAND.
Ignorância e/ou incapacidade de procurar e obter informações? 




 

"Arrasar com"?! Não, é só "arrasar".







Este "reduzir 'a zero'" da CNN tuga aplica-se à ajuda militar que Israel ainda vai receber dos EUA
 num período de dez anos ou a um período de aplicação "a zero" que se vai prolongar por dez anos?







Na CNN tuga: não é só a flagrante asneira relacionada com o substantivo "olhar" (não é "olhar a", mas sim "olhar para com" ou "para"), nem o facto de se deixar cair o "de" na frase, que seria a correcta, "imigração de que nós precisamos", mas o àmbito do "em segredo". A que parte da frase é que se aplica o "em segredo"?
E José Pacheco Pereira disse isto mesmo assim ou nem sabe que o fazem passar por verbalmente incapacitado?







Não é cultura, é incultura: no Centro Nacional de Cultura, o verbo "disseminar" (divulgar)
aparece transformado em "dessiminar".




À CNN tuga também já chegou o "dessiminar".
Como é que chega ao jornalismo gente que escreve desta maneira?!







Na RTP também não se sabe escrever "disseminar".






 


Mais asneiras com o carimbo da CNN tuga: escreve-se "de moto próprio" ou "por moto próprio". 
O útil dicionário on line Priberam, de consulta aberta, explica o que é o "mote".
A autora da asneira tem bacharelato, licenciatura e pós-graduação.










Na CNN tuga, invariavelmente. É pena que fiquemos sem saber se o curso é universitário.










Mais um vírus: a utilização de uma má tradução do inglês com um significado que não tem em português. Aqui é no "Jornal Económico" e onde se lê "negócios" deve ler-se "empresas".
É o que significa "businesses", em inglês.











Em inglês, "to go after" pode significar "perseguir". Mas, em português, "ir atrás" é mesmo ir atrás. Podemos supor, no primeiro exemplo, uma procissão em que Netanyahu e a Guarda Revolucionária do Irão vão marchando em fila indiana. E, no segundo, que o Governo está a espreitar por cima do ombro dos "imigrantes que não quer". Os dois casos são, claro, da CNN tuga.






Mais outra, da CNN tuga: a palavra inglesa "inventory" significa "reservas" ou "stock".
"Inventário" é coisa completamente diferente em português.












(Imagens de fonte aberta de acesso público.)

segunda-feira, 11 de maio de 2026

Carlos Brito, o eurocomunismo, o PCP, a "geringonça", as brumas da memória, a Rússia de Putin, os nazis "branqueados" de Kiev e a iliteracia que agrava a desinformação da comunicação social

 

Carlos Brito.

Comecemos por ele, nestas notas que devem ser de mais fácil leitura do que o título deste modesto post. Carlos Brito (1933 - 2026) era e não era do PCP. Nome destacado entre os dirigentes do PCP que emergiram da clandestinidade depois do 25 de Abril, tornou-se mais conhecido pelo seu trabalho como deputado. 

A visibilidade que ganhou tê-lo-á ajudado a afirmar-se como um dos militantes comunistas de primeiro plano que, a partir da queda do Muro de Berlim (em 1989), defenderam uma renovação política e, de certo modo, ideológica do partido. A ala "renovadora" entrou em choque com a direcção partidária onde Álvaro Cunhal continuou a ser influente até morrer, em 2005. Suspenso da sua actividade partidária em 2002, Carlos Brito, que era membro do Comité Central, declarou-se auto-suspenso no ano seguinte. E assim se manteve nos vinte e três anos seguintes.

A ala "renovadora", animada por muitos militantes que se foram afastando do PCP, não era um movimento homogéneo e nem todos se aproximaram do PS da "terceira via" de Guterres. Carlos Brito defendeu uma aproximação ao PS, e a outros sectores de esquerda, mas manteve a sua independência.



O eurocomunismo
de Jerónimo de Sousa

Carlos Brito talvez não andasse longe do movimento conhecido como "eurocomunismo" (onde se destacaram o espanhol Santiago Carrillo e o francês George Marchais), que ajudou a afundar diversos partidos comunistas por toda a Europa... incluindo em Portugal. Em 2015, com Jerónimo de Sousa à cabeça, na qualidade de secretário-geral que aplicou a doutrina eurocomunista sem a querer identificar, o PCP juntou-se ao PS e ao BE no malfado governo da "geringonça". Carlos Brito manteve-se auto-suspenso, mas não deixou de apoiar aquilo que os clássicos do marxismo-leninismo classificariam como uma "santa aliança". 

Carlos Brito não teria impedido o descalabro da "geringonça", o vampirismo do PS e o afundamento do PCP, mas teria, indubitavelmente, feito melhor figura do que Jerónimo de Sousa.

Na pequena polémica que rodeou a sua morte (com uma declaração do PCP que não terá sido feliz), estes pormenores (aqui resumidos) desaparecem nas brumas nevoentas da memória. Da memória política, da memória jornalística e da memória da população.

Este nevoeiro, por onde emerge uma iliteracia que devia preocupar as pessoas que ainda são capazes de raciocinar, abate-se sobre tudo o que diz respeito à Rússia e ao seu presidente, Vladimir Putin. 

A imprensa oficial apresenta o que, em tudo, parece ser uma agenda única sobre a crise ucraniana. 

A Rússia e Putin estão sempre mal. Ora são comunistas, ora não o são. Ora são fascistas, ora não o são. Não conseguem obter o controlo dos territórios russófonos da Ucrânia anterior a 2022, mas vão avançando sempre no terreno. Hão de chegar a Odessa (e, sabe-se lá, a Kiev) e a imprensa oficial ainda há de dizer que nada avançaram desde Fevereiro de 2022. Não conquistam cidades, mas elas já ficaram para trás. A economia está em desagregação, mas a Federação Russa continua pujante, económica, política e geoestrategicamente. E, nesse mês, não recuaram diante de Kiev porque Macron pediu a Putin que o fizesse para faciliar as negociações com o regime de Kiev, mas porque perceberam que não conseguiam conquistar a Ucrânia em "três dias", "boutade" de um chefe militar da NATO que parece ser giro atribuir a Putin.


A verdade
a que não temos direito

A extraordinária mistura de iliteracia e de desinformação, expressa com nuances pela imprensa oficial e pelas diversas camadas da "vox populi", tem a sua melhor representação nos comentários dos frequentadores do "Observador" aos esctritos de algumas figuras (que são quase todas, lá, convenhamos) abertamente favoráveis ao regime de Kiev. Para ler esses escritos, é preciso assinar o dito órgão, mas os comentários, onde a asneira ferve, são de acesso livre. Quem gosta, há de atingir orgasmos mentais a lê-los.

E sobre a Ucrânia? Zelensky é um santo e está tudo dito. Os diversíssimos escândalos de corrupção? A predominância de sectores nazis nas estruturas civis e militares? Os desvios de dinheiro e de equipamento militar? A mobilização de homens à força bruta? A destruição do país? As operações mediáticas que não correspondem à dura realidade? Nada disto existe. Parece que ninguém consegue perceber que uma nação quase destruída e retalhada, desagregada por uma guerra que nunca vencerá, deve entender-se com o seu inimigo quando está a perecer.

Digamos, para retomar uma frase de campanha do extinto "o diário" (do PCP de Álvaro Cunhal e de Carlos Brito), que a "verdade" da actual comunicação social oficial, não é a verdade a que a população tem direito. Não é com ela que as brumas da iliteracia se dissiparão. É sempre mais fácil culpar "as redes sociais" pela desinformação que os próprios praticam.






terça-feira, 5 de maio de 2026

E o Prémio do Cagalhão vai... para a Tienda Animal









Foi em 2013 que tive o meu primeiro contacto com a empresa de venda on line Tienda Animal e por pouco tempo. O serviço, que me pareceu interessante, esbarrou numa distribuidora absolutamente incompetente chamada SEUR, que conseguiu transformar o prazo de entrega de 48 horas num período de espera de 96 horas. Sem que a Tienda Animal se incomodasse em resolver o problema.

Cortei, nessa altura, com a Tienda Animal, que reagiu, muito despreocupadamente, com a oferta de 5 euros na compra seguinte, oferta que recusei. Foi interessante verificar, no ano passado, que, nos seus anúncios on line, a Tienda Animal propagandeava um "descontão"... de 5 euros. Uma oferta magnânima, na realidade.

Não me livrei, infelizmente, da Tienda Animal, que enxameia o YouTube com os seus anúncios. São, todos eles, obras-primas de cretinice, e lamentavelmente frequentes. Não há, parece, algoritmo que consiga perceber que a minha rapidez a tocar no "ignorar" dos anúncios, deles e de outras empresas, significa que não quero ver esses anúncios.

Farto dos insistentes anúncios da Tienda Animal, atribuo-lhe hoje o Prémio do Cagalhão. Já o devia ter feito há mais tempo, na realidade.





domingo, 3 de maio de 2026

Patadas na língua, patadas no jornalismo (11) ... e patadas na gramática



Eu posso estar enganado, mas acredito que não se encontrará na imprensa um único jornalista (latu sensu, numa perspectiva funcional, limitada aos órgãos de comunicação social e enquadrada pelos requisitos de titularidade da Carteira Profissional de Jornalista) que não seja licenciado. Ou seja: que seja possuidor de um diploma de aprovação num curso superior (universitário ou politécnico), onde entrou depois de ter obtido aprovação final na frequência dos ensinos básico e secundário.

E, nessa perspetiva, a que acresce a exposição pública (trata-se da escrita jornalística e não da escrita de ofícios ou de e-mails profissionais), devo supor que toda essa gente há de saber ler, escrever e contar.

Portanto, como é que se explicam tantos pontapés na gramática, sobretudo quando aquilo que é escrito deve ser revisto (pelo próprio, por um editor ou, na melhor das hipóteses, por um revisor profissional)?

Não sei. Mas registo alguns desses pontapés:



No "Correio da Manhã": ... "por ter sido dado à casa mais de 60 anos"?! 
Não encontro explicação para esta frase, por mais vezes que a leia.






Na CNN nacional: da "temperatura abaixar" à falta de vírgulas, passando pela desarticulação do texto ("o eclipse deste género"?!).







Na CNN nacional: o problema (gramatical) do plural.
Devia ser "vêm aí chuva e trovoada", porque são dois substantivos diferentes.





Na CNN nacional: faltam os dois pontos e devia ser "dissesse" e não "falasse".






Na CNN nacional: o eterno problema do plural.






Na CNN nacional: o problema do plural.







No "Diário de Notícias": o problema do plural.



No "Diário de Notícias": o verbo "esgotar", neste caso, é reflexivo ("esgotar-se").
Em português correcto: o "apoio à compra" esgota o quê?





No "Diário de Notícias": faltam uma vírgula e o "-se".







No "Jornal de Notícias": falta o "-se".








No "Nascer do Sol/Sol": não se percebe...





No "Público": ninguém sabe o que é o plural,
talvez pelo pouco pluralismo do diário da Sonae.












(Imagens de fonte aberta de acesso público.)

quinta-feira, 30 de abril de 2026

Ler jornais já não é saber mais (260): a falta de criatividade deu lugar à histeria


O recurso recorrente ao verbo "disparar" nos títulos das notícias, para indicar aumentos vistos como repentinos, descambou nas últimas semanas para uma utilização frenética e histérica do mesmo verbo que já nem respeita a lógica ou a racionalidade. 

E acredito que os exemplos que aqui apresento, mais uma vez, representam apenas uma parte desta histeria colectiva que é o triste retrato de um sector em crise absoluta, onde imperam criaturas, muitas vezes com cargos de chefia, com espírito de amanuense e não de jornalista.



































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(Imagens de fonte aberta de acesso público.)