(Imagens de fonte aberta de acesso público.)
Pedro Garcia Rosado
Este blogue é um registo pessoal de impressões, comentários e opiniões do autor, na sua qualidade de cidadão, na forma de um diário privado que é, no entanto, de acesso público e livre. Este blogue não tem fins lucrativos e as apreciações do autor sobre acontecimentos, pessoas e iniciativas, sociais, culturais, políticas, comerciais, mediáticas e outras, são completamente independentes e pessoais.
segunda-feira, 25 de maio de 2026
Homicídio qualificado, com cúmplices
domingo, 24 de maio de 2026
Onde estão os animais
Não gosto do partido PAN - Pessoas, Animais, Natureza e dos seus exageros em alguns domínios. Mas a iniciativa que tiveram de levar à Assembleia da República a tentativa de aprovação de uma lei que proibisse o acorrentamento de animais foi meritória.
As denúncias sobre o estado de degradação física e de autêntica morte em vida de muitos cães (que passam anos acorrentados muitas vezes sem comida nem água, sem cuidados médicos e obrigados a viver em cima das suas próprias fezes) dão um retrato do País e dos seus habitantes que é repelente.
Esperar-se-ia que a proposta do PAN fosse aprovada, mesmo que com abstenções. Não foi, segundo parece, e o PSD, o CDS e a IL destacaram-se, segundo o PAN, na rejeição da sua proposta.
Não consigo perceber os critérios que levaram estes deputados do PSD, do CDS e da IL, aparentemente pessoas civilizadas e bem formadas, a votarem, na prática, pelo acorrentamento de animais.
Mereciam, como este deputado que se destacou com uma intervenção vergonhosa, ter a mesma sorte de tantos cães: passarem anos acorrentados, muitas vezes sem comida nem água, sem cuidados médicos e obrigados a viver em cima das suas próprias fezes. E não na gaiola dourada onde conseguiram chegar, completamente livres e com benefícios acumulados. Como animais que são, mas com vidas de luxo.
sexta-feira, 22 de maio de 2026
Da modesta Longueira à inóspita Odemira, passando por Vila Nova de Milfontes em versão Algarve... com um desvio por Mirandela
Passei algumas férias de Verão em Vila Nova de Milfontes e guardei desta "terra das três mentiras" (não é vila, não é nova e não tem mil fontes...) boas recordações.
Foi há mais de quarenta anos e em 1993 ainda regressei para uma visita breve, de trabalho: uma reportagem, para o "Diário de Notícias", sobre as escolas básicas isoladas no Alentejo, em especial na região de Odemira.
Numa nova visita ao litoral alentejano, reencontrei as vastas zonas de praia, visíveis nas duas margens do rio Mira e em plena costa, frequentadas ainda por poucos banhistas nos dias ventosos de Maio de há uma semana. A extensão de praia parece ter sido bem defendida, com os vários areais ligados entre si e nem uma escultura estrambólica e despropositada consegue desfear a paisagem da costa vicentina que se avista da ponta mais ocidental de Milfontes.
Mas basta voltarmos as costas ao mar ou atravessar a vila, quase uma odisseia em dia de pouco movimento de pessoas e veículos, para vermos como a paisagem se desequilibra. No horizonte acumulam-se casas, na sua maioria brancas, que não deixam de fazer lembrar as urbanizações exageradas do Algarve litoral (e de outras zonas de praia do País). Vila Nova de Milfontes, como sugerem as lojas de roupa de marca que se encontram junto a uma escola, deve ter-se transformado num centro urbano relevante. Talvez a gestão municipal evite desmandos urbanísticos, mas dificilmente conseguirá controlar a pressão dos veraneantes no Verão.
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| O casario ao fundo, o rio Mira à direita: Vila Nova de Milfontes ainda tem algum encanto |
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| Uma escultura dispensável num dos miradouros naturais de Vila Nova de Milfontes. Nem que fosse uma versão perfeita de Nyarlathotep!... |
Vila Nova de Milfontes é, de certa forma, o extremo norte de um eixo turístico que forma uma zona de transição entre a costa alentejana chique de Porto Covo e de Melides e a costa ocidental do Algarve (o Barlavento), com um clima mais ameno do que o interior alentejano e águas mais frias do que o centro e o Sotavento do Algarve. No extremo sul fica Zambujeira do Mar e, a meio, Almograve e Longueira (onde ficámos), a cerca de onze quilómetros de Milfontes e a pouco mais de vinte de Zambujeira.
Se no meio é que está a virtude, digamos que a impressão que fica de Longueira e de Almograve é um pouco turva, por comparação não tanto com Milfontes (talvez o pólo mais desenvolvido) mas com Zambujeira do Mar, com mais movimento e mais comércio do que a Longueira, ou mesmo Almograve.
Em Almograve (a zola litoral) a oferta de praias é reduzida e está condicionada pelas escarpas que preenchem a costa para sul e para norte, numa paisagem que impressiona e que pode ser percorrida a pé e, em parte, de carro por estradas de terra. A costa é batida pelas ondas e as rochas mostram os sinais do desgaste causado pelo mar. É possível perder-nos na contemplação do poder do oceano, mais evidente aqui do que, por exemplo, na costa atlântica entre a Foz do Arelho e Salir do Porto, onde resido, e onde a vegetação esbate a visão das rochas.
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| Almograve: uma costa talhada pelo mar |
Longueira, por sua vez, não é mais do que uma estreita rua central.
É nessa rua, sem passeios e com dois sentidos, que está tudo o que existe: a Mercearia d'Avó, que tem todos os produtos básicos e pão fresco, muito bom, que vem todos os dias de Zambujeira do Mar. É também aí que ficam dois restaurantes dignos de nota, o Josué e o João da Longueira. Há, mais discreta, i que, por analogia com outras povoações de maior dimensão, pode ser considerada uma zona residencial com pequenas moradias em banda, brancas e amarelas, ao longo de duas ruas. E foi aí, numa zona adjacente, que nos alojámos.
Com a designação de Casa do Poço Azul (e apresentada como "Casa de campo em Odemira" no Airbnb), a casa onde ficámos revelou-se ampla, arejada, bem situada num espaço admiravelmente sossegado e com uma mais-valia extraordinária: um pátio exterior bem vedado (essencial para quem viaja com cães), resguardado e fresco (mas com sol de manhã) com um terraço que... nos levou a Mirandela (e à Vidigueira). Fica a recomendação para quem quiser aventurar-se por esta região.
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| Pão, queijo e vinho (branco) alentejano e azeite de Mirandela |
sábado, 16 de maio de 2026
Ler jornais já não é saber mais (261): histeria desbragada
A histeria é geral. Não há órgão de informação (sensacionalista", "de referência" ou outro, ou seja lá o que for) que não recorra ao verbo "disparar" para descrever um aumento de qualquer coisa, e de qualquer valor. Uma coisa aumentas 5 por cento? Dispara! Outra aumenta 100 por cento? Dispara! Não há critério, não há criatividade. Só há títulos histéricos.
quarta-feira, 13 de maio de 2026
Patadas na língua, patadas no jornalismo (12): pandemia de asneiras
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| Sim: na CNN tuga escreveu-se mesmo "o general prusso" ("prussiano", em português). |
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| A CNN tuga escreve "Ren", mas é RAND. Ignorância e/ou incapacidade de procurar e obter informações? |
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| "Arrasar com"?! Não, é só "arrasar". |
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| Este "reduzir 'a zero'" da CNN tuga aplica-se à ajuda militar que Israel ainda vai receber dos EUA num período de dez anos ou a um período de aplicação "a zero" que se vai prolongar por dez anos? |
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| Não é cultura, é incultura: no Centro Nacional de Cultura, o verbo "disseminar" (divulgar) aparece transformado em "dessiminar". |
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| À CNN tuga também já chegou o "dessiminar". Como é que chega ao jornalismo gente que escreve desta maneira?! |
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| Na RTP também não se sabe escrever "disseminar". |
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| Na CNN tuga, invariavelmente. É pena que fiquemos sem saber se o curso é universitário. |
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| Mais outra, da CNN tuga: a palavra inglesa "inventory" significa "reservas" ou "stock". "Inventário" é coisa completamente diferente em português. (Imagens de fonte aberta de acesso público.) |











































