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| O blogue "Events in Ukraine" é uma das fontes de informação sobre o que acontece na Ucrânia e sobre a própria história desse país |
Esta cidade forma, com as cidades de Kramatorsk e Slaviansk, uma espécie de último reduto dos militares de Kiev no Donbass. Kostiantynivka, Kramatorsk e Slaviansk situam-se na região de Donetsk e a sua conquista pelas forças militares russas até pode ser mais rápida do que se pensa. Quando Kostiantynivka cair, o caminho russo fica praticamente aberto para Kramatorsk e Slaviansk... e para o controlo absoluto de Donetsk.
Bem podem os dirigentes do regime de Kiev garantir que nunca abrirão mão do Donbass, porque a Rússia também não está à espera disso. Já "libertou", para usar a denominação oficial russa, Lugansk, e já só falta Donetsk para o Donbass russófono ficar ligado à Rússia sem temer mais actos de violência de Kiev.
O que se passa com a falta de notícias sobre Kostiantynivka já aconteceu, há poucos meses, com Pokrovsk, outra cidade que era ucraniana. Já a Rússia a controlava por inteiro e ainda ganhava força a narrativa ucraniana de que os russos quase já tinham sido obrigados a recuar.
O silenciamento dos avanços russos equivale a uma forma pervertida de censura. Não é, sequer, a Ucrânia que esconde as informações. É, sim, o conjunto da imprensa oficial. Nela vigora ainda a narrativa oficial de que a Rússia não consegue avançar e de que a Ucrânia está a resistir com êxito. É o que o presidente de Kiev, Zelensky, anda a dizer, para justificar os eternos pedidos de dinheiro. Enquanto houver guerra, o seu "cash flow" não pára. E não esconde, apenas conta uma história diferente... que a imprensa oficial sorve, e serve, com entusiasmo.
Será interessante recordar que, noutra guerra, a guerra colonial portuguesa (1961 - 1974) a imprensa oficial até conseguia manter algum distanciamento.
Se era impossível encontrar um posicionamento crítico no "Diário de Notícias", já era possível perceber que outros jornais (já extintos, como o "República" e o "Diário de Lisboa") eram críticos do regime e só não publicavam notícias desfavoráveis para o regime sobre a guerra colonial porque a censura (do Estado) não o permitia. Havia uma intervenção do Governo que limitava a liberdade de expressão e de informação.
E, nessa altura, o que estava mais ao alcance de quem queria informar-se eram as emissoras estrangeiras, da BBC inglesa à Rádio Moscovo soviética, passando pelas emissoras de grupos da oposição. Era aí que nos podíamos informar.
E hoje, para sabermos o que se passa nas frentes de batalha (tanto na frente militar como na frente política) da Ucrânia, é necessário, como antes do 25 de Abril, procurar fontes estrangeiras.
Regressemos ao caso de Kostiantynivka. Sou seguidor, e subscritor, de um blogue da plataforma Substack simplesmente intitulado "Events in Ukraine". O seu trabalho mais recente ("Fortress Falls") é sobre Kostiantynivka e as fontes que o próprio autor usa são... blogues e jornais da própria Ucrânia e os comentários, análises e notícias que estas fontes publicam.
Por exemplo, o jornal "hromadske", onde aparece esta notícia: "Será que Kostiantynivka sobreviverá até ao final do ano?"(neste link).
Não é na imprensa oficial que encontraremos informações e notícias fidedignas e não é nela que procuro informar-me. Além de diversos podcasts, do já citado "Events in Ukraine" e de outro blogue designado por "Simplicius's Garden of Knowledge" (também no Substack), consulto também o jornal independente ucraniano Strana.Today. E considero-me muito bem informado.
A imprensa já pode estar limitida e restringida pelos mecanismos de censura do Estado (como aconteceu em Portugal). Não precisa, além disso, de criar mecanismos de controlo censório para tomar dores alheias e virar costas a qualquer tipo de trabalho independente. E, quando o faz, perde credibilidade.
Os jornais portugueses saíram, de certa forma, ilesos do obscurantismo estatal do Estado Novo e com a sua crediblidade intacta. Não é o que está a acontecer agora. Não é o que vai acontecer quando acabar a crise ucraniana, cuja gravidade e contornos esta imprensa nunca quais estudar e compreender. No primeiro caso, tiveram de aceitar a censura. No segundo, optaram por ela.
E a auto-censura da imprensa oficial no nosso país e no conjunto dos Estados-membros da União Europeia acaba por mostrar, com toda a clareza, que é verdade aquilo que a Rússia tem dito: a guerra em curso é um conflito entre a NATO e a Rússia com o governo da Ucrânia a agir a mando da NATO... "até ao último ucraniano". E, nesta perspectiva, podemos concluir que a censura é, afinal, apenas mais do mesmo: os governos dos países da NATO só querem as notícias que acham "boas" e que justificam a destruição dos recursos dos próprios países nos campos da batalha da guerra perdida na Ucrânia.
(Imagens de fontes abertas de acesso público.)

















