sábado, 13 de junho de 2026

Duas guerras, duas censuras e o descrédito da imprensa

O blogue "Events in Ukraine" é uma das fontes de informação sobre o que acontece na Ucrânia
e sobre a própria história desse país


Não vou estar, sequer, agora à procura, porque acredito nisto com base no que tenho visto ao longo deste tempo todo: ninguém encontrará na imprensa portuguesa (e refiro-me ao que designo por imprensa oficial) notícias que mostrem que a Rússia está, como sempre tem globalmente estado, a ganhar terreno na Ucrânia. Por exemplo, em Kostiantynivka. 

Esta cidade forma, com as cidades de Kramatorsk e Slaviansk, uma espécie de último reduto dos militares de Kiev no Donbass. Kostiantynivka, Kramatorsk e Slaviansk situam-se na região de Donetsk e a sua conquista pelas forças militares russas até pode ser mais rápida do que se pensa. Quando Kostiantynivka cair, o caminho russo fica praticamente aberto para Kramatorsk e Slaviansk... e para o controlo absoluto de Donetsk.

Bem podem os dirigentes do regime de Kiev garantir que nunca abrirão mão do Donbass, porque a Rússia também não está à espera disso. Já "libertou", para usar a denominação oficial russa, Lugansk, e já só falta Donetsk para o Donbass russófono ficar ligado à Rússia sem temer mais actos de violência de Kiev. 

O que se passa com a falta de notícias sobre Kostiantynivka já aconteceu, há poucos meses, com Pokrovsk, outra cidade que era ucraniana. Já a Rússia a controlava por inteiro e ainda ganhava força a narrativa ucraniana de que os russos quase já tinham sido obrigados a recuar.

O silenciamento dos avanços russos equivale a uma forma pervertida de censura. Não é, sequer, a Ucrânia que esconde as informações. É, sim, o conjunto da imprensa oficial. Nela vigora ainda a narrativa oficial de que a Rússia não consegue avançar e de que a Ucrânia está a resistir com êxito. É o que o presidente de Kiev, Zelensky, anda a dizer, para justificar os eternos pedidos de dinheiro. Enquanto houver guerra, o seu "cash flow" não pára. E não esconde, apenas conta uma história diferente... que a imprensa oficial sorve, e serve, com entusiasmo.

Será interessante recordar que, noutra guerra, a guerra colonial portuguesa (1961 - 1974) a imprensa oficial até conseguia manter algum distanciamento. 

Se era impossível encontrar um posicionamento crítico no "Diário de Notícias", já era possível perceber que outros jornais (já extintos, como o "República" e o "Diário de Lisboa") eram críticos do regime e só não publicavam notícias desfavoráveis para o regime sobre a guerra colonial porque a censura (do Estado) não o permitia. Havia uma intervenção do Governo que limitava a liberdade de expressão e de informação.

E, nessa altura, o que estava mais ao alcance de quem queria informar-se eram as emissoras estrangeiras, da BBC inglesa à Rádio Moscovo soviética, passando pelas emissoras de grupos da oposição. Era aí que nos podíamos informar.

E hoje, para sabermos o que se passa nas frentes de batalha (tanto na frente militar como na frente política) da Ucrânia, é necessário, como antes do 25 de Abril, procurar fontes estrangeiras.

Regressemos ao caso de Kostiantynivka. Sou seguidor, e subscritor, de um blogue da plataforma Substack simplesmente intitulado "Events in Ukraine". O seu trabalho mais recente ("Fortress Falls") é sobre Kostiantynivka e as fontes que o próprio autor usa são... blogues e jornais da própria Ucrânia e os comentários, análises e notícias que estas fontes publicam.

Por exemplo, o jornal "hromadske", onde aparece esta notícia: "Será que Kostiantynivka sobreviverá até ao final do ano?"(neste link). 




Não é na imprensa oficial que encontraremos informações e notícias fidedignas e não é nela que procuro informar-me. Além de diversos podcasts, do já citado "Events in Ukraine" e de outro blogue designado por "Simplicius's Garden of Knowledge" (também no Substack), consulto também o jornal independente ucraniano Strana.Today. E considero-me muito bem informado.

A imprensa já pode estar limitida e restringida pelos mecanismos de censura do Estado (como aconteceu em Portugal). Não precisa, além disso, de criar mecanismos de controlo censório para tomar dores alheias e virar costas a qualquer tipo de trabalho independente. E, quando o faz, perde credibilidade. 

Os jornais portugueses saíram, de certa forma, ilesos do obscurantismo estatal do Estado Novo e com a sua crediblidade intacta. Não é o que está a acontecer agora. Não é o que vai acontecer quando acabar a crise ucraniana, cuja gravidade e contornos esta imprensa nunca quais estudar e compreender. No primeiro caso, tiveram de aceitar a censura. No segundo, optaram por ela.

E a auto-censura da imprensa oficial no nosso país e no conjunto dos Estados-membros da União Europeia acaba por mostrar, com toda a clareza, que é verdade aquilo que a Rússia tem dito: a guerra em curso é um conflito entre a NATO e a Rússia com o governo da Ucrânia a agir a mando da NATO... "até ao último ucraniano". E, nesta perspectiva, podemos concluir que a censura é, afinal, apenas mais do mesmo: os governos dos países da NATO só querem as notícias que acham "boas" e que justificam a destruição dos recursos dos próprios países nos campos da batalha da guerra perdida na Ucrânia.




(Imagens de fontes abertas de acesso público.)


quinta-feira, 11 de junho de 2026

O segundo Maio mais quente de 4 540 000 000 Maios





Calcula-se que o planeta Terra exista há 4,54 mil milhões (4 540 000 000) de anos.

No ano 45 a.C. foi estabelecido pelo imperador romano Júlio César o actual calendário, reajustado em 1582 pelo Papa Gregório XIII.

O mês de Maio, assim designado em homenagem à deusa romana Maia, foi criado nesse ano de 45 a.C.

Mas esse período temporal, de transição de uma época temporal para outra, já existia há muito, muito tempo.

E, como todos sabemos, os actuais "especialistas" e "peritos" já cá andavam a estudar o clima há 4,54 mil milhões de anos, podendo estabelecer quais os meses (antes de os meses serem meses) mais quentes e mais frios.

A imprensa é que a sabe toda...







(Imagem de fontes abertas de acesso público.)

terça-feira, 9 de junho de 2026

CNN nacional, a rainha da desinformação

 

Este é um daqueles posts que podia ilustrar com um grande número de títulos e de excertos de textos ("notícias" e notícias) da CNN portuguesa. Seria fácil, mas fastidioso. O tema é a crise ucraniana e o conflito militar entre a Rússia e a Ucrânia. Ou, melhor dito, entre a Rússia e o eixo Ucrânia/NATO/UE.

As "notícias", sempre favoráveis à Ucrânia, aparecem quase todos os dias e quem as quiser ler pode encontrá-las no site.

Com a Rússia a ter agora toda a iniciativa na frente de batalha, tem havido uma verdadeira enxurrada de "notícias" a dizerem o contrário e a garantirem que é a Ucrânia que está a vencer. E quem mais se destaca é a CNN.

São afirmações em títulos que não encontram sustentação nos textos, com a reprodução fiel e sem dúvida ou contraditório do que dizem entidades com interesse directo no conflito e que apoiam a Ucrânia (o Instituto para o Estudo da Guerra dos neo-cons ou o MI6), são o "diz que" da Rússia e as certezas reiteradas de que tudo o que a Ucrânia diz é verdade, são as omissões de acontecimentos sinistros (o ataque ucraniano a uma instalação escolar de Starobelsk que matou 21 adolescentes), é a aceitação de que a Ucrânia consegue abater sempre 90 por cento dos drones russos sem que ninguém se interrogue sobre a origem dos estragos causados pelos drones "abatidos", é a sucessão de notícias que são sempre negativas para a Rússia (sem verificação posterior), é a incapacidade de apreciar com solidez os avanços e recuos (e as "zonas cinzentas") na frente de batalha... É um rol sem fim numa campanha de desinformação como nunca vi.

Por este andar, ainda vamos ter a CNN nacional a garantir que a Ucrânia já venceu quando a Rússia acabar por ocupar Kiev...





sábado, 6 de junho de 2026

Depois da MEO, a NOS: bardamerda! Vou mudar de operadora

 

Em Março de 2022 tinha o serviço de internet, televisão e telefone da MEO. Nesse mês, durante cinco dias, a MEO desapareceu, numa avaria que nunca me foi explicada. As várias tentativas feitas para tentar perceber o que se passava e quais eram as previsões foram em vão, porque não havia quem me atendesse O contacto com a MEO foi impossível. 

A decisão de mudar de operadora foi rápida e fácil. Aguentei os sete meses do período de fidelização e mudei-me para a NOS. 

Gostei do serviço da NOS, da assistência técnica, da facilidade de contacto. Até agora. 

Em Março houve uma avaria que durou dois dias e o contacto começou a ser difícil. No mês passado houve nova avaria, que também se prolongou por dois dias. E o contacto foi impossível. E ridículo: resolvida a avaria, consegui ser atendido por uma "assistente" (que se expressava num português difícil de compreender). Mas o "sistema" estava avariado, ou "em baixo". Numa empresa de telecomunicações!

O período de fidelização da NOS, que foi capciosamente prolongado por várias vezes, termina em Dezembro de 2027. A decisão já está, no entanto, tomada: vou mudar de operadora.

Há quem diga que procedem todas do mesmo modo e, recentemente, li uma queixa sobre a Vodafone e sobre a impossibilidade de falar com alguém da empresa durate uma avaria. Será a Vodafone a nova escolha? Ou a nova Digi conseguirá ser melhor?

Veremos. Infelizmente, tenho tempo suficiente para ir à procura. Salvo se resolver mesmo anular o contrato, pagar os mais de 300 euros a que estarei obrigado e livrar-me, antecipadamente, da incompetência da NOS. Vontade não me falta...




terça-feira, 2 de junho de 2026

Tudo o que sempre quiseram saber sobre a guerra na Ucrânia e não tinham a quem perguntar

 



Aqui está, e sem deixar lugar a dúvidas: "Ucrânia - Variações de uma Guerra Inacabada" (ed. Colibri), o mais recente livro do major-general Carlos Branco, mostra como tudo começou.

Não em Fevereiro de 2022, quando a Rússia iniciou a sua operação militar especial pelos territórios ucranianos onde é maioritária a população de origem russa, mas quando foi lançado um golpe de Estado em Kiev, em 2014. Pelos EUA, por sectores políticos ucranianos ligados à extrema-direita e com o beneplácito da União Europeia.

Carlos Branco, militar que sabe mais de relações internacionais do que muitos políticos de carreira, reuniu nesta sua obra um conjunto de artigos de opinião que foi escrevendo sobre a crise ucraniana ao longo dos anos. E lidos agora em conjunto, salvos do esquecimento dos órgãos de comunicação social onde foram publicados, os seus textos dão-nos uma perspectiva global, estimulante e histórica e politicamente relevante sobre o que tem acontecido na Ucrânia

Com um bónus, acrescente-se. 

As críticas que por vezes têm visado Carlos Branco não conseguem incidir em factos ou divergências de opinião. Partem de argumentos políticos e reduzem-se, na prática, a declarar o autor como "putinista". Nada de novo, porque todos são "putinistas" (tal como eu sou, claro, apenas com base no que aqui tenhio escrito) quando discordam das "verdades" oficiais, das que nascem nas oficinas de comunicação política de Kiev, de Bruxelas, de Londres e de Washington. No espaço que Carlos Branco aqui lhes dedica, poucos são os que os criticam dessa maneira que saem ilesos do seu contra-ataque. Ficam também, desta maneira, imortalizados em livro os muitos disparates que têm proferido certos comentadores (que comentam muito e estudam pouco). É bom para o currículo deles. 

"Ucrânia - Variações de uma Guerra Inacabada", que tive o privilégio de ler antes da sua publicação, teve uma sessão de apresentação em Lisboa no passado dia 29, com uma grande e significativa afluência, e terá outra no Porto, no próximo dia 17, às 18 horas, no Teatro da Paz.




Imagens da sessão de lançamento em Lisboa,
onde "Ucrânia - Variações de uma Guerra Inacabada" foi apresentado por Miguel Szymanski





domingo, 31 de maio de 2026

Ler jornais já não é saber mais (262): a extrema-direita é má, mas os neonazis ucranianos são uns fofinhos


A extrema-direita, seja ela qual for (ou como for definida), é invariavelmente má, nunca se cansam de nos lembrar a CNN tuga e o "Observador", dois órgãos da imprensa nacional sempre dispostos a publicarem diatribes contra tudo o que denominam de "extrema-direita" ou "direita radical".

Mas, no seu cinismo, não têm depois qualquer escrúpulo em darem voz, credibilidade e acolhimento a outra figura de "extrema-direita", sem sequer a caracterizarem como tal. 

E essa figura, neste caso, é o ucraniano Andrij Biletsky. Também conhecido como "Führer Branco", Biletsky foum dos fundadores do grupo militar neonazi conhecido como Azov, grupo que, muito significativamente, foi integrado nas Forças Armadas da Ucrânia e que continua a ser um dos pilares e um dos patronos internos do governo de Kiev.

A apreciação que Biletsky faz do conflito não é, obviamente, isenta nem objectiva e corresponde à perspectiva do forte sector de extrema-direita que domina o Estado ucraniano. É uma opinião e vale o que vale: há "uma janela" e...  

O texto que tanto a CNN como o "Observador" publicam tem como fonte a agência Reuters. Mas, quando se reproduz um texto desses (e, o que é espantoso, há um jornalista do "Observador", cheio de empáfia, a assinar a notícia alheia!...), convirá pensar duas vezes e avaliá-lo, sobretudo quando ele se refere a uma situação de conflito, e de conflito armado. Curiosamente, a CNN até qualifica, e de modo bastante elogioso, o sector militar representado pelo "Führer Branco": "uma das forças mais respeitadas"!  

E nem há de ter sido alguma distração esta apologia dos neo-nazis ucranianos, porque é facílimo saber quem é Biletsky.

Vejam só:




Em cima, o texto da CNN, em baixo o do "Observador"
 



No Google, logo a abrir os resultados de uma pesquisa sobre Biletsky


Biletsky em jovem, já com o seu adorado símbolo dos nazis alemães (retirado de Events in Ukraine).







Mais do Google: tudo clarinho













(Imagens de fontes abertas de acesso público.)

sexta-feira, 29 de maio de 2026

Tipo poesia

 









No "Jornal das Caldas", edição de 27.05.2016:





(Imagens de fonte aberta de acesso público.)

quinta-feira, 28 de maio de 2026

Ler jornais já não é saber mais (261): o auto-retrato da irrelevância








 

O declínio da imprensa nacional está todo neste título do "Diário de Notícias" (um fracasso de vendas em banca): a evocação histórica do "28 de Maio" é transformada numa miragem sobre o que a "direita radical" (é o quê? o sempre temido Chega?) "pode tentar resgatar".

Já não basta o "pode" (tudo pode e não pode, verdadeiramente) que se tornou um lugar-comum deste jornalismo moribundo, há ainda o "tentar". Não é certo, talvez possa ser, mas será sempre uma tentativa, etc.

E é com isto que querem que as pessoas comprem jornais? Acho que a maioria nem os quer ler. Se é que sabem ler, na realidade, coisa com que a decadente imprensa portuguesa também não se preocupa...


*


E, já agora, ao escrever isto, não estou a pronunciar-me sobre o "28 de Maio". É um acontecimento da História portuguesa que teve, obviamente, uma importância fundamental na definição da política nacional, a partir desse dia de Maio de 1926 e, sobretudo, a partir de 1933. 

Só por curiosidade: o meu bisavô paterno Tomaz António Garcia Rosado, general (1864 - 1937), terá participado no "28 de Maio", embora com reservas dada a orientação marioritariamente republicana dos dirigentes militares, que chocava com a sua fé monárquica.





(Imagens de fonte aberta de acesso público.)

terça-feira, 26 de maio de 2026

A "qualidade" da NOS não dura dois meses

Há pouco mais de dois meses fiquei sem os serviços da NOS durante 30 horas. Hoje tenho novo apagão. Já estou com vontade de mudar de operadora. E houve uma altura em que até gostei da NOS...