terça-feira, 18 de agosto de 2026

Incompetência com alibi ambiental


aqui escrevi sobre a empresa, que parece ser de distribuição, chamada Paack. E, só para recordar um dos aspectos mais grotescos, incluiu um risco que me foi apresentado como "prova", como assinatura minha, de que teria recebido uma encomenda... que não recebi.

A Paack é uma das muitas empresas que, correspondendo ao aumento das compras à distância, prestam um péssimo serviço a quem vende e a quem compra, vivendo, ao que tudo indica, de pessoal sem qualquer tipo de qualificações para o que está a fazer.

Voltei a apanhar com ela e, por acaso, a encomenda até me foi entregue. Mas não pude deixar de tropeçar nos termos de um e-mail que me enviaram a respeito deste serviço:




Acontece que a compra que fiz incluía entrega gratuita. E, sendo assim, não cabe à empresa distribuidora estar a tentar convencer os destinatários das encomendas que lhes são confiadas de que devem ir buscá-las. É certo que poderá haver quem o prefira fazer, por não estar em casa. 

Mas seria preferível que à Paack não escorregasse a chinela para a hipocrisia, deixando um alibi ambiental igualmente dispensável. 

Os "pontos de recolha" que "implementaram" têm como único fito poupar no pessoal e no combustível e não "reduzir o impacto ambiental". E o que lhes cabe fazer é entregarem com base nas instruções da empresa vendedora a partir do contrato de venda feita pelo consumidor.

Além disso, a Paack também erra na geografia: o "ponto de recolha" que põe à distância de 2,62 quilómetros do ponto de entrega fica, realmente, a 9 quilómetros! E nem fui ver os outros.

Preferia ver reduzida a incompetência desta gente do que o alegado "impacto ambiental"!...










segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Um dia vão ter uma surpresa

 


A imprensa oficial (e a CNN tuga deve ser o exemplo mais claro) anda numa ilusão perigosa: enaltece os ataques limitados da Ucrânia a objectivos civis (e directamente contra civis) e esconde os ataques da Rússia a alvos militares na Ucrânia (e usados pelos militares ucranianos e da NATO).

Os primeiros não têm impacto nas operações militares russas e até servem para reforçar a "linha dura" russa, enquanto os segundos já levaram ao encerramento dos portos de Odessa e ao estrangulamento da economia ucraniana, desgastando ainda mais o pouco que resta da máquina de guerra da Ucrânia e da NATO. E a questão fundamental é essa.

Quem acredita nos títulos da imprensa oficial vai ter uma surpresa quando isto acabar, e quando a Ucrânia acabar, o que é uma possibilidade cada vez menos remota. Quanto aos próprios que escrevem estas coisas... bem, não sei se será, realmente, uma surpresa, ou se já sabem.


*



A CNN tuga a ajudar a Ucrânia a ganhar a guerra... da desinformação desesperada






(Imagem de fonte aberta de acesso público.)

domingo, 16 de agosto de 2026

Vida de cão

Gostam de estar lá fora, e o "lá fora" é apenas o terreno que rodeia a casa e que está vedado, mas quando o calor aperta... o melhor é estar em casa, ao fresco. 



A Elsa (em primeiro plano, uma pastora da Anatólia que terá 11 anos) e o Alex (um Kleiner Münsterländer, uma raça alemã de cães de caça, de 2 anos) são "cães de trabalho" que acolhemos e adoptámos mas o trabalho somos nós que o temos em troca da companhia e do afecto que estes seres de quatro penas nos oferecem e que, todos os dias, nos fazem bem.

E não vivem lá fora. Vão lá fora quando querem e podem, e dormem em casa. Protegidos e acarinhados.









quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Um país eclipsado


Passava já das seis da tarde quando o dia começou hoje a ficar menos claro. Duas horas depois regressou a claridade do lusco-fusco. Pelo meio, e por entre nuvens, ainda foi possível ver a imagem do sol desprovida do equivalente a uma talhada.

O eclipse de hoje, o tal "espectáculo do século" ou coisa que o valha, foi isto, na simpática vila de Esmoriz (em Ovar) onde me encontro. Ao arrepio da histeria mediática, eu e os outros três adultos (e três cães) não ficámos de cabeça no ar e dedicámo-nos aos prazeres da mesa, mais relevante do que o "prato do dia" mediático.

Compreendo bem a triste lógica da imprensa que temos, mas, mesmo assim, ainda me custa a perceber a relevância dada a este acontecimento astronómico que, contra o que se afirmou e escreveu, não mergulhou o País na escuridão. A escuridão do País, digamos assim, é mais política do que astronómica.

O "Jornal de Notícias", por uma vez, acertou no alvo com a sua manchete: andou tudo de cabeça no ar. Incluindo o deslavado Presidente da República, que quis dar um ar da sua graça. A fotografia, retirada do Facebook (sem indicação de autoria), é, na realidade, a de um eclipse. Mas não do Sol.















(Imagem de fonte aberta de acesso público.)

sábado, 8 de agosto de 2026

O povo contra Vítor Marques

 


O presidente da Câmara Municipal de Caldas da Rainha, Vítor Marques, teve uma derrota discreta mas significativa na freguesia de Landal, neste mesmo concelho: depois dos protestos da freguesia, a própria Câmara Municipal rejeitou a proposta de "interesse público" de instalação de uma central fotovoltaica no Landal.

A empresa, que quis apresentar o projecto à população, foi a Sotecnisol Power, cabendo à empresa Hyperion Renewables Lezíria, S.A., a construção das instalações.

Veremos se, no futuro, aparecem outra vez associadas a Vítor Marques.

A história foi contada pelo "Tal&Qual", na sua edição de 22 de Julho deste ano.






quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Ler jornais já não é saber mais (266): que terão na cabeça?

Gostava de saber por que motivo é que na imprensa escritam gostam tanto do verbo "disparar", usado e abusado até à náusea. O que terão na cabeça as criaturas que, sem imaginação e sem criatividade, se derramam neste lugar-comum? 



























































































































(Imagem de fonte aberta de acesso público.)

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

O desespero do corte de estradas



Já mostrei aqui como o presidente da Câmara Municipal de Caldas da Rainha tem andado aos ziguezagues relativamente à questão de um novo hospital para o Oeste. E esperar-se-ia que a oposição, sendo oposição e sendo mais responsável, mostrasse mais juízo e controlasse melhor as suas próprias emoções.

Como devia fazê-lo Hugo Oliveira, que talvez devesse ser menos bairrista e mais racional.

Vereador, depois das eleições municipais do ano passado, e deputado na Assembleia da República, Hugo Oliveira foi o cabeça de lista do PSD a essas eleições e, infelizmente, não conseguiu bater Vítor Marques, o chefe do partido unipessoal Vamos Mudar, que voltou a ser eleito presidente da Câmara.

Hugo Oliveira veio agora a público, sugerindo que já sabe alguma coisa sobre o que poderá ser a decisão deste governo quanto à localização do hospital. O governo anterior (PS) optou pelo Bombarral (o único concelho do PS no Oeste) e este governo (PSD) suspendeu a decisão. E agora vai decidir alguma coisa?


A notícia do "Jornal das Caldas": exclusivismo e "soluções musculadas"




Hugo Oliveira acha que sim. E, segundo o "Jornal das Caldas", eis o que disse: “Esperemos que seja em breve uma realidade, mas o tempo não pára e temendo que em setembro hajam decisões quanto à localização do novo hospital do Oeste, prejudiciais à posição das Caldas da Rainha, deve-se endurecer o discurso e tomar ações musculadas, posições fortes e de escala (...) se não se o fizer de forma clara até setembro, e atendendo ao forte lobby instalado pela localização noutro concelho, poderá perder-se o hospital para localizações que ferem o ordenamento do território (...) No fim da linha deveremos avaliar a interrupção das rodovias, se for caso disso”. E, pelo meio, sempre tipo protesto, até defende a "possibilidade de Caldas da Rainha sair" da Oestecim.

Ou seja: se o hospital for parar a outro concelho, Caldas da Rainha deve sair da Oestecim, a associação dos municípios do Oeste, cuja faraónica sede (que custou 2 586 315.76€) está situada na cidade de Caldas da Rainha. Do mal o menos.

E depois deve cortar estradas: "interrupção das rodovias". E isolar o concelho de Caldas da Rainha?! Que, aliás, já se deixou isolar relativamente aos restantes municípios ao reivindicar o exclusivismo do novo hospital.

Por seu turno, Vítor Marques, para quem uma posição desta natureza há de ter sido um presente divino a recompensar o seu delírio exclusivista, até insistiu: será necessário “arranjar soluções mais musculadas". Quer bater em alguém, é?

O desespero, diz-se, é mau conselheiro. Se o hospital for parar a outro concelho, Vítor Marques sofrerá uma derrota política que o deveria atirar para fora da Câmara Municipal. Hugo Oliveira não devia ir com ele...






(Imagem de fonte aberta de acesso público.)

domingo, 2 de agosto de 2026

Dormir com os vizinhos, e outras intimidades

 


Desenho incluído na promoção deste conjunto habitacional.


A figura feminina e a figura do cão que aparecem nesta imagem são, obviamente, artificiais e, no conjunto, a imagem até está longe de ser perfeita em termos gráficos. Mas ela serve para promover um empreendimento imobiliário e será da autoria de quem promove a venda ou de quem construiu o empreendimento, com as dimensões a corresponderem ao que a olho nu já se pode ver. 

Os dois destaques a amarelo, da minha autoria, ilustram o que me parece ser um conceito bastante estranho. Repare-se como, nos dois lados, são visíveis os muros que separam esta habitação das outras e as respectivas janelas. 

A altura dos muro não isola as casas e torna completamente visível o que se passa no terreno da casa, que é curto, e mesmo dentro da própria casa se as janelas não estiverem tapadas. O que significa que quem quiser privacidade, nesta situação, terá de viver com as janelas tapadas. E, já agora, a altura do muro também permite que um cão passe, saltando, de um lado para o outro. 

Esta habitação faz parte de um conjunto de 32 imóveis que têm estado a ser construídos na Estrada Nacional 360, a chamada "Estrada Velha da Foz" que liga a Foz do Arelho a Caldas da Rainha. Seis delas são T2 e parecem estar todas vendidas e as restantes são T3 com "garagem" e "piscina incluída", apresentadas como "moradias independentes" a 399 000€ cada uma. 

Pelo que se pode avistar da estrada, ainda não estarão todas terminadas e há obras em curso. Segundo o site Idealista, é isto: "Situado numa urbanização tranquila e rodeada pela natureza, o ROOTS é um novo empreendimento com 32 moradias modernas, desenhadas para proporcionar uma vida confortável, sustentável e com qualidade. Com piscina privativa incluída em todas as unidades, este projeto combina arquitetura contemporânea com acabamentos premium e uma localização privilegiada entre a lagoa e a cidade." 

Da estrada também se pode ver a proximidade das habitações e a sua falta de privacidade, que está bem patente no desenho promocional do aldeamento:







Visto da estrada, o aspecto é este:





Segundo o projecto, o aspecto final será este o da imagem abaixo. Aqui pode parecer que está tudo "rodeado pela natureza", mas, na realidade, há mais casas à volta do que "natureza".





No Idealista, onde já só uma das habitações se encontra ainda disponível, estão dois vídeos promocionais. E é interessante ver como os vídeos se centram quase só na disposição interna das casas e na qualidade dos materiais, aferida pela indicação das marcas. Curiosamente, não há referências ao exterior. 

Mas, quanto a isso, não subsistem dúvidas. Do desenho de projecto ao que se pode ver da estrada, as casas estão, praticamente, encostadas umas às outras. Salvo se os materiais forem excepcionalmente isolantes, o quotidiano diurno e nocturno nesta espécie de aldeamento vai incluir gritos, conversas alheias, cães a ladrar uns contra os outros (e a saltar os muros?), cheiro de comida a sair das cozinhas, flatulências dos vizinhos e demais ruídos íntimos. Pelo menos.

Não consigo imaginar quem é que quer viver assim, mas, pelo movimento que tenho visto quando passo nesta estrada, arriscar-me-ia a dizer que os interessados (e já compradores) serão jovens, numa boa maioria. 

Talvez encontrem aqui um primeira habitação, atraídos pela localização: a cidade, com todos os seus serviços e espaços comerciais, fica a poucos minutos de carro e, para norte, a praia da Foz do Arelho fica também a poucos minutos. Talvez achem que aqui poderão viver melhor do que na cidade, onde é mais difícil estacionar, e onde a paisagem está principalmente preenchida por mais prédios do que horizontes com árvores. Mas, neste aldeamento, o que vão ficar a ver são as casas dos vizinhos, e os próprios vizinhos. E o estacionamento parece mal dar para um carro. Será melhor do que na cidade?

Vivi cerca de metade da minha vida de adulto num prédio dentro de uma cidade e não gostei da falta de privacidade nem dos diversos vizinhos e vizinhas que fui tendo. Depois, há mais de vinte anos que vivo numa zona de campo, de poucas casas, em privacidade quase absoluta. Foi um acaso, seguido por uma boa decisão, depois de termos começado a procurar uma alternativa à vida citadina.

É também por isso que olho para este tipo de aldeamento (que nem condomínio privado é) com alguma aversão. E surpresa por haver quem queira ir lá enfiar-se.













sábado, 1 de agosto de 2026

Ler jornais já não é saber mais (265): a relação difícil que o "Expresso" tem com a verdade


A imprensa oficial tem uma relação difícil com a verdade no que se refere à Ucrânia.

Veja-se o caso de Ricardo Costa, do "Expresso", um dos marajás da imprensa nacional, que, entusiasmado com o Duende Verde de Kiev, mete as mãos pelos pés e fura a realidade.




É verdade que os EUA têm um acordo para comprar drones (2000, para já) à Ucrânia.

Mas quanto ao resto:

1. 86 dos 100 membros do Senado aprovaram as sanções mas o presidente não aceita na totalidade o texto votado e a decisão final cabe à Câmara dos Representantes, onde os democratas preferirão esperar pelo resultado das eleições de Novembro.

2. O "acordo" dos "Patriots" não tem o acordo de uma das empresas fabricantes (a Boeing) e Trump já voltou atrás na decisão de deixar a Ucrânia fabricar esse equipamento, o que de resto seria por agora impossível.

3. A "ajuda" de Zelensky no Golfo resumiu-se a uma hipótese de venda de drones à Arábia Saudita (em Março) que não parece ter sido concluída, a drones ucranianos abatidos pelo Kuwait e ao pedido de desculpas da Ucrânia ao Irão depois do ataque a um navio iraniano no Mar Cáspio.

Que grandes "feitos", realmente...









(Imagens de fontes abertas de acesso público.)

terça-feira, 28 de julho de 2026

Neves bem Seguro

"Quem, eu?!"



Não tenho memória de nenhum ministro, secretário de Estado ou outro se manter assim agarrado ao poder como o actual ministro da Administração Interna, Luís Neves, quando, diariamente, vão proliferando as informações, os rumores, as suspeitas e as dúvidas sobre o que pode ter sido uma estranha soma de irregularidades. E já como chefe máximo, que devia dar o exemplo, do órgão de polícia criminal que tem como uma das suas missões combater a criminalidade económico-financeira.

Este ministro até pode estar completamente inocente de tudo o que lhe é atribuído (embora não pareça ser o caso). Mas ficar assim agarrado ao poder, com o beneplácito do primeiro-ministro (que também arrasta consigo suspeitas diversas sobre uma empresa que já foi sua) e do Presidente da República, soma às suspeitas de irregularidades a suspeita de estarmos perante um homem cúpido e apenas interessado na sua carreira. Que, obviamente, não é apenas política.

Seria natural, face às regras comuns de experiência, que, não saindo Luís Neves por sua própria iniciativa, o primeiro-ministro o obrigasse a deixar o Governo ou o demitisse. E o mesmo devia fazer o Presidente da República, em nome da imagem das instituições e do seu "funcionamento regular". Lembrar-se-á o novo ocupante do Palácio de Belém do que o seu antecessor Jorge Sampaio fez ao seu camarada Armando Vara por conta da sua Fundação para a Prevenção e Segurança?

Mas até parece, perante o modo como o primeiro-ministro e o Presidente da República dão cobertura a esta estranha postura de Neves, que este ministro dispõe de algum poder maior do que o cargo. Proveniente de alguma associação secreta? Ou proveniente dos seus tempos na Polícia Judiciária, onde pode ter reunido muitas informações inegavelmente úteis?




*



Grande exemplo, este: transparência mínima, ocultação máxima e fé no esquecimento do eleitorado e na domesticação da imprensa.

O PSD não tem vergonha deste governo que lhe saiu de um ovo mal fecundado?







(Imagens de fontes abertas de acesso público.)