domingo, 3 de maio de 2026

Patadas na língua, patadas no jornalismo (11) ... e patadas na gramática



Eu posso estar enganado, mas acredito que não se encontrará na imprensa um único jornalista (latu sensu, numa perspectiva funcional, limitada aos órgãos de comunicação social e enquadrada pelos requisitos de titularidade da Carteira Profissional de Jornalista) que não seja licenciado. Ou seja: que seja possuidor de um diploma de aprovação num curso superior (universitário ou politécnico), onde entrou depois de ter obtido aprovação final na frequência dos ensinos básico e secundário.

E, nessa perspetiva, a que acresce a exposição pública (trata-se da escrita jornalística e não da escrita de ofícios ou de e-mails profissionais), devo supor que toda essa gente há de saber ler, escrever e contar.

Portanto, como é que se explicam tantos pontapés na gramática, sobretudo quando aquilo que é escrito deve ser revisto (pelo próprio, por um editor ou, na melhor das hipóteses, por um revisor profissional)?

Não sei. Mas registo alguns desses pontapés:



No "Correio da Manhã": ... "por ter sido dado à casa mais de 60 anos"?! 
Não encontro explicação para esta frase, por mais vezes que a leia.






Na CNN nacional: da "temperatura abaixar" à falta de vírgulas, passando pela desarticulação do texto ("o eclipse deste género"?!).







Na CNN nacional: o problema (gramatical) do plural.
Devia ser "vêm aí chuva e trovoada", porque são dois substantivos diferentes.





Na CNN nacional: faltam os dois pontos e devia ser "dissesse" e não "falasse".






Na CNN nacional: o eterno problema do plural.






Na CNN nacional: o problema do plural.







No "Diário de Notícias": o problema do plural.



No "Diário de Notícias": o verbo "esgotar", neste caso, é reflexivo ("esgotar-se").
Em português correcto: o "apoio à compra" esgota o quê?





No "Diário de Notícias": faltam uma vírgula e o "-se".







No "Jornal de Notícias": falta o "-se".








No "Nascer do Sol/Sol": não se percebe...





No "Público": ninguém sabe o que é o plural,
talvez pelo pouco pluralismo do diário da Sonae.












(Imagens de fonte aberta de acesso público.)

quinta-feira, 30 de abril de 2026

Ler jornais já não é saber mais (260): a falta de criatividade deu lugar à histeria


O recurso recorrente ao verbo "disparar" nos títulos das notícias, para indicar aumentos vistos como repentinos, descambou nas últimas semanas para uma utilização frenética e histérica do mesmo verbo que já nem respeita a lógica ou a racionalidade. 

E acredito que os exemplos que aqui apresento, mais uma vez, representam apenas uma parte desta histeria colectiva que é o triste retrato de um sector em crise absoluta, onde imperam criaturas, muitas vezes com cargos de chefia, com espírito de amanuense e não de jornalista.



































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(Imagens de fonte aberta de acesso público.)

quarta-feira, 29 de abril de 2026

Quando o "press release" se sobrepõe ao raciocínio


Num lado estão os soldados ucranianos, no outro estão os soldados russos. Os ucranianos enviam drones terrestres (ou robôs, se quiserem) para a zona onde estão os russos. Estes percebem que não vale a pena disparar contra as máquinas, porque as máquinas não param, e recuam. 

Os ucranianos garantem que as suas máquinas conquistaram o terreno onde os russos estavam. As máquinas ficam no terreno. São, supõe-se, animadas por baterias. Se as baterias não forem recarregadas, acabam por se esgotar. E as máquinas param. Os russos podem regressar ao terreno.

Mas a "conquista" está feita? Claro que não.

O governo de Kiev apresenta este tipo de acção como uma grande vitória. Depois já não conta nada do que se vai passando. A sua propaganda faz a mesma coisa: propagandeia a grande vitória.

A imprensa dá notícia da grande vitória. E o público até acredita. 

A vitória não é a dos robôs guerreiros. É a vitória dos "press releases". Contra o raciocínio.






(Imagem de fonte aberta de acesso público.)

domingo, 26 de abril de 2026

A propósito de uma imagem obscena


E se, no fundo, tudo se resumir a um simples exercício de prazer comprado, com o dinheiro dos outros, por uma pessoa que, sem ser eleita, conseguiu subir ao topo da escala política, escapar ilesa por entre as suspeitas de irregularidades graves e acreditar que é ela que manda no mundo? 











(Imagem de fonte aberta de acesso público.)

quinta-feira, 23 de abril de 2026

O jornalismo "de causas" está à rasca



A imprensa oficial odeia Trump.

Por outro lado, apesar de os seus líderes "supremos" serem crentes em vários domínios (numa reversão filosófica que não deixa de ser interessante), também abomina um regime político teocrático e parlamentar como o do Irão, apesar de este ter uma base de apoio popular determinante.

E, por isso, ficou entalada na guerra lançada pelos EUA e por Israel contra o Irão.

O jornalismo "de causas" não sabe como lidar com um dilema tão terrível como este: sentindo-se sempre obrigado a "lutar" por uma "causa" ou por um símbolo ou ícone inspiradores e politicamente correctos, deixa ainda mais de pensar pela sua própria cabeça e não sabe o que há de fazer. Trump?! O Irão?! Que horror, o que há de escrever?! Quem é que há de apoiar?! Já não lhe ocorre que o jornalismo nem sempre precisa de jornalistas ansiosos por opinarem...

E há de ser por isto que o noticiário sobre a crise no Médio Oriente é tão exíguo em Portugal, esbatendo-se numa zona de sombra que, curiosamente, corresponde aos interesses da embaixada de Israel em Lisboa.









(Imagem de fonte aberta de acesso público.)

quarta-feira, 22 de abril de 2026

Patadas na língua, patadas no jornalismo (10): títulos estranhos

 

Convencionou-se, quando os jornais eram comprados por quem os queria ler, que os títulos de primeira página deviam ser sucintos, rapidamente compreensíveis e apelativos, para justificarem a compra.

A situação mudou e já poucos leitores de jornais devem restar que os comprem, movidos por alguma curiosidade pelo que possam ter lido nas primeiras páginas. Talvez a consciência desse fracasso económico justifique a negligência com que muitos títulos parecem ter sido concebidos. 

Negligência, ou pior, que depois se generaliza. 



Na CNN:










Quem escreve, não lê o que acabou de escrever; talvez não tenham revisores; 
talvez sejam mesmo assim, talvez pensem mesmo assim...








No "Diário de Notícias":




É preciso ler mais do que uma vez para perceber o significado de cada uma destas frases.








No "Jornal de Notícias":



O que é que foi "em tempo recorde"? A "recuperação" ou o furto?




No Observador:




Quais serão as qualificações das pessoas que escrevem frases tão estranhas como estas?






No "Público":

Nem uma vírgula?!







(Imagens de fonte aberta de acesso público.)