domingo, 1 de março de 2026

Donald Trump (6): decepção absoluta

A expectativa de que o presidente dos EUA, Donald Trump, pudesse contribuir para alguns factos positivos na política internacional esfumou-se decisivamente. 

Escrevi aqui, há seis meses, que Trump mostrava ser, afinal, um "presidente de guerra". Hoje apetece-me escrever pior, e com uma ressalva: os críticos mais impenitentes de Trump, cegos pelas percepções e indiferentes à realidade, nem sequer acertaram no alvo.

As conversas, mais do que negociações, em torno do que poderia ser o processo de pacificação da Ucrânia, o rapto de um presidente de outro país (Venezuela) e, agora, o ataque ao Irão, em obediência aos sionistas de Israel, mostram o que de pior tem este homem, de quem poderá ser legítimo pensar que tem um problema cognitivo sério e talvez relacionado com a sua idade avançada. Diferente da demência do seu antecessor, Biden, mas talvez mais perigoso.

Trump, de quem nunca fui apoiante (não voto nos EUA, já agora) mas em cuja boa-fé acreditei, é, com esta guerra que fez eclodir no Médio Oriente, uma decepção absoluta. 

E, se não for obrigado a recuar pelos iranianos, espero que sofra (politicamente, claro) com uma desejável derrota eleitoral nas eleições legislativas e com o processo de "impeachment" que pode ser desencadeado contra ele, por se lançar numa guerra sem autorização do Congresso.


Nesta fotografia (de Daniel Torok/Getty Images) tirada na Casa Branca já no decurso do ataque ao Irão, os semblantes sombrios dos presentes (a começar pelo presidente) não condizem com o tom loucamente optimista do presidente







sábado, 28 de fevereiro de 2026

EDP/e-Redes - A Crónica das Trevas (132): o circo dos apagões

Como já aqui escrevi, estive a sofrer com os apagões da miserável e-Redes numa sucessão de cinco dias.

Na passada segunda-feira, dia 23, depois de mais um apagão, apresentei uma reclamação à Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) e à própria e-Redes.

A única resposta que tive foi uma visita de dois homens que não se identificaram, num veículo descaracterizado, que se mostraram muito interessados no meu contador e que proferiram, sem mais pormenores, o enigmático veredicto: "Isto vai continuar enquanto não mexerem na média".

Nessa mesma terça-feira, na quarta-feira e anteontem, quinta-feira, não houve apagões. Mas ontem, sexta-feira, talvez para compensar, houve três: dois por volta das 9h30 e um pelas 15h45. 

Pelo telefone, num processo entediante que nunca é fácil, fiquei a saber... pouco. Que havia "uma avaria" na "média tensão", sem qualquer perspectiva de hora, e dia, para a dita avaria ser reparada.

E esta madrugada, pela meia-noite e um quarto, houve outro apagão. A pessoa que me atendeu na e-Redes disse que não havia nenhuma informação sobre "avarias". 

Não saímos, está visto, deste absurdi circo de apagões em que a e-Redes é mestra de cerimónias e nós, os clientes à força desta empresa lamentável, somos os palhaços. Sem qualquer informação credível, sem qualquer esclarecimento, numa verdadeira escalada de incompetência.

Gostava tanto de lhes atirar com isto...!:





Não merecem menos...


*


Por volta das 10 horas voltam a aparecer-me dois sujeitos que não se identificam, num veículo não identificado, que mostram grande interesse pelo contador. 

Pergunto-lhes se têm alguma coisa a dizer-me e um deles, com ar de gozo, responde-me: "Não tinha energia, agora tem." É facto: quando telefonei para a e-Redes não tinha electricidade e neste momento (10 horas, 28.02.2026) tenho. 

E de onde são? É preciso insistir para que me digam que estão "ao serviço" da e-Redes e, depois, que são da empresa Canas. 

E depois vão-se embora.




(Continua)





sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

"Kuloka, kuloka, kuloka, kuloka, kuloka..."

Foi o que ouvi, há poucos dias, da boca de uma avó para uma sua pequena neta numa loja de frutas e legumes. "Kuloka, kuloka, kuloka...", dizia ela à criança, indicando-lhe que devia pôr aquilo em que estivesse a mexer ou no sítio onde o produto se encontrava ou num saco, para ela levar e pagar.

Pensando ela que estaria a dizer "coloca" em vez de "põe", "Kuloka" foi o que lhe ouvi. E é, da boca dos portugueses, o que lhe ouço quando estão a pronunciar o verbo que agora está na moda e que é "colocar". E que substitui tudo, ou quase: ainda não perdi a esperança de ouvir dizer "kulukar a mesa" ou "a galinha kulukou o ovo". Em vez de "pôr a mesa" ou "a galinha pôs o ovo".

Quem já ouviu um brasileiro pronunciar o dito verbo, ouve, na sua voz quase cantada, a palavra "colocar", com os ós bem abertos e pouco peso posto nos dois cês. Mas, pronunciado por um português, os ós oscilam entre o som de "u" e um ó pouco firme e os cês ganham o peso demesurado com que essa letra aparece na palavra "cu", por exemplo.

Há, infelizmente, nesta população que não lê e que aprendeu mal na escola, a tendência para usar palavras que parecem mais próprias das elites que vêem na televisão, como se isso a fizesse subir de nível. Não faz, nem essas elites o são, descontando o facto de poderem ter mais dinheiro e notoriedade.





quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Não se cria um grupo de trabalho, mas faz-se um "estudo"

Cada vez gosto menos deste governo que, como os governos do PS, vai vogando ao sabor do marketing político e da comunicação, numa lógica de dizer o que o seu chefe pensa que o eleitorado quer ouvir.

Este é um exemplo, e dos mais estúpidos: aquilo de que o País necessita é de infraestruturas de jeito, resistentes e protegidas de todos os acontecimentos naturais de maior risco. De acção, pura e simples, que permita, e o mais depressa possível, tirar os cabos eléctricos dos postes e de enterrá-los ou, onde não for possível, começar a criar estruturas realmente resistentes.





Quem olhar para os postes onde tudo acaba por ser ligado (electricidade, telecomunicações, o que calha) percebe que não precisamos de "estudos", nem de ter um governo lamentavelmente desastrado a invocar "alterações climáticas" e "fenómenos extremos" só para justificar dezenas de anos de negligência reincidente. Até agora, para evitar resolver um problema difícil de resolver criava-se um grupo de trabalho. Agora, fazem-se "estudos".

Consta que o Marquês de Pombal disse, depois do sismo de 1755, que era necessário cuidar dos vivos e enterrar os mortos. Luís Montenegro diria, decerto, que seria necessário "avançar" com um "estudo" para saber se era melhor enterrar os vivos e cuidar dos mortos ou cuidar dos vivos e enterrar os mortos.


(Imagem de fonte aberta de acesso público.)

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

EDP/e-Redes - A Crónica das Trevas (131): um apagãozinho por dia nem sabe o bem que lhe fazia

 

Quarta-feira, dia 18, às 10h32.





Sexta-feira, dia 20, às 8h29.








Sábado, dia 21, às 9h45.







Domingo, dia 22, às 15h45.








Segunda-feira, dia 23, às 9h12.















Explicações: zero!









domingo, 15 de fevereiro de 2026

Quem terá sido o idiota que decidiu fazer esta merda?


E de repente, quando se vira uma esquina, é como se um qualquer veículo estranho estivesse parado ali à nossa frente, com luzes que fazem lembrar não os dois "máximos" convencionais, mas vários conjuntos de "máximos". Ou, por influência do nosso próprio movimento, a fonte dessa luz tão intensa até pode estar em movimento. Em direcção a nós.

Depois, parando e avançando mais devagar, sem conseguirmos perceber se vem mais algum carro pela direita ou pela esquerda, lá se consegue ver que é um objecto fixo e (estupidamente!) iluminado.





Quem aqui mora (na Serra do Bouro, Caldas da Rainha) já sabe o que é: iluminaram a base do mamarracho que, com pompa, circunstância e missa, foi pousado no centro da rotunda (Rotunda da Granja).




Se a coisa, só por si, já é horrorosa (e eu escrevi sobre o objecto aqui), à noite a ofensa visual torna-se um perigo, porque a atenção e a visão de quem tem de passar por aqui de carro ficam perturbadas pelo excesso de luz e pela quase impossibilidade de perceber se estão outros veículos prestes a entrarem na rotunda.

É uma imprudência imbecil. E eu gostava de saber quem terá sido o autor desta triste ideia. Eu e qualquer pessoa que se veja envolvida num acidente por falta de visibilidade...






quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Depois das eleições presidenciais: como Seguro e Ventura vão derrubar Montenegro




1

O candidato presidencial António José Seguro venceu as eleições presidenciais. Tecnicamente. Porque, politicamente, quem ganhou foi o Partido Socialista, o partido que o novo Presidente da República temporariamente chefiou e de que é militante.

Dizem-nos que a decisão de este ex-secretário-geral do PS (que aqui apresentei) se candidatar à Presidência da República foi individual e pessoal. Nisso eu acredito, porque, por um lado, o candidato a candidato devia estar mais do que farto de gerir o seu modesto alojamento local e a sua pequena produção de vinho e de azeite e, por outro, o PS não tinha candidato. Mas uma coisa é a sua vontade e o resto é a concretização.

A certa altura há de ter havido um encontro, uma convergência e/ou um acerto de posições entre ele e o PS. Seguro e a direcção do PS (chefiada por um secretário-geral da mesma ala de Seguro, José Luís Carneiro) terão chegado a um entendimento. O PS dar-lhe-ia todo o apoio, ele seria o candidato do PS e ajudaria, pelo menos politicamente, o PS a partir de Belém. E pagaria, digamos assim, a factura que o PS lhe iria apresentar.

E a factura (da campanha e do apoio) existe. Pedro Costa, filho do ex-primeiro-ministro António Costa, que afastou e substituiu Seguro na chefia do PS, já veio recordar que a vitória de Seguro também é a do PS. Clarinho como água.





2

António José Seguro pode fazer juras sem fim a acompanhar qualquer tipo de promessa que chefiará o Estado bem distante do PS. Mas não está em condições de fazê-lo e será interessante ver o que dizem, ou não, todos os eleitores do PSD e da Iniciativa Liberal que nele foram votar, alinhando na cruzada do “bom” contra os “maus”.

O PS, partido que mais tempo esteve no Governo desde 1976, é o partido que menos se contém quando lhe cheira a poder. É quem dispõe de uma maior clientela, das empresas às organizações sociais e culturais. E agora, com um pé no Palácio de Belém, já olha para as portas que se escancara,m para voltar a dominar o Estado e a tomar contas das chaves do cofre. Numa primeira fase, para mostrar bom comportamento, pode preferir a estabilidade. Mas, depois, irá pela instabilidade.


3

Toda a gente faz a sua profissão de fé de que este novo Presidente da República será um factor de estabilidade.

Mas não vai ser. Não pode, não tem força para isso.

Porque quem tem força, e a sente, é o PS. O Governo do PSD (com o CDS) está debilitado. O caos do Serviço Nacional de Saúde e a incapacidade de responder à catástrofe causada por tempestades difíceis deixaram mal o governo a que preside Luís Montenegro. E a nova correlação de forças também o prejudica.

O primeiro-ministro precisava, até agora, de se entender com o PS ou com o Chega na Assembleia da República. Para gerir os assuntos do Estado e para evitar eleições. O PS tinha medo de ir a eleições, para não perder ainda mais. O Chega tinha medo de ir a eleições para não correr riscos.

Mas, agora, o PS sabe que não precisa de ter medo de eleições, porque a base eleitoral do seu candidato a Belém até pode ser transferida para si, para seu próprio proveito.

E o Chega também sabe que não precisa de ter medo de eleições graças ao bom resultado que André Ventura teve, com mais votos relativamente às eleições legislativas do ano passado.

É natural, nesta perspectiva, que o PS e o Chega não façam favores ao Governo do PSD. Apostarão no seu desgaste. Quererão, sem o dizerem, eleições antecipadas, não dando ao adversário os três anos e meio de legislatura sobrante que poderão ajudar o PSD a lamber as feridas e a recuperar algum apoio popular.


4

O PS dispõe de duas vias para o fazer: por intermédio da Presidência da República (vejam-se, depois, as nomeações para Belém) e por meio de eleições. O Chega dispõe de uma só via: as eleições.

Porque, se pode dizer-se que André Ventura perdeu as eleições presidenciais, o certo é que só tecnicamente perdeu. Porque, politicamente, até ganhou com elas.

Anote-se no que escreveu o jornalista António José Vilela, num resumo rigoroso, aqui:

Se o Chega é André Ventura e se André Ventura é o Chega - algo que até os mais críticos dizem há anos -, então Ventura e o Chega conseguiram simplesmente isto a 8 de fevereiro de 2026: cerca de um em cada três votos de quem votou na 2.ª volta das presidenciais; quase 403 mil votos a mais da 1.ª para a 2.ª volta (ainda há concelhos, freguesias e consulados sem votação); quase 292 mil votos a mais em relação às legislativas de 2025; mais cerca de 1,2 milhões de votos do que nas Presidenciais de 2021; mais quase 560 mil votos do que nas legislativas de 2024; mais 1,3 milhões de votos em relação às legislativas de 2022; mais quase 1,7 milhões de votantes quando comparado com as legislativas de 2019, o ano da fundação do Chega.
Sem dogmas, se isto não é um percurso de enorme sucesso eleitoral (e de forte impacto político e social em Portugal), não sei o que será. Outro dado que convém ter em conta é que o Chega e a liderança de Ventura sujeitaram-se a oito diferentes eleições democráticas (autárquicas, legislativas e presidenciais, sem considerar as das regiões autónomas) e vão apenas para o 7.º ano no palco político. Ora, nesse período, o PS já vai no 3.º líder, tal como sucede com o BE e a IL, sendo que o PSD e o PCP estão na segunda dose das suas lideranças políticas.


5


O cenário, a longo prazo, será uma espécie de 3.ª volta entre o PS (e Seguro) e Ventura. E o PSD cairá, com Montenegro.





(Imagem de fonte aberta de acesso público.)

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Ler jornais já não é saber mais (252): histeria extrema

 


Quando se fala nos fenómenos meteorológicos "extremos", conviria reparar no histérico sensacionalismo "extremo" da imprensa (leiam na imagem os sucessivos títulos alarmistas da cnn tuga), das telervisões à Agatha Christie dos Rios Atmosféricos do "Observador".

Continuo a pensar que a imprudência extremista dos avisos coloridos da meteorologia oficial (da burocracia do IPMA e de entidades externas sem credibilidade) combinada com o sensacionalismo da imprensa assustam e insensibilizam muitas pessoas, desligando-as, em cenários de pesadelo, da realidade quotidiana das estações do ano e dos seus riscos, por diferentes que possam ir parecendo.





(Imagem de fontes abertas de acesso público.)

sábado, 7 de fevereiro de 2026

O acto eleitoral não é adiado porque os políticos não querem

 

Fotografia de João Porfírio, no "Observador"



Admito que haja obstáculos legais, na Constituição e noutras leis, que impeçam, tecnicamente, o adiamento do acto eleitoral previsto para amanhã, domingo.

Mas acredito que, a haver uma convergência de vontades, e de vontade política, nesse sentido, seria encontrado um mecanismo que, politicamente, permitiria adiar o acto eleitoral. Nem que fosse, por absurdo, uma declaração unânime de todos os presidentes de câmaras nesse sentido, impedindo as eleições em todos os concelhos amanhã.

Não sei quantas pessoas estão, na vizinha região de Leiria e noutras, sem casa, sem telhado, sem água, sem comida. Sem transporte, sem meios de se deslocarem. Sabendo que, ao quererem deslocar-se, irão encontrar estradas bloqueadas ou mesmo destruídas. Serão cem pessoas? Dez? Mil? Duas? O número, neste caso, importa pouco.

Quando um dos dois candidatos presidenciais, o ainda Presidente da República, o Governo, os deputados, os partidos políticos e a vasta rede de políticos locais voltam costas a esta realidade e mantêm a aparência de uma normalidade inexistente para terem as eleições que legitimam o sistema, a imagem do Estado é a segunda vítima. A primeira é a população – os afectados, primeiro, e toda a gente depois, porque toda a gente pode ser vítima.

A resposta, de um povo consciente, seria a abstenção activa e militante. Mas o que vamos ver é como uma grande maioria vai votar. Sem, sequer, perceber a enorme contradição que é aceitar os avisos histéricos para “ficar em casa” e ignorá-los, para ir acariciar o ego dos políticos.