A histeria é geral. Não há órgão de informação (sensacionalista", "de referência" ou outro, ou seja lá o que for) que não recorra ao verbo "disparar" para descrever um aumento de qualquer coisa, e de qualquer valor. Uma coisa aumentas 5 por cento? Dispara! Outra aumenta 100 por cento? Dispara! Não há critério, não há criatividade. Só há títulos histéricos.
Pedro Garcia Rosado
Este blogue é um registo pessoal de impressões, comentários e opiniões do autor, na sua qualidade de cidadão, na forma de um diário privado que é, no entanto, de acesso público e livre. Este blogue não tem fins lucrativos e as apreciações do autor sobre acontecimentos, pessoas e iniciativas, sociais, culturais, políticas, comerciais, mediáticas e outras, são completamente independentes e pessoais.
sábado, 16 de maio de 2026
Ler jornais já não é saber mais (261): histeria desbragada
quarta-feira, 13 de maio de 2026
Patadas na língua, patadas no jornalismo (12): pandemia de asneiras
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| Sim: na CNN tuga escreveu-se mesmo "o general prusso" ("prussiano", em português). |
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| A CNN tuga escreve "Ren", mas é RAND. Ignorância e/ou incapacidade de procurar e obter informações? |
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| "Arrasar com"?! Não, é só "arrasar". |
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| Este "reduzir 'a zero'" da CNN tuga aplica-se à ajuda militar que Israel ainda vai receber dos EUA num período de dez anos ou a um período de aplicação "a zero" que se vai prolongar por dez anos? |
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| Não é cultura, é incultura: no Centro Nacional de Cultura, o verbo "disseminar" (divulgar) aparece transformado em "dessiminar". |
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| À CNN tuga também já chegou o "dessiminar". Como é que chega ao jornalismo gente que escreve desta maneira?! |
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| Na RTP também não se sabe escrever "disseminar". |
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| Na CNN tuga, invariavelmente. É pena que fiquemos sem saber se o curso é universitário. |
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| Mais outra, da CNN tuga: a palavra inglesa "inventory" significa "reservas" ou "stock". "Inventário" é coisa completamente diferente em português. (Imagens de fonte aberta de acesso público.) |
segunda-feira, 11 de maio de 2026
Carlos Brito, o eurocomunismo, o PCP, a "geringonça", as brumas da memória, a Rússia de Putin, os nazis "branqueados" de Kiev e a iliteracia que agrava a desinformação da comunicação social
Carlos Brito.
Comecemos por ele, nestas notas que devem ser de mais fácil leitura do que o título deste modesto post. Carlos Brito (1933 - 2026) era e não era do PCP. Nome destacado entre os dirigentes do PCP que emergiram da clandestinidade depois do 25 de Abril, tornou-se mais conhecido pelo seu trabalho como deputado.
A visibilidade que ganhou tê-lo-á ajudado a afirmar-se como um dos militantes comunistas de primeiro plano que, a partir da queda do Muro de Berlim (em 1989), defenderam uma renovação política e, de certo modo, ideológica do partido. A ala "renovadora" entrou em choque com a direcção partidária onde Álvaro Cunhal continuou a ser influente até morrer, em 2005. Suspenso da sua actividade partidária em 2002, Carlos Brito, que era membro do Comité Central, declarou-se auto-suspenso no ano seguinte. E assim se manteve nos vinte e três anos seguintes.
A ala "renovadora", animada por muitos militantes que se foram afastando do PCP, não era um movimento homogéneo e nem todos se aproximaram do PS da "terceira via" de Guterres. Carlos Brito defendeu uma aproximação ao PS, e a outros sectores de esquerda, mas manteve a sua independência.
Carlos Brito talvez não andasse longe do movimento conhecido como "eurocomunismo" (onde se destacaram o espanhol Santiago Carrillo e o francês George Marchais), que ajudou a afundar diversos partidos comunistas por toda a Europa... incluindo em Portugal. Em 2015, com Jerónimo de Sousa à cabeça, na qualidade de secretário-geral que aplicou a doutrina eurocomunista sem a querer identificar, o PCP juntou-se ao PS e ao BE no malfado governo da "geringonça". Carlos Brito manteve-se auto-suspenso, mas não deixou de apoiar aquilo que os clássicos do marxismo-leninismo classificariam como uma "santa aliança".
Carlos Brito não teria impedido o descalabro da "geringonça", o vampirismo do PS e o afundamento do PCP, mas teria, indubitavelmente, feito melhor figura do que Jerónimo de Sousa.
Na pequena polémica que rodeou a sua morte (com uma declaração do PCP que não terá sido feliz), estes pormenores (aqui resumidos) desaparecem nas brumas nevoentas da memória. Da memória política, da memória jornalística e da memória da população.
Este nevoeiro, por onde emerge uma iliteracia que devia preocupar as pessoas que ainda são capazes de raciocinar, abate-se sobre tudo o que diz respeito à Rússia e ao seu presidente, Vladimir Putin.
A imprensa oficial apresenta o que, em tudo, parece ser uma agenda única sobre a crise ucraniana.
A Rússia e Putin estão sempre mal. Ora são comunistas, ora não o são. Ora são fascistas, ora não o são. Não conseguem obter o controlo dos territórios russófonos da Ucrânia anterior a 2022, mas vão avançando sempre no terreno. Hão de chegar a Odessa (e, sabe-se lá, a Kiev) e a imprensa oficial ainda há de dizer que nada avançaram desde Fevereiro de 2022. Não conquistam cidades, mas elas já ficaram para trás. A economia está em desagregação, mas a Federação Russa continua pujante, económica, política e geoestrategicamente. E, nesse mês, não recuaram diante de Kiev porque Macron pediu a Putin que o fizesse para faciliar as negociações com o regime de Kiev, mas porque perceberam que não conseguiam conquistar a Ucrânia em "três dias", "boutade" de um chefe militar da NATO que parece ser giro atribuir a Putin.
A extraordinária mistura de iliteracia e de desinformação, expressa com nuances pela imprensa oficial e pelas diversas camadas da "vox populi", tem a sua melhor representação nos comentários dos frequentadores do "Observador" aos esctritos de algumas figuras (que são quase todas, lá, convenhamos) abertamente favoráveis ao regime de Kiev. Para ler esses escritos, é preciso assinar o dito órgão, mas os comentários, onde a asneira ferve, são de acesso livre. Quem gosta, há de atingir orgasmos mentais a lê-los.
E sobre a Ucrânia? Zelensky é um santo e está tudo dito. Os diversíssimos escândalos de corrupção? A predominância de sectores nazis nas estruturas civis e militares? Os desvios de dinheiro e de equipamento militar? A mobilização de homens à força bruta? A destruição do país? As operações mediáticas que não correspondem à dura realidade? Nada disto existe. Parece que ninguém consegue perceber que uma nação quase destruída e retalhada, desagregada por uma guerra que nunca vencerá, deve entender-se com o seu inimigo quando está a perecer.
Digamos, para retomar uma frase de campanha do extinto "o diário" (do PCP de Álvaro Cunhal e de Carlos Brito), que a "verdade" da actual comunicação social oficial, não é a verdade a que a população tem direito. Não é com ela que as brumas da iliteracia se dissiparão. É sempre mais fácil culpar "as redes sociais" pela desinformação que os próprios praticam.
quinta-feira, 7 de maio de 2026
terça-feira, 5 de maio de 2026
E o Prémio do Cagalhão vai... para a Tienda Animal
domingo, 3 de maio de 2026
Patadas na língua, patadas no jornalismo (11) ... e patadas na gramática
Eu posso estar enganado, mas acredito que não se encontrará na imprensa um único jornalista (latu sensu, numa perspectiva funcional, limitada aos órgãos de comunicação social e enquadrada pelos requisitos de titularidade da Carteira Profissional de Jornalista) que não seja licenciado. Ou seja: que seja possuidor de um diploma de aprovação num curso superior (universitário ou politécnico), onde entrou depois de ter obtido aprovação final na frequência dos ensinos básico e secundário.
E, nessa perspetiva, a que acresce a exposição pública (trata-se da escrita jornalística e não da escrita de ofícios ou de e-mails profissionais), devo supor que toda essa gente há de saber ler, escrever e contar.
Portanto, como é que se explicam tantos pontapés na gramática, sobretudo quando aquilo que é escrito deve ser revisto (pelo próprio, por um editor ou, na melhor das hipóteses, por um revisor profissional)?
Não sei. Mas registo alguns desses pontapés:
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| Na CNN nacional: da "temperatura abaixar" à falta de vírgulas, passando pela desarticulação do texto ("o eclipse deste género"?!). |
| Na CNN nacional: o problema (gramatical) do plural. Devia ser "vêm aí chuva e trovoada", porque são dois substantivos diferentes. |
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| Na CNN nacional: o problema do plural. |
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| No "Nascer do Sol/Sol": não se percebe... |
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| No "Público": ninguém sabe o que é o plural, talvez pelo pouco pluralismo do diário da Sonae. |















































