terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Pensem lá nisto...


O exagero histérico dos "avisos" coloridos, replicados a esmo e de forma sensacionalista pela imprensa, não contribui para que a população se vá desinteressando desse tipo de alertas e da sua própria percepção dos riscos meteorológicos?








segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

EDP/e-Redes - A Crónica das Trevas (129): a grande cagada


Na passada quarta-feira, acordei por volta das 5 horas da madrugada e reparei que estava tudo escuro. As luzes da iluminação pública tinham-se apagado e, dentro de casa, não havia interruptor que desse luz.

Através do Facebook fui sabendo que havia um apagão generalizado no concelho, em Caldas da Rainha e em zonas limítrofes, devido a uma tempestade de ventos arrasadores. Uma cadeira exterior, um vaso (que ficou de pé, mas noutro sítio) e um chapéu de sol caído foram, em minha casa, os sinais deixados pela tempestade.

O que mais me afectou foi a falta de electricidade. Mas acreditei que a situação se resolveria, porque a e-Redes, esse enigma, indicava constantemente que o “incidente” seria resolvido na hora seguinte: às 13h, às 14h, às 15h, etc. A cada telefonema, o “relógio” da e-Redes ia-se adiantando. Em matéria de respeito pelo cliente, enfim…

À tarde, doze horas depois da tempestade, vi nuns campos próximos uns funcionários de uma empresa que trabalha para a e-Redes a cortarem árvores que estavam encostadas aos cabos de electricidade. Disseram-me que a solução seria rápida… se não houvesse pior. Iam seguir as linhas de electricidade para norte.

Tiveram de passar quase 48 horas para que, na minha zona, começasse a haver electricidade, depois de duas deprimentes noites à luz das velas. Mas nesse momento já estávamos exilados, em casa de excelentes amigos, na vila nortenha de Esmoriz. E, ao cabo de vários dias, nem se pode dizer que a situação esteja estabilizada.

Quem segue este blogue (e quem não segue pode ver aqui um registo dos meus comentários), sabe que tenho monitorizado os apagões que se verificam na região onde resido (Serra do Bouro, Caldas da Rainha) e que me têm afectado. São frequentíssimos, sem razão aparente, deixando-me sempre a impressão de que há uma manifesta incapacidade de avaliação do estado das redes, por parte da dita e-Redes, o que permite esse sem-número de apagões. E, possivelmente, alguma negligência e falta de manutenção.

Agora, vão-me dizendo que os diversos “especialistas”, comentadores e conhecedores do assunto dizem isso mesmo nas televisões. Ainda bem.

Recordando-me desse abate de árvores que ameaçavam os cabos, só posso perguntar por que motivo é que a maravilhosa e-Redes não fez, ou faz, um levantamento rigoroso de todas as situações de perigo. Custa muito? Mas seria sempre melhor do que este apagão…

Se a e-Redes, agora a correr atrás do prejuízo com alguma arrogância, foi negligente, o que se poderá dizer do comportamento da União de Freguesias de Santo Onofre e Serra do Bouro e da Câmara Municipal de Caldas da Rainha?

Tal no como grande incêndio de 2017, os órgãos municipais (desculpem, mas tem de ser assim… para não ser pior) cagaram-se para a população.

Foi obsceno ver um comunicado da União de Freguesias a elogiar a e-Redes sem uma palavra para os habitantes da sua área rural (a Serra do Bouro). E só não digo que foi também obsceno ver como o Sr. Nuno Aleixo, presidente da União de Freguesias, não andou pelo terreno a inteirar-se da situação da população porque também não esperava que ele tivesse o discernimento para o fazer.

Lamentando o estado de destruição deixado pela tempestade, em que a e-Redes, o Governo e os órgãos municipais falharam estrondosamento, e onde os geradores atirados para a Ucrânia teriam feito falta, publico este registo pessoal do apagão da-Redes, com a devida comenda com que a mimoseio a propósito e, também, em grande estilo:


 










segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Um homem sem palavra: o telefonema que António José Seguro não me fez

Há cerca de vinte e sete anos, numa terça-feira de Abril de 1999, o então secretário de Estado António José Seguro prometeu que me telefonaria nessa semana. Não telefonou.

Quando, antes dessa data, fui jornalista, na área da política educativa, estava Seguro como chefe da Juventude Socialista (entre 1990 e 1994). Falei, várias vezes, com ministros e secretários de Estado da área da educação e com protagonistas partidários do sector. Mas não me recordo de ter tido alguma conversa relevante com o dirigente máximo da JS.

António José Seguro foi  isto, para mim: uma irrelevância, um homem sem palavra, e sem palavras. 

Mas foi coerente... no seu apagamento. Nunca mudou de rumo. Nunca fez ondas. Da JS passou para o Governo, nessa altura como uma espécie de delfim de António Guterres. Como secretário de Estado não se lhe conhece obra.

E o certo é que, talvez por haver na política algum horror ao vazio, Seguro acabou por chegar a secretário-geral do PS. Curiosamente, nunca reparou nas particularidades do "lifestyle" de José Sócrates, recusou-se a partilhar com Pedro Passos Coelho as dificuldades de aplicação do programa de resgate financeiro da "troika" e foi depois apeado, sem honra nem glória, por António Costa, obviamente mais esperto do que ele.

Saído da política, Seguro foi fazer de empresário na área do turismo. Bebi um vinho tinto dos que fazia uma empresa sua e era bom. Mas, também, soube-me a "poucochinho". Acho que não irei à procura desses vinhos. 

Talvez Seguro devesse ter-se ficado por essa actividade e aperfeiçoado a sua intervenção empresarial. Em querendo voltar à política, teria ficado bem como presidente da Câmara Municipal de Caldas da Rainha (onde reside, com a empresária farmacêutica que é a sua mulher), o que teria evitado a morte do PS neste concelho e lhe teria dado alguma experiência política acrescida. Consta que insistiram com ele.

Dizem-nos que foi ele a tomar a decisão de se candidatar a Presidente da República, cuja 1.ª volta ganhou. Mas eu não acredito na espontaneidade da sua candidatura. Seguro não era, nem é, pessoa para se arriscar sem rede. E a rede foi, naturalmente, o melancólico estado do seu partido, o PS, que estava desesperado por não ter um candidato presidencial.

Pelas regras comuns da experiência, não posso deixar de acreditar que a sua candidatura foi negociada entre ele e o PS, e directamente com o seu secretário-geral, Carneiro. De outro modo, não se compreende o envolvimento do aparelho do PS na campanha e o modo como no PS se silenciaram reservas e dúvidas perante o político a que Costa colou o rótulo de “poucochinho”. De repente, o PS, todo ele, ganhou a possibilidade de chegar de novo ao poder. E, não é coisa pouca, a começar pela chefia do Estado.

É por isso que, recordando-me do submisso secretário de Estado de Guterres, me repugna uma candidatura como esta. 

Por outro lado, nada no currículo político de Seguro permite alimentar a expectativa de um exercício politicamente respeitável, responsável e frutuoso como Presidente da República. Seguro, como os candidatos da 1.ª volta (e como o seu adversário directo na 2.ª volta), não tem a experiência, a determinação e a iniciativa políticas que considero necessárias para a função. Como empresário não se notabilizou, como secretário-geral do PS foi um fracasso, como secretário de Estado não deixou nada que se visse, como secretário-geral da JS não influenciou políticas educativas ou de juventude. 

É talvez isso que explica que a sua campanha, uma verdadeira cruzada dos "bons" contra o "mau", seja feita não pela positiva, mas pela negativa, em função do outro. 

O que quer Seguro para o País? Não quer Ventura. O que quer Seguro fazer como Presidente da República? Não quer Ventura. O que querem os seus apoiantes para o País? Não querem Ventura. 

A política não pode ser uma cruzada, dos "bons" contra os "maus". Já tivemos essa experiência em Portugal: a União Nacional, de Salazar. Eram os "bons" contra os "maus", os da "oposição" e os "comunistas" e "subversivos".

Esta União Nacional de Seguro faz-me lembrar esses tempos. Com nuances: António José Seguro vai ser um Presidente da República como o foi Américo Thomaz, à espera de um presidente do Conselho de Ministros (como era designado, nessa altura, o primeiro-ministro) que mande mais do que ele, que seja algo como um novo Salazar que encabece o governo que Seguro e o seu PS se esforçarão por impor ao País depois de derrubado o actual governo de Montenegro. Talvez Costa, de novo, que saberá sair do tempo do "Titanic" que é a actual liderança política da União Europeia.


Uma grande dupla: Seguro como Presidente da República e Costa como primeiro-ministro. Como Thomaz e Salazar.


O unanimismo bovino, em especial na política, enoja-me. E este unanimismo, e aquilo que nele se esconde, enoja-me ainda mais.

Escrevi aqui, e assim fiz, que não votaria nestas eleições. Não fui votar na 1.ª volta. Mas quando olho para esta cruzada, para esta coligação dos ansiosos pela manutenção dos favores do Estado, fico com vontade de ir votar na 2.ª volta. Contra Seguro e contra o PS.

Como é que farei?





(Imagem de fonte aberta de acesso público.)





sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

A nova União Nacional








António José Seguro vai ser o presidente Américo Thomaz da União Nacional do PS.

E o seu presidente do Conselho, o seu António de Oliveira Salazar, será António Costa, depois de sair pela porta baixa da chefia da União Europeia.

E Seguro só arrebitará se o seu António tiver também algum acidente que o faça sair de cena.


Um ilustre antecessor do candidato "moderado"






quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Criancices

A infantilidade da imprensa é confrangedora.

No âmbito da cruzada anti-Ventura, o "Jornal de Notícias" destaca 3 (três) militantes do Chega nos 37 (trinta e sete!) detidos na politicamente conveniente operação da PJ contra a "guerra racial".

E contra a "ameaça" de Trump destacam a "mostra" da "bazuca", como quem diz que a Europa vai mostrar a pilinha para garantir que é maior do que a Trump e que mija mais longe.

O facto de o "JN" ser da "província" não justifica tudo...














(Imagens de fonte aberta de acesso público.)

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Agora a CNN tuga até já mente descaradamente




 

Já não é só a informação enviesada e deturpada que a CNN tuga divulga com regularidade sobre a crise ucraniana, correspondendo à sua agenda (que, aliás, anda alinhadíssima com a de Kiev).

Agora a CNN tuga também já mente, e descaradamente: ontem, dia 19, garantiu que, “mais de uma semana depois do ataque [com o sistema de mísseis balísticos Oreshnik em 9 de Janeiro em Lvov], a Rússia continua sem reconhecer qual seria o verdadeiro alvo do ataque”.

No entanto, já em 12 de Janeiro, três dias depois do ataque e uma semana antes da “notícia” da CNN tuga, o Ministério da Defesa russo tinha esclarecido, com todos os pormenores, quais eram os alvos (atingidos) do Oreshnik, segundo informação da agência Tass:



Ou seja:

-> Em 9 de Janeiro as forças russas efectuaram um ataque com o sistema de mísseis balísticos hipersónicos Oreshnik, paralisando a fábrica estatal de reparação aeronáutica de Lviv.

-> O Ministério da Defesa especificou que a empresa reparava e fazia a manutenção em aeronaves do exército ucraniano, incluindo caças F-16 e MiG-29 fornecidos por países ocidentais. Produzia também drones de ataque de longo e médio alcance, utilizados em ataques contra instalações civis no interior da Rússia.

-> Além disso, o ataque com o Oreshnik atingiu instalações de produção, armazéns com produtos acabados (drones) e as infraestruturas do aeródromo da fábrica.


A CNN tuga até pode argumentar que não sabia o que a Tass afirmara. Mas, se fizesse uma cobertura deontologicamente rigorosa dos acontecimentos, teria encontrado a informação dada pelo ministério russo.




(Imagens de fontes abertas de acesso público.)





segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Não foi Seguro quem ganhou. Foi o PS!










O PS vai voltar ao poder pela mão do filho político de Guterres e de Sócrates e irmão também político de Costa, para aborrecimento de Montenegro.

Ventura ficará a guardar-se, com uma derrota que soube a vitória, para ser primeiro-ministro, cargo que lhe dará mais jeito.

Cotrim e Melo naufragaram merecidamente. Que vão e não voltem.

Mendes ficou entalado nas portas giratórias dos clientes do Estado.

Os outros não existem.

O País, de certo modo, também não.


[Não votei. Não votarei na segunda volta. Nenhuma destas pessoas tinha, ou tem, categoria política para ser Presidente da República.]









(Imagens de fontes abertas de acesso público.)


domingo, 18 de janeiro de 2026

sábado, 17 de janeiro de 2026

Tipo "Ou há moral, ou comem todos"


O "Jornal de Notícias", um dos jornais mais parolos do estreito leque da imprensa escrita nacional, queixa-se hoje, com mal disfarçada indignação, da desfaçatez com que as redes sociais ignoram o "dia da reflexão". Que o "Jornal de Notícias", como todos os restantes órgãos de comunicação social, veneram, com um respeito beato.





O "dia da reflexão", que só dá jeito aos aparelhos político-partidários para descansarem dos afãs das campanhas eleitorais, é uma das instuições de controlo da opinião mais ignóbeis que existem. 

Se se justificava, em 1975, com o argumento de que o povo andava enganado e não sabia pensar, deixou, em absoluto de se justificar na era da internet. Tudo está disponível, em todo o lado, salvo na triste imprensa nacional que esconde tudo o que publicou durante semanas a fio para não ferir as susceptibilidades da classe política, que raramente ousa desafiar.

O "Jornal de Notícias" (que deve ignorar que a Meta, a Google e as restantes redes sociais não têm sede na Avenida dos Aliados nem na Circunvalação) deve querer que, no mundo, a política portuguesa seja suspensa desde as 24 horas de sexta-feira até às 20 horas de domingo dos fins de época eleitorais. 

É, na sua impotência, a aplicação do velho lema conformista de que "ou há moral, ou comem todos". Ou seja: se ele, coitado, é obrigado a cumprir o "silêncio" e o "dia da reflexão política", por que carga de água é que há outros que se estão nas tintas e ficam impunes?!

Pensam, estes e outros, que este pequeno país, na sua menoridade santarrona, é relevante. Não é.




(Imagem de fonte aberta de acesso público.)


quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Não vou escrever o que na realidade penso sobre esta eleição presidencial...


... para me manter nos limites da lei e do bom senso e para não ofender pessoalmente ninguém. 

Mas não quero deixar, mantendo a minha decisão legítima de não votar, de dar voz às minhas impressões sobre um processo eleitoral desastrado que não dignifica a democracia e o Estado que a devia defender.

Comecemos pelo papel que vai servir para os cidadãos votarem.

Não é aceitável que um boletim de voto, numa eleição que assenta em candidaturas individuais à Presidência da República, inclua pessoas que não são candidatas à função porque, parece, não cumpriram os mínimos legais. O Estado tem de ter mecanismos capazes de sustentarem com tempo digno a triagem dos candidatos e de permitirem apenas a inclusão no boletim de voto dos candidatos que preenchem todos os requisitos legais.


Um boletim de voto que é uma falsidade


É tecnicamente possível que os nomes dos falsos candidatos obtenham votos que, politicamente e em quantidade, prejudiquem os verdadeiros candidatos. Classificar esses votos como "nulos" não resolverá, politicamente, o problema se houver candidatos empatados pelo número de votos no acesso a uma provável segunda volta.

Por outro lado, não vejo os candidatos que realmente são candidatos como tendo competências para desempenharem a função de Presidente da República. 

Tomando apenas os cinco nomes que, por vários motivos, poderão chegar ao primeiro lugar, só consigo ver (nesta altura e por ordem alfabética) André Ventura como ministro, António José Seguro como presidente de câmara municipal, Henrique Gouveia e Melo como capitão-de-fragata encarregue da logística da Marinha, João Cotrim de Figueiredo como director-geral de uma empresa de marketing e comunicação e Luís Marques Mendes como ministro adjunto do primeiro-ministro (que já foi). 

Não lhes conheço, nem deles me chegaram (e são os candidatos que devem esforçar-se por ir ao encontro dos eleitores), ideias, propostas, medidas políticas ou iniciativas programáticas. 

Nem consigo dizer se, como é agora típico dos dirigentes europeus, se pronunciaram mais sobre política internacional do que sobre assuntos nacionais. Mas não posso deixar de reter a lamentável afirmação de Cotrim de Figueiredo de que (usando outras palavras) os dirigentes europeus não puseram fim à crise ucraniana por não terem tomates para o fazerem. Não vi, a propósito, nenhuma notícia de que o "liberal" tenha ido, ou esteja a pensar ir, combater para a Ucrânia. Em matéria de figuras tristes, ver os candidatos a dançar para as câmaras de televisão é menos confrangedor do que ler a bravata do azougado liberal.

A ausência de ideias, ou o seu silenciamento, ficou especialmente visível nos "debates" televisivos. Os candidatos sujeitaram-se a servir de animais de circo para fruição de comentadores que, sem correrem riscos, se armam eles próprios em candidatos. Os "debates" televisivos foram uma piores coisas do processo político mais pobre e mais desgraçado de todos os que correram em Portugal desde 1975. A "rua" serviu para expor o pior de cada um.

É possível que as eleições presidenciais não fiquem resolvidas neste domingo. O que levará a uma segunda volta, com os dois mais votados, num período que pode ir até às três semanas a partir desta altura. Imagino quem possam ser os dois derradeiros candidatos. Mas também não irei votar em nenhum deles, nem mesmo numa lógica de mal menor.

Apesar de defender a abstenção como direito político, não me excluo do debate político. E, por isso, voltarei depois ao(s) resultado(s) deste infeliz processo.