domingo, 5 de abril de 2026

138 idiotas perigosos




Deve existir, a funcionar em algum sítio de Lisboa ou do Porto, uma fábrica de ideias estúpidas. Quando se esgota uma, sai outra. Há sempre estúpidos que gostam de ideias estúpidas. E imprensa que, à míngua de outras coisas, engole e reproduz tudo sem cuidar de ver "prós" e "contras" e, já agora, a realidade.

Isto poderia explicar que tenha aparecido uma petição dirigida à Assembleia da República, neste momento com 138 apoiantes, a pedir que a carta de condução seja automaticamente interditada a quem fizer 75 anos.

Há mesmo quem, entre esses apoiantes, sugira que a carta de condução devia ser retirada no momento em que o seu detentor se reforma (sendo que, diz uma apoiante, a idade da reforma é aos 75 anos...). Há quem diga que, voluntariamente, deixou de conduzir automóveis aos 70 anos. E quem afiance que a culpa dos acidentes de viação é dos "reformados".

E aos 75 anos porquê? Porque quem diz "75" também pode dizer "70" (ou "69", sei lá...) ou "80" ou "65". E, já agora, dos muitos "observatórios" e "grupos de trabalho" e "peritos" e tal que vicejam por aí, haverá alguém que possa dizer, rigorosamente com base nas estatísticas reais (se existem...), quais são as idades mais "perigosas"?

Calculo que todos estes idiotas sejam de Lisboa ou do Porto, e que também pouco conheçam da realidade nacional. 

Não devem saber que há pessoas a residir fora dos centros urbanos, onde não chegam transportes públicos (quando eles existem) que liguem as pequenas e médias cidades do interior e os seus arredores. Não devem saber que o isolamento dos idosos não se resolve com a sua ostracização absoluta, mas com apoio que as entidades públicas não asseguram. E não devem saber que muitas pessoas nessas circunstâncias não têm dinheiro para utilizar serviços de táxi. E que as deslocações que fazem não são de recreio, mas motivadas pelas necessidades mais básicas (comida, medicamentos, consultas médicas, etc.)

Há, e eu vejo-o bem no concelho do interior onde resido, pessoas idosas que, muito obviamente, não estão em condições de conduzirem veículos automóveis, situação agravada pelo estádio precários dos carros que ainda têm. Mas há, e eu também os vejo, pessoas idosas que sabem conduzir e que o fazem com segurança, e em circunstâncias normais e em circunstâncias extraordinárias. [Não querendo personalizar a questão, não invoco a minha experiência.]

É fácil dizer que os idosos entram em contramão em autoestradas de entradas deficientemente assinaladas, porque serão a maioria. Mas passar disso para a proibição etária que querem impor é de uma facilidade só explicável pela estupidez.

A renovação da carta de condução, de dois em dois anos a partir dos 70 anos, é, e todos o sabemos, uma anedota. Não há uma verificação rigorosa do estado de saúde de quem quer renovar a carta... mas, também, como é que isso pode ser feito num serviço nacional de saúde tão pobre? É estúpido, e imoral, pensar que retirar a carta de condução resolve um problema básico, mas discreto, do serviço nacional de saúde.

Por outro lado, não compreenderão, quem imaginou a coisa e quem a assina, o carácter pouco legal da medida que defendem? Em termos legais, seria uma espécie de eugenia social, não muito diferente da condenação às câmaras de gás dos indivíduos que o regime nacional-socialista, na Alemanha, impunha a cidadãos considerados inaptos para a sua sociedade.

Estas 138 criaturas são, além de idiotas, potenciais nazis.





Ler jornais já não é saber mais (258): contas estranhas

 

"Notícias" da CNN tuga com uma hora de intervalo



O padrão repete-se: a Rússia ataca alvos na Ucrânia com um número determinado de drones e mísseis; há sempre estragos registados; a Ucrânia diz que abateu a maior parte dos drones e mísseis.

Neste caso, só não teriam sido abatidos 27 drones e 11 mísseis. Mas fizeram estragos que causaram "cortes de energia de emergência".

E temos todos de acreditar...






(Imagens de fonte aberta de acesso público.)


sábado, 4 de abril de 2026

Má vizinhança (quase) anónima




Este aviso, manuscrito e em português cuidado, assinado apenas com iniciais, apareceu num caixote do lixo de um cruzamento na região onde resido. Gostava de saber quem se dirige e quem o escreveu, e porquê, mas deve ser difícil. E, entretanto, o papel até desapareceu.

Fica o registo, por curiosidade.





sexta-feira, 3 de abril de 2026

Ler jornais já não é saber mais (257): como a CNN cumpre a agenda de Kiev... e do ISW



Três "notícias" e três títulos, da CNN de cá:

"'Impasse não é favorável à Rússia'. Como a Ucrânia está a 'moer' a nova ofensiva russa" (26 de Março), "Forças russas estagnaram perto do 'Cinturão de Fortalezas' ucraniano e é 'pouco provável' que o consigam conquistar este ano" (30 de Março) e "Rússia diz ter conquistado Luhansk mas as mudanças na linha da frente são 'mínimas'" (2 de Abril).

Os três textos podem ser lidos, respectivamente, aqui, aqui e aqui.














O ataque de Israel e dos EUA ao Irão fez passar para segundo plano o conflito na Ucrânia num período em que se notou mais um avanço da Rússia no terreno que pareceu ser mais lento. A opção estratégica da Rússia (a "morte por mil cortes", evitando ao mesmo tempo uma acumulação de baixas desnecessárias), o Inverno e o degelo dos campos do Donbass, com os seus mares de lenha, permitiram a proliferação de algumas interpretações, que chegaram ao ponto de incluir os relatos, sem sequência, de que a Ucrânia "recuperava" centenas de quilómetros.

O governo de Kiev precisa, desesperadamente, de fazer prova de vida e prefere sacrificar as vidas dos seus soldados em batalhas inglórias a admitir recuos e derrotas. Em especial, para ver se consegue continuar a receber dinheiro da União Europeia e armas dos EUA. 

Nessa perspetiva, a narrativa do "impasse" é-lhe muito útil, porque permite fazer de conta que a Ucrânia não está a sucumbir ao avanço russo nem ao desgaste das suas Forças Armadas e a Rússia não consegue fazer... o que parece não querer ainda fazer (a "ofensiva da Primavera"). Portanto, a Ucrânia até estaria a vencer e a Rússia não poderia fazer outra coisa senão recuar.

Quem quiser ir ler estes textos publicados pela CNN, e há mais, verificará que neles há uma única fonte: o Instituto para o Estudo da Guerra (Institute for the Study of War, ISW, com sede em Washington, criado em 2007). Um dos textros é assinado por um português e os outros têm "CNN" como assinatura.

O problema com o sempre muito citado ISW é a sua parcialidade. É um think-tank como muitos outros, com ligações orgânicas e não só ao sector político norte-americano dos "neoconservadores" (os "neocons"), que têm sido o motor da promoção da Ucrânia como "arma" contra a Rússia. E basta ir ao seu site para perceber o que faz correr o ISW.

Aliás, o ISW nem disfarça. É quase um empreendimento familiar, criado e dirigido por Kimberly Kagan, casada com Frederick Kagan, irmão de Robert Kagan que, por sua vez, é o marido de Victoria Nuland, a diplomata que foi subscretária de Estado para os Assuntos Políticos e o principal rosto de entre os americanos que tudo fizeram em 2014, na Ucrânia, para mudar o governo, afastando o Presidente eleito e abrindo caminho à ascensão da extrema-direita e do seu presidente, Zelensky. E as principais empresas que financiam esta organização, que é "não lucrativa", são empresas que fabricam equipamento militar. Ou seja, armas.

O ISW tem muitos "estudos" e o tipo de intervenções que fazem a delícia de jornalistas que gostam do jornalismo tipo "pronto-a-vestir" e que não gostam de pensar. E com figuras: mapas, neste caso. Mas se os mapas parecem ser bons, o pior é o resto.

E é no ISW que a CNN se baseia para estes três textos. A CNN não recorre a fontes ucranianas porque lhe basta o ISW. E não recorre a fontes russas ñão se sabe porquê. Em termos práticos, a CNN está a colar-se a uma única fonte e a fazer sua a agenda do ISW e de Kiev, sem sequer salvaguardar um mínimo de decoro técnico com, pelo menos, um "segundo o ISW" à cabeça... O jornalismo, no entanto, não é isto.

Veremos como, nos próximos dias, a realidade vai desmentir a CNN...








(Imagens de fonte aberta de acesso público.)

Houve quem tivesse percebido

 Estava assim:


Escrevi sobre isto aqui



Ficou, finalmente, assim:



Houve alguém que percebeu, ou que foi coagido a perceber, e que decidiu apagar as luzes.

Uma curiosidade: a GNR, a quem denunciei este potencial atentado à segurança rodoviária em 2 de Março, ainda não se pronunciou.








quinta-feira, 2 de abril de 2026

Ler jornais já não é saber mais (256): tipo "É oficial" - a crise iraniana fez disparar a criatividade jornalística...



Entre a histeria e o paroxismo, o marasmo criativo do jornalismo (ou do que dele resta...) está bem visível na delirante sequência de títulos, e de textos e intervenções orais, onde se conjuga o verbo "disparar". 

Já nem, como logo aqui por baixo se vê, se ficam pelo clássico "Guerra faz disparar", por exemplo. Agora a coisa é mais directa: "Guerra dispara". 

O ridículo desta opção aparece em todo o lado e não poupa nem os "de referência" nem os "sensacionalistas".

Vejamos: 



"Correio da Manhã"










CNN portuguesa










Eco 
(devem ser pagos pela frequência com que usam o verbo...)
























"Expresso"











"Jornal de Notícias"







Observador





"Público"








"Tal&Qual"










(Imagens de fonte aberta de acesso público.)


terça-feira, 31 de março de 2026

EDP/e-Redes - A Crónica das Trevas (137): mas alguém consegue acreditar nestas tretas?!

 

Recordando: em 2 de Março recebi uma “resposta” da e-Redes a mais uma reclamação minha contra os apagões, quase diários, que se verificavam há mais de um mês. A “resposta”, como aqui dei conta, remetia a causa dos apagões para os “fenómenos atmosféricos” e para a “avifauna”.







No dia 9, uma semana depois, a luz apagou-se às 5h50 e só às 7 horas é que acabou o apagão. O dia, ainda escuro, estava húmido e nublado. Eram estes os “fenómenos atmosféricos” visíveis. E quanto à “avifauna”, não havia um único pássaro à vista.

Nesse dia fiz nova reclamação contra a e-Redes. E fiquei à espera.

Poucos dias depois, no dia 14, houve um apagão às 16 horas. Telefonei para a e-Redes a perguntar o que se tinha passado. “Avifauna”? “Fenómenos atmosféricos”? Não. Tinha havido “contingências”…

Onze dias depois disto, chegou a “resposta” da e-Redes à reclamação do dia 9. Precisaram de 16 dias para produzir esta coisa, um pouco mais rebuscada do que a história dos pássaros:






Mantêm, é claro, "a informação anterior sobre o assunto", ou seja, a "explicação" dos passarinhos. Mas alguém deve ter percebido que é uma versão tão volátil como um pardal. E por isso até insistem que que há "fiabilidade", que há "ações sistemáticas de vigilância e manutenção" (andam a ver se os passarinhos pousam nos cabos?...) e que há "agentes de agressão externa" (ainda hão de dizer que são russos...). 

E responsabilidade, a sério, têm? Claro que não. O nteressante, no entanto, é verificar que, pelo menos até agora, e depois das várias reclamações que fiz, não tem havido apagões.


*


A irresponsabilidade desta empresa está, aliás, bem patente nesta situação que já descrevi. Desde 28 de Janeiro (e já passaram dois meses...) que na Estrada do Vale (Serra do Bouro, aqui na região) se mantém o estado de degradação dos cabos da e-Redes. Isto é negligência. 

E, perante este estado de negligência, é possível acreditar naquilo que a e-Redes diz?





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Em suma:









sexta-feira, 27 de março de 2026

Afinal, nós, os "negacionistas", tínhamos motivos para desconfiar...


Quem levantava dúvidas sobre as vacinas anti-covid-19, fabricadas à pressa no meio de movimentações de muitos milhões de dólares e euros, que passavam por médicos, políticos e "peritos" sortidos, era "negacionista".

Agora, seis anos depois, temos isto. Sem que os acusadores e críticos fanáticos dos "negacionistas" mostrem qualquer sinal de arrependimento. 

Sem que se recorde que as vacinas "fast food" foram transformadas em instrumentos legais para condicionar (e coagir) a vida dos cidadãos, impedidos de se movimentarem se não as aceitassem... com o Estado a esconder os seus riscos e a impô-las em simultâneo.






(Acho que vou ter de comprar esta merda, para ler a coisa, o que me desagrada.)



quinta-feira, 26 de março de 2026

A isto chamava-se "emprenhar pelos ouvidos"

Ricardo Reis, colunista do "Expresso", é capaz de ser um excelente economista e, talvez por isso mesmo, presta pouca atenção àquilo que não é, directamente, da esfera económica. E a guerra movida pelos EUA e por Israel contra o Irão não é, directamente, da esfera económica.

Se estivesse mais atento, poderia ter reparado que a realidade desta guerra é diferente do quadro catastrofista que apresenta. E que é, em exclusivo, a visão de uma das partes do conflito (o eixo EUA/Israel).

Quase um mês depois do ataque inicial ao Irão, o que Ricardo Reis escreve (e que foi publicado há apenas uma semana) nada tem a ver com a realidade, segundo todas as informações que circulam sem desmentido.









terça-feira, 24 de março de 2026

Supergralha

 "Tal&Qual", edição de 18 de Março de 2026. Uma primeira página que parece normal...







... mas que tem uma "gralha" monumental. Tem graça, e não ofende.









(Imagens de fonte aberta de acesso público.)