domingo, 17 de novembro de 2019

Caldas da Rainha, Natal, 2019


Há dinheiro para as iluminações na capital do concelho mas não há dinheiro para substituir caixotes de lixo no interior do concelho.





Conversa da treta de sofisticação diarreica

Há mais de um mês houve, neste mesmo local, uma ruptura numa conduta de abastecimento da água. Um grupo dos Serviços Municipalizados de Caldas da Rainha fez a reparação e encheu o buraco aberto com pedras e terra. 
O buraco ficou, poucos dias depois, no estado que a fotografia regista.
Custava muito ter reposto a camada de alcatrão que foi arrancada. Custava. Reparem só na sofisticada e ortograficamente conversa da treta de "os SMAS" ("Gazeta das Caldas", 15/11/2019) ao reparo de uma residente no local:
"Refuta-se completamente a forma como descreve a abordagem técnica que é feita à reparação de ruturas na rede de abastecimemento de água. As mesmas são abordadas conforme recomendações técnicas superiormente aprovadas, sendo que uma têm abordagens mais complexas do que outras, atendendo ao local, á dimensão da conduta entre outros fatores permanentemente tidos em conta". 
É preciso "abordar" muito para reparar e tapar?!


domingo, 10 de novembro de 2019

Plágio, homenagem ou aproveitamento de boas ideias?



A sequência original


Uma das sequências justamente mais famosas dos filmes do grande cineasta Serguei Eisenstein é a do carrinho de bebé que, desgovernado, desce as escadarias de Odessa no meio de uma multidão que foge a uma carga militar. O filme é "O Couraçado Potemkine" (1925), onde as suas técnicas pioneiras de montagem estão brilhantemente expostas.
Em 1987, no seu filme "Os Intocáveis", Brian de Palma montou uma cena de tiroteio numa grande estação ferroviária e recuperou a ideia do carrinho de bebé, desgovernado no meio dos tiros trocados entre os homens de Eliott Ness e os de Al Capone. De Palma foi sempre um realizador inspirado e não precisava de fazer um plágio. Também nada fazia desta sequência uma homenagem a Eisenstein.
Estive no Festival de Cinema de Veneza e consegui entrar numa entrevista coletiva do realizador, sendo a minha única pergunta sobre o porquê da replicação da famosa sequência de Eisenstein. 
De Palma respondeu, simplesmente, que era uma boa ideia e que fizera a sua sequência por ser apenas uma boa ideia. Era, realmente, o que parecia. Se tivesse ido buscar a Eisenstein mais do que a sequência do carrinho de bebé, já seria plágio? Talvez. Mas De Palma até podia ter respondido que só tinha querido homenagear Eisenstein. 


Os "descendentes" da escadaria de Odessa


Talvez tenha sido o que quis fazer Walter Hill em "A Fronteira do Perigo" (1987), relativamente a Sam Peckinpah, com quem tinha colaborado, e ao seu magistral "A Quadrilha Selvagem" (1969). (A sequência final deste filme é deslumbrante e eu também a recordei, e ao seu ambiente fechado mais do que ao jogo de massacre que a caracteriza, em "Crimes Solitários". Mas pode ser que ainda o faça, na totalidade, em homenagem a um dos meus realizadores preferidos.)  
Há poucos dias deparei-me com mais um caso. Em 19 de Janeiro de 1924, a revista americana "Collier's Weekly" publicou um conto de Richard Connell intitulado "The Most Dangerous Game" (que julgo ter sido publicado em Portugal numa antologia de histórias fantásticas). 
A história tornou-se um clássico: uma caçada humana numa ilha. O primeiro filme que dela nasceu foi "O Malvado Zaroff" (1932). Uma das mais interessante adaptações foi "Perseguição sem Tréguas" (1993), de John Woo. O tema é sempre o mesmo e não há volta a dar-lhe: um grupo de caçadores bem armados junta-se para caçar (e matar) presas humanas. 
E é esse o tema do 22.º livro de Lee Child, "Past Tense" (2017), que acabei de ler há poucos dias. Revelada a mais de dois terços da história, mas previsível para quem conhece o conceito, a ideia da caçada humana sustenta o que talvez seja um dos mais interessantes títulos da já demasiado extensa série dedicada a Jack Reacher. Será homenagem (claramente à versão de John Woo, se é o caso), plágio ou apenas o aproveitamento de uma boa ideia? É difícil perceber.
Um exemplo que está na fonteira do plágio é o da série (ou mini-série, porque não parece ter continuidade), "The Enemy Within". Vi os dois primeiros episódios, de qualidade média, e estive o tempo todo a pensar em "The Blacklist". Uma não é, tecnicamente, plágio da outra, mas… já não avancei para o terceiro episódio.
Em 1979 o filme "Chamada Misteriosa" introduziu (e julgo que terá sido a primeira vez) um dispositivo narrativo que eu ainda não tinha visto: uma mulher recebe um telefonema ameaçador… e o assassino que lhe telefona está dentro da própria casa. 
"Chamada Misteriosa" não entusiasmava e este começo não tinha sequência à altura. Os "remakes", ou variações, que depois teve também não ficaram para a história. Talvez se a revelação do telefonema tivesse ficado para o fim… mas, aparecendo logo de início, não havia mais nada à altura durante o resto do filme. Mas foi uma boa ideia.
Este dispositivo é retomado recentemente num romance português: "Do outro da linha, a telefonista [...] perguntou a Doris se, por acaso, existia a possibilidade de o assassino ainda estar dentro da casa. Foi então que a Sra. Mullens, no seu sotaque do Arkansas, lhe respondeu [...] que essa possibilidade não era uma mera possibilidade, mas um facto. O assassino ainda lá estava dentro, porque pertencia àquela casa desde que nascera." Trata-se de "A Noite em que o Verão Acabou", de João Tordo. Não sei, naturalmente, se é homenagem, plágio ou apenas o aproveitamento de uma boa ideia. Mas é, tão só, mais um caso.



sábado, 9 de novembro de 2019

Bichos

Um esquilo juntou-se hoje ao jardim zoológico informal que aqui se vai formando: apareceu, tímido, para beber água e depois desapareceu. Não é a primeira vez que vejo um esquilo nesta região, mas "chez moi" é uma estreia.
Há pouco mais de uma semana foi uma cegonha, que também terá vindo beber água. E de cuja presença já tinha suspeitado quando, ainda antes do amanhecer, vi há tempos uma forma estranha e pálida a erguer-se nos ares.
Além destas presenças, há as habituais: rolas, melros e duas espécies de pássaros; ratos pequenos e grandes; toupeiras; gatos, ocasionalmente e sempre de fugida.
Já em tempos vi aves de rapina a sobrevoarem a propriedade e até já apareceu o que só podia ser um beija-flor (e há registos de avistamentos em Portugal). Além de faisões e de perdizes.
E além de aranhas (muitas e variadas), lagartixas, salamandras e até cobras.
Mas é melhor a bicharada do que a espécie (política) dominante local...

quarta-feira, 6 de novembro de 2019

Caldas do Lixo






Como é que se resolve o magno problema de um caixote de lixo avariado bem longe da vista de quem anda na capital do concelho?
Deixa-se a tampa bem aberta. 
E porquê? 
Não me perguntem. 
Eu limito-me a constatar esta estranha maneira de resolver problemas: piorando-os. Deve estar-lhes na massa do sangue: a incompetência e a tendência para a porcaria.

segunda-feira, 4 de novembro de 2019

"Mayans M.C.", welcome back!




"Mayans M.C.", portanto: a revisitação do universo de "Sons of Anarchy", sem a matéria de base desta surpreendente série mas com diversos pontos de contacto, numa primeira temporada de dez episódios criada a duas mãos por Kurt Sutter e Elgin James. 
História forte, com personagens sólidas, acção a condizer e uma bela banda sonora, "Mayans M.C." é mesmo uma extensão sugestiva de "Sons of Anarchy" e é de esperar que haja uma interligação mais clara. Mas já sem Kurt Sutter, afastado da série depois de ter dito uma piada de mau gosto contra a Disney, proprietária da FX, a televisão que emite a série.
Recomendo, com a ressalva de que não existe na esvaziada programação por cabo portuguesa, nem na HBO ou na Netflix (onde, no entanto, ainda é possível rever "Sons of Anarchy").




domingo, 3 de novembro de 2019

Ler jornais já não é saber mais (67): o livro de estilo da redacção única

O novo governo do PS é bom e o primeiro-ministro é um tipo "porreiro, pá". A extensão do Governo e a multiplicação de Secretarias de Estado não tem mal nenhum. Pelo contrário: haverá mais assessores, adjuntos, chefes de gabinete e antigos e novos colegas com quem falar como "fontes".

O BE era fofinho, mas agora é o mau da fita. Não quis a "geringonça". Agora é que mostram a sua verdadeira cara. Não influenciam nada, portanto não vale a pena ligar-lhes muito. São marginais. Adeus, camaradas.

Jerónimo de Sousa tem um penteado giro. É bom ter um antigo operário larachista como interlocutor. A amiga está sempre disponível e "críticos" e "dissidentes"?... Não, que nem sequer sabem falar com os jornalistas. Além disso, um avô é sempre um avô e devem existir muitos jornalistas com problemas mal resolvidos com os seus avôs.

Rui Rio é amigo. É uma oposição que ladra mas não morde, à espera de um PS que lhe há de pedir algum favor, um dia destes. Portanto, não vale a pena morder-lhe às canelas. É deixá-lo estar, porque até pode ficar na chefia do PSD mais tempo.

A Iniciativa Liberal vai por exclusão de partes. Não é "extrema-direita", é só liberal. O deputado vem do mesmo meio político-cultural urbano dos jornalistas de Lisboa e se é "liberal" até é bem-falante. E talvez não faça mossa.

O Chega! é "a extrema-direita". Não se sabe o que é isso, mas é o mais fácil de dizer. Atacar o PSD de Rio já não dá pica, e André Ventura é um óptimo alvo. Os ataques, directos e outros, dão-lhe força? Mas que interessa? Há que abatê-lo antes que o Chega! ponha as hordas de milhões das SS, das SA, da Wehrmacht e da Luftwaffe que o seguem diariamente a cercarem a Assembleia, tipo metalúrgicos do PCP no PREC.

É claro que a Joacine tem melhor aspecto do que Rui Tavares. Mas depois, quando abre a boca… Mas convém dar-lhe atenção e fazer de conta que as suas incapacidade orais e intelectuais lhe hão de passar.

O PAN é uma curiosidade. Mas já não é uma novidade. E parece uma colónia de gatos num beco. Um gatinho parlamentar ainda é um querido, mas muitos já são uma chatice.


quinta-feira, 31 de outubro de 2019

Cegueira, estupidez, menoridade, desonestidade política ou tudo junto?

A empresa CTT era, antes da privatização, "o melhor serviço público de Portugal". Esta apreciação foi feito pelo deputado municipal do BE na Assembleia Municipal de Caldas da Rainha e constava de uma moção que o PSD, o PS e o CDS tiveram o bom senso de não aprovar, ficando a moção (derrotada) com os votos apenas do BE e do CDU. 
O relato, feito hoje pela "Gazeta das Caldas", revela algum distanciamento perante a parvoíce, até porque as edições deste jornal registam, antes e depois da privatização, o péssimo serviço prestado pela empresa CTT em todo o concelho.
Quanto ao autor do disparate, pode ser cego, estúpido ou menor de idade (mental), possivelmente a viver em casa da família, sem nada em seu nome, sem ter de receber ou enviar correspondência, sem ter de ir esperar durante uma hora na estação de correios da capital do concelho, nunca tendo passado pela experiência de saber que nunca recebeu livros que lhe foram enviados por esse maravilhoso "serviço público", que não recebeu correspondência violada, que nunca viu correspondência do Estado aberta e deixada na berma da estrada É que não há outra explicação para o disparate.

terça-feira, 29 de outubro de 2019

Silêncio

Estranha-se o silêncio do presidente da Junta de Freguesia de Santo Onofre e da Serra do Bouro e de Não Sei das Quantas perante a impossibilidade de as juntas de freguesia cobrarem a taxa dos cães, gatos e furões, depois da sua fúria admoestatória contra os que se atrasaram mas pagaram.
Mas, como eu já escrevi, a fúria há de ter sido só ad hominem. Falta-lhe, lá no fundo, o que é necessário para não ser de outro modo...