sexta-feira, 20 de julho de 2018

Perigo público


Um veículo da Câmara Municipal de Caldas da Rainha andou hoje de manhã, pelo menos na Rua Maria Matos na Serra do Bouro, a espalhar pesticida sobre arbustos e ervas nas bermas. 
No veículo, de matrícula 51-JO-25, seguiam um motorista e um outro funcionário que, na caixa aberta, ia pulverizando (o ar, as ervas, as plantas, o que calhasse).
Não foi afixado nenhum aviso público. 
A zona é frequentada por pessoas (em passeio e com cães) e animais domésticos à solta (cães e gatos).
Quando os interpelei, à distância, para saber o que andavam a fazer, o motorista acelerou e, na prática, os dois funcionários fugiram.


… Mas não fugiram suficientemente depressa para evitarem a fotografia



Um serviço (legal?) tipo pulveriza e foge





Ler jornais já não é saber mais (39): o jornalismo estatístico, sempre ele

Nunca acaba…
Não há outro exemplo tão evidente de como o jornalismo português está moribundo.



quinta-feira, 19 de julho de 2018

"Os Maias" e os outros

Comecei a ler relativamente cedo. 
Li, com carácter sistemático, Emilio Salgari, René Guillot, Edgar Rice Burroughs, Jules Verne (menos sistematicamente…), Pierre Souvestre & Marcel Allain, S. S. Van Dine e Carter Dickson/John Dickson Carr, H. P. Lovecraft e Stefan Wul. Entre outros.
Li, com gosto, mas mais tarde, Aquilino Ribeiro e Ferreira de Castro. Continuei sempre a ler, com interesse e com gosto.
Nunca li, fora do âmbito escolar, "Os Maias", "Os Lusíadas", "Frei Luís de Sousa" ou "As Pupilas do Senhor Reitor". Nunca, em adulto, me senti atraído por estes livros e pelos seus autores
Escrevi (e foram publicados) dez romances, “thrillers” porque foi o que quis escrever e todos em editoras a sério. Há um ou dois títulos meus no Plano Nacional de Leitura (cuja utilidade desconheço).
Escrevi, como jornalista e crítico de cinema, em vários jornais e revistas.
Tenho, desde 2007, cerca de 70 livros traduzidos para diversas editoras portuguesas, nos mais variados estilos de escrita e de organização do texto.
Nunca me foram feitos reparos por não saber escrever ou ter erros de escrita, embora tivesse tido uma pega com a revisão do "DN" porque, numa notícia, me mudaram "objectivo" para "desiderato".
Num encontro com estudantes numa escola secundária, uma jovem pediu-me opinião sobre a leitura de "Os Maias" na escola, como livro obrigatório. Acho que lhe respondi, por outras palavras, que era muito melhor que pudessem ler livros mais interessantes e mais adequados à sua idade e aos seus interesses. O professor (de Português) que promoveu o encontro ficou ofendido com a minha resposta.
O gosto pela leitura e o conhecimento da língua e da literatura portuguesas não podem ser impostos pela leituras "obrigatórias" (que, na maior parte dos casos, se ficarão pelos resumos ou por algumas partes).  É pena que dezenas de anos de insucesso escolar nesse domínio não tenham ensinado nada aos adultos.

quarta-feira, 18 de julho de 2018

Uma história de abandono





Entre o dia 9 (segunda-feira) e o dia 15 (segunda-feira) deste mês, o pequeno cão dos meus vizinhos, que se vê na fotografia, esteve sozinho em casa. 
Faltaram-lhe comida e água e, como sempre, companhia de seres humanos de jeito. 
Não foi a primeira vez que os seus putativos danos fizeram isto, mas nunca o haviam feito durante tanto tempo.
No Facebook fui publicando algumas notas sobre este tipo de abandono e elas suscitaram uma vaga de interesse e de condenação generalizada.
O retrato desta triste situação fi-lo depois na íntegra, no Facebook, e é esse o texto que aqui reproduzo.
Não tive, até ao momento, nenhuma informação do SEPNA sobre o processo a que a minha denúncia deu origem nem acredito que as criaturas humanas que passam por "donos" não voltem a fazer o mesmo.
Eis o relato:



1 - Este cão foi deixado em casa sozinho desde segunda-feira passada, ou seja, durante 6 dias. "Em casa" significa, neste caso, na propriedade não inteiramente vedada que circunda a casa de habitação, sita na Rua Maria Matos, n.º 1, Cabeço da Vela, Serra do Bouro, em Caldas da Rainha. Não foi a situação de abandono literal mais vulgar em que é largado um cão em qualquer sítio por pessoas que fogem à identificação (e à responsabilização pelo acto ilícito). Penso, no entanto, que poderá aplicar-se aqui a qualificação de "abandono".


2 - O assunto foi comunicado à GNR de Caldas da Rainha na quinta-feira, dia 12, de manhã. Na ausência de resposta (e depois de um contacto com o IRA - Intervenção e Resgate Animal, telefonei nessa tarde para o SEPNA, que apareceu na sexta-feira, dia 13, ao final da tarde. Foi aberto um processo e identificado a pessoa que se supõe ser o dono (Francisco Vieira Lino, médico em Caldas da Rainha). No domingo, dia 15 (ontem), e perante a ausência das pessoas em questão que serão os donos do cão, contactei o SEPNA. Hoje de manhã, dia 16, contactei por uma terceira vez o SEPNA, de onde me disseram estar a diligência a decorrer. As pessoas que se supõe serem os donos do cão regressaram ontem à noite, domingo.

3 - Houve quem sugerisse que eu o devia "recolher", criticando-me por não o fazer. Não sei se o cão tem chip, vacinas obrigatórias em dia, registo na Junta de Freguesia. Mas ele tem vivido (mais mal do que bem...) na casa de quem se supõe serem os donos e onde só as autoridades poderão forçar a entrada. Uma coisa é recolher, abrigar e acolher em família um cão de proveniência desconhecida (e eu já o fiz, assumindo todas as responsabilidades de registo, alimentação, cuidados de saúde, bem-estar quotidiano e alojamento… dentro de casa!). Outra é apanhar um cão que, apesar das condições em que se encontra e do apoio de que possa necessitar, é de bem notória propriedade alheia. O que foi possível fazer, no imediato, foi dar-lhe comida, que só a partir de sábado é que ele quis comer.

4 - Recolhê-lo, por outro lado, também não era opção. Ele esteve várias vezes em minha casa, quando era "criança", a brincar com as minhas cadelas (aparentemente, para desagrado dos seus talvez donos). Uma vez que choveu e que elas vieram para dentro de casa, também quisemos abrigá-lo da chuva e ele, dentro de casa, fez tudo por sair. Porque não estava, e não está, habituado a estar em casa. Além disso, a minha vedação tem espaços por onde as minhas (de grande e médio porte) não saem e por onde ele sempre saiu. Se o recolhesse, ele voltaria para aquilo que era o seu território.

5 - A abundante legislação portuguesa sobre os cuidados a prestar aos animais prevê e pune os ilícitos que podem ocorrer neste domínio, cabendo às autoridades policiais e judiciais (com mais ou menos meios e com maior ou menor disponibilidade) a sua aplicação. A denúncia pública tem cabimento, neste âmbito.

6 - A intervenção "vigilantista" pode ser indiscutivelmente útil e necessária mas requer organização e meios que não são os de uma pessoa individual. Em Caldas da Rainha, como decerto em muitos outros locais, há situações de grande miséria no tratamento dos cães, sobretudo nas zonas rurais (como é este o caso), que beneficiariam com uma intervenção que, infelizmente, não existe.

7 - Espero que isto responda às dúvidas e às perguntas que me foram transmitidas e aos comentários apressados de quem, em Portugal e também no Brasil, não quis ler até ao fim os posts que fui publicando e que, continuando a dar origem a algumas confusões e muitos apoios, optei por retirar.

8 - Se a mesma situação de abandono voltar a verificar-se, dar-lhe-ei aqui o devido relevo.


No dia 18, quarta-feira, por volta das 18 horas, o SEPNA regressou ao local e os seus elementos estiveram a falar com o que será o dono do cão. Não disponho de informações sobre essa diligência. A abertura na cerca foi tapada e, por volta das 19h10, o cão parecia já não conseguir sair. Mas às 22 horas já andava de novo na rua. 

terça-feira, 17 de julho de 2018

In the works



Depois de um "thriller" ("Last Time I Lied", TopSeller) e antes de um ensaio ("Age of Discovery", Temas e Debates/Círculo de Leitores), a traduzir a poesia de Till Lindemann em "In Stillen Nächte", ao som dos Rammstein...






segunda-feira, 16 de julho de 2018

Notas de prova

Luís Pato Baga + Touriga Nacional — Tinto 2014 — Vinho Regional Beira Atlântico 
Baga e Touriga Nacional
Luís Pato, Óis do Bairro, Anadia 
12% vol.
Desinteressante.

sábado, 14 de julho de 2018

Eurico do Amaral e a Quinta da Fata



Um grande homem, uma grande família, uma grande marca de magníficos vinhos: Eurico do Amaral e a Quinta da Fata, num belo e adequadíssimo texto na "Revista de Vinhos" (n.º 344, Julho 2018), com o mais jovem membro da família (a Luna) também na fotografia.





quarta-feira, 11 de julho de 2018

Virtude pública, maus tratos privados

O que leva um respeitável (?) e influente casal de "pilares da comunidade", um médico de clínica geral e uma professora, a deixarem o cão que têm, e que tratam como se fosse um objecto, na sua propriedade, sozinho, durante vários dias?
É certo que, quando estão em casa, também pouco ligam ao cão. 
Bem pode o desgraçado andar doente, a ladrar desalmadamente durante a noite, a entrar e a sair por um buraco na rede que já nem preocupam em tapar que mal reparam nele.
Anteontem, e com o carro cheio de netos (que rica lição que lhes dão…) lá se foram embora. 
Às vezes, o cão vai até à estrada e fica à espera. 
Acredita neles, gosta deles na sua ingenuidade de cão, preferia estar acompanhado. Mas não está.
Um dia, o pobre do cão ainda morre por aí atropelado (ou alguém o leva) e, se calhar, nem darão pela ausência dele.

terça-feira, 10 de julho de 2018

Risco de incêndio, incúria, insegurança, incompetência...


… e muito mais.
Na zona que pode considerar-se florestal da Serra do Bouro, no concelho de Caldas da Rainha, foi feita uma "limpeza" de vias, ou "desmatação" ou o que se quiser, por iniciativa da Junta de Freguesia mais ou menos local e/ou da Câmara Municipal de Caldas da Rainha.
Abertos os caminhos, tudo o que é mato cortado, desde canas a ervas que agora tendem a secar, ficou pelo solo. 
Há pontos onde a altura do restolho acumulado chega aos quinze centímetros de altura, escondendo desníveis e buracos, numa armadilha constante estendida a quem passeia. 



Mas não é só isso: o restolho que foi acamado, e onde tudo tende a secar, passou a constituir uma massa de material combustível que favorece, e alimenta, qualquer incêndio. 






Nesta região, e nunca é demais lembrá-lo, houve em 15 de Outubro do ano passado um incêndio descontrolado e de grandes dimensões, que viveu de todo o mato acumulado e em seguida das árvores, poupando apenas pessoas e casas porque o vento o afastou das zonas habitadas.
Esta "desmatação" é um convite à tragédia. 
É possível que quem manda na Junta de Freguesia e na Câmara Municipal se esteja completamente nas tintas.
É pena que não tenham sentido o calor das chamas, o cheiro das árvores queimadas e o perigo a rondar-lhes as casas, nem ouvido o crepitar do fogo, nessa noite de Outubro de 2017!


domingo, 8 de julho de 2018

Recordando

Em Setembro de 2013 houve um pequeno monte de enxúndias do Bloco de Esterco local que prometeu vir tirar desforço em Outubro da minha justa reacção a uma filha da putice que ele escreveu. Ainda estou à espera.