segunda-feira, 25 de maio de 2026

Homicídio qualificado, com cúmplices






Starobelsk, Lugansk (Federação Russa): 21 adolescentes, com nomes russos e ucranianos, foram assassinados por um ataque de 16 drones deliberadamente lançados pelo governo de Kiev.

A imprensa oficial esconde o crime. Os políticos nacionais e da UE ignoram-no. Por omissão, e porque têm subsidiado o governo de Kiev, são cúmplices dos assassinos.

O Presidente da República português é um deles.









(Imagens de fonte aberta de acesso público.)

domingo, 24 de maio de 2026

Onde estão os animais

Não gosto do partido PAN - Pessoas, Animais, Natureza e dos seus exageros em alguns domínios. Mas a iniciativa que tiveram de levar à Assembleia da República a tentativa de aprovação de uma lei que proibisse o acorrentamento de animais foi meritória.

As denúncias sobre o estado de degradação física e de autêntica morte em vida de muitos cães (que passam anos acorrentados muitas vezes sem comida nem água, sem cuidados médicos e obrigados a viver em cima das suas próprias fezes) dão um retrato do País e dos seus habitantes que é repelente. 

Esperar-se-ia que a proposta do PAN fosse aprovada, mesmo que com abstenções. Não foi, segundo parece, e o PSD, o CDS e a IL destacaram-se, segundo o PAN, na rejeição da sua proposta. 

Não consigo perceber os critérios que levaram estes deputados do PSD, do CDS e da IL, aparentemente pessoas civilizadas e bem formadas, a votarem, na prática, pelo acorrentamento de animais. 

Mereciam, como este deputado que se destacou com uma intervenção vergonhosa, ter a mesma sorte de tantos cães: passarem anos acorrentados, muitas vezes sem comida nem água, sem cuidados médicos e obrigados a viver em cima das suas próprias fezes. E não na gaiola dourada onde conseguiram chegar, completamente livres e com benefícios acumulados. Como animais que são, mas com vidas de luxo.


Gostava de o ver acorrentado, num pátio imundo, sem comer e sem beber, 
em cima das próprias fezes! 

















sexta-feira, 22 de maio de 2026

Da modesta Longueira à inóspita Odemira, passando por Vila Nova de Milfontes em versão Algarve... com um desvio por Mirandela


Passei algumas férias de Verão em Vila Nova de Milfontes e guardei desta "terra das três mentiras" (não é vila, não é nova e não tem mil fontes...) boas recordações. 

Foi há mais de quarenta anos e em 1993 ainda regressei para uma visita breve, de trabalho: uma reportagem, para o "Diário de Notícias", sobre as escolas básicas isoladas no Alentejo, em especial na região de Odemira.

Numa nova visita ao litoral alentejano, reencontrei as vastas zonas de praia, visíveis nas duas margens do rio Mira e em plena costa, frequentadas ainda por poucos banhistas nos dias ventosos de Maio de há uma semana. A extensão de praia parece ter sido bem defendida, com os vários areais ligados entre si e nem uma escultura estrambólica e despropositada consegue desfear a paisagem da costa vicentina que se avista da ponta mais ocidental de Milfontes.

Mas basta voltarmos as costas ao mar ou atravessar a vila, quase uma odisseia em dia de pouco movimento de pessoas e veículos, para vermos como a paisagem se desequilibra. No horizonte acumulam-se casas, na sua maioria brancas, que não deixam de fazer lembrar as urbanizações exageradas do Algarve litoral (e de outras zonas de praia do País). Vila Nova de Milfontes, como sugerem as lojas de roupa de marca que se encontram junto a uma escola, deve ter-se transformado num centro urbano relevante. Talvez a gestão municipal evite desmandos urbanísticos, mas dificilmente conseguirá controlar a pressão dos veraneantes no Verão.


O casario ao fundo, o rio Mira à direita: Vila Nova de Milfontes ainda tem algum encanto




Uma escultura dispensável num dos miradouros naturais de Vila Nova de Milfontes.
Nem que fosse uma versão perfeita de Nyarlathotep!...


Vila Nova de Milfontes é, de certa forma, o extremo norte de um eixo turístico que forma uma zona de transição entre a costa alentejana chique de Porto Covo e de Melides e a costa ocidental do Algarve (o Barlavento), com um clima mais ameno do que o interior alentejano e águas mais frias do que o centro e o Sotavento do Algarve. No extremo sul fica Zambujeira do Mar e, a meio, Almograve e Longueira (onde ficámos), a cerca de onze quilómetros de Milfontes e a pouco mais de vinte de Zambujeira.

Se no meio é que está a virtude, digamos que a impressão que fica de Longueira e de Almograve é um pouco turva, por comparação não tanto com Milfontes (talvez o pólo mais desenvolvido) mas com Zambujeira do Mar, com mais movimento e mais comércio do que a Longueira, ou mesmo Almograve.

Em Almograve (a zola litoral) a oferta de praias é reduzida e está condicionada pelas escarpas que preenchem a costa para sul e para norte, numa paisagem que impressiona e que pode ser percorrida a pé e, em parte, de carro por estradas de terra. A costa é batida pelas ondas e as rochas mostram os sinais do desgaste causado pelo mar. É possível perder-nos na contemplação do poder do oceano, mais evidente aqui do que, por exemplo, na costa atlântica entre a Foz do Arelho e Salir do Porto, onde resido, e onde a vegetação esbate a visão das rochas. 

Almograve: uma costa talhada pelo mar


Longueira, por sua vez, não é mais do que uma estreita rua central. 

É nessa rua, sem passeios e com dois sentidos, que está tudo o que existe: a Mercearia d'Avó, que tem todos os produtos básicos e pão fresco, muito bom, que vem todos os dias de Zambujeira do Mar. É também aí que ficam dois restaurantes dignos de nota, o Josué e o João da Longueira. Há, mais discreta, i que, por analogia com outras povoações de maior dimensão, pode ser considerada uma zona residencial com pequenas moradias em banda, brancas e amarelas, ao longo de duas ruas. E foi aí, numa zona adjacente, que nos alojámos. 

Com a designação de Casa do Poço Azul (e apresentada como "Casa de campo em Odemira" no Airbnb), a casa onde ficámos revelou-se ampla, arejada, bem situada num espaço admiravelmente sossegado e com uma mais-valia extraordinária: um pátio exterior bem vedado (essencial para quem viaja com cães), resguardado e fresco (mas com sol de manhã) com um terraço que... nos levou a Mirandela (e à Vidigueira). Fica a recomendação para quem quiser aventurar-se por esta região.

O que me parece ser o défice turístico de Almograve e da Longueira reflecte-se na modesta oferta de restaurante. Nas ementas predominam os pratos de peixe grelhado e de mariscos e algumas carnes. No nosso registo ficaram, por ordem cronológica, o João da Longueira (duas visitas e, numa delas, uma sopa de peixe com fatias de pão alentejano e um sargo servido à parte), o Josué (duas visitas e, numa delas, um coelho muito bem frito), o Rocamar (no Cabo Sardão, onde comi uma açorda de bacalhau muito boa), o Mar Azul (em Almograve, onde se misturam especialidades asiáticas num serviço esforçado mas insatisfatório) e o Cova Funda (Almograve).

Se a restauração, apesar dos seus méritos, não entusiasmou, houve um pormenor compensatório. 

O nosso anfitrião e interlocutor, Miguel dos Santos, convidou-nos a provar um azeite disponível na casa e assim fizémos. Com queijos alentejanos disponíveis na Mercearia d'Avó, vinho branco da Vidigueira (da adega cooperativa, em boa lembrança de outros tempos), o pão da Zambujeira da Mar e o azeite para ir molhando o pão fizeram-se lanchinhos diários deliciosos e inspiradores. 


Pão, queijo e vinho (branco) alentejano e azeite de Mirandela




Se o pão, o queijo e o vinh0 eram do Alentejo, o azeite já não. Ainda há no Alentejo quem faça bom azeite em pequenas produções, mas este azeite é de Mirandela, numa exploração do próprio Miguel dos Santos, na Quinta Castelar. É um azeite, com a marca "Azeite dos Santos" excepcionalmente saboroso. Se o desvio por Mirandela, nesta altura, foi, naturalmente, virtual e pelo palato, a vontade de ir ao local, onde está a nascer mais um alojamento local (na Quinta Castelar), ficou já inscrita na minha agenda de viagens pelo País.



Uma "visita" a Mirandela no litoral alentejano



À margem do encanto da costa alentejana, retenho dois pormenores desta deslocação. 

Fui a Odemira... e saí do que me pareceu poder ser o caminho para o centro da vila mais depressa do que consegui entrar. O trânsito estava caótico e a viagem por estrada, para chegar à vila e depois para fugir de lá, foi um martírio causado por viaturas pesadas, talvez da própria Câmara Municipal, que, sem terem sinais de estarem envolvidos em qualquer obra de estrada, conseguiram causar engarrafamentos como há muito eu não encontrava. Fugimos do centro da vila para o que é apresentado como "praia fluvial" e a impressão não podia ser pior: a água (do rio Mira, calculo) estava espessa e de um verde acastanhado. Não sei quem quererá ir "fazer praia" num sítio destes.

O outro pormenor é o da paisagem humana. 

Pelo eixo Milfontes - Almograve - Zambujeira marcham sem cessar muitas dezenas de turistas estrangeiros, jovens e menos jovens, equipados para grandes e pequenas caminhadas, num movimento peripatético que parece contínuo. São quem mais enche os restaurantes do litoral e, ao vê-los sempre em movimento, fico a pensar que ainda andam à procura dos seus objectivos de viagem. 

E pelas ruas da Longueira, e arredores, circula uma nova população alentejana, de origem hindostânica. Calculo que tenha sido trazida pela oferta de trabalho da agricultura do litoral alentejano (que tem dado origem a notícias muito negativas para os empresários portugueses locais), acabando por fixar-se na região. 

Não é possível ignorar essa presença e fazê-lo não valoriza nem desvaloriza a existência destes novos alentejanos. Ajudarão, seguramente, o Alentejo a prosperar e substituirão os alentejanos que entretanto morreram ou se mudaram. O mundo moderno também se vai fazendo com estas migrações e é bom quando elas se processam pacificamente e com proveito para todos.





sábado, 16 de maio de 2026

Ler jornais já não é saber mais (261): histeria desbragada

A histeria é geral. Não há órgão de informação (sensacionalista", "de referência" ou outro, ou seja lá o que for) que não recorra ao verbo "disparar" para descrever um aumento de qualquer coisa, e de qualquer valor. Uma coisa aumentas 5 por cento? Dispara! Outra aumenta 100 por cento? Dispara! Não há critério, não há criatividade. Só há títulos histéricos.














































































































































(Imagens de fonte aberta de acesso público.)


quarta-feira, 13 de maio de 2026

Patadas na língua, patadas no jornalismo (12): pandemia de asneiras




Sim: na CNN tuga escreveu-se mesmo "o general prusso" ("prussiano", em português). 





A CNN tuga escreve "Ren", mas é RAND.
Ignorância e/ou incapacidade de procurar e obter informações? 




 

"Arrasar com"?! Não, é só "arrasar".







Este "reduzir 'a zero'" da CNN tuga aplica-se à ajuda militar que Israel ainda vai receber dos EUA
 num período de dez anos ou a um período de aplicação "a zero" que se vai prolongar por dez anos?







Na CNN tuga: não é só a flagrante asneira relacionada com o substantivo "olhar" (não é "olhar a", mas sim "olhar para com" ou "para"), nem o facto de se deixar cair o "de" na frase, que seria a correcta, "imigração de que nós precisamos", mas o àmbito do "em segredo". A que parte da frase é que se aplica o "em segredo"?
E José Pacheco Pereira disse isto mesmo assim ou nem sabe que o fazem passar por verbalmente incapacitado?







Não é cultura, é incultura: no Centro Nacional de Cultura, o verbo "disseminar" (divulgar)
aparece transformado em "dessiminar".




À CNN tuga também já chegou o "dessiminar".
Como é que chega ao jornalismo gente que escreve desta maneira?!







Na RTP também não se sabe escrever "disseminar".






 


Mais asneiras com o carimbo da CNN tuga: escreve-se "de moto próprio" ou "por moto próprio". 
O útil dicionário on line Priberam, de consulta aberta, explica o que é o "mote".
A autora da asneira tem bacharelato, licenciatura e pós-graduação.










Na CNN tuga, invariavelmente. É pena que fiquemos sem saber se o curso é universitário.










Mais um vírus: a utilização de uma má tradução do inglês com um significado que não tem em português. Aqui é no "Jornal Económico" e onde se lê "negócios" deve ler-se "empresas".
É o que significa "businesses", em inglês.











Em inglês, "to go after" pode significar "perseguir". Mas, em português, "ir atrás" é mesmo ir atrás. Podemos supor, no primeiro exemplo, uma procissão em que Netanyahu e a Guarda Revolucionária do Irão vão marchando em fila indiana. E, no segundo, que o Governo está a espreitar por cima do ombro dos "imigrantes que não quer". Os dois casos são, claro, da CNN tuga.






Mais outra, da CNN tuga: a palavra inglesa "inventory" significa "reservas" ou "stock".
"Inventário" é coisa completamente diferente em português.












(Imagens de fonte aberta de acesso público.)