quarta-feira, 5 de agosto de 2026

O desespero do corte de estradas



Já mostrei aqui como o presidente da Câmara Municipal de Caldas da Rainha tem andado aos ziguezagues relativamente à questão de um novo hospital para o Oeste. E esperar-se-ia que a oposição, sendo oposição e sendo mais responsável, mostrasse mais juízo e controlasse melhor as suas próprias emoções.

Como devia fazê-lo Hugo Oliveira, que talvez devesse ser menos bairrista e mais racional.

Vereador, depois das eleições municipais do ano passado, e deputado na Assembleia da República, Hugo Oliveira foi o cabeça de lista do PSD a essas eleições e, infelizmente, não conseguiu bater Vítor Marques, o chefe do partido unipessoal Vamos Mudar, que voltou a ser eleito presidente da Câmara.

Hugo Oliveira veio agora a público, sugerindo que já sabe alguma coisa sobre o que poderá ser a decisão deste governo quanto à localização do hospital. O governo anterior (PS) optou pelo Bombarral (o único concelho do PS no Oeste) e este governo (PSD) suspendeu a decisão. E agora vai decidir alguma coisa?


A notícia do "Jornal das Caldas": exclusivismo e "soluções musculadas"




Hugo Oliveira acha que sim. E, segundo o "Jornal das Caldas", eis o que disse: “Esperemos que seja em breve uma realidade, mas o tempo não pára e temendo que em setembro hajam decisões quanto à localização do novo hospital do Oeste, prejudiciais à posição das Caldas da Rainha, deve-se endurecer o discurso e tomar ações musculadas, posições fortes e de escala (...) se não se o fizer de forma clara até setembro, e atendendo ao forte lobby instalado pela localização noutro concelho, poderá perder-se o hospital para localizações que ferem o ordenamento do território (...) No fim da linha deveremos avaliar a interrupção das rodovias, se for caso disso”. E, pelo meio, sempre tipo protesto, até defende a "possibilidade de Caldas da Rainha sair" da Oestecim.

Ou seja: se o hospital for parar a outro concelho, Caldas da Rainha deve sair da Oestecim, a associação dos municípios do Oeste, cuja faraónica sede (que custou 2 586 315.76€) está situada na cidade de Caldas da Rainha. Do mal o menos.

E depois deve cortar estradas: "interrupção das rodovias". E isolar o concelho de Caldas da Rainha?! Que, aliás, já se deixou isolar relativamente aos restantes municípios ao reivindicar o exclusivismo do novo hospital.

Por seu turno, Vítor Marques, para quem uma posição desta natureza há de ter sido um presente divino a recompensar o seu delírio exclusivista, até insistiu: será necessário “arranjar soluções mais musculadas". Quer bater em alguém, é?

O desespero, diz-se, é mau conselheiro. Se o hospital for parar a outro concelho, Vítor Marques sofrerá uma derrota política que o deveria atirar para fora da Câmara Municipal. Hugo Oliveira não devia ir com ele...






(Imagem de fonte aberta de acesso público.)

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