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| Desenho incluído na promoção deste conjunto habitacional. |
A figura feminina e a figura do cão que aparecem nesta imagem são, obviamente, artificiais e, no conjunto, a imagem até está longe de ser perfeita em termos gráficos. Mas ela serve para promover um empreendimento imobiliário e será da autoria de quem promove a venda ou de quem construiu o empreendimento, com as dimensões a corresponderem ao que a olho nu já se pode ver.
Os dois destaques a amarelo, da minha autoria, ilustram o que me parece ser um conceito bastante estranho. Repare-se como, nos dois lados, são é visíveis os muros que separam esta habitação das outras. A altura dos muro não isola as casas e torna completamente visível o que se passa no terreno da casa, que é curto, e dentro da própria casa se as janelas não estiverem tapadas. E, já agora, a altura do muro também permite que um cão passe de um lado para o outro.
Esta habitação faz parte de um conjunto de 32 habitações que apareceu na Estrada Nacional 360, a chamada "Estrada Velha da Foz" que liga a Foz do Arelho a Caldas da Rainha. Seis delas são T2 e parecem estar todas vendidas e as restantes são. T3 com "garagem" e "piscina incluída", apresentadas como "moradias independentes" a 399 000€ cada uma.
Pelo que se pode avistar da estrada, ainda não estarão todas terminadas e há obras em curso. Com este objectivo, segundo o site Idealista: "Situado numa urbanização tranquila e rodeada pela natureza, o ROOTS é um novo empreendimento com 32 moradias modernas, desenhadas para proporcionar uma vida confortável, sustentável e com qualidade. Com piscina privativa incluída em todas as unidades, este projeto combina arquitetura contemporânea com acabamentos premium e uma localização privilegiada entre a lagoa e a cidade."
Isto segundo quem promove o aldeamento, que tem este formato:
Visto da estrada, o aspecto é este:
Segundo o projecto, o aspecto final será este:
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No Idealista, onde já só uma das habitações se encontra ainda disponível, estão dois vídeos promocionais. E é interessante ver como os vídeos se centram quase só na disposição interna das casas e na qualidade dos materiais, aferida pela indicação das marcas. Curiosamente, não há referências ao exterior.
Mas, quanto a isso, não subsistem dúvidas. Do desenho de projecto ao que se pode ver da estrada, as casas estão, praticamente, encostadas umas às outras. Salvo se os materiais forem excepcionalmente isolantes, o quotidiano diurno e nocturno nesta espécie de aldeamento vai incluir gritos, conversas alheias, cães a ladrar uns contra os outros (e a saltar os muros?), cheiro de comida a sair das cozinhas, flatulências dos vizinhos e demais ruídos íntimos.
Não consigo imaginar quem é que quer viver assim, mas, pelo movimento que tenho visto quando passo nesta estrada, arriscar-me-ia a dizer que os interessados (e já compradores) serão jovens, numa boa maioria.
Talvez encontrem aqui um primeira habitação, atraídos pela localização: a cidade, com todos os seus serviços e espaços comerciais, fica a poucos minutos de carro e, para norte, a praia da Foz do Arelho fica também a poucos minutos. Talvez achem que aqui poderão viver melhor do que na cidade, onde é mais difícil estacionar, e onde a paisagem está principalmente preenchida por mais prédios do que horizontes com árvores. Mas, neste aldeamento, o que vão ficar a ver são as casas dos vizinhos, e os vizinhos. E o estacionamento parece mal dar para um carro. Será melhor do que na cidade?
Vivi cerca de metade da minha vida de adulto num prédio dentro de uma cidade e não gostei da falta de privacidade nem dos diversos vizinhos e vizinhas que fui tendo. Depois, há mais de vinte anos que vivo numa zona de campo, de poucas casas, em privacidade quase absoluta. Foi um acaso, seguido por uma boa decisão, depois de termos começado a procurar uma alternativa à vida citadina.
É também por isso que olho para este tipo de aldeamento (que nem condomínio privado é) com alguma aversão. E surpresa por haver quem queira ir lá enfiar-se.






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