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sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Asilo político para rolas com alimentação incluída


Desde há algum tempo que resolvi alimentar com regularidade as aves que me passam pelo jardim, nomeadamente rolas, passarinhos diversos e melros (e, de passagem, ratos oportunistas de que não tem sido fácil livrar-me).
Este ano comecei por um prato de barro com comida apropriada para as rolas (e as outras aves não se fazem rogadas) em cima de um pote. A proximidade do chão (e a ameaça dos ratos) e a aproximação do mau tempo levou-me a procurar um abrigo apropriado.
Numa pequena empresa de Lisboa (a Natur Eco) encontrei abrigos mas os modelos disponíveis eram pequenos para as rolas. Mas não houve problema: fizeram-me prontamente um abrigo de maior dimensão.
A pequena casa começou por estar em cima do pote. As rolas aceitaram-na. Depois passou para o alto de um poste. Com alguma relutância, as rolas também começaram a ir lá e agora, embora estejam aqui mais desconfiadas do que na posição anterior, já aceitaram o abrigo. E ei-las, captadas ainda à distância para não se assustarem.
É uma visão que mais especialmente me agrada sobretudo quando, às quintas-feiras e domingos, ouço o tiroteio assassino dos caçadores que andam por aqui.












quinta-feira, 29 de outubro de 2015

General Tomás António Garcia Rosado - uma homenagem na Academia Militar


O general Garcia Rosado
na capa da revista "Le Pays de France" (Setembro de 1918)

 
O general Tomás António Garcia Rosado (1864 - 1937) foi "o melhor general da sua geração, o pensador, o diplomata, o organizador, o militar, em resumo, que se podia gabar de, apesar dos muitos entraves políticos, ter cumprido com sucesso muitas missões 'impossíveis' ao longo de várias décadas de intenso labor patriótico" (nas palavras do professor António José Telo, da Academia Militar), tendo ficado especialmente associado ao Corpo Expedicionário Português, que participou na Primeira Guerra Mundial, e que chefiou.
O general Garcia Rosado foi ainda comandante militar na Índia e em Moçambique, chefe do Estado-Maior do Exército, membro do Supremo Tribunal Militar, ajudante de campo do Rei D. Manuel e, finalmente, embaixador de Portugal em Londres.
Homem de rigor e monárquico convicto, não parece ter sido bem tratado pela República e isso pode explicar a sua posição menos conhecida na História, apesar do seu enorme prestígio como militar.
Homenageando-o, a Academia Militar escolheu-o como patrono do Curso de Entrada do ano lectivo em curso, realizando-se ontem (quarta-feira, 28) a respectiva cerimónia de apresentação,
Como bisneto e representante da família Garcia Rosado e da sua linhagem que descende diretamente do general Tomás António Garcia Rosado, tive a honra de ser convidado a assistir a esta cerimónia na tribuna, ao lado do comandante da Academia Militar, tenente-general José Rodrigues da Costa.
 
 




 


Imagens da cerimónia na parada e da tribuna, com o comandante da Academia Militar, tenente-general José Rodrigues da Costa, ao centro e, à sua esquerda, o bisneto do general Garcia Rosado e autor deste blogue(© Academia Militar)
 

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Os dias do fim





Das sardinhas compradas para o jantar, a maioria tinha ovas. O que significava que estas futuras mamãs-sardinha podiam, em vida. dar origem a milhares de ovos, dos quais, no entanto, só sobrevive uma pequena percentagem (cerca de um por cento em milhares de ovos por semana).
Fiquei com a sensação de que estava a comer as últimas sardinhas deste ano, sem garantias para 2016.

domingo, 26 de julho de 2015

A vida privada das crianças

Não sou praticante do carácter completamente "aberto" do que agora se designa por "redes sociais" e quem vir o que publico aqui e no Facebook perceberá que grande parte da minha vida privada está omissa. Aceito, claro, que haja quem opte por expor a sua vida privada e, em certos casos, ate me surpreendo por certas facetas mais íntimas estarem tão pormenorizadamente à vista.
Mas, neste caso, estamos no domínio dos adultos, a quem a lei permite isso e muito mais. E mesmo a acção deliberada, ou não, de com isso poderem estimular, ou satisfazer, "voyeurs". É uma questão de opções individuais de quem, e legalmente, é proprietário do seu próprio corpo e da sua própria individualidade e os usa com toda a liberdade.
Esta liberdade, no entanto, já não é a das crianças.  
É comum pais e mães, avôs e avós exporem os filhos, de bebés até praticamente à adolescência (talvez quando os próprios já se acham no direito de o recusarem), nas mais variadas situações e nos inevitáveis fatos de banho nas "redes sociais".
Quando o fazem, no entanto, não estão só a expor os filhos ao mundo mas também a usar as suas imagens sem proteger os seus direitos (que os têm). Estão, na realidade, a oferecer as imagens dos filhos a qualquer pessoa e para qualquer uso. Mesmo para um simples exercício de prazer solitário.
Aliás, seria interessante saber se os pais e as mães que se mostram indignados quando, na praia ou num parque infantil, um estranho lhes fotografa as crianças (uma notícia banal no "Correio da Manhã"), põem no Facebook as fotografias que eles próprios tiram.  
Esta prática suscita-me as maiores reservas e, se tivesse agora filhos pequenos (como já tive), não os exporia nas "redes sociais".
Não prevalecendo neste domínio o bom senso (como não prevalece em muitos outros casos nesses mesmos meios), só se pode saudar um acórdão do mês passado do Tribunal da Relação de Évora que, não fazendo jurisprudência, pode indicar um rumo. E as citações, mais longas, justificam-se:
 
(...) Na verdade, os filhos não são coisas ou objectos pertencentes aos pais e de que estes podem dispor a seu belo prazer. São pessoas e consequentemente titulares de direitos. Se por um lado os pais devem proteger os filhos, por outro têm o dever de garantir e respeitar os seus direitos. É isso que constituiu o núcleo dos poderes/deveres inerentes às responsabilidades parentais e estas devem ser sempre norteadas, no «superior interesse da criança», que se apresenta, assim, como um objectivo a prosseguir por todos quantos possam contribuir para o seu desenvolvimento harmonioso: os pais, no seu papel primordial de condução e educação da criança; as instituições, ao assegurar a sua tutela e o Estado, ao adoptar as medidas tendentes a garantirem o exercício dos seus direitos e a sua segurança.
Quanto ao perigo adveniente da exposição da imagem dos jovens nas redes sociais, as organizações internacionais e os Estados têm manifestado crescente preocupação porquanto é sabido que muitos predadores sexuais e pedófilos usam essas redes para melhor atingirem os seus intentos. (...)
Neste quadro a imposição aos pais do dever de «abster-se de divulgar fotografias ou informações que permitam identificar a filha nas redes sociais» mostra-se adequada e proporcional à salvaguarda do direito à reserva da intimidade da vida privada e da protecção dos dados pessoais e sobretudo da segurança da menor no Ciberespaço, face aos direito de liberdade de expressão e proibição da ingerência do Estado na vida privada dos cidadãos (...).
(O texto do acórdão relativo ao processo n.º 789/13.7TMSTB-B.E1, pode ser lido aqui.)
 
Não sou um defensor da intervenção do Estado na vida privada dos cidadãos mas, neste caso, a lei andará bem se conseguir compensar essa deplorável ausência de bom senso.
 
*
 
E, já agora, há uma obra, a que aqui já me referi, que explica fundamentadamente uma parte desta problemática: "Perversões", de Jesse Bering. É um excelente complemento ao citado acórdão e ajuda a perceber muita coisa. 

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Passeio da manhã


Por volta das sete e meia de hoje, a primeira manhã com o céu completamente limpo desde há vários dias.




 

 

sábado, 1 de novembro de 2014

Os bombardeiros russos...

... não me impressionam tanto como os mosquitos que andam ao ataque há vários dias.
Parece que também atacam em Lisboa (onde podiam concentrar-se, visto que dizem que lá é que se vive bem) mas daqui não saem e, ontem à noite, o cenário deles pousados no tecto alto de um restaurante de São Martinho do Porto, fazia lembrar as aves de Hitchcock.
Não se arranja um F-16 para aqui, para a Serra do Bouro, por acaso? 

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

"Lentidão", "abrandamento", "dificuldades", "acidente", "fila"...





 
Mesmo no Outono é agradável, num intervalo do trabalho, poder descer até à Lagoa de Óbidos e apreciar o local, ouvindo apenas um pouco da cacofonia das informações de trânsito e lembrando-me do muito que também sofri quando era obrigado a andar de carro em Lisboa e nos seus arredores, quase todos os dias.
Lisboa deixou de ter qualquer atractivo para mim e agora ainda menos, sobretudo quando a água do céu e do subsolo acabam por ser mais surpreendentemente ameaçadoras do que as do Oceano Atlântico que, daqui, se vêem ao fundo. 

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

"Degustação"

Não gosto da palavra "degustação".
É como se "gostar", "provar", "saborear" e, claro, comer e beber fossem alguma coisa de que nos devêssemos sentir envergonhados. Não podemos gostar... só podemos "degustar".
Há, infelizmente, muitas mentes demasiado policiadas ou condicionadas pela perspectiva de que o prazer, qualquer que ele seja, é pecaminoso. E, para elas, "degustar" é que deve ser.
Como se "viver a vida", por exemplo, só pudesse ser aceitável na versão "degustar a vida"...

quinta-feira, 24 de abril de 2014

A mitificação do 25 de Abril só ajuda à confusão

A onda tonta de mitificação do 25 de Abril está, infelizmente, a iludir muita coisa e a gerar uma confusão evitável sobre esta data histórica, iludindo aspectos que só ganhariam em ficar um pouco mais claros como:

 
- o facto de o 25 de Abril não ter sido uma revolução nem um golpe de Estado mas um fenómeno político (e social) relativamente novo no contexto histórico;
 
- o papel da imprensa até 16 de Março de 1974, até 25 de Abril desse ano e depois;
 
- o PCP como partido "de regime" (o apoio à recuperação económica, o dia de salário para a nação), como partido revolucionário (entre 27 de Setembro de 1974 e 25 de Novembro de 1975) e depois como partido sobrevivente;
 
- a ligação entre a extrema-esquerda política e os sectores militares em 1975 e os SUV;
 
- o 25 de Novembro (que, esse sim, foi um golpe militar);
 
- a fragmentação das Forças Armadas (especialmente em 1975);
 
- a intervenção militar nos vários cenários da guerra colonial;
 
- o papel dos militares que em África cumpriram o dever imposto pelo governo vigente e pelo Estado e que também foram vítimas da guerra colonial;
 
- a apropriação de aspectos míticos do 25 de Abril por algumas personalidades com objectivos políticos pessoais (Vasco Lourenço "pertence" mais ao 25 de Novembro do que ao 25 de Abril);
 
- o papel do idealista Vasco Gonçalves;
 
- o terrorismo "contra-revolucionário" no PREC e a aliança entre o PS e os sectores politicamente mais conservadores;
 
- as perseguições aos banqueiros e à extrema-esquerda do MRPP;
 
- as diferenças reais entre a sociedade do Estado Novo e do marcelismo e o pós-25 de Abril (tem havido peças alucinantes na televisão...).
 
E haveria mais...

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Fantasporto, 34 anos


O Festival Internacional de Cinema do Porto (Fantasporto) volta à cena a partir de 28 de Fevereiro, na sua 34.ª edição que, tendo sido uma das mais difíceis de concretizar, é, pelo programa que aqui se pode consultar, pode vir a ser uma das melhores.
Numa época de clara depreciação do cinema e de crise económica, a insistência deste festival de cinema em afirmar-se e em se manter é uma lição de vida e uma declaração de resistência que honra os seus criadores Beatriz Pacheco Pereira e Mário Dorminsky, que voltaram a lançar se à aventura sem recuar perante dificuldades diversas e incompreensões várias.


© "Correio da Manhã" 
O êxito do Fantas é, antes de tudo, o êxito deles: de uma mulher e de um homem que já faziam muito pela visibilidade e pela dignidade cultural do Porto e do País quando muitos dos seus conterrâneos ainda se deixavam cativar pelas lantejoulas lisboetas.
É possível que Beatriz Pacheco Pereira e Mário Dorminsky nunca venham a ter o reconhecimento oficial que deviam ter, na sua cidade, na sua região e no seu país, mas têm o reconhecimento e a gratidão de muitos admiradores, de muitos amigos e das muitas pessoas que sabem distinguir o valor alheio apesar dos filtros que às vezes lhes tentam impor. 

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Uma estreia familiar




O "Sol" tem uma nova cronista a partir de ontem: Ana Rosado, no seu quotidiano alentejano.
É minha filha, a primeira crónica está bem escrita e tem graça. O "Sol" já brilha no Alentejo, o Alentejo já brilha no "Sol".
Daqui a quinze dias há mais.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014



Luís de Araújo
 
(Lisboa, 29.10.1924 - São Martinho do Porto, 9.01.2014)
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

domingo, 22 de dezembro de 2013





Feliz Natal!

Com a devida vénia, e agradecimento, à Topseller, editora que muito bem me acolheu e onde me orgulho muito de estar como autor (e em boa companhia), faço meu este cartão de Boas Festas - Feliz Natal!




 

terça-feira, 5 de novembro de 2013

À distância é mais... seguro

Gostava de ver as pessoas que são tão lestas a comentar a política nacional (muitas vezes em termos que fazem pensar que elas nunca aprenderam a comer à mesa) a fazer o mesmo quanto à política local.
Mas à distância é que é bom.
Ou melhor: é mais... seguro.

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

"As Cinquenta Sombras do Inspector Joel Franco"?...

Às vezes interrogo-me se não deveria ter tentado transformar a minha série Não Matarás ("A Cidade do Medo", "Vermelho da Cor do Sangue" e "Triângulo", 2010-2012) numa série porno-thriller (deve existir, com certeza) para excitar a editora Asa, tipo, sei lá, "As Cinquenta Sombras do inspector Joel Franco"... ou algo parecido.
Mas se o tivesse feito também não teria conhecido a Topseller (e as pessoas que nela trabalham, e que tão bem me acolheram), e não teria havido "Morte com Vista para o Mar", "Morte na Arena" e "Morte nas Trevas", pelo menos.
A vida tem destas coisas...