As pessoas que abandonam cães são, basicamente, feitas da mesma "farinha" psicológica das que "perdem" cães ou os deixam "fugir".
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segunda-feira, 15 de agosto de 2016
segunda-feira, 18 de julho de 2016
Elsa Karabas

Já me referi aqui à Elsa, uma cadela "gigante" que faz parte da família desde Janeiro deste ano, depois de ter aparecido a vaguear aqui na região.
Não me pareceu que pudesse ser um cão de raça "pura" e, pouco familiarizado com raças de dimensão superior aos sempre admiráveis cockers, até pensei que fosse aparentada de rafeiro do Alentejo. O contraste directo com outra cadela dessa raça, por sinal simpática, mostrou-me que não era.
Serra da Estrela? Foi outra hipótese. Depois de duas tentativas falhadas de obter a opinião de duas associações, pessoa amiga emprestou-me uma edição de um livro sobre esses cães e, pelo contacto directo, sugeriram-me que poderia ser arraçada. Com influência de pastor belga na versão "malinois", pela cor? Talvez.
Em Abril e em Maio, em duas deslocações a Nelas, vi de relance um cão, ou cadela, igual à Elsa. Corpulento, ágil, bastante senhor de si. Podia haver uma coincidência, claro, e a Elsa ter um irmão ou primo a 250 quilómetros de distância. Que podia eu pensar quando as minhas pesquisas, um pouco às cegas, nada me diziam.
Mas há pouco tempo vi no Facebook um GIF com outro cão igual. Poderia ser o mesmo? Poderia ser a Elsa?! Ou haveria mesmo cães assim?
Há raças autóctones e, porque os cães não viajam muito, torna-se difícil conhecer todas as raças e, em especial, saber qual a designação de uma determinada raça... se não a conhecemos. No Google comecei por fazer duas procuras: raças americanas e africanas (a separação por continentes não facilita a migração de certas raças pelo que haverá algumas que não se encontram por cá) e por imagens. E lá começaram a aparecer as imagens de outras "Elsas". E o mistério desfez-se.
A Elsa é um "Çoban köpegi", um cão-pastor da Anatólia (Turquia), da variedade dos "karabas" ("karabash", "máscara negra"). É um cão de guarda de rebanhos, na sua origem, mais conhecido noutros países do que em Portugal, um especialista em segurança e defesa que transfere todas as suas qualidades para a guarda da matilha humana em que se integra.
E o que já li, em sites americanos, franceses e num estudo quase académico de um especialista turco, aplica-se por inteiro à jovem Elsa, que aqui ganhou uma matilha... e um chefe de matilha.
Se a sua qualidade ficou assim reconhecida, o mistério continua num nível diferente: de onde é que saiu, sem chip, sem que ninguém o reclamasse, aparentemente pouco nutrido, um exemplar tão perfeito de uma raça que deve ser quase inexistente no nosso país?
Quem, logo ao vê-la, recolheu a Elsa, sem poder ficar com mais um cão, disse, com toda a simpatia, que ela tinha tido sorte por ter vindo aqui parar. Quando observo a Elsa, penso que poderemos ter sido nós a ter sorte com este encontro tão inesperado.
terça-feira, 29 de março de 2016
Onde é que se mete o bibelot?!
A notícia prometia: a Presidência da República e o titular do cargo receberam um cão, um pastor-alemão de origem militar, com representantes da Força Aérea e o sorridente secretário de Estado da Defesa a levarem o jovem "Asa" a Marcelo Rebelo de Sousa.
Não faltaram as inevitáveis comparações com Barack Obama e o enaltecimento do tão mediático presidente português.
A coisa demorou dois dias e transformou-se numa simples manobra de propaganda: o "Asa" não fica em Belém, continua a ser do Presidente da República ou de Marcelo Rebelo de Sousa ou dos dois e mas vai empandeirado para a GNR porque "o Palácio não tem condições nem espaço adequado para receber o animal de estimação, da forma a ser tratado e educado de forma correta".
Não é muito diferente, afinal, daqueles casos em que os cães são oferecidos para serem depois votados ao abandono, "fugidos" ou "perdidos", como um bibelot de mau gosto que se recebe de presente e se esconde num canto.
O gesto é desprezível. A única vantagem é que o "Asa" estará na GNR, ao que consta em bom ambiente, o que é melhor do que com um dono que o rejeita.
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| O Presidente, o secretário de Estado da Defesa e o bibelot |
segunda-feira, 28 de março de 2016
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016
Um gigante chamado Elsa
De onde é que veio? Que experiências teve? Terá tido mais do que uma família? Dormia dentro de casa ou era cão de quintal? E o que é que comia? E porque é que um dia apareceu ali pelo mato, magra, à espera de quem a ajudasse?
Foi assim que me chegou a Elsa, que faz parte da família há cerca de um mês e que já tem o respectivo chip de identificação, vacinas, comida adequada e espaços físico e emocional próprios e cama (dentro de casa).
Terá, de idade, cerca de um ano e depois de estar connosco há cerca de uma semana, apareceu-lhe o seu primeiro (e último) período.
Talvez seja possível, até para perceber melhor como lidar com ela, especular com base no que nela se vai vendo e intuindo: que pode ter tido dois lares, o primeiro em pequena, tipo bolinha de pelo, o segundo em grande quando a primeira família não a quis ter; vinha habituada a tratar dos seus assuntos fora de casa, a aceitar algumas ordens humanas. E o que é que aconteceu para a abandonarem? Seria um incómodo grande demais?
Apareceu aqui perto pela primeira vez numa quinta-feira de chuva, foi recolhida por uma pessoa (Elsa, sua madrinha) atenta às desgraças caninas, ficou em casa de uma vizinha e... agora está connosco. Estava magra, com as costelas salientes, pesava 25 quilos. Agora já tem 30, cresceu e as costelas já se vêem menos.
Quando encomendei ração para ela, pela primeira vez, pedi para cão "grande". "Gigante", corrigiu o meu interlocutor da Telecão.
De boa índole, controlável, ansiosa por festas e brincadeiras, a Elsa é uma criança grande. Melhor: é uma criança gigante. Quase me engole a mão com os seus dentes enormes sem quase me tocar na pele. E parece grata pela atenção que lhe damos.
Estamos todos a aprender a viver a vida numa dimensão diferente.
sábado, 30 de janeiro de 2016
quarta-feira, 20 de janeiro de 2016
domingo, 3 de janeiro de 2016
"Perdeu-se", "fugiu", "desapareceu": o triângulo das Bermudas da incúria
Moro numa casa com terreno à volta que está, todo ele, rodeado por uma cerca por opção própria.
O meu cão (e não é o da fotografia) anda à vontade lá por fora mas não sai da propriedade. Quando se abre o portão, fica contido no exterior ou dentro de casa (para não passar para o lado de fora nem haver nenhum acidente). Teve treino canino durante algum tempo (e nunca será demais elogiar o trabalho de quem se dedica a treinar cães e, no nosso caso, os especialistas da Casa do Niko, em Caldas da Rainha) e é razoavelmente obediente. É de uma raça utilizada na caça (e não, não sou caçador) e o olfacto parece funcionar sozinho, em regime de radar, o que faz com que o cão vá atrás de qualquer cheiro mais intrigante. E nunca, mas nunca, deixa de andar à trela fora de casa.
É por tudo isto que me faz uma grande confusão que haja cães que se "perdem", "fogem" ou "desaparecem", grandes ou pequenos, com raça ou sem raça, moradores talvez mais fora de casa do que dentro, com donos idiotas que acreditam que os "seus" cães andarão sempre atrás deles se os soltarem ou que são postos à porta de casa para as suas voltinhas higiénicas porque dá menos trabalho do que andar com eles pela trela ou que, se forem, hão de voltar.
Só que a questão básica é esta: à solta fora de casa e sem trela, os cães afastam-se.
Vão atrás de um cheiro, de outro cão, de qualquer pormenor que os atraia, podem ser atropelados por um carro, perder simplesmente as referências quanto ao local de onde partiram, ser levados por alguém e, talvez, com a melhor das intenções. E depois são cães abandonados (é outra forma de abandono, afinal), perdidos, desorientados, condenados a fins tristes e miseráveis.
O triângulo "perdeu-se" - "desapareceu" - "fugiu" é o retrato da incúria de quem não sabe, porque não quer, tratar de seres vivos que decidiu, sabe-se lá porquê, acolher (e seres vivos que têm uma sensibilidade que os faz às vezes gostar de quem nem sequer os trata bem). E se não for esse o caso, usem ao menos de alguma honestidade: em que circunstâncias é que isso aconteceu? Conseguem confessá-las?
sexta-feira, 20 de novembro de 2015
E se baixassem o IVA dos médicos veterinários em vez do IVA da restauração?
Cuidar de um animal de companhia doente (cão ou gato ou mesmo outros) pode ser caro. Os medicamentos e todos os procedimentos médicos são mais caros do que os seus equivalentes na medicina humana.
Os veterinários (e a minha experiência de vários diz-me que a maioria é de uma dedicação e de uma atenção que podem ser superiores aos outros médicos que nos tratam da saúde) estão sujeitos a um IVA de 23 por cento. Como acontece no regime deste imposto, cobram e têm de entregar o seu valor ao Estado.
Não há, na saúde animal, nada que alivie a despesa. Um seguro pode cobrir situações muito graves mas, como faz parte da lógica destas coisas, é mais o que as seguradoras cobram do que pagam. É, infelizmente, natural que muitos animais domésticos fiquem privados dos cuidados médicos que deviam ter.
O PS, o BE e o PCP fizeram finca-pé na diminuição do IVA da restauração, actualmente em 23 por cento, sem que dessa medida puramente demagógica se possa esperar (como os próprios já avisaram) qualquer baixa no preço das refeições. O sector da restauração é como os outros: existe numa lógica de comércio. Como acontece no regime do IVA, cobram e têm de entregar o seu valor ao Estado.
Não faz sentido baixar o IVA na restauração quando, por exemplo, há actividades de muito maior relevância social que não beneficia dessa intenção. E cujos volumes de negócios (e de IVA arrecadado, portanto) deve ser bastante menor.
É o caso dos médicos veterinários. Baixar o IVA dos médicos veterinários (e note-se que os seus colegas que tratam dos seres humanos estão isentos do IVA) seria muito mais correcto e muito mais justo e, nesse sector, estou certo de que muitos baixariam os preços das consultas e, se fosse o caso, dos seus serviços exclusivamente clínicos. E a saúde dos animais ficaria melhor defendida.
*
Na Assembleia da República há um partido (o PAN) que se arvorou em defensor da "causa animal". Os três projectos legislativos com que se estreou foram, para citar um título de jornal, "benefícios fiscais para associações ambientais e zoófilas, Procriação Medicamente Assistida e adoção gay". Não se vê onde é que, nisto, a "causa animal" seja defendida.
domingo, 20 de setembro de 2015
Abandono
Este cão pastor-alemão já não deve ser novo.
Ladra a quem passa pelo portão desta casa na freguesia de Serra do Bouro (Caldas da Rainha) mas pouco assusta e os latidos parecem ser mais um pedido de atenção do que um aviso. O pelo está uma miséria e a corrente nem o deixa mexer-se muito.
É mais um caso do tipo de abandono e de desprezo a que os cães são frequentemente votados, vistos como guardas que talvez já nem consigam ser e vítimas de gente que devia, também ela, viver assim acorrentada.
quarta-feira, 19 de agosto de 2015
Reduzir o IVA pode ser relevante... mas em medicina veterinária
O PS voltou a insistir hoje, na apresentação do programa eleitoral (ou numa reapresentação, ou num novo programa, pouco interessa), na proposta demagógica da diminuição do IVA da restauração, sendo sempre conveniente lembrar que o IVA é um imposto que os prestadores de serviços cobram aos consumidores e entregam ao Estado, deduzido (quando o podem fazer) do IVA que eles próprios tiveram de pagar.
Neste mesmo dia, e segundo ouvi na televisão, a propósito do aumento de animais abandonados (quatro em cada cinco são cães), a Ordem dos Médicos Veterinários, e como uma forma de combater o abandono de animais, propôs a redução da taxa de IVA para a actividade dos veterinários (que é de 23 por cento, a taxa máxima) e a inclusão das despesas com animais domésticos no IRS.
Se esta segunda ideia é indiscutivelmente bondosa, pode ser de aplicação difícil.
Mas a diminuição da taxa de IVA nos serviços de medicina veterinária já poderia ser mais fácil e, ainda mais, ser um incentivo à protecção dos animais e uma medida civilizacional. Muito mais do que a demagógica promessa de diminuir o IVA da restauração.
domingo, 28 de junho de 2015
Deixado ao abandono
Este cão é um cão abandonado... lá dentro.
Dentro de um quintal, numa casota miserável, de onde nem se pode afastar, com sol ou chuva. Talvez nem vá a um veterinário, não parece ser objecto de quaisquer cuidados. Serve (pelos latidos de medo ou raiva ou aflição) de "cão de guarda".
Pode um dia ter sido cão de casa, talvez de crianças. Depois ficou. Puseram-no a um canto do quintal. É possível que lhe dêem de comer e que lhe dêem água. Mas nem se pode saber.
E não é por falta de meios dos "donos", que têm tecto, portas e janelas que os abrigam das intempéries, terrenos onde semeiam para comer e vender, galinhas e pombos.
E vários gatos que andam por ali, um dos quais com o que parece ser um tumor enorme numa coxa e a quem já vi darem comida. Mas sem qualquer outro tipo de preocupação.
quinta-feira, 4 de junho de 2015
Criminosos de outra maneira
"Desapareceu", "perdeu-se", "gosta de sair para ir dar uns passeios", "mas o jardim até está fechado"... É grotesco ver como se sucedem os anúncios e os apelos de "cães" desaparecidos.
Toda a gente garante que ele não tem maneira de sair mas que se deve ter assustado com os foguetes (dentro de casa?!), que volta sempre dos seus passeios (sozinho?!).
Mas depois não volta. O certo é que é mais um cão ao abandono. Ou noutras mãos. Ou morto. Ou estropiado.
Um acidente na estrada, um cheiro mais interessante, uma desorientação ou outro cão são tudo factores que afastam os cães do seu ambiente, ou do ambiente em que se achem confortáveis (e nem todos os ambientes o são). Ou então é alguém que o leva porque o vê abandonado e até o faz com boas intenções. Ou porque o faz com desígnios muito mais sinistros.
Na maior parte dos casos, a explicação para estes "desaparecimentos" é a mais simples e a mais estúpida de todos: eles que andem à solta, que acabam sempre por voltar. No fundo é gente comprovadamente imbecil e ignorante que até pode ficar triste com o "desaparecimento" ou, se calhar, limitar-se a chorar lágrimas de crocodilo, talvez satisfeita por se ter visto livre do cão de que já estava farta.
O crime de maus-tratos a animais, mais simbólico do que eficaz, também devia estender-se a gente desta, que não tem maturidade intelectual para tratar de outros seres vivos.
sábado, 14 de março de 2015
Idiotas com cão (10): o caso do Parque D. Carlos I
Já aqui tenho escrito sobre este problema comportamental de alguns idiotas com cão. Não sei se alguma vez a situação se resolverá. Mas é bom que se fale sempre nele. Como aqui, nesta carta publicada na edição desta semana na "Gazeta das Caldas".
Os cães devem ser passeados com trela em locais públicos.
Desse modo não incomodam as pessoas, não sujam descontroladamente (é mais fácil os donos limparem se souberem onde foi...), não assustam as pessoas ou outros cães, não se perdem, são mais facilmente disciplinados (se é que os idiotas que o fazem sabem o que é disciplina). E por mais que sejam, ou estejam, treinados.
Era desejável que houvesse em cada cidade um parque para cães mas não há. Era desejável que os cães pudessem ter maior acesso a locais públicos. Mas o comportamento desta gente não ajuda.
sábado, 21 de fevereiro de 2015
Uma informação da GNR
Sobre o caso que aqui relatei, de um cão que me pareceu estar ao abandono na antiga Fábrica de Rações Avenal (embora preso a uma casota sem condições), recebi da GNR a seguinte comunicação depois de ter apresentado a devida denúncia ao Serviço de Protecção da Natureza e do Ambiente (SEPNA) da GNR:
Registo a intervenção da GNR, que agradeço, e também que o cão já deixou de estar nas condições em que o mantinham preso (e que eu documentei com fotografias no mesmo "post"). Espero que possa viver pelo menos um pouco melhor.
quarta-feira, 21 de janeiro de 2015
Um outro tipo de abandono (1)
O abandono dos animais domésticos, nomeadamente dos cães, também se manifesta assim, dentro de muros:
Este cão é mantido dia e noite nestas condições numa casa da freguesia rural da Serra do Bouro, em Caldas da Rainha, amarrado numa corrente curta, sem água à vista, talvez só alimentado com comida que é atirada ao chão (vi-o a roer um osso, hoje de manhã), praticamente ignorado pelos habitantes da casa, e seus putativos donos, que nem se dignam olhar para ele por mais que ele implore.
Não é caso único.
domingo, 11 de janeiro de 2015
sábado, 20 de dezembro de 2014
Idiotas com cão (10): presentes de Natal como objectos?!
Na questão "adopção ou compra" no que se refere a cães, e que não pode ser vista de forma simplista, um dos problemas é o da compra em loja e, recentemente, a versão portuguesa da conceituada revista inglesa "Time Out" (conheço a original mas nunca me senti motivado a comprar a versão doméstica) mostrou até que ponto podem ir os equívocos sobre a matéria e da pior maneira possível.
O aviso, com imagem (cão como presente de Natal, que pode ser comprado numa loja...), veio da It's All About Dogs, que critica, e bem, a revista pela asneira, chamando a atenção para a origem de grande parte dos cães postos à venda em lojas de animais, que serão das fábricas de cachorros, as "puppy mills" de designação pejorativa onde se criam cães como frangos em aviários. Acredito que haverá mais criadores de cães pouco escrupulosos do que aqueles que o são e que, embora tenham essa actividade como negócio (que é legítimo), se dedicam à criação de cães com as mais elementares normas do bom senso e das leis.
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| Uma sugestão idiota |
O aviso, com imagem (cão como presente de Natal, que pode ser comprado numa loja...), veio da It's All About Dogs, que critica, e bem, a revista pela asneira, chamando a atenção para a origem de grande parte dos cães postos à venda em lojas de animais, que serão das fábricas de cachorros, as "puppy mills" de designação pejorativa onde se criam cães como frangos em aviários. Acredito que haverá mais criadores de cães pouco escrupulosos do que aqueles que o são e que, embora tenham essa actividade como negócio (que é legítimo), se dedicam à criação de cães com as mais elementares normas do bom senso e das leis.
E se não sei se recorrem todos às lojas para escoar os seus "stocks", o certo é que a situação dos cães ainda muito novos, quase como crianças de colo, nas lojas de animais é, só por si, deprimente. Andam às voltas em caixas de vidro, sem espaço para se movimentarem, em condições de limpeza e salubridade duvidosas. (Numa dada circunstância familiar em que foi necessário ver-nos livres de uma ninhada de cachorrinhos, pusemos dois dos cães numa loja de animais, na expectativa de que alguém os comprasse. Ao segundo ou terceiro dia, foi penoso vê-los fechados numa caixa onde mal se podiam mover e voltaram para casa. Penso que acabaram os dois por ser oferecidos.)
À questão das lojas acresce, neste caso, a sugestão estúpida da oferta de um cão como presente de Natal, como faz a citada revista.
Fora do âmbito de uma decisão familiar em que sejam pesados todos os prós e contras do acolhimento de um cão (seja em que circunstâncias forem), a ideia de oferecer um cão como presente de Natal não é só redutor (não é de objectos que estamos a falar!) como levanta outros problemas, até sociais: quem oferece sabe se a pessoa a quem é oferecido o cão pode, e quer, ficar com ele? Tem condições, todas elas, para ficar com um? Está disposta a dedicar parte do seu tempo, do seu dinheiro e do seu afecto a um cão? Ou será apenas mais outro cão condenado ao abandono?
A imprensa portuguesa deu em pensar pouco, nos últimos anos, mas... tão pouco?
domingo, 16 de novembro de 2014
Idiotas com cão (9): uma forma de abandono que a GNR não quer ver
Na fechada Fábrica de Rações Avenal, perto do Intermarché de Gaeiras nas traseiras da Auto Júlio e do ginásio Balance Caldas da Rainha, está aprisionado um cão numa casota improvisada que dá a ideia de já pouco se mexer.
O terreno da fábrica, sem sinais de actividade, é enorme. Mas, talvez para funcionar como cão de guarda, alguém resolveu montar uma espécie de casota junto ao portão e prender aí um cão com uma corrente que não lhe permite afastar-se muito.
Qualquer pessoa se pode aproximar, no entanto, que o cão nem dá sinais de vida. Da pouca vida que se calhar ainda vai tendo, porque nem se percebe se o alimentam, ou não.
Há uma semana contactei o Serviço da Protecção da Natureza e do Ambiente (SEPNA) da GNR que me recomendou que falasse para a GNR de Caldas da Rainha. Acedeu, no entanto, a reencaminhar as informações e as fotografias para esses seus colegas.
Enviei-lhes tudo mas, para já, de pouco serviu. Esperava melhor do SEPNA, apesar de tudo.
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| O portão |
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| A casota improvisada |
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| O cão está lá dentro e já pouco parece mexer-se |
domingo, 9 de novembro de 2014
"Woof" - sobre cães, para "o melhor amigo do cão"
Finalmente, há uma revista portuguesa a sério sobre cães. E sobre a relação dos cães com as pessoas e das pessoas com os cães, com crónicas, fotografias, artigos úteis da psicologia canina ao que comprar e numa perspectiva correctíssima que privilegia o treino do cão... e, não menos importante, a formação dos donos. Aliás, é interessante que esta revista (a "Woof") se apresente com o lema "A revista para o melhor amigo do cão".
A "Woof" está distante, muito distante, das revistas até agora existentes em Portugal e que pouco mais eram do que boletins de publicidade jornalisticamente nulos.
Tem algumas parecenças, e bem, com a norte-americana "The Bark" (de que aqui falei) e só precisa, além de ganhar mais público e de poder passar a revista mensal, de corrigir um pouco a exuberância do seu grafismo. Porque, quanto ao resto, está no rumo certo.
Fica a recomendação: é bimestral, vai no número 3, existirá em www.woof.pt (que, por enquanto, só remete para o Facebook), tem 98 páginas, distribuição nacional, custa 3,90€ (com 0,10€ do preço de capa de cada revista a serem doados à comunidade Mov4Patas) e comprá-la é também dar força a um projecto que pode ajudar as pessoas a conhecerem melhor os cães... e os cães a serem melhor tratados.
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