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terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

"Dark Corners", de Ruth Rendell: a sua última história

 
Ruth Rendell (1930 - 2015), baronesa, Lady Rendell of Babergh, simpatizante do Partido Trabalhista e autora de mais de 50 romances e diversos livros de contos e que a certa altura usou também o pseudónimo Barbara Vine, foi uma das melhores autoras de histórias policiais, se não mesmo a melhor, conjugando todas as tradições do género uma extensa e multifacetada descrição do quotidiano inglês em vários domínios.
Não há Agatha Christie, P. D. James ou outra, que a suplantem em Inglaterra e, no universo anglo-americano, só a americana Karin Slaughter merece encómios quase à medida.
Em Portugal, Ruth Rendell foi publicada com algum êxito mas, por motivos que terão a ver com algumas peculiaridades pouco recomendáveis do mundo editorial nacional, desapareceu do mercado português.
"Dark Corners", que só agora li, é o seu último romance, pertencente à fase em que o seu herói,  Wexford, se reformou, e em que começou a usar o seu próprio nome (já não Barbara Vine) para escrever histórias admiráveis que são verdadeiras crónicas sobre o quotidiano da sociedade inglesa num estilo descritivo com menos diálogos do que é habitual.
"Dark Corners" tem um herói sombrio e psicótico no meio de uma teia de gente falhada: um escritor também falhado que nem senhorio de parte do seu prédio consegue ser. E que, sendo responsável pela morte de uma actriz também falhada, assassina o inquilino que lhe descobriu a sua má acção. 
Sendo o seu último romance, "Dark Corners" faz pensar que a autora poderia não o ter dado por completo. Talvez lhe façam falta algumas particularidades do seu estilo, que mais se notam na descrição de ambientes.
A dúvida não invalida, no entanto, a qualidade (a sempre habitual qualidade) da escrita de Ruth Rendell e o que parece ser, aqui e ali, uma imperfeição não corrigida só torna mais sentida a sua ausência, que nem uma releitura das suas melhores obras compensa. 


 

domingo, 27 de setembro de 2015

John Grisham: o melhor e o pior

 
John Grisham é um bom contador de histórias e, de certa forma, cabe-lhe a fama (e o proveito) de ter sido o grande aperfeiçoador do "legal thriller", as histórias de crime(s) com advogados como principais protagonistas.
 
 
 
 
 
"Sycamore Row" ("A Herança", Bertrand Editora, 2014) talvez seja uma das suas melhores obras e, escrita com o desembaraço de quem sabe construir um mistério capaz de prender o leitor até um desfecho que só se revela nas últimas páginas, conta a história de um milionário branco do Sul que, suicidando-se, deixa tudo o que possui à empregada (negra, anda por cima), deserdando os filhos. Com um testamento de última hora, manuscrito e... que não parece ter uma explicação lógica, a não ser aquela em que toda a gente pensa: foi a empregada que o influenciou. E foi?
"Sycamore Row" não tem, no decorrer da narrativa, um crime ou uma acção ilegal (embora tenha havido um acontecimento histórico questionável...), mas a sua fluidez é simples e directa. E tem um advogado independente e ousado como herói.
 
 
 
 
 
Já "Gray Mountain" ("Os Segredos de Gray Mountain", Bertrand Editora, 2015) fica nos antípodas.
A história começa com uma jovem advogada despedida da grande empresa de advogados onde trabalha e que é atingida pela crise económica e financeira e que vai parar uma minúscula cidade da Virgínia, no coração das explorações de carvão.
Conhece casos de miséria e depois a destruição (da natureza e de seres humanos) levada a cabo pelas grandes empresas mineiras com o apoio das grandes firmes de advogados, um advogado morre numa estranha queda de avioneta e... Samantha Kofer fica em Brady ou volta para Manhattan?
O dilema da jovem Samantha é o que faz mover a narrativa mas Grisham não tem muito jeito para intimismos e perde as várias pontas de um novelo de crime e de mistério que verdadeira nunca se desata.
Se "Sycamore Row" é do melhor que já escreveu, "Grayu Mountain" não. Combinados os dois romances, fica o retrato de um romancista na sua encruzilhada.

domingo, 30 de agosto de 2015

Stephen King PG-13

 
"The Shining" é um dos primeiros romances do prolífico Stephen King. Publicado em 1977, faz parte do seu período inicial (mais virulento, mais criativo, mais directo). É uma boa história de fantasmas e de um local assombrado por coisas muito sinistras.
Stanley Kubrick levou-a ao cinema, com o mesmo título, em 1980 mas o filme, impecável, afastava-se da história original.
Uma mini-série, em 1997, andou mais próximo do romance mas nunca poderia ter deixado de ser, ela própria, assombrada pelas qualidades de qualquer produção de Kubrick. 
"The Shining" teve sempre um sobrevivente que é fundamental: o pequeno Dan Torrance, que é o herói da história. E é por aí que começa Stephen King para escrever o que é uma continuação do seu romance: "Doctor Sleep" (2013).
Nele Dan Torrance, com um percurso de vida bastante complexo, é adulto, a "luz" ou "brilho" (o que é descrito como "shining") é um fardo e a relação com o mundo só é satisfatória no acompanhamento de doentes terminais, que ajuda a morrer. Mas há mais gente que tem esse dom, como a jovem Abra Stone, que entra mentalmente em contacto com uma seita religiosa denominada True Knot. São vampiros (a fazerem lembrar os do extraordinário filme "Near Dark", de Kathryn Bigelow) mas de uma espécie diferente: o que os alimenta é o "vapor" (a alma?!) dos seres humanos, que são para eles uma subespécie.
E temos assim Dan Torrance, Abra e alguns aliados de ocasião a combaterem a seita, numa história  marcada pelo habitual brilhantismo narrativo de King mas, depois, insatisfatória.
A violência subjacente resolve-se em tom brando, o horror atenua-se, a emoção transfere-se para domínios mais espirituais e... não há uma gota de sangue derramado. Não seria obrigatório mas ajudaria a criar um clímax mais adequado ao desenvolvimento da história.
É como se "Doctor Sleep" tivesse sido escrito a pensar em qualquer versão audiovisual (cinema ou TV), adaptável sem alterações de fundo a uma classificação etária mais próxima do "PG-13" (genericamente desadequado para pré-adolescentes) do que do "R" (a classificação do "The Shining" de Kubrick, que obriga os menores de 17 anos ao acompanhamento por adultos) no padrão americano, longe, muito longe dos seus melhores títulos do género como "Cujo", "Firestarter", "The Stand" ou "Pet Sematary".

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Leitura recomendada para todos os amigos dos animais que ainda são capazes de se indignarem...




"Zoo" (ed. Topseller), a que aqui me referi, já está em edição portuguesa e não é apenas uma boa história de aventuras.
É também uma leitura praticamente obrigatória para todas as pessoas que gostam de animais e que ainda são capazes de se indignarem com as muitas baixezas que a sociedade humana lhes faz. Neste caso, é o mundo que fica às avessas e os seres humanos é que passam à condição de vítimas e de presas. Já não era sem tempo...

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Amanhã, quarta-feira, "Angola e Dinheiro"

 
Apresento "Angola e Dinheiro" (Rui Costa Pinto Edições, 3.ª edição) na FNAC do Centro Comercial Vasco da Gama, às 18h30:  




 
 
 

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

As melhores bebidas para acompanhar géneros literários


As minhas propostas...


“Thrillers” e histórias de grande intensidade dramática – vinho tinto (Dão)
Romances de menor intensidade dramática – vinho branco (de preferência de uvas da casta Encruzado)
Ensaios e obras teóricas – chá ou café
Biografias – whisky ou aguardente

Ficção científica – vinho verde (branco)
Terror – vinho tinto (Douro)

“Science fantasy” e “Sword & sorcery” – vinho tinto (Alentejo, mas sem a casta Cabernet-Sauvignon)
Pornografia para mamãs – vinho rosé

Pornografia normal – espumante (meio-seco)
Histórias para “jovens adultos” (com ou sem vampiros) – cerveja

“Thrillers” “light” tipo Agatha Christie – espumante (doce)
“Thrillers” históricos de temática clerical – vinho branco leve gaseificado

Histórias de amor – chá de camomila

quarta-feira, 9 de abril de 2014

"What Dies in Summer", de Tom Wright: crimes com castigo



Há histórias habilidosamente bem contadas, que parecem incertas quanto ao terreno que pisam mas que depois revelam as opções deliberadas do autor e que são pequenos triunfos. É o caso de "What Dies in Summer", o romance de estreia de Tom Wright, psicólogo, artista e escritor norte-americano.
"What Dies in Summer" é a história de um verão em que Biscoito, ("Biscuit", a alcunha do jovem narrador), exilado da casa materna e de um proto-padrasto violento na casa da avó materna com uma jovem prima por companhia, descobre os horrores e as belezas da vida humana.
"What Dies in Summer" é, simultaneamente, uma narrativa de transição e de entrada plena na adolescência e um "thriller" muito bem construído, com algumas sequências em ambientes de - literalmente - cortar à faca e picos de tensão e de expectativa que puxam pela atenção do leitor. Quem espera por uma revisitação da adolescência é conduzido a um "thriller" e quem espera por um "thriller" é convidado a conhecer o mundo destes adolescentes com segredos mas a harmonia é completa.
"What Dies in Summer" foi publicado em português no ano passado ("O Que Morre no Verão", Bertrand) e a segunda obra de Tom Wright, "Blackbird", será publicada nos EUA em Julho deste ano.
Mais pormenores sobre o autor e as suas obras podem ser encontrados em Tom Wright Presents.
 

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

"The Story of the Jews", de Simon Schama

É possível que não tivesse comprado muitos dos livros que tenho traduzido por não dispor de informações sobre eles e não fazerem parte, automaticamente, da minha lista de autores a seguir. 
E há livros que, felizmente, por obrigação de traduzir, se transformam desse modo também em leituras aliciantes. 
"The Story of the Jews" (o primeiro volume, "Finding the Words"), do historiador inglês Simon Schama, é um deles e o mais recente e, sem dúvida, uma das leituras mais exaltantes do conjunto de obras que me têm sido propostas para traduzir.
Do livro em si falarei quando for publicado (a tradução foi entregue há cerca de três semanas) mas é impossível não reter aqui a impressão indelével da qualidade da investigação e da escrita de Simon Schama e do modo como conta a história do judaísmo.
"The Story of the Jews" é um projecto em duas vias, em dois volumes (o segundo, "When Words Fail", sairá em Outubro em Inglaterra) e numa mini-série documental, feita para televisão, em cinco episódios. E onde o texto escrito segue a História e os seus momentos mais importantes, a série tem um alcance também sociológico, nada linear mas, por isso mesmo, igualmente excepcional.
Simon Schama, que escreve de uma forma notável, é também um extraordinário comunicador e segui-lo, nas suas deambulações pelo mundo, é um prazer. Não escondendo a sua origem judaica, e recorrendo à sua própria experiência e às suas próprias reminiscências, Simon Schama termina o périplo desta sua jornada em Israel, com uma nota comoventemente crítica, dizendo-nos tudo o que há dizer sobre a história dos judeus e do judaísmo.
A série, disponível em DVD com legendas apenas em inglês, é, em simultâneo, uma boa introdução e um complemento quase indispensável à edição em papel.




quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

"Angola e Dinheiro", de Rui Verde: uma análise incisiva com sabor a reportagem




 
 
Rui Verde, doutorado em Direito, não padece do mal académico de muitos dos seus pares - não precisa de centenas de páginas para apresentar o seu ponto de vista, fazer a análise de uma situação específica e contar uma história verdadeira.
A sua tradição é anglo-saxónica e diz o que tem a dizer num número razoável de páginas que, em geral, se lêem bem e onde está tudo o que é essencial, com apontamentos do quotidiano que tornam a narrativa ainda mais interessante.
Foi assim em "O Processo 95385 - Como Sócrates e o poder político destruíram uma universidade"  e em "Helicópteros com Dinheiro - Sair do Euro, da Crise e Mudar o Estado" e é também o caso da sua terceira obra, "Angola e Dinheiro - Riscos da Transição do Regime Liderado por José Eduardo dos Santos" (Rui Costa Pinto Edições).
Recordando os seus contactos com as autoridades angolanas durante o projecto de criação da Universidade Independente de Angola (o autor foi vice-reitor da Universidade Independente, em Portugal), e as experiências no local (que descreve com vivacidade), Rui Verde faz uma descrição pormenorizada do regime político angolano, das suas personalidades e de todo o quadro económico-financeiro em que ele se move, referindo-se às ligações da elite angolana com Portugal e, finalmente, ao perigo de desmoronamento do sistema de poder.
A leitura é proveitosa... e preocupante. Quando tanto se fala de Angola, e o relacionamento entre os negócios portugueses e angolanos é tão abrangente (e tão discreto, parece), não convém nada ignorar esta obra.
Só que "Angola e Dinheiro" encontrou dificuldades no percurso para chegar à edição em livro. E parece agora rodeado por um manto de silêncio. Há gente com medo, aparentemente. Rui Verde e o editor Rui Costa Pinto parecem não o ter.

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Uma explicação: "Poente", de José Fernandes Fafe

 
 
 
Poeta, ensaísta e embaixador, José Fernandes Fafe tem (no seu livro "Poesia Amável", 1963) um dos mais admiráveis poemas que li na minha fase de leitor de poesia e que expressa (e de certa forma explica), de uma forma suavemente irónica, a tendência pessimistas e tristonha dos portugueses.
Justifica-se, sempre, lê-lo e recordá-lo:




POENTE

Compreende-se tudo,
de repente:

São oito séculos a ver o Sol morrer
afogado no mar,
diariamente.





domingo, 20 de outubro de 2013

"Tríptico", de Karin Slaughter: um "thriller" perfeito

 
 
 
 
 
"Tríptico", da norte-americana Karin Slaughter, que acaba de ser editado em Portugal, é de certa forma uma dupla estreia.
É-o, em primeiro lugar, por ser o regresso de uma das melhores e mais profícuas autoras de "thrillers" à edição portuguesa e com uma das suas melhores obras; e é-o, depois, por ser o livro que marca a entrada em cena do seu herói Will Trent, que parece ter-se sobreposto à sua personagem inicial, a médica Sara Línton, nas histórias mais recentes.
"Tríptico" é uma obra excepcional, pelo menos por dois motivos. Por um lado, pelas suas personagens, habilmente caracterizadas, das quais três  regressarão noutras histórias.
Will Trent, Angie Polaski e Amanda Wagner, a chefe de Trent, têm vidas interligadas, cujos pormenores vão surpreender os leitores, desde logo neste livro até outra obra mais recente, em que se fica a conhecer a origem do relacionamento contraditório de Trent e de Amanda ("Criminal"). 
E, por outro, pelo modo como a história é narrada - há um "serial killer" e a revelação da sua identidade, que pode parecer descoroçoante, é um momento extraordinário de uma narrativa aliciante que nunca perde o dinamismo ou a capacidade de impressionar.
Ponham de lado por um momento, leitoras e leitores, as muitas autoras estrangeiras que vão aparecendo no mercado português e prestem toda a vossa atenção a este "thriller" perfeito.
A dinâmica Topseller já tem em carteira mais obras de Karin Slaughter (da série que começou com Will Trent e onde entrará mais tarde a traumatizada Sara Línton) e a próxima respeita a sequência original: "Fractured".
 
Karin Slaughter
Informações sobre a autora
e as suas obras
em www.karinslaughter.com

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
(A tradução de "Tríptico" é da minha autoria e este pormenor e o facto de a Topseller estar a editar actualmente as minhas obras pode tornar recomendável esta "declaração de interesses", que não me coíbe de, com toda a liberdade, acrescentar um aplauso muito especial para a opção dos seus editores de trazer Karin Slaughter à convivência com o público português.)




segunda-feira, 16 de setembro de 2013

"Never Go Back", de Lee Child


Jack Reacher já parece sentir o peso dos anos e esse fardo, por sua vez, faz abrandar a velocidade que tem caracterizado as histórias do herói criado por Lee Child.
No seu 18.º título, "Never Go Back", dá-nos um Reacher menos impetuoso, que se vê confrontado com a existência de uma filha de que não suspeitava e que quase confessa o que talvez seja a sua vontade de assentar.
Talvez a refazer-se das críticas negativas que recaíram sobre a apropriação do gigantesco Jack Reacher pelo diminuto Tom Cruise (e não, não há sequer rumores sobre um "Jack Reacher 2"), Lee Child parece às vezes ter algumas dúvidas sobre o caminho a seguir e o final da história é melancólico.
Se "Never Go Back" é um momento de viragem, e o autor já sugeriu que Reacher não sobreviverá à passagem do tempo, é uma história a reter para os entusiastas. Mas se é só mais uma etapa... não se pode dizer que "Never Go Back" seja uma obra memorável. 

terça-feira, 3 de setembro de 2013

"No Man's Nightingale", de Ruth Rendell


Não é necessário mais do que "No Man's Nightingale" para demonstrar que Ruth Rendell é melhor do que Agatha Christie e P.D. James juntas - e talvez mesmo a melhor de todas as autoras (e autores) de "thrillers". É uma delícia ler mais esta história, acabadinha de publicar, do inspector Reginald Wexford, inconformadamente reformado, que parte de um crime tão desengraçado como o estrangulamento de uma vigária da Igreja de Inglaterra para evoluir para uma intriga tão complexa e, no fim, tão simples.
Ruth Rendell é também uma observadora atenta e interveniente das particularidades sociais da sociedade britânica e "No Man's Nightingale" também o revela, mais uma vez, para nosso supremo deleite.
E não, não há em português, porque as editoras desistiram dela já que os seus livros não se vendiam...

sábado, 31 de agosto de 2013

"O Albatroz", de Teresa Lopes Vieira


"O Albatroz", de Teresa Lopes Vieira, é uma história de isolamento, de destino sem saída, de recordações malditas, que tem muito pouco a ver com a melancolia tradicional do realismo português, talvez por a autora ter tido outras experiências de vida e de trabalho noutros países.
É a terceira obra da autora, que se aventura sem problemas por áreas temáticas que parecem assustar muitos outros autores portugueses, e, lendo-se muito bem, deixa apenas a ideia de que poderia ter beneficiado com um "editing" mais rigoroso.
Teresa Lopes Vieira mantém um blogue pessoal aqui. 

sexta-feira, 12 de julho de 2013

"Departamento 19": a herança de Van Helsing



No Reino Unido há um departamento governamental secreto conhecido apenas por Departamento 19 ou, entre os seus operacionais, por Luz Negra.
É uma organização militarmente estruturada que nasceu em 1892 sob a égide de Abraham Van Helsing. Lembram-se dele?
Pois, era o professor que, no romance epistolar "Drácula", de Bram Stoker, combatia o famoso vampiro. E sim, foi esse mesmo Van Helsing que criou o Departamento 19 para combater vampiros, lobisomens e outras manifestações sobrenaturais...
Este é o ponto de partida do romance "Departamento 19", do inglês Will Hill, agora lançado pela Topseller, um misto interessante de história de aventuras, de história fantástica e de ficção científica, que tem como herói um adolescente azougado e corajoso que quer descobrir o que aconteceu ao pai, também ele um graduado da Luz Negra, com a ajuda de um companheiro muito especial.
Movimentado e cheio de alusões cinematográficas e literárias (como é o caso da entrada em cena do próprio Stoker e do actor Henry Irving, que o inspirou para a figura de Drácula), "Departamento 19" é uma boa história de aventuras, já com várias continuações, que tem todas as condições para chegar à televisão e que é capaz de entusiasmar os fãs das histórias de vampiros.
O site www.department19exists.com, dinamizado pelo autor, é um excelente complemento a esta série.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

"Marvel Comics - The Untold Story", de Sean Howe

Dezenas de super-heróis, cada um deles com várias histórias que nem sempre se harmonizam, dezenas de autores e de desenhadores, um renascimento recente conseguido por via do cinema, polémicas diversas sobretudo em torno dos direitos dos autores, várias ameaças de falência e uma história de quase oitenta anos - é a mítica Marvel, a Casa das Ideias de Stan Lee.
Este livro ("Marvel Comics - The Untold Stories", do jornalista Sean Howe, traça um retrato exaustivo da história da Marvel e dos seus vários universos, a partir de mais de cem entrevistas com muitas pessoas que trabalharam na empresa ou que a acompanharam de uma forma ou de outra e é um contributo imprescindível para melhor a conhecer.
Quem identifica a maioria das suas mais destacadas personagens e os seus vários autores acompanha o relato do autor sem precisar de fazer mais do que algumas consultas ao longo da obra. Mas é pena que, por opção editorial ou por dificuldades na obtenção dos direitos, o livro não seja ilustrado com os vários super-heróis e com as diversas maneiras como foram representados.
Isso não lhe retira interesse nem pertinência e nem o facto de parecer dar menos espaço a Stan Lee e mais espaço aos seus críticos mais directos (como Steve Ditko, Jack Kirby e Steven Gerber) diminui o alcance desta "Untold Story", a que só faltaria dar maior atenção aos filmes com os super-heróis da Marvel, mesmo os piores, para ser uma obra completa.
 
 
 

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Os donos sabem lidar com os seus cães? "Cão Feliz, Dono Feliz" ajuda

Julgo que, na maior parte dos casos, as pessoas que têm cães não sabem como lidar com eles. E isso, infelizmente, não é nada de extraordinário.
Estamos a falar de outros seres vivos, com inteligência própria e uma relação muito especial com o mundo e connosco e que, dependendo em muito de como nós os tratamos e/ou lidamos com eles, assim se relacionam connosco.
Aliás, a experiência que tenho tido nos últimos anos também me tem mostrado como não fui capaz, em certas circunstâncias, de lidar adequadamente com cães que faziam parte da família.
E é interessante observar também o que se passa à nossa volta, recolhendo experiências directamente de uma actividade de treino canino (neste caso através da Casa do Niko, aqui das Caldas da Rainha) e vendo também como agem, interagem e se portam (e muitas vezes asneiram) os donos de muitos cães que só me fazem pensar que não foi por uma questão de convívio e/ou de companhia que arranjaram um cão.
Se a experiência, a prática e a observação são essenciais, também há livros que apresentam, com maior ou menor profundidade, noções essenciais daquilo que é necessário e conveniente fazer para cães e donos conviverem com alguma felicidade mútua (e sim, penso que os cães também têm as suas próprias versões e noções de "felicidade" e de "infelicidade").
"Cão Feliz, Dono Feliz", de Karen Wild (Booksmile) é, nesta perspectiva, um livro essencial. Em menos de 100 páginas, e escrito com rigor e conhecimento, ajuda a perceber o que querem os nossos cães e quais são as sete características fundamentais que podem levar alguém a ser um dono perfeito... ou quase.
Para os que pensam que sabem tudo sobre os cães, "Cão Feliz, Dono Feliz" serve para confirmar que andam a proceder bem e ajuda a lembrar alguma coisa que tenha ficado esquecida. Para os outros... bem, é uma leitura no mínimo obrigatória.

sábado, 4 de maio de 2013

"The Racketeer", de John Grisham

"The Racketeer", o mais recente romance de John Grisham, é um livro quase fascinante.
Malcolm Bannister, um advogado a cumprir uma pena de prisão por inadvertidamente ter sido apanhado numa rede de lavagem de dinheiro, troca a prisão pelo apoio que dá ao FBI para apanhar o homem que assassinou um juiz e a sua namorada depois de ter roubado o conteúdo do cofre do magistrado.
Bannister tem direito a ser abrangido pelo programa de protecção de testemunhas, o cadastrado agora acusado pelo homicídio sabe da sua existência e Bannister, com outra identidade e uma cara nova, começa a fugir ao perigo. Ou a desenvolver o plano que inicialmente concebera?
John Grisham constrói, como mandam as regras, um "thriller" com surpresas mas, a certa altura, distrai-nos sem que tivesse havido o mais pequeno aviso.
Se o leitor se impacientar com a alteração súbita do rumo da história, está tudo perdido. Mas se confiar por inteiro no autor lucrará com a reviravolta final. Eu, confesso, adiantei-me para ir perceber, algumas páginas mais à frente, de que estávamos exactamente a falar. E recomendo: é quase fascinante.
 

domingo, 14 de abril de 2013

"Bent Road", de Lori Roy

A paisagem rural norte-americana tem fornecido em abundância temas e inspiração para a criação literária e audivisual e raramente em tons amenos ou líricos.
É o que acontece com "Bent Road", obra promissora de estreia da escritora Lori Roy, que acompanha o regresso de uma família às origens rurais do marido no Kansas quando a violência racial explode na cidade de Detroit, onde moram, no final da década de sessenta.
Bent Road é a estrada da casa de família onde vão viver Celia, Arthur e os seus filhos, tendo de enfrentar um passado e um presente com duas mortes perturbadoras, a reduzida tolerância religiosa e o papel subalterno das mulheres... mesmo quando os maridos são notoriamente perigosos.
Lori Roy (com site aqui) recebeu em 2011 o Prémio Edgar Allen Poe para a melhor primeira obra com "Bent Road" e está anunciado para Junho o seu segundo livro, "Until She Comes Home".
"Bent Road", uma história que liga habilmente o drama familiar e o "thriller", não está publicado em Portugal e já foi comprado para o cinema, nos EUA.