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sexta-feira, 3 de junho de 2016

Mais algumas traduções minhas entretanto publicadas




("Work, Sex and Power - The Forces That Shaped Our History")
Temas e Debates - Círculo de Leitores



("Das Mona Lisa Virus")
TopSeller




("The Residence - Inside the Private World of the White House")
Vogais


("Finding Jesus")
Vogais





("How We Got to Now")
Clube do Autor



("Genesis")
TopSeller



("Colossus - The Rise and Fall of the American Empire")
Temas e Debates - Círculo de Leitores




domingo, 4 de outubro de 2015

"Colosso", de Niall Ferguson



 
Os EUA foram sempre um império, pode ser preferível um imperialismo americano consciente embora os constrangimentos sobretudo financeiros dificultem esse papel e, enquanto continuar a existir, o império americano será sempre, de algum modo, disfuncional.
Esta é tese, logicamente aqui muito resumida, de "Colosso - Ascensão e Queda do Império Americano" (ed. Temas e Debates, minha tradução), do académico e investigador inglês Niall Ferguson, um trabalho extenso e muito estimulante sobre o papel dos EUA no cenário mundial e a influência que exerce em quase todos os domínios, além da sua situação financeira e económica e o seu relacionamento com a China.
O que Niall Ferguson defende pode ser muito controverso para quem olhar com preconceito para a questão do poder "imperial" dos EUA e, até, para a maneira como este país se arriscou em certas circunstâncias internacional porque os outros se puseram de parte, mas o raciocínio e a argumentação sólidos e muito convincentes.

domingo, 19 de julho de 2015

"Perversões", de Jesse Bering

 
 "O que o leitor vai descobrir ao longo destas páginas é que tem muito mais em comum com o pervertido normal do que pode pensar. Nestas vou partilhar consigo uma nova e florescente ciência da sexualidade humana, que revela como o 'desvio sexual' é de facto menos desviante do que pensa a maioria de nós..."
O aviso é do autor de "Perversões", Jesse Bering, professor de Psicologia, no início desta obra invulgar sobre os comportamentos sexuais desviantes.
Invulgar pelo ponto de vista, que convida a encarar de maneira diferente muito do que hoje pode ser classificado como parafilia (e tantas que elas são!), e pelo estilo.
"Perversões" está escrito com um bom humor sadio e provocante e Bering, que não esconde as suas preferências sexuais, afasta-se de qualquer tom mais doutoral para, utilizando a ciência, analisar um tema que continua a ser bastante difícil e partir, em alguns casos, da sua própria experiência.
"Perversões" consegue, com isso, ser não apenas um ensaio bem sustentado e que faz pensar como também uma obra de descoberta de uma das facetas da sexualidade humana que se lê como quem lê uma história, mas não dessas em que o leitor pode ter ficado a pensar...
"Perversões" é uma tradução minha para a Temas e Debates e para o Círculo de Leitores.

quinta-feira, 2 de abril de 2015

"O Diário de Mary Berg"


 
 
Miriam Wattenberg tinha 15 anos quando, em Outubro de 1939, fugiu, com os pais e a irmã, da cidade polaca de Lodz para Varsóvia. 
Os alemães tinham acabado de invadir a Polónia e a prioridade inicial foi a sobrevivência. Depois, quando conseguiram regressar a Varsóvia e já sob o domínio nazi, a prioridade da família Wattenberg alterou-se, ligeiramente. Era necessário, percebe-se, esperar, ir sobrevivendo a cada dia e confiar no fim da guerra. Apesar das fronteiras cada vez mais apertadas do gueto, apesar do terror nazi, apesar da fome, apesar da morte, ocasional e programada.
Por a mãe ter a nacionalidade americana, Miriam conseguiu escapar ao gueto. Levou consigo, na viagem para os EUA, os fragmentos do seu diário, que foi publicado pela primeira vez em 1945.
"O Diário de Mary Berg" (nome adoptado por Miriam a certa altura), título que depois se generalizou e que é publicado agora em edição portuguesa, é uma crónica dos dias de vida e de morte na Varsóvia judaica, um relato impressionante de um quotidiano que, por estranho que possa parecer, ainda conseguia reproduzir os comportamentos e as posturas sociais de uma época em que não se pensava que fosse possível a barbárie nazi.
E é nesse contraste, entre o dia-a-dia relatado pelos olhos da adolescente Mary e aquilo que nós sabemos, ou descobriremos, que vai acontecer, que se ergue esta narrativa por vezes comovedora e que termina numa terrível nota de esperança à chegada ao porto de Nova Iorque, a seguir ao relato impressionante da revolta do gueto de Varsóvia. Trazendo consigo, na limpidez do texto, a maior de todas as interrogações: porque é que isto aconteceu?  E conseguiremos nós verdadeiramente responder? (Ed. Vogais/20|20, tradução minha.) 

domingo, 29 de março de 2015

Má fé e falta de seriedade?


Em meados de Novembro do ano passado recebi uma proposta de trabalho de uma editora que designarei apenas por Z., para traduzir uma história fantástica para adolescentes. Propunham-me que o fizesse em Janeiro (deste ano) e que o pagamento (propondo eu o valor) seria pago a 90 dias. Ou seja: três meses. Aceitei as condições e fiz um preço razoável, que foi aceite.

Poucos dias depois, a Z. perguntou-me se poderia traduzir o segundo livro da série, logo a seguir ao primeiro, e que propusesse igualmente o valor.
Assim fiz, juntando os dois trabalhos mas alterando a forma de pagamento. Porque receber o pagamento das duas traduções a 90 dias seria equivalente a estar quase quatro meses sem receber nada.
 
A Z. pediu-me também uma proposta para a remuneração e eu fiz um desconto global de 10 por cento, propondo 4 pagamentos com intervalo de 30 dias a partir do 30.º dia da entrega. Aceitaram. Pedi um contrato com os pormenores todos. Disseram que o fariam.

Ao mesmo tempo aceitei o convite para ir, em 1 de Dezembro, a uma reunião com a editora, pensando até que nessa altura já haveria contrato para assinar. A reunião de pouco serviu e, quanto ao contrato, garantiram-me que mo enviariam.

 
A questão do contrato era especialmente significativa porque não conhecia a editora, em termos de funcionamento, nem as suas dirigentes. Podendo não servir para nada no que se refere ao pagamento (já houve situações difíceis mesmo com contrato), era importante também para aquilatar da seriedade da entidade que queria contratar os meus serviços.


 
O mês de Dezembro passou, no entanto, sem contrato. Por alturas de 20 avisei que, não havendo contrato, seria difícil começar a trabalhar. No dia 30 telefonou-me uma pessoa da direcção da Z., garantindo-me que haveria contrato, pedindo desculpa por não terem respondido, etc. Eu adiei por um mês a entrega do primeiro livro (para não começar sem a situação se encontrar esclarecida) e fiquei à espera.
 
Apareceu-me nessa altura uma proposta de outra editora, em que comecei a trabalhar, preparando tudo para me dedicar ao tal primeiro livro da Z. logo a seguir.
Mas da Z. nada me chegava.
 
E quando lhe comuniquei que não poderia fazer outra coisa se não adiar também o segundo livro (e sabia que não iam ser publicados em simultâneo, pelo que haveria tempo), a reacção foi praticamente imediata: já não queremos nada, porque é muito tarde para nós, fica tudo sem efeito.
 
E o contrato? Nunca apareceu.

Eis o que se pode concluir: que a minha exigência de contrato serviu para demonstrar a falta de seriedade da editora que queria o meu compromisso (como prestador de um serviço) sem eu ter o compromisso de ser pago por ele, como se quisesse que eu fosse avançando, sempre na esperança de vir a ser pago... sem talvez o vir a ser.


segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

"Robin Williams", de Emily Mortimer

 
Robin Williams, comediante e actor (1951 - 2014), entrou em 70 filmes mas só uma dezena terá tido no nosso país, e noutros, além dos EUA, o destaque justificado.
E mesmo um dos quatro em que entrou no ano passado ("Boulevard", de Dito Montiel), que deve ter sido um dos últimos em que melhor esteve, nem sequer se estreou, ou estreará, em Portugal.
Além disso, a série televisiva que o lançou ("Mork & Mindy", 1978 - 1982) também não passou na televisão portuguesa. 
No entanto, foi pelo cinema que o público fora dos EUA o conheceu porque a sua faceta de comediante, em grandes palcos com transmissão directa pela televisão e nos espaços de comédia "stand up", ficou mais restringida aos países de língua inglesa, devido à especificidade da língua.
Isso explica, por outro lado, a desproporção de reacções sentimentais ao seu suicídio, em Agosto do ano passado.
Este livro sobre o actor, "Robin Williams", da jornalista inglesa Emily Herbert (ed. Clube do Autor, tradução minha, agora publicado), dá-nos, nessa perspectiva, uma visão global do homem e dos diversos problemas que assombraram a carreira desta lenda do "entertainment" norte-americano, com uma mais-valia interessante: a sua filmografia completa, com indicações suplementares sobre os filmes que passaram em Portugal.

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

"Fraturado", de Karin Slaughter: Will Trent parte 2

 E aí está o segundo andamento da história de Will Trent, o dinâmico mas complexado (e agora perceber-se-á um pouco melhor) agente federal das histórias de Karin Slaughter, uma das grandes autoras de "thrillers" dos nossos dias.
"Fraturado" (ed. Topseller, tradução minha) segue-se a "Tríptico" e cria uma nova, e estranha, cena de crime para Will Trent investigar: uma mulher chega a casa, encontra-a arrombada, vê a filha morta e o homem que deve ser o assassino atira-se a ela.
Mas a autora, que desta vez é menos exuberante em matéria de revelações espectaculares, baralha a história, os acontecimentos e as personagens e a intriga desenrola-se talvez mais calmamente, em passos seguros, construindo uma teia sugestiva entre as várias personagens e, não menos importante, a ligação entre Will Trent, a sua nova colega Faith e a terrível Amanda... e a mãe de Faith (relação que será mais desenvolvida nas próximas histórias de Will Trent.
Com a tendência de muitas editoras para só apostarem em autores (e autoras) mais recentes, perdem-se outros nomes, às vezes. Karin Slaughter, que já anda nisto há bastante tempo, merece toda a nossa atenção, graças à dinâmica Topseller.

As vítimas esquecidas do Holocausto



O Holocausto, a hedionda tentativa nazi de exterminar um povo inteiro, não foi apenas feito de campos de concentração, de câmaras de gás, de acções deliberadas de brigadas de assassinos uniformizados e de guetos que não passavam de estações intermédias entre a vida e a morte certa.
Houve uma outra faceta desses tempos que se traduziu numa perda de vidas igualmente grave e também de perda de identidades.
Foram as crianças esquecidas, as crianças judaicas que sobreviveram à ocupação nazi na Europa por passarem por crianças cristãs, acolhidas por famílias cristãs ou apenas escondidas do mundo.
Esta é a realidade retratada pela obra "Memórias do Silêncio" (ed. Vogais, tradução minha), do americano Robert D. Rosen, que a descobriu quase por acaso à mesa de um jantar da Páscoa judaica. Tomando como ponto de partida os relatos autobiográficos de três mulheres que, em crianças, mudaram, de certa forma, de identidade (pessoal e religiosa), o autor abre a porta à revelação de um mundo pouco conhecido mas trágico: estas pessoas não sobreviveram apenas à guerra e ao extermínio (e muitas outras não sobreviveram) como carregam consigo a cruz de, sem terem sofrido os horrores dos campos de concentração, serem tão vítimas do Holocausto como todos os outros sobreviventes. São duas vezes vítimas.
"Memórias do Silêncio" expõe um aspecto menos conhecido da Segunda Guerra Mundial e fá-lo de uma forma hábil: o efeito do mal enraíza-se duranta a leitura e só depois é que se faz sentir com mais força, deixando as recordações bem vivas.

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

A limitação castradora dos "thrillers" clericais


Onze anos antes de "O Código Da Vinci" o ser,
 já "O Quinto Evangelho" o era
 
Imaginemos que a sociedade humana, tal como a conhecemos, era composta por seres humanos possuidores de um factor de cura que os tornava imunes a qualquer tipo de agressão física como, por exemplo, a personagem de BD Wolverine, com a possibilidade extra de se regenerarem a partir de uma simples fragmento de ADN. Não haveria bala, lâmina afiada, explosão, veneno, pancada, fosse o que fosse, capaz de matar alguém.
E onde os seres humanos não pudessem ser mortos, morreria outro elemento da vida humana, o "thriller". O homicídio, o tabu supremo, desapareceria e, com ele, a literatura policial.
Porque ela nunca poderia viver de histórias em que uma pessoa fosse morta para depois regressar à vida, inviabilizando tudo, inclusivamente a descoberta do assassino, que o deixaria de ser.
Os "thrillers" históricos de temática clerical têm esse problema: qual é o mistério? Bom, verdadeiramente nenhum.
Os textos bíblicos, oficiais e apócrifos, e os textos sagrados de outras religiões já têm mistérios suficientes para construir histórias enigmáticas mas no domínio da ficção científica.
Esse foi um dos aspectos que mais me irritou quando li (em 2005 ou em 2006) "O Código Da Vinci": qual era o mistério em torno do Santo Graal que deveria esclarecer-se no fim da história? Nenhum. O Santo Graal existe ou não existe. E daqui não se pode sair.
O que pode ser interessante é imaginar uma origem extraterrestre, por exemplo. Mas isso já empurraria a história para o domínio da ficção científica.
O problema dos "thrillers" clericais é este: a sua limitação castradora de ficarem prisioneiros nos limites das convenções religiosas, das interpretações bíblicas (mas mais do Novo Testamento, mais "normalizado") às particularidades do Vaticano em versão Kremlin.
Os seus seguidores, que tiveram desde pequeninos alguma educação cristã, devem delirar com a sugestão de pecado que as especulações do género lhes trazem.
Tendo lido "O Código Da Vinci", traduzi um romance alemão interessante em 2007, intitulado "Das fünfte Evangelium", de Phillipp Vandenberg ("O Quinto Evangelho", ed. Quid Novi).
Publicado em 1993, "Das fünfte Evangelium" era demasiado parecido com "O Código Da Vinci" (que saiu em 1994). A literatura e a cultura alemãs são mal conhecidas fora da Alemanha e é natural que as semelhanças não tenham sido muito notadas.
E se não posso falar em plágio (compreendendo, coitados, que os autores do género também não têm muito por onde escolher), o caso de "Das fünfte Evangelium" só confirmou a péssima opinião que me deixou "O Código Da Vinci". E foi o suficiente para me vacinar contra o género e contra os imitadores de Dan Brown que pela sua vacuidade, verdade seja dita, também não consegue ser imitado senão por quem também nunca teve estilo.



A demanda do Santo Graal é muito mais interessante
quando é conduzida por Indiana Jones





quinta-feira, 11 de setembro de 2014

"Porque Não Existe o Mundo", de Markus Gabriel



"O facto de o mundo não existir é, por isso mesmo, uma boa notícia. porque isso nos permite concluir as reflexões com um sorriso  libertador. Não há nenhum superobjeto que nos tutele enquanto vivemos mas em enredamo-nos em infinitas possibilidades para nos aproximarmos do infinito. Porque só desta maneira é possível que exista tudo aquilo que existe", escreve Markus Gabriel, quase a terminar a sua obra sobre o mundo... e a filosofia.
Markus Gabriel é alemão e professor de Filosofia com uma vasta experiência na Alemanha, nos EUA e até em Portugal. E esta sua obra mais recente, "Porque Não Existe o Mundo" (que traduzi para a Temas e Debates/Círculo de Leitores), é um ensaio ousado e estimulante, directo (com a economia de pensamento da cultura alemã) e abrangente, reflectindo uma visão atenta às dúvidas eternas da filosofia mas também às realidades culturais de largo espectro dos nossos dias. Ajuda a compreender melhor o mundo que nos rodeia e mostra também a riqueza multifacetada, e de acesso menos fácil por causa da língua, da filosofia alemã.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

"Condenados a Repetir a História", de Bill Fawcett


"Os 100 Grandes Erros da História", o primeiro livro de Bill Fawcett publicado em Portugal (e a que aqui me referi), tinha um tom quase irónico, justificado pela sucessão de erros, asneiras e más ideias de muitos dirigentes históricos ao longo dos séculos.
"Condenados a Repetir a História", o segundo agora publicado, tem um tom mais sério e não será caso para menos, atendendo aos vários aspectos da História que Bill Fawcett analisa.
Começa no Afeganistão (que nenhum outro país consegue verdadeiramente conquistar), passa pelo terrorismo, pelo combate às epidemias, pelas guerras tribais em África, pela vitalidade das línguas que ninguém consegue erradicar (o caso do gaélico na Irlanda) e detém-se, demoradamente, na história das crises económicas.
E esta é a parte mais substancial e mais interessante de "Condenados a Repetir a História", mostrando como as bolhas especulativas, as crises de crédito, as depressões e as recessões e o desemprego a destruição da classe média podiam ter sido evitadas, e ainda poderão, se o que já aconteceu for tido devidamente em conta. Os leitores menos conhecedores dos meandros económicos lerão com espanto, por exemplo, como a bolha das túlipas na Holanda do século XVI antecipou a crise do "subprime".
"Condenados a Repetir a História" é uma tradução minha para o Clube do Autor.

quinta-feira, 3 de abril de 2014

"A História dos Judeus", de Simon Schama: uma obra admirável

"A História dos Judeus", do historiador Simon Schama, é mais do que uma história, é mais "story" ("The Story of the Jews") do que "history" (mas a língua portuguesa não consegue acompanhar a diferença). É uma narrativa vibrante, é o que talvez devessem ser todos os livros sobre a História, uma narrativa apaixonante sobre a história de um povo, combinando um impressionante rigor científico com uma fluência admirável.
Simon Schama, autor de muitas outras obras históricas, faz o retrato da primeira parte dessa viagem que começa no ano 1000 a.C. e que vai até 1492 d.C., no período mais sombrio da perseguição aos judeus na Europa dessa época, partindo de um sugestivo ponto de vista: é a palavra, escrita e dita, que sustenta o judaísmo.
Simon Schama, judeu, não esconde nem renega as suas origens e o tom quase épico da sua história (que ilustra os pormenores e os principais motivos dessa vergonhosa perseguição) é depois bem amparado, cientificamente, por uma colecção pormenorizada de notas, bibliografia, mapas, uma cronologia e imagens.
Com o segundo volume previsto para o final deste ano, "A História dos Judeus" é acompanhado por uma série televisiva (de que aqui já falei) que complementa, sem nunca se sobrepor ou substituir, a obra literária.
Publicado em Portugal pela Temas e Debates/Círculo de Leitores, "A História dos Judeus - Encontrar as Palavras" foi uma das minhas traduções mais recentes.

domingo, 9 de março de 2014

Reflexões sobre a literatura "policial" (13): o falso culpado e o falso inocente

A assassina B. A Polícia detém A, reúne as provas que mostram ser ele o assassino e (no caso português) o Ministério Público acusa A de assassínio de acordo com os preceitos legais. A é levado a julgamento. É declarado culpado... ou inocente. Esta é a situação da vida real.
Na ficção policial (consideremos a literatura e o cinema), como é que se transforma isto numa boa história?
Não há muito por onde escolher, segundo as regras do "thriller":
(a) a descrição pormenorizada e emocionante do julgamento, aceitando a bondade da acusação;
(b) a revelação, por uma nova investigação e recolha de provas, de que A estava inocente (é muito mais raro o contrário);
(c) introduzir uma reviravolta à vigésima quinta hora, onde fica demonstrado que o acusado é mesmo culpado - passado o julgamento (e transitado em julgado o acórdão, de tribunal colectivo, no caso português, embora ficcionalmente haja pouco tempo para os prazos processuais), ter A, que foi absolvido, a confessar ao advogado de defesa que afinal foi ele o assassino, ou a cometer uma distracção que leva o seu advogado de defesa a perceber isso mesmo: A matou, é culpado mas foi absolvido porque conseguiu arranjar maneira de o tribunal acreditar na sua inocência.
No caso do falso culpado e do falso inocente, a a tendência, à falta de melhor, é, repetindo as soluções se não há imaginação para mais, pôr-lhes roupagens bonitas ou diferentes. Perde-se a originalidade mas, claro, não há plágio. Será, mais bondosamente, uma espécie de "déja vu" literário. Quem não conhecer os antecedentes tende a ficar em estado de maravilhamento.
Em 1996 o filme "A Raiz do Medo" ("Primal Fear") definiu tudo o que havia para definir nesta matéria. Eu, como autor de "thrillers", nunca exploraria (nem explorarei) o tema do falso inocente, apesar de já pouca gente se lembrar do filme. 

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

"The Story of the Jews", de Simon Schama

É possível que não tivesse comprado muitos dos livros que tenho traduzido por não dispor de informações sobre eles e não fazerem parte, automaticamente, da minha lista de autores a seguir. 
E há livros que, felizmente, por obrigação de traduzir, se transformam desse modo também em leituras aliciantes. 
"The Story of the Jews" (o primeiro volume, "Finding the Words"), do historiador inglês Simon Schama, é um deles e o mais recente e, sem dúvida, uma das leituras mais exaltantes do conjunto de obras que me têm sido propostas para traduzir.
Do livro em si falarei quando for publicado (a tradução foi entregue há cerca de três semanas) mas é impossível não reter aqui a impressão indelével da qualidade da investigação e da escrita de Simon Schama e do modo como conta a história do judaísmo.
"The Story of the Jews" é um projecto em duas vias, em dois volumes (o segundo, "When Words Fail", sairá em Outubro em Inglaterra) e numa mini-série documental, feita para televisão, em cinco episódios. E onde o texto escrito segue a História e os seus momentos mais importantes, a série tem um alcance também sociológico, nada linear mas, por isso mesmo, igualmente excepcional.
Simon Schama, que escreve de uma forma notável, é também um extraordinário comunicador e segui-lo, nas suas deambulações pelo mundo, é um prazer. Não escondendo a sua origem judaica, e recorrendo à sua própria experiência e às suas próprias reminiscências, Simon Schama termina o périplo desta sua jornada em Israel, com uma nota comoventemente crítica, dizendo-nos tudo o que há dizer sobre a história dos judeus e do judaísmo.
A série, disponível em DVD com legendas apenas em inglês, é, em simultâneo, uma boa introdução e um complemento quase indispensável à edição em papel.




domingo, 17 de novembro de 2013

"Divergente" - o filme-anúncio

Já está disponível o filme-anúncio de "Divergente", o filme baseado na trilogia da jovem americana Verónica Roth.
 
 
São dois minutos e meio que ilustram muito bem o ambiente da história, que começou a ser editada em Portugal pela Porto Editora, com "Divergente", "Insurgente" (ambos traduzidos por mim) e, no próximo ano, "Allegiant".
Os pormenores sobre o filme podem ser encontrados aqui.
Com estreia já marcada para Março de 2014, não parece, no entanto, garantida a sua exibição em cinema em Portugal.

domingo, 20 de outubro de 2013

"Tríptico", de Karin Slaughter: um "thriller" perfeito

 
 
 
 
 
"Tríptico", da norte-americana Karin Slaughter, que acaba de ser editado em Portugal, é de certa forma uma dupla estreia.
É-o, em primeiro lugar, por ser o regresso de uma das melhores e mais profícuas autoras de "thrillers" à edição portuguesa e com uma das suas melhores obras; e é-o, depois, por ser o livro que marca a entrada em cena do seu herói Will Trent, que parece ter-se sobreposto à sua personagem inicial, a médica Sara Línton, nas histórias mais recentes.
"Tríptico" é uma obra excepcional, pelo menos por dois motivos. Por um lado, pelas suas personagens, habilmente caracterizadas, das quais três  regressarão noutras histórias.
Will Trent, Angie Polaski e Amanda Wagner, a chefe de Trent, têm vidas interligadas, cujos pormenores vão surpreender os leitores, desde logo neste livro até outra obra mais recente, em que se fica a conhecer a origem do relacionamento contraditório de Trent e de Amanda ("Criminal"). 
E, por outro, pelo modo como a história é narrada - há um "serial killer" e a revelação da sua identidade, que pode parecer descoroçoante, é um momento extraordinário de uma narrativa aliciante que nunca perde o dinamismo ou a capacidade de impressionar.
Ponham de lado por um momento, leitoras e leitores, as muitas autoras estrangeiras que vão aparecendo no mercado português e prestem toda a vossa atenção a este "thriller" perfeito.
A dinâmica Topseller já tem em carteira mais obras de Karin Slaughter (da série que começou com Will Trent e onde entrará mais tarde a traumatizada Sara Línton) e a próxima respeita a sequência original: "Fractured".
 
Karin Slaughter
Informações sobre a autora
e as suas obras
em www.karinslaughter.com

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
(A tradução de "Tríptico" é da minha autoria e este pormenor e o facto de a Topseller estar a editar actualmente as minhas obras pode tornar recomendável esta "declaração de interesses", que não me coíbe de, com toda a liberdade, acrescentar um aplauso muito especial para a opção dos seus editores de trazer Karin Slaughter à convivência com o público português.)




sexta-feira, 30 de agosto de 2013

"É preciso acreditar!", de Matthew Hutson




 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
"É Preciso Acreditar!", de Matthew Hutson, é uma obra notável sobre o pensamento mágico, em que o autor define sete leis aplicáveis ao modo como o ser humano encara a sua relação com o mundo e as suas complexidades: "Os objectos têm uma essência", "Os símbolos têm poder", "As acções têm consequências diferidas", "A mente não tem limites", "A alma continua a viver", "O mundo está vivo" e "Tudo acontece por um motivo".
Intitulado no original "The 7 Laws of Magical Thinking" ("As 7 Leis do Pensamento Mágico"), é um livro escrito com humor e num estilo vivo,  da autoria de um jornalista especializado em assuntos científicos com formação universitária em neurociência cognitiva.
"É Preciso Acreditar!" foi uma tradução minha para a editora Clube do Autor.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

"A Arte de Pensar com Clareza", de Rolf Dobelli

 
Gestor e autor de alguns romances não publicados em Portugal, o suíço Rolf Dobelli analisa nesta sua obra 52 erros de raciocínio tão frequentes que... nós todos já cometemos algum deles durante a nossa vida e já vimos alguém cometê-los.
"A Arte de Pensar com Clareza" (que traduzi para a Temas e Debates) não é um manual maçador nem um compêndio psicológico sobre o nosso modo de pensar.
É, sim, uma descrição certeira que explica, de modo sucinto mas directo e às vezes com muita graça, os erros inventariados, recomendando alguns meios de o evitar.
A tarefa do autor é ajudada pela sua formação técnica e científica e pela sua experiência do mercado de capitais, o que lhe dá um rigor de análise muito preciso.
Com algumas notas de humor, valorizadas pelas ilustrações, "A Arte de Pensar com Clareza" lê-se bem e com muito proveito, ajudando a evitar erros de pensamento e, o que é sempre mais interessante, a descobri-los no comportamento alheio.

sábado, 18 de maio de 2013

"Insurgente", de Veronica Roth

 "Divergente", da jovem norte-americana Veronica Roth, era interessante. E "Insurgente", o segundo andamento da sua trilogia de ficção científica para o segmento de público dos jovens adultos, é ainda melhor, esclarecendo alguns mistérios da sua trama enigmática e deixando muitas portas abertas para o que poderá seguir-se.
No centro da história está uma adolescente determinada, que adopta o nome de Tris quando opta por uma das cinco facções em que se estrutura o seu mundo, apesar de ser "divergente" e não se enquadrar em nenhuma delas. O terceiro volume deverá mostrar-nos como é realmente o mundo de Tris e a sua publicação está prevista para Outubro deste ano, nos EUA, correndo diversos rumores quanto ao título, que se mantém por anunciar ("Convergente" parece ser o mais comum).
"Divergente", o filme (possivelmente o primeiro de uma trilogia), já tem estreia marcada para 21 de Março de 2014 nos EUA e na Inglaterra e os pormenores, incluindo intérpretes e duas fotografias bem sugestivas, encontram-se aqui.
"Insurgente" foi publicado pela Porto Editora e a tradução é minha.

sábado, 29 de dezembro de 2012

As minhas traduções (2007 - 2012)


Jeder Tage, Jede Stunde, Nataša Dragnić (Cada Dia, Cada Hora, Porto Editora, Outubro 2012)
Everlasting, Alyson Noël (Infinito, 1001 Mundos/Asa, Outubro 2012)
100 Mistakes That Changed History, Bill Fawcett (Os 100 Grandes Erros da História, Clube do Autor, Julho 2012)
Shimmer, Alyson Noël (Luz Breve, 1001 Mundos/Asa, Julho 2012)
Summer Sisters, Judy Blume (Summer Sisters, Asa Julho 2012)
Ape House, Sara Gruen (A Casa dos Primatas, Asa, Julho 2012)
Divergent, Veronica Roth (Divergente, Porto Editora, Maio 2012)
Forensic Science, Alex Frith (Crime sob Investigação, Texto, Abril 2012)
Das Raucher Buch, Ruediger Dahlke (O Livro do Fumador, Pergaminho, Março 2012)
Und Plötzlich Wieder Single, Gina Kästele (De Repente Outra Vez Single, Pergaminho, Março 2012)
Night Star, Alyson Noël (Estrela da Noite, 1001 Mundos/Asa, Novembro 2011)
Immortal, P.C. Cast et al. (Imortais, 1001 Mundos/Asa, Agosto 2011)
Where Good Ideas Come From: The Natural History of Innovation, Steve Johnson (As Ideias que Mudaram o Mundo, Clube do Autor, Julho 2011)
Dark Flame, Alyson Noël (Fogo Negro, 1001 Mundos/Gailivro, Junho 2011)
Shift, Tim Kring e Dale Peck (A Viagem, 1001 Mundos/Gailivro, Junho 2011)
Metro 2033, Dmitry Glukhovsky (Metro 2033, 1001 Mundos/Gailivro, Fevereiro 2011)
Radiance, Alyson Noël (Claridade, 1001 Mundos/Gailivro, Fevereiro 2011)
Shadowland, Alyson Noël (Terra Sombria, 1001 Mundos/Gailivro, Janeiro 2011)
Blue Moon, Alyson Noël (Lua Azul, 1001 Mundos/Gailivro, Novembro 2010)
The Exorcist, William Peter Blatty (O Exorcista, 1001 Mundos/Gailivro, Outubro 2010)
Horns, Joe Hill (Cornos, 1001 Mundos/Gailivro, Outubro 2010)
Awesome Animals, Lynn Huggins-Cooper (Animais Espantosos, Texto, Setembro 2010)
The Story of Painting, Abigail Wheatley, (A História da Pintura, Texto, Maio 2010)
Pride and Prejudice and Zombies, Jane Austen e Seth Grahame Smith (Orgulho e Preconceito e Zombies, 1001 Mundos/Gailivro, Abril 2010)
Evermore, Alyson Noël, (Eternidade, 1001 Mundos/Gailivro, Abril 2010)
World War Z, Max Brooks (Guerra Mundial Z – O Relato da Guerra dos Zombies, 1001 Mundos/Gailivro, Março 2010)
Ancient Rome, Simon Baker (Roma – Ascensão e Queda de um Império, Casa das Letras, Novembro 2009)
How to Write Reports, Anne Faundez (Como Escrever Artigos, Texto, Julho 2009)
How to Write Letters and Emails, Celia Warren (Como Escrever Cartas & E-mails, Texto, Julho 2009)
How to Write Poems, Wes Magee (Como Escrever Poemas, Texto, Julho 2009)
How to Write Storys, Celia Warren (Como Escrever Histórias, Texto, Julho 2009)
Hurry Down Sunshine, Michael Greenberg (Até ao Amanhecer, Planeta, Julho 2009)
The House on Sugar Beach, Helene Cooper (A Casa da Praia do Açúcar, Quid Novi, Abril 2009)
Superclass, David Rothkopf (Superclasse, Quid Novi, Outubro 2008)
Nobody Knows, Amanda Taylor (Ninguém Sabe, Quid Novi, Julho 2008)
The Dragon and the Foreign Devils, Harry G. Gelber (O Dragão e os Demónios Estrangeiros, Guerra e Paz, Julho 2008)
The Human, the Orchid and the Octopus, Jacques Cousteau (O Homem, a Orquídea e o Polvo, Difel, Maio 2008)
Alliance, Jonathan Fenby (Aliança, Quid Novi, Março 2008)
Das Fünfte Evangelium, Philipp Vandenberg (O Quinto Evangelho, Quid Novi, Março 2008)
Palestine – Peace not Apartheid, Jimmy Carter (Palestina – Paz, Sim. Apartheid, Não, Quid Novi, Abril 2007)

(Esta lista de 40 livros já publicados não inclui traduções que ainda aguardam publicação.)