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terça-feira, 3 de setembro de 2013

"No Man's Nightingale", de Ruth Rendell


Não é necessário mais do que "No Man's Nightingale" para demonstrar que Ruth Rendell é melhor do que Agatha Christie e P.D. James juntas - e talvez mesmo a melhor de todas as autoras (e autores) de "thrillers". É uma delícia ler mais esta história, acabadinha de publicar, do inspector Reginald Wexford, inconformadamente reformado, que parte de um crime tão desengraçado como o estrangulamento de uma vigária da Igreja de Inglaterra para evoluir para uma intriga tão complexa e, no fim, tão simples.
Ruth Rendell é também uma observadora atenta e interveniente das particularidades sociais da sociedade britânica e "No Man's Nightingale" também o revela, mais uma vez, para nosso supremo deleite.
E não, não há em português, porque as editoras desistiram dela já que os seus livros não se vendiam...

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

"The Saint Zita Society", de Ruth Rendell

Ruth Rendell não é apenas, e talvez nunca o tenha sido mesmo que não se invoque o seu "alter ego" Barbara Vine, uma autora apenas de "policiais".
Nos seus livros há um retrato paciente da sociedade britânica e uma segunda leitura das suas obras - porque à primeira leitura é quase impossível fugir à pressão de saber o que se vai passar a seguir -, dos casos de Wexford ao mais recente "The Saint Zita Society", permite ter um retrato da evolução social, económica e até política de Inglaterra.
O recentíssimo "The Saint Zita Society" é, mais do que um "thriller",  uma crónica de costumes, com crimes diversos e uma teia de personagens onde triunfam as pessoas piores e tombam as melhores, com um fim em aberto... tão em aberto como as próprias vicissitudes da sociais e individuais. E lê-se de um fôlego.
Com 82 anos, Ruth Rendell, baronesa Rendell, membro da Câmara dos Lordes e apoiante do Partido Trabalhista, autora de mais de seis dezenas de romances, é uma das mais extraordinárias escritores de sempre e é pena que se tenha transformado numa desconhecida em Portugal, porque - segundo fonte bem informada - deixaram de ter os favores do público comprador de livros. Talvez por as suas obras serem apresentadas como "policiais"?

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Ruth Rendell está de volta… e Wexford também

Ruth Rendell, a melhor escritora de “thrillers” de toda a literatura está de volta com “The Vault”.
Nesta nova história, o inspector Wexford reformou-se e anda a passear, com a mulher, entre a sua casa de Kingsmarkham e a casa de uma das filhas em Londres, e acaba a ajudar um antigo colega ao serem descobertos quatro corpos numa casa de Londres – a mesma casa onde foram escondidos os três cadáveres do romance “A Sight For Sore Eyes” (1998) e a que entretanto se juntou um quarto.
“The Vault” é uma criação extraordinária, no modo como se interliga com “A Sight For Sore Eyes” e como, num processo quase irónico, Ruth Rendell estabelece a ligação entre as duas histórias. E é um abençoado regresso, depois de a autora ter decidido pôr fim à série. O inspector Wexford é uma das grandes personagens da “literatura policial” e, mesmo reformado, pode continuar a entreter os muitos fãs de Ruth Rendell. Além do mais, “The Vault” tem uma vantagem adicional: funcionando de modo independente relativamente a “A Sight For Sore Eyes”, convida à releitura deste livro. Com o mesmo prazer da primeira leitura.
Ruth Rendell, fotografada para "The Guardian" por Murdo Macleod

E, a propósito, o que é pena que, há que repetir o lamento do costume: Ruth Rendell (mesmo com o “alias” de Barbara Vine) desapareceu da edição portuguesa, talvez por não estar na moda ou por não ser sueca ou porque a memória é curta e os conhecimentos também, ou porque, simplesmente, há muita gente distraída.

sábado, 30 de abril de 2011

"Tigerlilly's Orchids", de Ruth Rendell

Ruth Rendell é, à sua maneira, uma das mais lúcidas cronistas do quotidiano britânico. Sem desvirtuar uma boa história, sem se afastar muito do "thriller", com ou sem Wexford, mesmo quando escreve como Barbara Vine, embora livros mais recentes (como este "Tigerlilly's Orchids", o anterior "Portobello" e o excepcional "The Water's Lovely") sugiram que Barbara Vine já não tem muita razão de ser. "Tigerlilly's Orchids" tem três casas por cenário e é um retrato em mosaico de pessoas e ambientes. E de crimes, pequenos e grandes. Numa narrativa suave que se lê sem parar. Por motivos que se desconhecem, Ruth Rendell (já com dezenas de obras publicadas e com um fulgor criativo e narrativo que ultrapassa a monótona P. D. James) parece ter sido deixada de publicar em português, o que é de lamentar.

(Publicado no Facebook em 5.11.10)