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domingo, 5 de julho de 2015

"The Flash": um triunfo


A série "The Flash", cuja primeira temporada terminou hoje na RTP, é do melhor que já foi feito na transposição do universo dos super-heróis (da banda desenhada) para o audiovisual, do conceito da série às suas várias histórias e ao "arco" destes 23 episódios, passando pela definição e composição das personagens e pelos efeitos especiais.
A Marvel pode estar a ganhar pontos no cinema (apesar de insistir muito no formato da "arte e porrada" com os Vingadores, Thor e o Capitão América) até agora mas a DC (sob a hábil direcção de Greg Berlanti, de "Arrow" e dos futuros "Legends of Tomorrow" e "Supergirl") ganhou muito mais com o triunfo de "The Flash" e com a sua meticulosa e inteligente construção.




terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Uma obra-prima anónima

 
Apesar de ter havido alguns "crossovers" em papel que juntaram, normalmente em confronto, super-heróis da DC e da Marvel, é pouco provável que vejamos estes encontros, que nunca poderiam deixar de ser épicos, no cinema.
Mas um fã que dá pelo nome de Alex Luthor resolveu fazer o seu próprio "crossover" e o resultado, reunindo imagens habilidosamente editadas, de filmes e episódios de televisão, põe, por exemplo, o Super-Homem em luta com o Hulk, o Homem de Ferro em combate com o Batman e, entre outras preciosidades, a Mulher-Maravilha a enfrentar o ladino Rocket Racoon.
É, à sua maneira, uma pequena obra-prima. Podem ver, com explicações adicionais, aqui.
Ou directamente aqui:
 




quinta-feira, 15 de maio de 2014

A propósito de "Arrow": DC, 2 - Marvel, 1

Homem de Ferro, Thor, Capitão América, os Vingadores, e o Hulk. Grandes filmes, grandes projectos cinematográficos, concebidos pela própria Marvel como um plano em várias fases, combinando o facilmente espectacular (Thor) com histórias mais elaboradas (e mais adultas, no caso do Homem de Ferro). E sem o controlo do Homem-Aranha, do Wolverine e dos X-Men, que em matéria de direitos de cinema, ficaram nas mãos de empresas completamente alheias à Marvel, onde nasceram.
O cinema, no entanto, contrasta com a televisão em séries de imagem real.
"Os Agentes da SHIELD" (transmitida pela Fox em Portugal) é uma série débil, afastada da essência do universo Marvel (os seus super-heróis da banda desenhada), reduzida a uma série de aventuras quase pedestres.
A Marvel venceu no cinema, como até certa altura parece ter vencido na banda desenhada, a sua concorrente, a DC Comics, a proprietária do Super-Homem e de Batman. Foi necessário Christopher Nolan e o seu admirável "reboot" de Batman para trazer para o cinema parte da evolução destes clássicos, na era do Cavaleiro Negro pós-Frank Miller. E se o mais recente "Homem de Aço", de Zack Snyder, não entusiasma (mas, também, não conhecemos todos de ginjeira as origens do Super-Homem?!), o seu "Superman vs. Batman", anunciado para 2016 em despique directo com o terceiro filme do Capitão América, promete.
Até porque a DC começou a trilhar outros caminhos - os da televisão. E é aqui que está a marcar o terreno e de uma maneira inteligente e é capaz de ser essa a via para se afirmar além da banda desenhada.
A série "Arrow" foi a precursora.
 
 

O Arqueiro Verde da banda desenhada e o Arqueiro Verde de "Arrow":
já começam a estar mais parecidos
 
Apresentada em doses duplas no AXN português, "Arrow" revelou-se uma série bem interessante, de início claramente concebida para o público dos "jovens adultos" mas depois começou a ganhar uma nova dimensão, combinando a já habitual história das origens do super-herói (o Arqueiro Verde) com uma espécie de campo de cultivo para o desenvolvimento de outras personagens da DC que se ligam também a outros super-heróis, como a Liga dos Assassinos, de Ra's Al Ghul, Roy Harper/Arsenal, Deathstroke/Slade Wilson, e o Esquadrão Suicida, por exemplo.
E o Flash, claro.
Barry Allen, o Flash, apareceu aliás em alguns dos episódios de "Arrow" e num deles é mesmo encenado o acidente que o transforma no super-herói. E o Flash vai ter também a sua série televisiva, já este ano.
Um primeiro "trailer" conta parte do seu começo mas há outro, mais recente, que cruza criativamente o Arqueiro Verde e o Flash e que, além do mais, é divertido.
 
 
"Nem pisquem os olhos"... é o título deste pequeno "trailer"
 
 
E há "Gotham", ainda.
Gotham é a Nova Iorque de Batman e a série tem como principal protagonista o comissário Gordon, o aliado do super-herói. É uma história de origens, onde já vão aparecer o Pinguim, a Mulher-Gato, o Enigma... e Bruce Wayne, o futuro Batman. O tom do "trailer" é sugestivo, invocando o tom sombrio dos novos "thrillers" televisivos, como se quisesse equilibrar o estilo "jovem adulto" do arranque da série "Arrow" e o que parece ser o de "Flash".
 
 
"Gotham": as origens de Batman no pequeno ecrã
 
 
Com a televisão a garantir uma maior influência do que o cinema, por chegar a públicos mais vastos e durante mais tempo, a DC parece merecer mais a classificação de "casa das ideias" do que, talvez por equívoco, a Marvel recebeu. Só é preciso que "Gotham" e "Superman vs. Batman" não falhem...







sábado, 8 de dezembro de 2012

Os universos paralelos de "The Walking Dead"

É quase impossível a adaptação fiel de uma história em papel ao audiovisual e são numerosos os filmes que o atestam nas mais diversas vertentes: há personagens a mais ou a menos, há cenas que não podem ser filmadas, há fins que deixariam em choque muitos espectadores.
A equipa que adaptou à televisão a série de banda desenhada "The Walking Dead" mandou todas as normas à fava e criou um verdadeiro universo paralelo que se tornou mais evidente na terceira temporada (que agora foi de férias de Natal).
A prisão existe, o malvado patrão de Woodbury também, a mulher de Rick morre mas ao dar à luz e não atravessada (com a filha Judy) pelas balas do Governador e Tyreese (Chad Coleman, o Cutty de "The Wire"), o denodado "compagnon de route" de Rick só agora apareceu e Rick ainda tem os dois braços.

 
 
O resultado é interessante de acompanhar e quem conhece o desenvolvimento da história (que tem estado a ser publicada, na íntegra, nos monumentais e imponentes "Compêndios") depara-se na televisão com pequenas alterações que, por comparação, são estimulantes, com os argumentistas a porem as personagens a trilharem caminhos diferentes da banda desenhada para chegarem, no entanto, ao mesmo destino.
Esta opção não é, porém, nada desinteressante e também ajuda a fazer de "The Walking Dead" uma das grandes séries de televisão dos nossos dias, lugar que já lhe estava garantido pela transferência da temática dos "zombies" para o horário nobre das televisões... com todos os matadores, como se costumava dizer.
A propósito, para quem quer conhecer a história original, a editora Image está a reuni-la nas colectâneas a que chamou "Compêndios", com alguns milhares de páginas e vários quilos de peso. Não é fácil manusear estes volumes (lê-los na cama é impossível) mas a leitura da BD assim de empreitada mostra que, a esse nível e apesar do desenho por vezes quase esquemático e a preto-e-branco, "The Walking Dead" é também uma obra genial de banda desenhada.