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domingo, 21 de agosto de 2016

E o vinho sabe a...


Maçã verde e pão
Brioche
Rebuçado
Pétalas de flores
Pedra raspada
Espargos e talo de couve
Pederneira
Mato seco
Crocante
Aço e pólvora
Borracha
Poejo
Cacau preto
Fumo
Carne
Toffee
Fósforo
Amêndoas torradas
Caroço e pele de pêssego
Melancia
Mentol
Massa de pimentão
Tinta-da-china
Licor de capilé
Alcatrão
Marroquinaria fina
Pimenta branca.

É a estas coisas, numa escolha aleatória ao correr de várias páginas, que o vinho sabe.
Não há que enganar: está nas notas de provas de algumas dezenas de vinhos que aparecem na edição deste mês da "Revista de Vinhos". E se os especialistas o afirmam, como é que alguém o pode negar?...




domingo, 15 de novembro de 2015

É assim que se promove o vinho num restaurante

 
Uma carta de vinhos com todas as regiões vinícolas do continente representadas (de Trás-os-Montes ao Algarve) com notas gerais sobre cada uma delas e as castas e anos de colheita de cada vinho, com um vasto leque de digestivos (incluindo uma boa representação de aguardentes bagaceiras), espumantes e champanhes); um armário com praticamente todas as garrafas bem à vista e um outro armário com os digestivos e copos adequados. E a carta está disponível na internet, no site do restaurante, aqui.
É assim que se promove o vinho num restaurante, a fazer lembrar (numa versão adaptada aos novos tempos) a mítica carta de vinhos do lisboeta Isaura. 
E o restaurante é o Naco na Pedra, em Salir do Porto (Caldas da Rainha), um dos meus restaurantes preferidos deste concelho, que tenho elogiado pelas suas muitas qualidades, pela simpatia e profissionalismo do serviço e pela capacidade de resistência que os seus responsáveis têm demonstrado.
O esforço feito na composição da carta é de assinalar.
Fugindo ao facilitismo (muito Alentejo, algum Douro, vinhos industriais do Dão), preenche todas as regiões, sobretudo nos tintos mas também nos brancos: Trás-os-Montes (com 9 tintos), Douro (22), Dão (17), Bairrada (8), Beira (3), Tejo (9), Colares (6), lisboa (9), Alentejo (20), Setúbal (11) e Algarve (4). A região dos vinhos verdes talvez seja, comparativamente, a menos representada e, para os apreciadores, até tem uma lista de rosés. E o "vinho da casa", de Figueira de Castelo Rodrigo, pode ser vendido tanto à garrafa como em jarro de meio litro.
No caso do Dão (que conheço muito bem), se há vinhos para descobrir, há também uma presença que é de festejar: os tintos e o branco da Quinta da Fata (Vilar Seco, Nelas, para mim talvez o melhor produtor de vinhos do Dão) estão na lista e quem quiser pode ir confirmar a minha opinião. Só tem a ganhar com isso, se gosta de vinho.



sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Vão-se f...undir!

 
"Aromas de fruta compotada, extração mineral, madeira especiada e bem fundida. Licores. Boca sucrosa, mastigável, alongada, de ampla mesa."
 
"Cor intensa. Bergamota, ameixa madura, achocolato fino, mentolados. Mastigável, alongado e sempre firme. Para mesas exigentes."

 
"Envelhecimento ideal, de pimento grelhado, tabaco, licor de ameixa, esteva. Leve couro e muita especiaria. Elegante, muito fresco, secura sucrosa. Rei na mesa."
 
Estas são, ipsis verbis, três notas de prova (?) de outros tantos vinhos da "feira de vinhos" do Continente.
A leitura de todas elas deve fornecer matéria para grandes masturbações teóricas de algumas pessoas que se especializaram em encontrar os mais variados sabores para o vinho. Aliás, entre as notas de prova habituais nestas (e noutras) coisas e estas vai uma evolução: agora a loucura aumentou.
Há quem diga que isto serve para promover o vinho. Eu duvido e o que me apetece dizer perantes estas erudições bacocas é, para usar esta nova terminologia, uma única coisa: vão-se f...undir!

terça-feira, 28 de julho de 2015

Sardinhas



 
Acho que foi quando comecei a vir para esta região (São Martinho do Porto - Caldas da Rainha) que me tornei realmente apreciador de sardinhas, e as que se comem cá em casa vêm, invariavelmente, de uma loja que nunca me decepcionou em matéria de peixe fresco: a Peixaria Chagas, em Alfeizerão.
As de hoje, gordas e grandes, eram mesmo boas e, em segundo plano, está o "companheiro" delas escolhido para o jantar de hoje, um Dão tinto de 2012 da Quinta do Sobral (Santar), que foi perfeito no acompanhamento que fez a estes peixes.

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Onde comer em Caldas da Rainha (e arredores): as minhas recomendações


Naco na Pedra
Salir do Porto, Facebook, www.naconapedra.pt, tel. 262406147/936069473
O Naco na Pedra é, essencialmente, um restaurante de carnes, onde o vasto leque de variedades assenta numa escolha criteriosa e de qualidade segura. António Flores, chef com experiência e criatividade, orienta a cozinha e Cila Moreira também faz, e muito bem, as honras da casa. Tem evoluído ao longo dos anos, sempre para melhor, com um serviço simpatiquíssimo e ambiente agradável, tanto dentro de casa como na esplanada. A lista de vinhos, com renovação periódica, é magnífica (com muitos exemplares que podem ser encontrados na garrafeira Wine Store, perto do restaurante) e muito bem apresentada e a secção dos digestivos tem duas verdadeiras joias que, neste contexto, são de prova obrigatória: aguardentes de Valle Pradinhos e do Mouchão. E o enquadramento de Salir do Porto, uma povoação tranquila à beira da lagoa de São Martinho do Porto, ajuda à beleza da refeição. Não há melhor por aqui e os preços, acima da média, são mais do que justificados.
A minha classificação: Excelente.


















O Recanto
Caldas da Rainha (cidade), www.restauranterecanto.com,
tel. 262 282 559
É um pequeno restaurante de cariz popular, com um magnífico trabalho de cozinha num espaço exíguo onde arranjar lugar é às vezes tarefa impossível (eu costumo telefonar a reservar, à cautela). Há petiscos, pratos que convém encomendar e uma panóplia de pratos excelentes: as enguias (fritas e em ensopado), o cabrito assado (e é difícil fazer melhor!), a "dobradinha" e as iscas, saídas das mãos milagrosas de Maria Fialho, que manda na cozinha. O ambiente é simpático e o serviço é primoroso.  A lista de vinhos é pequena mas pode haver preciosidades na categoria do vinho recomendado e do vinho verde.
A minha classificação: Excelente.


 






O Melro - Pão Quente e Petiscos
Bairro Senhora da Luz, Óbidos, tel. 262 958 083, Facebook
Fica de certo modo na zona de "fronteira" entre Caldas da Rainha e Óbidos, relativamente perto da A8 e a qualidade justifica por inteiro o pequeno desvio. A entrada, de pastelaria, esconde uma sala de refeições acolhedora e de decoração simples mas eficaz, uma cozinha de grande qualidade e um óptimo saber-fazer em matéria de pão (a broa com frutos secos é memorável). Para quem gosta, os caracóis (na sua época) são inexcedíveis mas o melhor, no domínio das carnes grelhadas, são as postas de vitela e as peças de javali e de veado. é uma extraordinária posta de vitela grelhada, que merece todos os elogios, bem como o bife de veado. Há pratos de marisco para os apreciadores. Tem uma boa cerveja própria e uma lista de vinhos muito completa e bem organizada. O serviço é simpático e quase personalizado. Convém marcar.
A minha classificação: Muito bom.





Solar dos Amigos
Salir de Matos, Facebook, www.solardosamigos.com, tel. 262 877 135
A lista é vasta e o ambiente, em geral, é agradável mas o essencial do Solar dos Amigos é a sala grande (a Sala do Cavaleiro) com a lareira aberta onde se grelham as carnes e o bacalhau, e onde se está melhor no tempo mais frio. O bacalhau assado (Tiborna de Bacalhau), é imprescindível para os apreciadores deste peixe. As doses são enormes (pormenor a que convém tomar atenção na altura de pedir) e há vinho a jarro. O serviço é simpático, apesar de a afluência de clientes gerar, por vezes, uma impressão de confusão.
A minha classificação: Muito bom.























A Lareira
Rua da Lareira, n.º 35, Alto do Nobre, Nadadouro, 

A Lareira tem uma particularidade interessante: apresenta, tanto ao almoço como ao jantar, uma ementa de entradas, peixe, carne e sobremesa com alternativas, a um preço bastante moderado, funcionando à margem de uma carta fixa. A qualidade da cozinha é boa e afirma-se bem nesta ementa. A lista de vinhos é imensa, a precisar, no entanto, de ser actualizada e reforçada.  A decoração consegue ser simpática, apesar de alguns exageros neoclássicos. Em tempo mais ameno, A Lareira pode ter um encanto suplementar: uma pequena esplanada protegida, para estar antes ou depois do jantar a beber o café e os digestivos, se o tempo ajudar.
A minha classificação: Bom.


O Poço do Zé
Casais de Santa Helena, http://opocodoze.blogspot.com, tel. 262 949 222
Um restaurante "popular" com um bom serviço de grelhados, uma ementa pequena mas que tem o essencial, uma lista de vinhos esclarecedora e com preços razoáveis e, graças ao bom aproveitamento de uma grande janela, uma vista panorâmica para os campos verdejantes da região e para a Serra de Montejunto. O pessoal é simpático e despachado, atento e dialogante. A sala interior tem uma capacidade razoável mas a posição à janela, sobretudo ao jantar quando a noite chega mais tarde, é excepcional.
Convém reservar.
A minha classificação: Bom.















Taverna do Manelvina
Cruzes, Facebook, www.tabernadomanelvina.com tel. 262 870 014
Apresentando-se como "A casa do grelhado e do aficionado", tem uma sala pequena e uma cozinha duplamente grande, no espaço e na qualidade. Os grelhados, em jeito de rodízio, são realmente bem feitos e a salada com que recebe os clientes (de tomate, com um delicado tempero de ervas) é óptima. A entremeada é uma maravilha e a posta de vitela não lhe fica atrás. O serviço às vezes torna-se confuso, e a sala tem mesas a mais para ser completamente confortável, mas é pelo menos rápido. O vinho a jarro é bom e a refeição encerra com mimos sólidos e líquidos.
A minha classificação: Bom!






quarta-feira, 11 de março de 2015

Vinho com sabor a groselha

 
"Vinho de aroma a frutos vermelhos, taninos  delicados e de final persistente e suave", segundo lê no contra-rótulo do vinho tinto "Beato Nuno" (2011), da empresa Parras Vinhos, de Vilar do Cadaval.
Comprei já não sei bem porquê, aceitei a ausência de referência às castas utilizadas e saiu-me... groselha.
Nem era o adocicado do Cabernet Sauvignon, que detesto, era algo de muito mais arrebitadamente doce, enjoativo e xaroposo.
Não passou de um único gole e não houve quem, com maior tolerância aos sabores doces do vinho, lhe quisesse pegar.








domingo, 25 de janeiro de 2015

"Não beba e caminhe na estrada, que pode ser morto"







Já vi vários avisos sobre a moderação no consumo do álcool mas este é completamente novo: "Don't drink and walk on the road, you may be killed". Ou seja: "Não beba e ande na estrada, que pode ser morto".
É um vinho regional alentejano de Arraiolos que é exportado para a África do Sul.
Terá sido um lapso de escrita ("andar na estrada", mas mesmo assim...) ou algum aviso pensado exclusivamente para África?

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Vinhos do Dão - entre a prova e o beber à borla

A propósito do meu post "Vinhos do Dão - vender marcas ou vinho?", interveio, comentando, Paulo Nunes, da Casa da Passarella (de Lagarinhos, Gouveia), que afirma sobre o que escrevi relativamente à prova de vinhos por parte de compradores (e respeitando a construção original da frase): "Relativamente à prova em 2013 desenvolvemos uma serie de servicos que passam pelas provas e jantares, serviços esses que são pagos como deve compreender, percebemos e entendemos o seu ponto de vista relativamente ao produtor disponibilizar umas serie de vinhos de forma gratuita para prova, no nosso caso isso não acontece, essas provas tem um programa estabelecido o qual tem um custo inerente."
Esta nota é significativa no que se refere ao contacto com os clientes.
O Dão é uma das regiões vinícolas mais antigas de Portugal mas talvez seja uma das menos conhecidas em termos de público, apesar do esforço dos seus produtores, da qualidade generalizada dos seus vinhos e da importância que lhe advém de ser o território de eleição da casta Touriga Nacional.
Não é pela multiplicação de marcas, como escrevi, pela invisibilidade (o site da Casa da Passarella, que pode ser visto aqui, pode ser muito imaginativo mas é praticamente incompreensível) ou pela rejeição dos clientes que o Dão pode ter o destaque que merece.
Muito dos seus produtores têm sensibilidade para conhecer os seus clientes, conversar com eles e perceber a sua curiosidade, o seu gosto e o seu respeito pelo vinho e pelo trabalho dos que o fazem.
Os vinhos do Dão não ganham com garrafas fechadas mas sim com garrafas abertas e com uma política de abertura razoável e amiga do consumidor.
Quando me desloco ao Dão, desloco-me para saber o que há e para comprar o que não se encontra nos supermercados. Não me desloco para beber à borla, porque não preciso, porque respeito o trabalho alheio e porque não é assim que se pode apreciar o vinho.
Se tenho certezas ou algumas informações, tenderei a comprar. Se provar e gostar com certeza que compro. E na Casa da Passarella em 2012 comprei sem provar porque já conhecia os vinhos que aí se fizeram, e faziam, há mais de vinte anos. E até gostei do que comprei, de duas qualidades.
Se os produtores partem do princípio de que quem pergunta se pode provar o vinho quer beber à borla (como se depreende da reacção da Casa da Passarella), está o caldo entornado. Há esse risco mas tem de ser assumido pelos produtores. Porque vender é uma possibilidade e o que está garantido, à partida, é que não conseguirão vender.
E, já agora, uma recomendação à Casa da Passarella: esclareçam bem quais são, como são e o que custam, os "serviços" de "provas" e de "jantares". Apesar de tudo, ainda acredito que os seus vinhos merecem uma maior clareza de propósitos.
 

domingo, 22 de junho de 2014

Vinhos do Dão - vender marcas ou vinho?


"Adro da Sé", "Irreverente", "Invulgar", "Porta do Fontelo", "Dom Divino", "Encostas de Penalva", "Milénio", "O Penedo", "Encostas da Estrela"...
Estas são apenas algumas das marcas de vinho do Dão que encontrei numa pequena visita que fiz à região em quatro adegas cooperativas (Mangualde, Penalva do Castelo, Silgueiros e Vila Nova de Tazem) e na sede da União das Adegas Cooperativas do Dão (Udaca).
Os rótulos, com maior ou menor arte, e os contra-rótulos não distinguem claramente uns vinhos dos outros. E os preços, que variam, também nada dizem. Quanto a provas, é possível provar uma variedade mais corrente em Penalva do Castelo e a Adega Cooperativa de Mangualde tem uma loja onde também é possível provar alguns vinhos. Mas é um sistema em que o visitante fica claramente confundido. O resultado não pode deixar de ser negativo. Interessado no assunto, tomei conhecimento da diversidade nominal da oferta e comprei modestamente uma única variedade de vinho branco corrente em Penalva do Castelo, com base na experiência de outros anos.
Neste aspecto, as adegas cooperativas do Dão (que tiveram, a certa altura, um papel pioneiro) ficam em clara desvantagem perante os vinhos de quinta, onde os visitantes são, em geral, recebidos com muito maior abertura.
E neste sector, com o mais do que merecido destaque para a Quinta da Fata (de Vilar Seco, Nelas), encontrei vinhos interessantes na Quinta do Sobral (Santar, tinto) e na Quinta da Espinhosa (Vila Nova de Tazem, branco)... e um portão fechado na Casa da Passarela em Lagarinhos, Gouveia).
Nestes casos não se multiplicam marcas e denominações, o leque de produtos é correctamente mais estreito e muito mais claro e os produtores, com frequência, deixam provar o vinho (o que não aconteceu na Passarela, noutra visita, há dois anos) e estão acessíveis ao público.

O (bom) exemplo da Quinta da Fata
 
No caso da Quinta da Fata, que muito aprecio e que conheço bem, há apenas três diferenciações para os tintos, mantendo sempre a designação da quinta: Clássico, Reserva e o monocasta Touriga Nacional.
São todos eles vinhos de altíssima qualidade, que falam por si e que não precisam de multiplicar marcas para se afirmarem. O branco, o monocasta Encruzado, cada vez melhor, também não precisa de uma marca específica.
E, a propósito, fica uma referência: o Reserva 2011 da Quinta da Fata, que já pude provar, promete ser um belíssimo vinho do Dão, na linha do Reserva 2009.
Tem o primeiro prémio, e com distinção de excelência, desta jornada vinícola, juntando-se a uma galeria onde brilham o Clássico e o Touriga Nacional 2007, o 2005 (com um Touriga Nacional extraordinário) e o tinto de estreia, de 2003.
 
 
Quinta da Fata: deste já não há mas o tinto Reserva 2011 promete
 

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Preciosidades






Cinco vinhos da Quinta da Fata, um dos melhores produtores dos melhores vinhos do Dão, em prova de apreciadores bem formados e melhor informados:
 
- Quinta da Fata Clássico de 2006 - Muito bom.
- Quinta da Fata Touriga Nacional 2006 (tinto, monocasta) - Muito bom. (Eu, em especial, gosto muito dos Touriga Nacional deste produtor e, na minha opinião individual, atinge o grau de excepcional.)
- Quinta da Fata Clássico 2007 (tinto) - Excepcional.
- Quinta da Fata Reserva 2007 (tinto) - Excepcional.
- Quinta da Fata Encruzado 2012 (branco, monocasta) - Excepcional.


domingo, 27 de abril de 2014

A que sabe o vinho?

Aroma de bolo inglês.
Chocolate.
Compotas.
Mentolado.
Tabaco.
Couro.
Resinas.
Drops de morango.
Alfazema.
Rebuçados e drops.
Notas medicinais.
Iogurte de frutos silvestres.
Ervas secas.
Apimentado.
Notas iodadas.
Eucalipto.
Rebuçado de morango.
 
Estes são apenas alguns dos sabores atribuídos a várias dezenas de vinhos tintos nas respectivas "notas de prova" que ocupam doze páginas de uma revista ("Revista de Vinhos", n.º 293, Abril 2014).
É possível que haja algum motivo científico, ou técnico, para atribuir sabores alheios a vinho mas há qualquer coisa de absurdo nisto.
Aliás, conhecendo alguns dois vinhos citados, nunca lhes encontrei tão estranhas afinidades com sabores tão alheios. E repugna-me a ideia de estar a beber vinho que sabe a mentol, rebuçados, remédios, reinas ou ... iogurte de frutos silvestres!
Este tipo de escrita sobre vinhos parece-me tão apropriado como dizer que o filme "Lawrence da Arábia" é classificável como "torture porn" tipo "Hostel" porque há uma sequência de tortura em que a vítima é o próprio Lawrence ou que a série televisiva "Guerra dos Tronos" é como "O Grande Ditador", de Chaplin, porque tanto num caso noutro há engrenagens metálicas.
Mas moda é moda, claro.

sábado, 16 de novembro de 2013

Regresso a Os Queridos

Gosto do restaurante Os Queridos (um dos dois que frequento com alguma regularidade na Tornada) mas deixei de lá ir há seis meses.
Fiz aqui uma referência à minguada lista de vinhos e ao aumento dos preços da lista e disse que lá voltaria.
E foi o que fiz ontem. A situação mudou, felizmente: a carta dos vinhos aumentou, e parece ter voltado o desejo de promover o vinho, com garrafas à vista (essencial para a escolha) e preços muito mais razoáveis e o bem escolhido, em geral, "vinho da semana".
Triunfou o bom senso, no que é um bom exemplo que bem podia ser seguido por muitos outros restaurantes.
Portanto, regresso aos Queridos.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Mais um grande vinho do Dão


Magnífico!
Tal como o Clássico de 2007, o Clássico de 2008 é um belíssimo vinho tinto do Dão, na linha da qualidade a que a Quinta da Fata já nos habituou. Os seus Touriga Nacional são também excelentes, ganhando com o tempo, e os Reserva serão mais elegantes. Mas os Clássicos são os grandes herdeiros dos melhores vinhos do Dão de sempre.

domingo, 5 de maio de 2013

Um intervalo nos Queridos

Eu gostava do restaurante Os Queridos (na Tornada). Têm uma boa meia-dúzia de pratos que nunca falham e um serviço atento.
E tinham uma boa garrafeira. A lista dos vinhos era pujante, com preços muito convidativos (e servidos sempre com correcção) e numa das salas até se encontravam mais que não constavam da lista e a oferta permitia fazer boas descobertas. E até há pouco tempo apresentavam um "vinho da semana", com bons critérios de selecção.
Só que isso acabou. A lista de vinhos ficou reduzida a duas ou três páginas com uma selecção chocantemente medíocre. Nela já não há nada que distinga este restaurante no que toca aos vinhos. Os preços das garrafas aumentaram. Não muito mas significativamente. E a ausência de vinho tinto a jarro (normalmente uma boa opção quando os preços das garrafas têm tendência para chegar a níveis obscenos ou a selecção é banal) prejudica quem não dispensa vinho à refeição.
Um dia hei-de voltar a Os Queridos na esperança de que a situação se tenha alterado.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Touriga Nacional 2005, da Quinta da Fata: pode haver melhor mas é capaz de ser difícil...



Os vinhos da Quinta da Fata nunca deixam de me surpreender e este voltou hoje a produzir o mesmo efeito.
É um Touriga Nacional de 2005, medalha de ouro da Comissão Vitivinícola do Dão, e era a última garrafa que me restava. 
É um tinto pujante, clássico, que me faz lembrar os grandes e consagrados vinhos da Comissão de Estudos Vitivinícolas do Dão (sobretudo o tinto de 1973, salvo erro) que pude provar e beber numa adega sagrada de São Martinho do Porto onde até o mítico "Barca Velha" teve o seu lugar... sem se conseguir impor aos genuínos tintos do Dão.
Deve ser difícil fazer melhor mas com os vinhos da Quinta da Fata (de Eurico e Maria Cremilde do Amaral, com o devido acompanhamento do enólogo António Narciso) nunca se sabe: há sempre uns que conseguem ser ainda melhores do que outros.
A Touriga Nacional, às vezes extraviada por outras regiões, é a grande casta do Dão e, aqui, não há dúvidas, pela idoneidade de quem o faz e pela meu próprio conhecimento: este monocasta puro e sem misturas é soberbo e não o trocaria por nenhum outro, incluindo o "Barca Velha". As coisas são como são e estão bem assim.


segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Guias de vinhos (2): o que queremos saber


Acho que já comprei guias de vinhos, não sei se dois ou três, e nunca mais tive motivo para o fazer.
O que vi, e não me cativou, foram listas eventualmente exaustivas do que se designa por notas de prova sobre uma grande variedade de vinhos (e, às vezes, nenhuma sobre vinhos que já conhecia) e pouco mais.
Mas não era isso que eu procurava, e procuro, e muito menos as notas de prova que enaltecem os sabores a frutas, tabaco, suor de cavalo ou seja lá o que for que há quem consiga descobrir em vinhos... cujo sabor predominante deve ser a vinho.
Conhecendo muito bem o Dão e as suas características, por exemplo, interessa-me conhecer o que existe no mercado (e onde é que se vende e os preços), como foram feitos os vinhos, as castas e os "terroirs", os locais onde os vinhos podem ser provados e devidamente apreciados antes de os comprar e talvez mesmo o seu produtor e o seu enólogo e, na perspectiva de viajar, restaurantes onde os possa provar... e os produtores que permitem, e organizam, as provas.
Interessa-me saber - tendo presente uma viagem recente ao Dão - quais são as perspectivas dos produtores dos magníficos tintos da Quinta da Fata e o que pensa o seu enólogo, conhecer os projectos da Quinta da Espinhosa, em Vila Nova de Tázem, de onde sai um branco excepcional, perceber o que é que é melhor nas adegas cooperativas de Silgueiros e de Penalva do Castelo, saber o que mudou na Casa da Passarela em Lagarinhos (que ultrapassou uma fase muito má para produzir vinhos que, apenas com base na prova de um dos que tem mais saída, podia estar a ser produzido no Ribatejo ou mesmo no Algarve), ficar devidamente esclarecido sobre as vantagens que tem a Dão Sul de fazer vinhos com uvas de diversas proveniências (que faz com que tivesse sido obrigada a deixar de usar a designação "Quinta de Cabriz" para só usar "Cabriz), o que se perdeu com a entrega da produção das vinhas das propriedades do general Santos Costa, em Alcafache, às Caves Messias, a importância do Centro de Estudos Vitivinícolas do Dão e quais os restaurantes de Viseu e de Nelas onde se encontram boas colecções de vinhos de Dão (como o óptimo Santa Luzia e o careiro Bem Haja).
Mas nada disto, nem em versões resumidas, se encontra nos guias de vinhos. E é pena.

sábado, 3 de novembro de 2012

Touriga Nacional: o perigo da uniformização

 
A casta Touriga Nacional é uma das melhores castas tintas portuguesas, se não a melhor, e, em mistura virtuosa com as outras castas recomendadas para essas regiões, é a que garante a identidade única dos vinhos tintos do Dão e do Douro.
Nestas regiões começou também a ser utilizada como casta única, ou dominante, o que não é a mesma coisa, apesar de os rótulos não serem por vezes muito informativos. E no Dão - onde terá nascido - há belos tintos feitos apenas de Touriga Nacional (são genuínos e magníficos, por exemplo, os da Quinta da Fata, em Vilar Seco, no concelho de Nelas).
O êxito da Touriga Nacional e a sua valorização por parte de segmentos de consumidores deram origem a uma tendência perigosa: tal como antes a muito doce Cabernet Sauvignon era a casta da moda, também a Touriga Nacional começa a ser crescentemente utilizada em tudo quanto é sítio. E no Alentejo, que já tem a sua casta Castelão ou Periquita, torna-se moda, sozinha ou de mistura com a casta Syrah.
É possível que isto assegure mais vendas mas é preocupante constatar que também assegura outra coisa: o desaparecimento da individualidade das regiões e dos seus "terroirs". E, com isso, o vinho tinto torna-se todo ele igual. É um disparate que os produtores e os enólogos mais avisados deviam saber prevenir.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

"Clássico", não - com falta de classe

Já tive em boa conta o vinto tinto de marca Bridão da Adega Cooperativa do Cartaxo, que chegou a manter algumas características do subvalorizado "carrascão" local.
Comprei por isso o Bridão apresentado agora como "clássico", da colheita de 2009, que tem como castas de origem a Touriga Nacional (a grande casta do Dão), a Castelão (ou Periquita, da metade sul do país), a Tinta Roriz (uma das grandes castas do Douro) e a Trincadeira, normalmente residual.
Mas quando o fui provar já não gostei.
O resultado da mistura é mau. Deparei-me com uma espécie de tinto xaroposo, adocicado (mais próprio da casta Cabernet Sauvignon), incaracterístico ou seja: de gosto "à la mode".
Este Bridão não é "clássico", tem é falta de classe!

sábado, 10 de dezembro de 2011

A Touriga Nacional sabe a violeta...?!

Os vinhos feitos com a casta Touriga Nacional têm "aromas florais" e sabem a violeta; os da casta Trincadeira/Tinta Amarela sabem a ameixa-passa e a compota; os da casta Castelão/Periquita sabem a groselha, frutos silvestres e compota; os da casta Aragonês sabem a ameixas, frutos e flores silvestres; e os da casta Alvarinho sabem a avelã e a noz.
Esta sabedoria está derramada num folheto de uma campanha dos supermercados Pingo Doce que parece ter o objectivo de vender vinhos. E digo "parece" porque os exercícios de imaginação a que tanta gente se entrega para pôr os vinhos a saber a tudo menos vinho sugere que a intenção não será bem vender vinho mas talvez... compotas?

sábado, 26 de novembro de 2011

Vinho novo

Há poucos anos, havia empresas que por esta altura lançavam no mercado vinho novo. Lembro-me de um Dão (talvez da Sogrape), de um tinto da Vidigueira (talvez da adega cooperativa local) e de um do Ribatejo. O Dão (designado por "Dão Novo") era o melhor. Agora já não há vinho novo e é pena.
Para matar saudades tenho aqui um "Beaujolais Noveau", comprado num supermercado da cadeia de origem francesa E. Leclerc, que cheira bem...