"Adro da Sé", "Irreverente", "Invulgar", "Porta do Fontelo", "Dom Divino", "Encostas de Penalva", "Milénio", "O Penedo", "Encostas da Estrela"...
Estas são apenas algumas das marcas de vinho do Dão que encontrei numa pequena visita que fiz à região em quatro adegas cooperativas (Mangualde, Penalva do Castelo, Silgueiros e Vila Nova de Tazem) e na sede da União das Adegas Cooperativas do Dão (Udaca).
Os rótulos, com maior ou menor arte, e os contra-rótulos não distinguem claramente uns vinhos dos outros. E os preços, que variam, também nada dizem. Quanto a provas, é possível provar uma variedade mais corrente em Penalva do Castelo e a Adega Cooperativa de Mangualde tem uma loja onde também é possível provar alguns vinhos. Mas é um sistema em que o visitante fica claramente confundido. O resultado não pode deixar de ser negativo. Interessado no assunto, tomei conhecimento da diversidade nominal da oferta e comprei modestamente uma única variedade de vinho branco corrente em Penalva do Castelo, com base na experiência de outros anos.
Neste aspecto, as adegas cooperativas do Dão (que tiveram, a certa altura, um papel pioneiro) ficam em clara desvantagem perante os vinhos de quinta, onde os visitantes são, em geral, recebidos com muito maior abertura.
E neste sector, com o mais do que merecido destaque para a Quinta da Fata (de Vilar Seco, Nelas), encontrei vinhos interessantes na Quinta do Sobral (Santar, tinto) e na Quinta da Espinhosa (Vila Nova de Tazem, branco)... e um portão fechado na Casa da Passarela em Lagarinhos, Gouveia).
Nestes casos não se multiplicam marcas e denominações, o leque de produtos é correctamente mais estreito e muito mais claro e os produtores, com frequência, deixam provar o vinho (o que não aconteceu na Passarela, noutra visita, há dois anos) e estão acessíveis ao público.
O (bom) exemplo da Quinta da Fata
No caso da Quinta da Fata, que muito aprecio e que conheço bem, há apenas três diferenciações para os tintos, mantendo sempre a designação da quinta: Clássico, Reserva e o monocasta Touriga Nacional.
São todos eles vinhos de altíssima qualidade, que falam por si e que não precisam de multiplicar marcas para se afirmarem. O branco, o monocasta Encruzado, cada vez melhor, também não precisa de uma marca específica.
E, a propósito, fica uma referência: o Reserva 2011 da Quinta da Fata, que já pude provar, promete ser um belíssimo vinho do Dão, na linha do Reserva 2009.
Tem o primeiro prémio, e com distinção de excelência, desta jornada vinícola, juntando-se a uma galeria onde brilham o Clássico e o Touriga Nacional 2007, o 2005 (com um Touriga Nacional extraordinário) e o tinto de estreia, de 2003.
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| Quinta da Fata: deste já não há mas o tinto Reserva 2011 promete |