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terça-feira, 28 de julho de 2015

Sardinhas



 
Acho que foi quando comecei a vir para esta região (São Martinho do Porto - Caldas da Rainha) que me tornei realmente apreciador de sardinhas, e as que se comem cá em casa vêm, invariavelmente, de uma loja que nunca me decepcionou em matéria de peixe fresco: a Peixaria Chagas, em Alfeizerão.
As de hoje, gordas e grandes, eram mesmo boas e, em segundo plano, está o "companheiro" delas escolhido para o jantar de hoje, um Dão tinto de 2012 da Quinta do Sobral (Santar), que foi perfeito no acompanhamento que fez a estes peixes.

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Onde comer em Caldas da Rainha (e arredores): as minhas recomendações


Naco na Pedra
Salir do Porto, Facebook, www.naconapedra.pt, tel. 262406147/936069473
O Naco na Pedra é, essencialmente, um restaurante de carnes, onde o vasto leque de variedades assenta numa escolha criteriosa e de qualidade segura. António Flores, chef com experiência e criatividade, orienta a cozinha e Cila Moreira também faz, e muito bem, as honras da casa. Tem evoluído ao longo dos anos, sempre para melhor, com um serviço simpatiquíssimo e ambiente agradável, tanto dentro de casa como na esplanada. A lista de vinhos, com renovação periódica, é magnífica (com muitos exemplares que podem ser encontrados na garrafeira Wine Store, perto do restaurante) e muito bem apresentada e a secção dos digestivos tem duas verdadeiras joias que, neste contexto, são de prova obrigatória: aguardentes de Valle Pradinhos e do Mouchão. E o enquadramento de Salir do Porto, uma povoação tranquila à beira da lagoa de São Martinho do Porto, ajuda à beleza da refeição. Não há melhor por aqui e os preços, acima da média, são mais do que justificados.
A minha classificação: Excelente.


















O Recanto
Caldas da Rainha (cidade), www.restauranterecanto.com,
tel. 262 282 559
É um pequeno restaurante de cariz popular, com um magnífico trabalho de cozinha num espaço exíguo onde arranjar lugar é às vezes tarefa impossível (eu costumo telefonar a reservar, à cautela). Há petiscos, pratos que convém encomendar e uma panóplia de pratos excelentes: as enguias (fritas e em ensopado), o cabrito assado (e é difícil fazer melhor!), a "dobradinha" e as iscas, saídas das mãos milagrosas de Maria Fialho, que manda na cozinha. O ambiente é simpático e o serviço é primoroso.  A lista de vinhos é pequena mas pode haver preciosidades na categoria do vinho recomendado e do vinho verde.
A minha classificação: Excelente.


 






O Melro - Pão Quente e Petiscos
Bairro Senhora da Luz, Óbidos, tel. 262 958 083, Facebook
Fica de certo modo na zona de "fronteira" entre Caldas da Rainha e Óbidos, relativamente perto da A8 e a qualidade justifica por inteiro o pequeno desvio. A entrada, de pastelaria, esconde uma sala de refeições acolhedora e de decoração simples mas eficaz, uma cozinha de grande qualidade e um óptimo saber-fazer em matéria de pão (a broa com frutos secos é memorável). Para quem gosta, os caracóis (na sua época) são inexcedíveis mas o melhor, no domínio das carnes grelhadas, são as postas de vitela e as peças de javali e de veado. é uma extraordinária posta de vitela grelhada, que merece todos os elogios, bem como o bife de veado. Há pratos de marisco para os apreciadores. Tem uma boa cerveja própria e uma lista de vinhos muito completa e bem organizada. O serviço é simpático e quase personalizado. Convém marcar.
A minha classificação: Muito bom.





Solar dos Amigos
Salir de Matos, Facebook, www.solardosamigos.com, tel. 262 877 135
A lista é vasta e o ambiente, em geral, é agradável mas o essencial do Solar dos Amigos é a sala grande (a Sala do Cavaleiro) com a lareira aberta onde se grelham as carnes e o bacalhau, e onde se está melhor no tempo mais frio. O bacalhau assado (Tiborna de Bacalhau), é imprescindível para os apreciadores deste peixe. As doses são enormes (pormenor a que convém tomar atenção na altura de pedir) e há vinho a jarro. O serviço é simpático, apesar de a afluência de clientes gerar, por vezes, uma impressão de confusão.
A minha classificação: Muito bom.























A Lareira
Rua da Lareira, n.º 35, Alto do Nobre, Nadadouro, 

A Lareira tem uma particularidade interessante: apresenta, tanto ao almoço como ao jantar, uma ementa de entradas, peixe, carne e sobremesa com alternativas, a um preço bastante moderado, funcionando à margem de uma carta fixa. A qualidade da cozinha é boa e afirma-se bem nesta ementa. A lista de vinhos é imensa, a precisar, no entanto, de ser actualizada e reforçada.  A decoração consegue ser simpática, apesar de alguns exageros neoclássicos. Em tempo mais ameno, A Lareira pode ter um encanto suplementar: uma pequena esplanada protegida, para estar antes ou depois do jantar a beber o café e os digestivos, se o tempo ajudar.
A minha classificação: Bom.


O Poço do Zé
Casais de Santa Helena, http://opocodoze.blogspot.com, tel. 262 949 222
Um restaurante "popular" com um bom serviço de grelhados, uma ementa pequena mas que tem o essencial, uma lista de vinhos esclarecedora e com preços razoáveis e, graças ao bom aproveitamento de uma grande janela, uma vista panorâmica para os campos verdejantes da região e para a Serra de Montejunto. O pessoal é simpático e despachado, atento e dialogante. A sala interior tem uma capacidade razoável mas a posição à janela, sobretudo ao jantar quando a noite chega mais tarde, é excepcional.
Convém reservar.
A minha classificação: Bom.















Taverna do Manelvina
Cruzes, Facebook, www.tabernadomanelvina.com tel. 262 870 014
Apresentando-se como "A casa do grelhado e do aficionado", tem uma sala pequena e uma cozinha duplamente grande, no espaço e na qualidade. Os grelhados, em jeito de rodízio, são realmente bem feitos e a salada com que recebe os clientes (de tomate, com um delicado tempero de ervas) é óptima. A entremeada é uma maravilha e a posta de vitela não lhe fica atrás. O serviço às vezes torna-se confuso, e a sala tem mesas a mais para ser completamente confortável, mas é pelo menos rápido. O vinho a jarro é bom e a refeição encerra com mimos sólidos e líquidos.
A minha classificação: Bom!






domingo, 31 de agosto de 2014

Revisitando a Nazaré... e a Casa Pires

 
... Ou, melhor, o Sítio. Vista do miradouro, a Nazaré é mais interessante do é quando vista de muito perto, com a sua paisagem simétrica. A igreja, a Igreja de Nossa Senhora da Nazaré, é um edifício muito interessante por dentro e por fora. E a "Casa Pires" (de nome completo "Casa Pires A Sardinha", com site aqui) é local de peregrinação regular.


O Sítio, a Igreja de Nossa Senhora da Nazaré e, à direita, a Casa Pires (de cujo site foi retirada esta fotografia)

Não sendo entusiasta da caldeirada, a Casa Pires é o único local onde me desloco para a comer e, talvez mais do que o peixe fresco que este simpático restaurante propõe, é um prato absolutamente notável. Cuja apreciação faz, mesmo, esquecer a visão horrenda, numa mesa ao lado, de um casal de jovens a comerem sardinhas assadas regadas a Coca-Cola. Ou mesmo o aspecto desértico do Sítio quando os comerciantes, mesmo em Agosto, levantam estranhamente as suas bancas mal cai a noite.
Depois, o que também não deslumbra, antes pelo contrário, numa descida à própria Nazaré, é o acolhimento enfadonho e desdenhoso com que me deparo no pomposo "Taverna do 8 ó 80".
É um restaurante da moda, com uma lista extensa de gins "gourmet", onde já jantei e fui só para beber e que, nesta visita, tratou os dois clientes com um desinteresse sobranceiro.
A casa estava cheia de pessoas a jantar, que decerto terão merecido outras atenções, e dois espanhóis que na esplanada se deixaram ficar com dois copos de vinho foram melhor tratados do que os dois portugueses que lá deixaram quase 20 euros por dois desses gins "gourmet". Não devem precisar de clientes, possivelmente. Destes não precisam, pelo menos.

sábado, 16 de novembro de 2013

Regresso a Os Queridos

Gosto do restaurante Os Queridos (um dos dois que frequento com alguma regularidade na Tornada) mas deixei de lá ir há seis meses.
Fiz aqui uma referência à minguada lista de vinhos e ao aumento dos preços da lista e disse que lá voltaria.
E foi o que fiz ontem. A situação mudou, felizmente: a carta dos vinhos aumentou, e parece ter voltado o desejo de promover o vinho, com garrafas à vista (essencial para a escolha) e preços muito mais razoáveis e o bem escolhido, em geral, "vinho da semana".
Triunfou o bom senso, no que é um bom exemplo que bem podia ser seguido por muitos outros restaurantes.
Portanto, regresso aos Queridos.

sábado, 21 de setembro de 2013

"Naco na Pedra" (em Salir do Porto): um bom porto gastronómico

Salir do Porto, que bem merece uma visita em qualquer época do ano, tem um bom restaurante com ambiente agradável, atendimento requintado, uma ementa diversificada (mas o naco na pedra, do nome, é obrigatório) e preços muito razoáveis.
É o "Naco na Pedra" (um bom porto gastronómico a que é sempre bom regressar e a que já me referi aqui) que, como acontece noutras localidades de todo o país, bem merecia ter uma placa municipal a indicar a sua localização, para benefício de quem, desconhecendo a zona, procura onde comer e de quem sabe resistir com qualidade e ânimo aos maus ventos da crise.

sábado, 17 de agosto de 2013

Foz Vintage Club: já temos asneira no caso...

Voltei ao Foz Vintage Club, na Foz do Arelho, que já aqui elogiei. E desta vez a visita exige uma nota negativa pelo disparate que são os preços dos vinhos.
Apresentando-se também como "wine bar"´, o Foz Vintage Club tem uma lista de vinhos extensa e interessante (onde o Dão continua a fazer fraca figura mas onde se encontram coisas menos conhecidas) que começa, no entanto, a tornar-se muito pouco convidativo.
Não há mais do que um ou dois a 10€ e, sobretudo para quem sabe do assunto e conhece bem o sector, o contraste incomoda: os preços subiram vertiginosamente, num verdadeiro convite a que não se consuma. Ou, mesmo, a que não se vá lá.
Nada justifica (e são apenas dois exemplos bem claros) que o bairradino Quinta do Encontro (com um honesto PVP de 3,80€ numa loja on line de Coimbra) seja atirado para o patamar dos 13€. E que o alentejano Monte da Peceguina (PVP de 9,90€ na Garrafeira Nacional, em Lisboa) seja atirado para os 21€. Isto depois de o mesmo vinho ter, salvo erro, custado 12€ no mesmo Foz Vintage Club em Maio, pouco tempo depois da abertura do restaurante.
A asneira é infelizmente vulgar na restauração, com muita gente a querer fazer dinheiro depressa com os vinhos, sem perceber que essa é a melhor maneira de afastar clientes e de, mantendo-os, estar a convidá-los a não beberem vinho nos próprios restaurantes. 

sábado, 18 de maio de 2013

Comes e bebes em ambiente de alta qualidade na Foz do Arelho

A Foz do Arelho tem um novo restaurante e, pela qualidade apresentada e pela projecto que traz consigo, é de aplaudir. Valoriza a zona (não há, neste momento, oferta à altura em termos de qualidade e de ambiente) e é uma afirmação de confiança no futuro.
Com o nome de Foz.Vintage Club, situa-se numa zona estratégica de pouco trânsito (o Largo do Arraial), a caminho da praia e da Lagoa de Óbidos, tem esplanada no exterior e no primeiro andar (uma bela ideia), um espaço de restaurante e outro de salão de chá e, nesse primeiro andar, um espaço para música e, pelo ambiente, a convidar à dança.
O restaurante tem uma pequena ementa de pratos normais mas o que mais o valoriza são os petiscos, ou tapas (a denominação espanhola impôs-se), e uma boa selecção delas compõe de modo muito agradável uma refeição razoavelmente acessível e de qualidade esmerada. Há vinho servido a copo, num espaço muito bem trabalhado e com uma parede preenchida pela garrafeira. Esta, com excepção dos vinhos do Dão praticamente ausentes, é sugestiva, embora apresente preços mais elevados do que seria desejável e nem uma única garrafa abaixo do patamar simbólico dos 10€.
O Foz.Vintage Club está na internet aqui, onde ganharia em publicar também a sua ementa, pelo menos a das tapas, a lista dos vinhos disponíveis e, já agora, um mapa com a localização.
 

domingo, 5 de maio de 2013

Um intervalo nos Queridos

Eu gostava do restaurante Os Queridos (na Tornada). Têm uma boa meia-dúzia de pratos que nunca falham e um serviço atento.
E tinham uma boa garrafeira. A lista dos vinhos era pujante, com preços muito convidativos (e servidos sempre com correcção) e numa das salas até se encontravam mais que não constavam da lista e a oferta permitia fazer boas descobertas. E até há pouco tempo apresentavam um "vinho da semana", com bons critérios de selecção.
Só que isso acabou. A lista de vinhos ficou reduzida a duas ou três páginas com uma selecção chocantemente medíocre. Nela já não há nada que distinga este restaurante no que toca aos vinhos. Os preços das garrafas aumentaram. Não muito mas significativamente. E a ausência de vinho tinto a jarro (normalmente uma boa opção quando os preços das garrafas têm tendência para chegar a níveis obscenos ou a selecção é banal) prejudica quem não dispensa vinho à refeição.
Um dia hei-de voltar a Os Queridos na esperança de que a situação se tenha alterado.

sábado, 1 de dezembro de 2012

Naco na Pedra, em Salir do Porto: um esforço louvável

Levado pelo aspecto agora mais convidativo do exterior e por uma promoção de 20 por cento de desconto feita em colaboração com o supermercado E. Leclerc de Caldas da Rainha, fui ontem pela primeira vez ao restaurante Naco na Pedra em Salir do Porto.
O prato (um belo naco de carne muito tenra) que dá o nome ao restaurante foi uma experiência grata, os acompanhamentos eram correctos, o vinho a jarro era bom e a sobremesa (um "petit gateau" de chocolate, bem bom) foi um excelente complemento. E logo a abrir, simpaticamente, foi-me oferecido um Porto branco.
Numa altura em que é mais normal as pessoas lamentarem-se, o esforço de quem está à frente do Naco na Pedra (que está ainda em processo de renovação, segundo me disseram) merece todos os elogios. Entre a vizinha São Martinho do Porto e a mais distante Foz do Arelho não há mais nenhum restaurante e espero que o Naco na Pedra se aguente e tenha êxito para ocupar o lugar de excelência que merece ocupar.