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quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

O "ranking" dos popós dos papás

Uma das coisas que devia contar para o "ranking" das escolas básicas e secundárias devia ser o parque automóvel dos pais e mães, dos tios e tias e dos avôs e avós, que é exibido sempre à porta das escolas, por cima de passadeiras de peões e de passeios, a bloquear o trânsito e todas as mais pequenas vias de acesso.
É como se as coitadinhas das criancinhas (de todas as idades e de todos os tamanhos) não pudessem andar uns metros para chegar à entrada da escola, nem andar uns metros para saírem dela. É natural o recurso aos transportes particulares, sobretudo nas cidades onde são praticamente inexistentes os transportes públicos (pelo menos na sua periferia) mas este afã dos familiares, de levarem as suas viaturas mesmo até ao portão de cada escola, é no mínimo idiota. Até porque não acredito que estas mesmas pessoas façam o mesmo quando os respectivos jovens saem para a "noite".
É isso também que me faz pensar que a intenção é apenas a de mostrar os popós, para confirmar o seu estatuto social. Será?

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Orçamento Participativo: apoiar as iniciativas realmente sociais ou "safar" a Câmara?

O conceito inicial do mecanismo do Orçamento Participativo municipal é indiscutivelmente bondoso: deixar uma parte do orçamento municipal para as iniciativas propostas de fora (a sociedade, em geral) para dentro (a Câmara Municipal) e esperar que apareçam as ideias. E elas aparecem, claro.
Em Caldas da Rainha há trinta propostas. Mas vinte delas referem-se a iniciativas da responsabilidade da Câmara Municipal e de outras entidades públicas.
Para uma câmara que esbanja milhões de euros em obras faraónicas inúteis e no mínimo mal geridas, e que parece não ter dinheiro para pintar as passagens de peões, o Orçamento Participativo é uma maneira de se "safar" e de tentar ficar bem vista, numa manobra de pura ilusão. E quem diz câmara, diz também juntas de freguesia, que devem achar o Orçamento Participativo um petisco para os brilharetes que gostam de fazer.
O "Jornal das Caldas" publicou a lista dos trinta projectos esta semana e a análise é interessante.
As pessoas que os propõem querem obras em ruas e estradas, espaços geográficos (urbanos e não urbanos), um muro numa rua, canalização pública, pavimentações, vias para bicicletas, sinalização vertical, estacionamento, parques de merendas e videovigilância, além da "requalificação" de vários outros locais (palavrão que serve para expressar tudo e nada).
No total, são mais de 300 mil euros que poderão ser gastos nestas obras. Há dois ou três casos em que não aparecem custos indicados. Há outro que tem um "custo estimado entre os 12 mil e os 20 mil euros.
A grande maioria destas iniciativas parece ser importante mas a questão essencial é esta: a responsabilidade pelo que é proposto é da Câmara Municipal e/ou das juntas de freguesia. 
E é a essas entidades, abastecidas pelo Orçamento de Estado, pelos nossos impostos e pelas muitas receitas que vão amealhando (então o que pagamos pela água não dá para a "Remodelação de infraestruturas do Bairro da antiga Quinta dos Pinheiros"?!), que cabe assegurar as obras.
Dos trinta projectos, são os restantes dez os que parecem corresponder ao conceito do Orçamento Participativo: por exemplo, dois são voltados para o apoio profissional e pré-profissional aos jovens (no valor de quase 90 mil euros), um terceiro é uma iniciativa cultural de carácter fotográfico, outro é a instalação de uma estação meteorológica no topo da Câmara Municipal (utilíssima, decerto, para o presidente camarário perceber melhor os fenómenos pluviais...) e duas iniciativas de apoio aos animais abandonadas.
Estas duas propostas são as de maior relevo social, consistindo uma no controlo da proliferação das colónias de gatos errantes na cidade (cerca de 5000 euros) e a outra na construção de abrigos e de vedação do novo espaço de uma das associações de protecção de animais (Rede Leonardo), com o valor previsto de 6000 euros.
No aspecto social, também, são as únicas dignas de relevo e com carácter prático imediato. E deviam merecer o apoio dos cidadãos que, por sua vez, deviam exigir às entidades públicas que gastassem melhor o dinheiro dos impostos que os obrigam a pagar.
Há de ter sido esse, decerto, o conceito original do Orçamento Participativo.
 

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Um balanço caldense de 2013

 
Em época de balanço (e perspectivas), eis a minha galeria do ano de 2013 de Caldas da Rainha:
 
 
O melhor:
 
A candidatura do movimento de independentes, organizados no Movimento Viver o Concelho (MVC), aos órgãos autárquicos nas eleições de Setembro. Conseguiram alguns bons resultados, devem ter como objectivo as eleições autárquicas de 2017. 
 
 
A personalidade:
 
Maria Teresa Serrenho dinamizou o MVC e foi candidata à presidência da Câmara Municipal. Não ganhou. Deixou os seus eleitores à espera de 2017, não pode sair da cena política.
 
 
 
 
A maior surpresa:
 
O MVC conseguiu entrar na Assembleia Municipal, baralhando o anquilosado xadrez partidário local e agitando a complexa teia de interesses interpartidários, conquistando ainda uma junta de freguesia e boas posições noutras freguesias.
 
 
O pior:
 
O PSD caldense ganhou as eleições autárquicas. Mas não parece. A estabilidade controversa imposta por Fernando Costa nos últimos anos do seu mandato autárquico evoluiu para um caos absoluto, por omissão ou dolo. Os próximos quatro anos serão um martírio ou, com sorte, o pretexto derradeiro para uma mudança de política local em 2017.
 
 
O derrotado:
 
Hugo Oliveira quis ser candidato a presidente. Mas foi obrigado a engolir a candidatura do seu correligionário Tinta Ferreira e a calar-se. De tanto estar calado omitiu as eleições e a vitória do "seu" PSD no seu site pessoal. Trocou tudo, e talvez o seu futuro político, pela vice-presidência que lhe foi oferecida por Tinta Ferreira. No que correr mal, e já começou, a culpa é de Hugo Oliveira (à direita). Mas qualquer triunfo será sempre de Tinta Ferreira (à esquerda).
 
 
 
A maior decepção:
 
A "Gazeta das Caldas" perdeu todo o seu verniz intelectual e de pretensa objectividade na campanha eleitoral das eleições autárquicas. Também ajudará à queda.
 
 
O mais preocupante:
 
A Lagoa de Óbidos está obviamente condenada, pela natureza  pela incúria e pela negligência humanas. Os poderes públicos, de Caldas da Rainha e de Óbidos, e o Governo são os culpados mas as vozes privadas que só se lembram do desastre iminente quando lhes convém também são responsáveis. O que podia ser um símbolo turístico, e de progresso para a região, transformou-se na Lagoa do Cocó.
 
A irrelevância:
 
Ninguém dá pela falta do BE na Assembleia Municipal de Caldas da Rainha. Também já ninguém dava pela sua presença.
 
 
A negligência:
 
Obras ao calhas, negligentes, perfeitamente amadoras, sem planeamento que se note, feito tudo ao mesmo tempo sem cuidar dos interesses das pessoas, num trouxe-mouxe de confusões. Já se fala em atraso de umas, na cidade, e ainda outras não começaram. O dinheiro público afunda-se na lama gerada por estas obras todas, que um inverno chuvoso vai dificultar, para mal de toda a gente.
 
 
 
 
 
A abominação:
 
O turismo para as elites políticas de Caldas da Rainha está como o Talmude judaico estava para os cristãos da Idade Média: é um horror, uma coisa inaceitável e inútil, uma interferência nos "direitos adquiridos" da inércia caldense, uma verdadeira abominação. Mais dinheiro, mais empregos? Que interessa isso, se quem está confortável continua confortável, com ou sem turistas? A não ser que haja promotores dispostos a contribuírem para aumentar clandestinamente o seu conforto. Nessa altura, já vale a pena o turismo...
 
 
O não-deixa-saudades:
 
Lino Romão (chamemos os bois pelos nomes nesta despedida) ultrapassou os limites do decoro político na sua tentativa de conseguir um assento na Assembleia Municipal para o berloque de esquerda. Deu com os burrinhos na água. Regressou à empresa municipal de Óbidos que o sustenta. Assim é que se está bem.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Caldas da Rainha: água de luxo, serviço de merda (19): repavimentar significa remendar...

Tanto quanto me parece, em português corrente, repavimentar significa repor o pavimento (de uma rua, de uma estrada, de um passeio, por exemplo). Mas no português autárquico de Caldas da Rainha, repavimentar significa remendar.
Como aqui se vê, em fotografia tirada hoje, a repavimentação anunciada pelos Serviços Municipalizados de Caldas da Rainha (aqui) não passa disto: remendos.
Os remendos a negro numa rua que é cada vez mais uma estrada de terra batida
e de bocados dispersos de alcatrão
... Remendos de alcatrão postos inclusivamente por cima de uma ruptura (mais uma de dezenas), no meio de umas obras que em dois meses de duração somam praticamente trinta dias de interrupções inexplicáveis.
Começa a ser demais!...

terça-feira, 4 de junho de 2013

Caldas da Rainha: água de luxo, serviço de merda (18): o costume, para não variar...




Com obras (que parecem ter sido interrompidas pela terceira vez...) ou sem obras, nada mostra melhor a incúria, o desinteresse e o estar-se-nas-tintas dos Serviços Municipalizados de Caldas da Rainha, que embolsam uma fortuna com os preços elevados da água e das taxas todas associadas para prestarem um serviço que não podia ser pior - é mais uma ruptura de um sistema de abastecimento de água completamente apodrecido.
O costume, portanto... 

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Caldas da Rainha: água de luxo, serviço de merda (17): pavimentação à moda dos Serviços Municipalizados!





Uma rua pavimentada...
A "Gazeta das Caldas" desvenda hoje o mistério do que tomei ontem por um remendo e que a imagem documenta: publicando a minha carta (que agradeço), publica uma "resposta" dos Serviços Municipalizados de Caldas da Rainha onde se afirma que "será [o troço da rua?] pavimentado na próxima semana".
Na "próxima semana"?! Não, já começaram, como está à vista!
Na mesma "resposta", os Serviços Municipalizados tentam dar-me aquilo que habitualmente se designa por "bofetada de luva branca", argumentando em mau português que "os transtornos para a população (...) advêm da execução das obras (...) para melhorar as suas condições de vida".
É pena que os Serviços Municipalizados não tenham esclarecido, além desta "resposta" manhosa:
1 - quais os motivos que levaram à interrupção das obras por quase três semanas;
2 - porque é que as obras foram, ao que se disse, por concurso público e os próprios Serviços Municipalizados me forneceram telefonicamente a informação de que as obras estavam paradas porque quem as fazia era "o empreiteiro que trabalha com a Câmara" e tinha sido deslocado para outro sítio;
3 - se garante a salubridade da água que circula na canalização apodrecida. (Nunca os Serviços Municipalizados quiserem responder a esta pergunta...)   

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Gocaldas: uma boa ideia com o problema do costume

O portal Go Caldas é uma boa ideia.
Pretende servir de guia para Caldas da Rainha e percebe-se a dimensão que quer atingir embora ainda não esteja completo. Será ainda uma obra em progresso e não vem mal ao mundo que muitos dos seus campos só venham a ser gradualmente preenchidos.
O leque de informações que visa divulgar está bem pensado e cobre muitas domínios que ajudam, mesmo contra a indiferença das entidades oficiais, a abrir Caldas da Rainha aos seus visitantes.
Tem, no entanto, um problema infelizmente habitual: quer ser um guia... mas o seu alcance fica limitado à cidade. O resto - disparate comum às presunçosas elites citadinas - não existe.
E será por desconhecimento? Ou por falta de iniciativa?
Tome-se o melhor de todos os exemplos: num dos três percursos sugeridos, há uma deslocação à Foz do Arelho e à Lagoa de Óbidos. E chega.
Para norte ficam a Estrada Atlântica, uma visa panorâmica do Oceano Atlântico e até Salir do Porto, mesmo à beira da baía de São Martinho do Porto. Será possível que os dinamizadores do Go Caldas nunca tenham ido para essas paragens? Ou não sabem que existe?

domingo, 26 de maio de 2013

Perigo mesmo à porta da escola no Campo


 
 
 
Foi do lado direito, mesmo junto das cadeiras amarelas (onde também costumam estar pessoas sentadas) que se deu o acidente. Em primeiro plano vê-se o que resta da passadeira. À esquerda está o muro da escola.


Esta notícia do "Jornal das Caldas" do passado dia 22 refere-se a uma colisão entre dois veículos automóveis na rua que atravessa a povoação de Campo. Acidentes destes acontecem em todo o lado mas, neste caso, ele aconteceu no outro lado da rua em frente da escola básica.
Até ao Verão do ano passado havia aqui uma passadeira de peões elevada que obrigava os automobilistas a reduzirem a velocidade.
As rupturas do costume na rede de abastecimento de água deram origem a isto que se vê na fotografia de baixo: a passadeira foi arrasada pela intervenção do costume dos Serviços Municipalizados e as marcas que a assinalavam na rua desapareceram.
Ficaram os peões em perigo, os carros mantêm a mesma velocidade de passagem e as crianças que frequentam a escola estão mais expostas a um acidente.
Passaram mais de dez meses e ninguém (Serviços Municipalizados, Câmara, Junta de Freguesia) se preocupa. Se alguma criança for colhida por um carro já se preocuparão?













sexta-feira, 24 de maio de 2013

Caldas da Rainha: água de luxo, serviço de merda (15): no protestar é que está o ganho

 
 
 
Protestei, neste blogue e em cartas aos jornais regionais ("Jornal das Caldas" e "Gazeta das Caldas") contra a interrupção das obras de substituição da rede de abastecimento de água na rua onde moro, que pararam no começo deste mês.
E as obras lá recomeçaram ontem.
Fica o agradecimento ao "Jornal das Caldas", que publicou a minha carta anteontem. A "Gazeta das Caldas" ignorou o assunto.

Um diagnóstico para o Oeste que "custa" 5,7 milhões de euros

(...) 30% da população do Oeste vive em média com menos de 367 euros por mês, após as transferências sociais, de acordo com o diagnóstico da região entre os anos de 2007 e 2013.
[É necessário] elevar o ganho médio mensal ‘per capita', que é de 864 euros, abaixo da região Centro (890 euros), da região de Lisboa (1365 euros) e da média nacional (1034 euros).
O aumento do rendimento deverá ser alcançado, segundo a estratégia, com o reforço da competitividade regional pela aposta em três setores com maior potencial económico no Oeste, direcionados para o mercado externo e acompanhados pela investigação científica para responder às necessidades de inovação do tecido empresarial.
Segundo o diagnóstico, os níveis de produtividade e as exportações estão abaixo da média nacional e existe uma fraca valorização dos seus produtos.
O turismo (náutico, do golfe, cultural e paisagístico, enoturismo, doçaria e aventura) e a economia do mar, através de projetos de aquacultura, da exploração de recursos subaquáticos e das atividades turísticas ligadas ao mar, são considerados estratégicos.
Junta[m]-se a agroindústria, com a potenciação da produção e transformação de produtos hortofrutícolas e dos vinhos, da indústria de conservas e de produtos frescos e congelados embalados, desde o peixe aos hortícolas, e do desenvolvimento de tecnologias de conservação e embalamento.
A aposta na qualificação da população é outro dos objetivos, uma vez que os diplomados do ensino superior correspondem apenas a 8,7% da população e do ensino secundário 13%. Espera-se que até 2020, 40% da população entre os 30 e os 34 anos tenha formação superior.
Outras metas passam por reduzir de 23% para 10% o nível de abandono no ensino obrigatório e aumentar de 69 para 75% a taxa da população com emprego numa região cuja taxa de desemprego é de 11,5%.

Este excerto faz parte de uma notícia da Lusa publicada no "i" a partir de um documento intitulado "Oeste 2020", uma das poucas coisas aparentemente interessantes que a Comunidade Intermunicipal do Oeste terá feito nos últimos tempos.
O documento, que aguarda contributos, vai ser debatido em Torres Vedras e em Alcobaça. Em Caldas da Rainha parece que não.
Esta Comunidade integra os concelhos de Alcobaça, Alenquer, Arruda dos Vinhos, Bombarral, Cadaval, Caldas da Rainha, Lourinhã, Nazaré, Óbidos, Peniche, Sobral de Monte Agraço e Torres Vedras e tem um orçamento anual de 5,7 milhões de euros.
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quarta-feira, 22 de maio de 2013

Eleitoralismo filho-da-puta

Tornou-se tradição nacional para os ocupantes das câmaras e das juntas de freguesia fazerem toda a espécie de obras nos anos eleitorais, concentrando nos últimos meses antes das eleições muitas obras que podiam e deviam ter feito antes.
Para não fugir à regra, a Câmara Municipal das Caldas da Rainha esvai-se agora em obras que levantam pó (quando não chove) e se desfazem em lama (quando chove), cortando ruas a eito em trabalhos de construção civil que se eternizam, ou ficam depois parados (como acontece com a substituição da apodrecida rede de abastecimento de água na minha rua), beneficiando verdadeiramente mais quem faz as obras do que os habitantes, sujeitos aos efeitos nefastos de uma acumulação de obras manhosas em dose concentrada.
Esta filha-da-putice eleitoralista, que não tem outro, só não me tira a vontade de votar no partido que domina a Câmara Municipal e nas oposições que se estão nas tintas para a população porque já não o tencionava fazer.


Série: Eleições autárquicas de 2013 nas Caldas da Rainha (10)

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

A praia da Foz do Arelho já parece uma praia...

 
... depois da retirada das duas dragas que, como aves de mau agoiro, estavam pousadas nas suas águas há vários meses, sem que ninguém levantasse a voz para protestar contra o atentado ambiental que era isto:
 




















Eu levantei o problema no passado dia 7 deste mês, designando a praia da Foz do Arelho por marina das dragas.
 

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Para que é que eles precisam de gastar 5 770 105 euros?!

 
Haverá alguém que explique por que motivo é que isto ainda precisa de gastar quase 5,8 milhões de euros (mais exactamente 5 770 105 euros) por ano? 



 
Esta sede faraónica da Comunidade Intermunicipal do Oeste, que não se sabe quanto custou, serve para quê?

Não se percebe para que serve um pomposo organismo como este é, que parece não passar de um carrossel de vaidades dos presidentes das câmaras da região.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Uma queixa ao Provedor de Justiça contra os Serviços Municipalizados de Caldas da Rainha

Em 29 de Agosto (deste ano, há três meses) dirigi ao presidente dos Serviços Municipalizados de Caldas da Rainha, cinco perguntas, entre as quais uma de natureza fundamental em termos de vida humana: se esses serviços garantiam a salubridade da água distribuída na rede pública, tendo presente a transferência de terra e de outros elementos escuros para a água canalizada antes de uma ruptura da canalização na rua.
Os Serviços Municipalizados não me responderam e dirigi ontem uma qeixa ao Provedor de Justiça.
As perguntas a que não tive resposta foram as seguintes:

1 -    Do muito que pagamos a V. Exa., qual é a parte que serve para investir nas infraestruturas de abastecimento de água? Qual é esse valor?

2 -    Em termos concretos, ainda: porque é que a canalização pública da Rua Vasco da Gama, no Cabeço da Vela, não é objecto de manutenção e de reparação/substituição organizada?

3 -    O dinheiro que os Serviços Municipalizados cobram não chega para o efeito?

4 -    Está V. Exa. em condições de garantir a salubridade da água que corre por esta canalização apodrecida até à nossa casa – até à casa dos moradores nesta rua desta freguesia – numa situação destas?

5 -    Serão os seus Serviços Municipalizados capazes, sem receio de serem desmentidos empiricamente ou cientificamente, e arrostando com todas as consequências daí decorrentes, de garantir a salubridade da água que os seus clientes consomem?

O que escrevi sobre a incompetência dos Serviços Municipalizados e o aumento terrorista do preço da água no concelho de Caldas da Rainha está aqui.

sábado, 1 de dezembro de 2012

Naco na Pedra, em Salir do Porto: um esforço louvável

Levado pelo aspecto agora mais convidativo do exterior e por uma promoção de 20 por cento de desconto feita em colaboração com o supermercado E. Leclerc de Caldas da Rainha, fui ontem pela primeira vez ao restaurante Naco na Pedra em Salir do Porto.
O prato (um belo naco de carne muito tenra) que dá o nome ao restaurante foi uma experiência grata, os acompanhamentos eram correctos, o vinho a jarro era bom e a sobremesa (um "petit gateau" de chocolate, bem bom) foi um excelente complemento. E logo a abrir, simpaticamente, foi-me oferecido um Porto branco.
Numa altura em que é mais normal as pessoas lamentarem-se, o esforço de quem está à frente do Naco na Pedra (que está ainda em processo de renovação, segundo me disseram) merece todos os elogios. Entre a vizinha São Martinho do Porto e a mais distante Foz do Arelho não há mais nenhum restaurante e espero que o Naco na Pedra se aguente e tenha êxito para ocupar o lugar de excelência que merece ocupar.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Os pormenores da agregação de freguesias nas Caldas da Rainha (3): quem ganha e quem perde

 
Em todos os processos desta natureza, em que se confrontam opiniões, projectos pessoais, interesses legítimos e não legítimos, há sempre quem ganha e quem perde. E o processo de agregação das freguesias nas Caldas da Rainha, impulsionado pelo presidente da Câmara, Fernando Costa, com o ámen da Assembleia Municipal, também teve ganhadores e perdedores.
A cidade - na atrofiada dicotomia entre centro urbano e interior rural - ganhou e sobrepôs-se ao interior. Pouco importa se é tonta e provinciana a elite caldense que despreza e desconhece o interior e a costa atlântica. As duas freguesias da cidade absorveram freguesias do interior e aqui sim, neste esvaziamento da paisagem não urbana, onde as juntas de freguesia até hostilizavam os que vêm de fora, está a demonstração prática dos perigos reais da reorganização administrativa: não se dá maior importância ao interior e às suas populações pela união de freguesias irmãs mas submetem-se essas freguesias à pesporrência urbana.
Os campos e a costa perderam. Os serviços das futuras ex-juntas de freguesia não se deslocarão - vão ser absorvidos pelas estruturas existentes na cidade. A elite caldense abomina o cultivo da terra e o ar livre e o horizonte infinito da costa atlântica e nem sequer percebe a sua relevância em termos económicos e sociais.
As populações das ainda freguesias da Serra do Bouro, São Gregório e Salir do Porto perdem. Vão de casa às costas para a cidade. A população do Coto pode ganhar, com a sua agregação ao parceiro mais forte e não completamente urbano que é a Tornada.
Fernando Costa julgou que ganhava, pelo menos simbolicamente, com esta reorganização. Só o silêncio amedrontado ou ignorante dos que ainda governa é que lhe permitirá ganhar, como sempre tem acontecido: desta disparatada fusão reorganização de freguesias ao brutal aumento do preço da água.
Álvaro Jerónimo, o advogado que representa os investidores sem rosto do "elefante branco" previsto para a zona florestal da freguesia a cuja junta ainda preside, ganha com isto a possibilidade de se candidatar a uma nova freguesia, a que resulta da absorção da Serra do Bouro por uma das duas freguesias da cidade. Com sorte (para ele, e uma imensa dose de azar para todos nós) ainda chega a presidente da Câmara. Será um sucessor adequado aos últimos anos de Fernando Costa.
 
 

Os documentos da Unidade Técnica para a Reorganização Administrativa do Território (UTRAT), da Assembleia da República, podem ser encontrados aqui. O "Parecer" é o documento dos membros da UTRAT. O anexo 1 tem o mapa das freguesias do concelho e o anexo 2 o documento enviado pela Assembleia Municipal para o Parlamento com as opiniões de 11 das 16 freguesias das Caldas da Rainha.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Os pormenores da agregação de freguesias nas Caldas da Rainha (1): fundidos e mal pagos...

Estão já acessíveis a toda a gente os documentos da Unidade Técnica para a Reorganização Administrativa do Território (UTRAT), da Assembleia da República, relativos à reorganização das freguesias e a sua consulta confirma o que foi ficando bem visível ao longo de mais de um ano: a contestação idiota dos presidentes das juntas de freguesia e de todos os outros autarcas foi decisiva para que o resultado (pelo menos no que se refere a Caldas da Rainha) fosse tão mau como é.
Segundo a Lei 22/2012, de 30 de Maio, deveriam ter sido agregadas as freguesias de Nossa Senhora do Pópulo e Santo Onofre (as duas freguesias urbanas das Caldas Rainha) e a Tornada e quatro freguesias rurais que a Assembleia da República escolheria de acordo com o parecer da UTRAT.
Com os autarcas locais aos berros, a pensarem nos seus interesses e não nos interesses das populações, talvez tivesse sido essa a solução preferível: a cidade, relativamente pequena, passaria a ter uma única freguesia e ainda iria abranger a Tornada e as restantes 13 freguesias, todas elas classificáveis como rurais, teriam de ser reduzidas para 9.
Sem demagogia e com racionalidade, considerando o mapa do concelho e as opiniões das assembleias de freguesia, ter-se-ia decerto chegado a uma solução pacífica e razoável.
Não foi o que aconteceu e a proposta do presidente da Câmara Municipal, Fernando Costa, apareceu como única opção atirada à Assembleia Municipal.
Neste órgão, onde os presidentes das juntas têm assento, a discussão nunca foi além do "sim" ou do "não" à coisa, com enorme derramamento de lágrimas devido à "perda" das freguesias.
Depois, com o debate estupidamente transferido para as "contas de mercearia" de quantas freguesias se "perderiam", as assembleias de freguesia foram desprezadas e a proposta de Fernando Costa foi votada pela Assembleia Municipal de maneira estranhamente muito calma. Como se tivessem sido mais importantes eventuais conversas de bastidores do que o debate público.
Na sua votação de 11 de Outubro, a Assembleia Municipal decidiu-se, formalmente, pelas seguintes fusões: Coto e São Gregório com Nossa Senhora do Pópulo, Salir do Porto com Tornada e Serra do Bouro com Santo Onofre.
Como se pode ver pelo mapa, algumas destas freguesias são fundidas apesar de não terem qualquer tipo de contiguidade territorial.
É como unir duas propriedades por cima da propriedade de um vizinho que não quer ver o seu terreno fundido com os dos outros.

 
Esta situação não tem qualquer lógica mas o ofício da Assembleia Municipal para a UTRAT e o Parlamento, que inventaria tudo e um par de botas para defender a proposta de Fernando Costa a que deu o ámen, não se preocupa com o assunto e assume a tradicional posição do chico-esperto: se aquele menino fez, eu também posso fazer. Ou seja, como a Assembleia da República nunca se preocupou com a contiguidade territorial (por motivos que se desconhecem...), também não vamos ser nós a preocupar-nos.
Pelo lado da UTRAT, um grupo de 8 dos seus membros (que inclui 3 professores de Direito, além de engenheiros e economistas) também não se mostrou muito interessado no assunto e, no seu "parecer" de 5 páginas, assinou de cruz.
Portanto, para já, os caldenses ficaram fundidos e (como se costuma dizer) mal pagos.
Mas talvez tivessem ficado em melhor situação se as assembleias de freguesia tivessem sido ouvidas a tempo e horas e não, praticamente, já com o facto consumado.
 
 
Amanhã: o que disseram as assembleias de freguesia
Os documentos da UTRAT podem ser encontrados aqui. O "Parecer" é o documento dos membros da UTRAT. O anexo 1 tem o mapa das freguesias do concelho e o anexo 2 o documento enviado pela Assembleia Municipal para o Parlamento com as opiniões de 11 das 16 freguesias das Caldas da Rainha.

sábado, 10 de novembro de 2012

Os Verdes precisam de amadurecer

O agrupamento político conhecido por Os Verdes, que deve guiar-se pelo que ouve e pelo que lê e não pelo "país real", manifestou-se preocupado por a Mata Rainha D. Leonor não constar no "processo de classificação" do hospital termal das Caldas da Rainha.
Fica-lhes bem o sentimento mas é pena que não dêem também a devida atenção às implicações para o meio ambiente do megalómano projecto turístico previsto para a zona florestal da Serra do Bouro, onde em tempos não se podia construir e que continua a ser devastada pelos caçadores e pelo lixo mais variado que lhe calhando, das latas de atum vazias deixadas pelos ditos às fitas de plástico dos alegadamente ecológicos BTTs.
Nem, infelizmente, ao espectáculo das duas embarcações que continuam há meses estacionadas como aves de mau agoiro entre a Lagoa de Óbidos e da praia da Foz do Arelho sem que perceba porquê e para quê.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

O que lhes interessa são os lugares

A notícia da edição do "Jornal das Caldas" de ontem (sem link até este momento) sobre a reunião da Assembleia Municipal que deu "luz verde à Câmara para propor extinção de quatro freguesias das Caldas" confirma apenas o que já tenho escrito: os políticos locais, dos ainda presidentes das juntas de freguesia às oposições, voltaram por completo as costas aos interesses das populações e, apesar das afirmações demagogicamente mais delirantes e mais idiotas, só querem defender os lugares que ocupam.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

A água pública de Caldas da Rainha pode-se beber?

No passado dia 28 de Agosto, a água que me saía das torneiras (vendida pelos Serviços Municipalizados de Caldas da Rainha a um preço estupidamente exorbitante) começou a ficar com cor terrosa ao princípio da tarde.
Por volta das 16h30 deixou de correr. Havia mais uma ruptura (vinte dias depois, a ruptura foi tapada mas o que ficou é uma espécie de fosso de terra e areia, um 24.º remendo em mil metros de alcatrão).
Se antes de a canalização rebentar, o que é frequente, a água começa a aparecer suja, e sendo natural que a ruptura não ocorra de repente mas gradualmente, a explicação óbvia é que entram nos canos toda a espécie de elementos existentes nos solos, incluindo os produtos de dejectos diversos.
Perguntei, por carta registada com aviso de recepção, ao presidente dos Serviços Municipalizados (que, se não erro, é o presidente da câmara, Fernando Costa) se a salubridade da água vendida na rede pública estava garantida. Vinte dias depois ainda não tive resposta.