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sábado, 14 de setembro de 2013

As termas de Caldas da Rainha acabaram

 
Não acreditam?
Leiam outra vez: as termas de Caldas da Rainha acabaram.
E agora façam o favor de me acompanhar:
 
1 - As termas e o hospital termal de Caldas da Rainha são, nesta altura, um processo bloqueado. Localizadas no centro da cidade, são relativamente importantes para o concelho (pela tradição, que não alimenta ninguém, e pelo dinheiro que os seus frequentadores podem deixar na cidade nos sectores da hotelaria e da restauração). Mas, pela sua localização, não são convidativas para os visitantes (turistas potenciais) que se deslocam em carro próprio. E quem não tem carro próprio vem para as termas... e fica na cidade. Quais são os atractivos da cidade de Caldas da Rainha e de quanto tempo precisa uma pessoa para percorrer e a zona central da cidade?
 
2 - Caldas da Rainha não tem notoriedade turística assinalável. Tem activos turísticos importantes (da costa atlântica ao património histórico) mas nunca os promoveu, nem defendeu. Até porque não os conhece. As entidades municipais, essa coisa de fantasia unipessoal que era a "Turismo do Oeste" e as elites urbanas nunca souberam, nem quiseram, criar uma imagem turística para o concelho. Toda a gente acha que as tasquinhas da Expoeste são capazes de reabilitar o turismo no concelho. É uma perspectiva melancólica de quem não vê além do próprio umbigo... sobretudo depois dos comes e bebes.
 
3 - Óbidos conseguiu uma notoriedade turística invejável. A situação geográfica, com o castelo no topo, foi um bom princípio. Depois, o chocolate (uma simples receita de notoriedade que qualquer município pode utilizar), o Mercado Medieval (transformado em tasquinhas mas, para todos os efeitos, já com uma boa imagem) e muitas actividades culturais com o castelo por cenário fizeram o resto, potenciados por uma oferta de alojamento turístico muito diversificada, com o atractivo do golfe. Repare-se que Óbidos não confiou nas suas praias nem na Lagoa de Óbidos (e adivinhem lá quem é que ganha com a designação...) para alcançar essa notoriedade turística. Foi à procura dos elementos que, de raiz, a poderiam criar. E acertou.
 
4 - Caldas da Rainha pode chamar frequentadores das termas que queiram passar os seus períodos de tratamento dentro de uma cidade que se vê em dois dias. Um centro termal em Óbidos (as Termas das Gaeiras - vão ver o anúncio de meia página da câmara de Óbidos na página 8 da "Gazeta"), fora da vila e numa zona convidativa para visitantes com viatura própria, transforma-os em turistas que se passeiam pela região, interessados nos atractivos turísticos da região e, no caso de Óbidos, do pitoresco comercial da vila e do castelo. Para eles, Caldas da Rainha pode ser um passeio de meio dia.
 
5 - O desenvolvimento das Termas das Gaeiras atrairá a Óbidos mais frequentadores que também serão turistas. A concorrência é sempre saudável, até por ser estimulante, e o mercado das termas não está esgotado. Mas as termas de Caldas da Rainha vão inevitavelmente passar para segundo plano. Atrairão frequentadores de meios mais limitados. Ainda sobejarão algumas receitas locais. Mas se surgir um complexo turístico de oferta diversificada ao lado das Termas das Gaeiras, com bons meios de acesso e de ligação às termas... adeus, termas de Caldas da Rainha.
 
6 - Um projecto como o das Termas das Gaeiras não se faz em dois ou três dias. Já deve levar semanas de existência. Não é, com certeza, um segredo de Estado à escala municipal. Quando os candidatos do PSD de Caldas e de Óbidos andaram a passear no seu "love boat" da Lagoa de Óbidos já o deviam saber. Mas o candidato caldense ficou calado. O candidato do BE em Caldas da Rainha trabalha na empresa municipal de cultura de Óbidos. Também o devia saber. Mas ficou igualmente calado. Anda tudo distraído.
 
7 - A polémica sobre as termas e o hospital termal de Caldas da Rainha dura há meses. As elites políticas de Caldas da Rainha deixaram-se enredar em debates estéreis sem, como já é costume, perceberem que há mais mundo para lá das muralhas da cidade. Agora... nem sabem o que hão-de dizer. Ou, então, não percebem nada do que está a acontecer. Não são diferentes da elite bizantina que, segundo a lenda, se entretinha a debater o sexo dos anjos quando já tinha o inimigo à porta.
 
8 - O bloqueio mental das elites caldenses dá habitualmente nisto: perdem-se em campanhas cegas e não são capazes de ver a realidade. Andaram entretidos aos gritos por causa do Hospital das Caldas e não serviu para nada a não ser para encher preguiçosamente as páginas da "Gazeta". O mesmo se passou com a Linha do Oeste: os protestos e as movimentações deram nisto - parece que agora há mais comboios entre Caldas da Rainha e Coimbra... mas Caldas da Rainha está mais ligada, e em tudo, a Lisboa do que a Coimbra.
 
A campanha eleitoral - e, nem de propósito, o projecto das Termas das Gaeiras é apresentado hoje com pompa e circunstância - podia servir para debater estas assuntos numa perspectiva de futuro. Mas não me parece que seja isso que vá acontecer. 

sábado, 23 de agosto de 2014

A “dinâmica” da estagnação: como o PSD está a dar cabo de Caldas da Rainha (5)

O PSD ganhou as eleições autárquicas de Setembro do ano passado em Caldas da Rainha apregoando uma “nova dinâmica”. A dinâmica da dupla Tinta Ferreira/Hugo Oliveira está cada vez mais à vista por todo o lado: uma incompetência realmente dinâmica, porque nunca cessa, e o mergulho também imparável numa estagnação que ameaça tornar este concelho uma verdadeira irrelevância.


Em 14 de Setembro de 2013 escrevi neste blogue: As termas de Caldas da Rainha acabaram. E explicava porquê, em oito pontos, que podem ser lidos aqui.
Onze meses depois, a realidade dá-me razão.


"Transformar Óbidos na melhor zona termal do País"

O Hospital Termal, na sua valência genuinamente termal, continua fechado. Não há um plano para o reabrir.
Durante estes onze meses, além de algumas iniciativas populares e de parte da oposição política à maioria do PSD na câmara, nada se fez.
A Câmara Municipal tropeçou na proposta do Governo que quis transferir, numa espécie de "leasing", tudo o que é património termal (incluindo as vergonhosas ruínas que são os pavilhões do Parque D. Carlos I) para a gestão municipal. Ainda tentou convencer a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa a investir mas parece ter dado com os burrinhos na água. Encomendou em Abril um estudo (sobre as termas... no ano de 2035!) e depois desapareceu.
Até que em Julho, como quem muda de ideias apressadamente, levou à Assembleia Municipal a proposta de aprovação da cedência do património termal para a gestão municipal.
Em circunstâncias normais, uma decisão destas seria acompanhada por algo mais do que um simples "31 de boca": um plano, um projecto de protocolo, uma carta de intenções, o anúncio de qualquer parceria para suportar a futura despesa de milhões de euros (já há várias versões) em que a câmara (ou todos nós?...) terá de entrar. Mas não foi, e essa aprovação parece ter servido apenas para garantir que a coisa ficaria nas mãos camarárias tipo "mais vale um pássaro na mão do que dois a voar".
A proposta teve uma votação curiosa.
O PSD votou, obviamente, a favor. O CDS, seu parceiro de governo nacional, também. O Movimento Viver o Concelho (MVC) também. O PS absteve-se e o PCP votou contra.
A posição do PS foi, de longe, a mais coerente. A do MVC foi institucionalmente correcta mas foi também a mais perigosa. Uma coisa é a aceitação da cedência do património termal sem nada de definido, acreditando na bondade de um eventual consenso em torno de uma proposta camarária. Outra é a de um tiro no escuro: todas as dúvidas são legítimas (diria que mesmo obrigatórias) sobre a capacidade dos actuais gestores municipais de fazerem alguma coisa de jeito com o património municipal.
Aliás, se tivessem essa capacidade já o teriam demonstrado, com um plano objectivo, concreto e coerente. Mas nada existe, nem a capacidade nem um plano.
E é este vazio que torna tudo mais complexo.
O anúncio, há um ano, do projecto das Termas das Gaeiras, em Óbidos, a começar do zero e não com estruturas já existentes cuja reabilitação e manutenção podem ser muito dispendiosas, introduz um elemento decisivo: os investidores, os recursos e os clientes irão para Óbidos e não para Caldas da Rainha. E Caldas da Rainha já perdeu um ano.
Em 19 de Setembro do ano passado escrevi aqui o seguinte: Não é possível, nem plausível, que Tinta Ferreira, o candidato do PSD à Câmara Municipal das Caldas da Rainha e presidente da interino da Câmara por herança de Fernando Costa, não soubesse do projecto da Câmara Municipal de Óbidos para as Termas das Gaeiras, que fica mesmo na "fronteira" dos dois municípios.
O vazio que se instalou dá-me razão e só confirma que o PSD de Caldas da Rainha está a encaminhar o concelho de Caldas da Rainha para a mais absoluta, estagnada e degradante estagnação. E talvez deliberadamente.
 
Amanhã: Uma teia de cumplicidades

quinta-feira, 13 de janeiro de 2022

Notas de prova

 

Quinta da Espinhosa — Branco Reserva 2019 — DOC Dão Sub-Região Serra da Estrela 
Encruzado e Malvasia-Fina
Alberto A. R. Oliveira Pinto, Vila Nova de Tazem
13,5% vol.
Muito bom!



Quinta da Fata — Tinto Clássico 2012 — DOC Dão 
Touriga Nacional, Tinta Roriz e Alfrocheiro
Quinta da Fata, Vilar Seco (Nelas)
13,5% vol.
Excelente.



Vale de Vila — Tinto Reserva 2020 — DOC Douro 
Touriga Nacional e Touriga Francesa
Vale de Vila e Figueira, Lda., São João da Pesqueira
15% vol.
Muito bom
(Bebido no restaurante O Recanto, em Caldas da Rainha, 
a acompanhar Cabeça de Porco Fumada com Feijoca).



Casa das Gaeiras — Tinto 2020 — DOC Óbidos
Touriga Nacional, Tinta Roriz e Syrah
Tapada das Gaeiras, Sociedade Vitivinícola, Lda./Parras Wines, Maiorga (Alcobaça)
13,5% vol.
Muito bom
(Bebido no restaurante O Recanto, em Caldas da Rainha, 
a acompanhar Galo Capão com Macarrão).



Paulo Laureano Vinhas Velhas — Tinto 2014 — Vinho Regional Alentejano
Aragonez, Trincadeira e Alicante Bouschet
Paulo Laureano Vinus, Lda., Vidigueira
14% vol.
Muito bom.


Poliphonia — Tinto Reserva 2016 — Vinho Regional Alentejano
Alicante Bouschet, Aragonez e Syrah
Granacer, Monte dos Perdigões, Reguengos de Monsaraz
14,5% vol.
Bom.



Montes — Tinto 2016 — Vinho Regional Lisboa
Syrah e Touriga Nacional
Adega Cooperativa de Alcobaça, Alcobaça
14% vol.
Bom!


sexta-feira, 20 de setembro de 2013

O sugestivo silêncio da "Gazeta"

Vendo-a sempre tão feroz nas suas campanhas e "guerras santas", esperava que a "Gazeta das Caldas" fosse perguntar ao candidato do PSD caldense e presidente camarário por acto sucessório se conhecia a existência do projecto das Termas das Gaeiras no vizinho concelho de Óbidos.
Qualquer jornalista, ou jornal mais atento, o faria. E qualquer resposta seria notícia. Mas a "Gazeta das Caldas" não o fez.
E terá decerto motivos muito fortes para isso, porque até deu notícia das Termas das Gaeiras, o que significa que, mesmo que tenha sido por mero acaso, até reparou na existência do assunto...

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

O Termas-Gate de Tinta Ferreira

 
Não é possível, nem plausível, que Tinta Ferreira, o candidato do PSD à Câmara Municipal das Caldas da Rainha e presidente da interino da Câmara por herança de Fernando Costa, não soubesse do projecto da Câmara Municipal de Óbidos para as Termas das Gaeiras, que fica mesmo na "fronteira" dos dois municípios.
Se sabia, perante a situação de encerramento e de indefinição do hospital termal de Caldas da Rainha, devia ter dito alguma coisa publicamente.
Nem que fosse que há lugar para duas termas a uma distância de vinte ou trinta quilómetros entre si, ou público para as duas ou fosse lá o que fosse.
Não podia era ser apanhado nesta situação de silêncio comprometido.
E se Tinta Ferreira não sabia... ainda é pior.
Porque isso só pode significar que ninguém teve qualquer consideração por ele para lhe passar cartão. Nem no PSD nem por via da relação institucional normal entre dois municípios vizinhos.
Um presidente de câmara assim é o pior que Caldas da Rainha pode ter!
E isto tudo não é senão um "Watergate", e a meter água, em versão Tinta Ferreira.
*
 
Escrevi sobre o risco de as termas de Caldas da Rainha não terem futuro aqui.
Há mais pormenores sobre as Termas das Gaeiras, via Óbidos Diário, aqui.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Notas de prova



Casa das Gaeiras - Branco 2015 - DOC Óbidos
Arinto, Chardonnay e Fernão Pires
13% vol.
Tapada das Gaeiras - Parras Vinhos, Maiorga
Muito bom

domingo, 15 de setembro de 2013

O drama da "Gazeta das Caldas"

Já conhecia a "Gazeta das Caldas" antes de vir viver para Caldas da Rainha por encontrar este jornal em casa de um grande amigo meu em São Martinho do Porto.
A "Gazeta" teve, desde o início, dois elementos de interesse para mim: fornecia um retrato interessante do concelho, com muitas notícias locais publicadas com um ponto de vista mais abrangente do que aquele que caracteriza a imprensa regional, e tinha muitos anúncios de imobiliário.
Tornei-me assinante para garantir que encontrava o jornal todas as semanas, quando cá vinha, e mantive-me assinante.
E fui vendo, todas as semanas e ao longo de mais de dez anos, como o jornal foi... murchando. A palavra pode parecer severa demais mas é aquilo que sinto e aquilo que, esta semana, a própria "Gazeta" confessou: as limitações financeiras que enfrenta.
Há circunstâncias muito objectivas que são sempre difíceis. Mas, olhando com atenção para a "Gazeta", é fácil de perceber que o drama deste jornal não tem só a ver com isso. Tem a ver com o alheamento que, todas as semanas, vai aumentando relativamente ao quotidiano do concelho. Conseguindo, com isso, alienar leitores e potenciais compradores e, muito provavelmente, alguns anunciantes.
Quem, à distância, folheie a "Gazeta" já não encontra nela o retrato do concelho de Caldas da Rainha.
Não há notícias sobre os problemas das povoações do interior. O incómodo das obras no meio da cidade sobrepõe-se, noticiosamente, à falta de obras fora da cidade que fazem desesperar os restantes moradores do concelho. Os problemas do concelho foram remetidos para o correio dos leitores, o que, sendo útil, é manifestamente redutor. Na sua coluna da última página e em muitos editoriais, a "Gazeta" quis intervir (e muitas vezes em tom inflamado mais próprio de um jornal partidário...) na política nacional, voltando costas à política regional. Perdeu tempo e espaço com campanhas inflamadas (o caso da Linha do Oeste é o melhor exemplo) sem perceber que isso não conduzia a nada e que conviria parar a tempo: a Linha do Oeste, por muito que isso custe a toda a gente, é um assunto encerrado, como se viu na ridícula opção de reforçar a ligação Coimbra-Caldas em detrimento da ligação Lisboa-Caldas.
A edição desta última sexta-feira é desgraçadamente exemplar. Além da nota sobre as suas próprias dificuldades (a "Gazeta" teve essa franqueza, ou a isso foi obrigada), encaixota mais um maço de entrevistas aos candidatos autárquicos de Caldas e Óbidos, faz contrastar o tom feroz de outra campanha (a do hospital termal) com o modo delicado como noticia agora o lançamento das Termas das Gaeiras (coincidindo com o anúncio de meia página que obteve) e dedica todo o correio dos leitores a artigos de opinião e profissões de fé de outros tantos candidatos autárquicos sem sequer dizer que o são e explicar essa opção. Nada de novo, infelizmente, porque já na semana anterior fez o mesmo, caucionando um chorrilho cobarde de asneiras, mentiras e calúnias de um diminuto candidato.
É possível que a "Gazeta" sobreviva à sua crise, tal como está ou noutras mãos.
Também pode ser que emigre para o "on line" e se adapte melhor nesse meio.
Ou que então feche.
Em qualquer dos casos, e relativamente ao que a "Gazeta" já foi, será sempre uma perda.
Sendo tão grande a atenção que dedica à política nacional, a "Gazeta" devia também ter presente o que aconteceu a muitos jornais que acreditavam nos "amanhãs que cantam" do jornalismo nacional.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

O MVC ao ataque

O MVC (Movimento Viver o Concelho), que se estreou nas eleições de Setembro em Caldas da Rainha, abordou três problemas prementes da cidade e do concelho, intervindo deste modo activamente nos assuntos que têm a ver com a vida quotidiana dos seus habitantes.
Um é o das obras caóticas na cidade, exortando a Câmara Municipal a "tudo fazer para que seja melhorado o planeamento das obras e oferecidas alternativas adequadas de circulação de viaturas e de peões, cumprindo-se escrupulosamente os prazos e orçamentos previstos, a par de uma informação mais eficaz aos cidadãos, tanto nos locais das obras como nos meios de comunicação social".
A segunda intervenção é a de Edgar Ximenes, eleito do MVC na Assembleia Municipal, que escreve na edição do "Jornal das Caldas" de hoje sobre as encerradas termas de Caldas da Rainha e sobre as anunciadas Termas das Gaeiras de Óbidos: "No plano termal, Óbidos ainda não tem nada mas pode vir a ter alguma coisa, enquanto Caldas tinha tudo e agora parece não ter nada."
A terceira é de Miguel Miguel, no mesmo jornal, acompanhando a elaboração do Orçamento Participativo.
A ausência de qualquer intervenção concreta do PS, do CDS, do PCP e do BE sobre estas matérias só confirma a incapacidade que esses partidos têm de ir além das modestas provas de vida que procuram fazer nas eleições e na Assembleia Municipal e a importância que o MVC tem de continuar a assumir na abordagem dos problemas concretos do concelho. 

sexta-feira, 16 de maio de 2014

A beatificação de Tinta Ferreira

Prossegue a beatificação do presidente da Câmara Municipal de Caldas da Rainha no âmbito do conúbio entre o extraordinário alcaide e o não menos extraordinário director do outrora objectivo "Gazeta das Caldas".
Esta semana, o jornal brindou-nos com uma entrevista de três páginas na íntegra e uma chamada na primeira página cujo título ("Obras já estão atrasadas") deve ter sido o produto de um qualquer rebate de consciência. Ou talvez o director estivesse distraído.
Acredito, pela pose do alcaide, que o título preferido do director pudesse ser algo como "O Marquês de Pombal de Caldas da Rainha".
Da extensa entrevista escorrem apenas duas coisas verdadeiramente relevantes.
Uma é a confirmação do conflito entre o alcaide e a chuva. Insensível aos caprichos da meteorologia (matéria que não era ensinada no curso de Direito da Universidade Autónoma de Lisboa na época dourada dos "pólos"), o aspirante a Marquês de Pombal atribui os atrasos nas obras que têm estado a destruir a capital do concelho à chuva. Obras que começaram em Julho ou Agosto do ano passado, num ano onde, pelo menos em Caldas da Rainha, não houve chuvas torrenciais, tempestades tropicais ou tsunamis.
É uma desculpa débil para os inevitáveis resultados do mau planeamento e da megalomania mas o presidente já teve oportunidade de revelar (como aqui demonstrámos) a sua imperícia meteorológica.
O segundo elemento é a vontade que o chefe do PSD caldense revela de absorver Óbidos, Alcobaça e Rio Maior.
Com Caldas da Rainha completamente secundarizada e descaracterizada, calcular-se-á o que uma mistura destas traria ao concelho. E quem mandaria? Quem é que tem maior peso turístico? É Óbidos.
Talvez isto explique o desinteresse da câmara de Caldas da Rainha pela morte anunciada do seu Hospital Termal. Quem ganha será a câmara de Óbidos e o seu projecto termal das Gaeiras. Que talvez também tenha motivos para beatificar Tinta Ferreira.
 

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

A segurança do Espírito Santo em cima da passagem de peões


Infelizmente, é habitual: as carrinhas de transportes de valores são muitas vezes conduzidas por idiotas, de quem os cérebros parecem ter fugido a grande velocidade, que as plantam tipo cena de guerra em cima dos passeios e das passadeiras de peões.
Eis um caso flagrante, protagonizado pela viatura de matrícula 17-92-UM da Essegur (Grupo Espírito Santo), às 14h30 de hoje no supermercado Intermaché das Gaeiras (Caldas da Rainha).
Isto tem de ser sempre assim?



quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Porque não votarei no PCP no dia 29

O PCP não me convenceu. Entalado entre a verborreia do "pacto de agressão" e do "governo de direita", que nunca deixou de invocar, o PCP parece ter tido pouco tempo para se ocupar a tempo inteiro dos problemas reais e concretos do concelho.
O turismo (que gera mais emprego e mais receitas)? Nada.
O aumento brutal do custo da água e os desperdícios das rupturas? Não vêem.
O empreendimento gigantesco do Plano de Pormenor da Estrada Atlântica (que iria gerar centenas de novos empregos)? Não sabem o que é.
As termas caldenses que trariam receitas ao concelho e que foram ultrapassadas pelas Termas da Gaeiras? Ficam longe.
A sujidade do concelho? Não os incomoda.
O isolamento dos idosos nas povoações do interior? Não os preocupa.
O gasóleo camarário? Pois, pelos vistos...
O PCP está, como o PS, prisioneiro da tentativa de afirmar uma política de oposição ao Governo e sobra-lhe pouco tempo para dedicar toda a sua atenção às eleições autárquicas, em especial nos concelhos onde sabe que nunca ganhará. É o caso de Caldas da Rainha onde pensam que fazer prova de vida é o suficiente e onde duas ou três ideias interessantes se perdem no caldeirão da política nacional..
Pode acontecer que o PCP ganhe mais alguns votos em Caldas da Rainha na lógica do "voto de protesto". Mas serão sempre votos perdidos, sem impacto a nível da melhoria da vida no concelho.
 
*
Não considero a CDU do PCP um acto politicamente honesto. A organização que se intitula "Os Verdes" e que tem a sigla PEV já se devia ter sujeitado ao escrutínio do eleitorado há muito tempo. É uma organização que só tem chegado ao Parlamento pela mão do PCP e que não se sabe que representatividade tem. A democracia não deve alimentar estas coisas tão pouco transparentes que só a complacência da imprensa deixa medrar.
 
Amanhã: o BE

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Porque não votarei no PS no dia 29

Houve quatro coisas que me desagradaram nesta candidatura do PS.
Uma foi a impressão, e não é caso único, de que se limitava a cumprir a obrigação de, fazendo regularmente prova de vida na Assembleia Municipal (órgão que os seus membros têm transformado numa espécie de "parlamento dos pequeninos"), ter de se apresentar a eleições de quatro em quatro anos, com um rumo que vai sendo sempre definido, e redefinido, pelo "dono" da candidatura.
A outra foi a constatação, logo desde o início, de que o PS estava apenas preocupado com "a cidade".
Para esta candidatura não há um concelho feito de uma cidade e de várias freguesias e povoações com seres humanos que as habitam. Há apenas "a cidade".
É a expressão mais coerente da perspectiva de algumas pessoas que moram na cidade e que têm horror à "sujidade" dos campos, ao sol da costa atlântica e ao ar livre, beneficiando de algum conforto material que julgam inerente à vida urbana e de alguma influência na sua comunidade fechada.
O programa do PS, só agora conhecido, ilustra esse ponto de vista.
É um programa para uma cidade e não para um concelho.
A terceira foi a escolha da imagem esborratada de um coração para ilustrar a sua campanha de limpeza da "cidade". Foi de um enorme mau gosto e mostra, mais uma vez, como desconhecem e desprezam um concelho onde se amontoa toda a espécie de lixo por todo o lado.
Finalmente, o episódio das camisolas iguais às do MVC: foi um péssimo cartão de visita.
É-me impossível dar o meu voto a isto.
Não penso que o PS possa ganhar estas eleições e se a sua votação subir será apenas por efeito da débil candidatura do PSD. Esses votos, no entanto, serão votos completamente perdidos se de facto forem parar ao PS.
 
*
 
O PS alheou-se, estranhamente, da polémica sobre o gasóleo municipal. Ignorou o que aprovou na Assembleia Municipal (o Plano de Pormenor da Estrada Atlântica). Não ligou à possibilidade de, pelo menos, rever as taxas absurdas que tornam proibitivo o preço da água. Não percebeu o significado das Termas das Gaeiras por contraponto com o declínio das termas caldenses. No seu programa não há uma referência ao turismo.
Pouco antes das eleições de 2009, pareceu que António José Seguro iria encabeçar a lista do PS caldense. Se cá tivesse ficado, em vez de ambicionar chefiar o PS nacional, poderia ter sido melhor para todos.

Amanhã: o CDS


quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Ficar na fotografia é que é bom e então com ministro e milhões ainda é melhor...



 
Caldas da Rainha não existe.
Aliás, até se calhar é melhor que não exista, que não se dê definitivamente pelo concelho e pela sua capital.
Das obras intermináveis e sempre atrasadas (porque chove, porque faz sol, porque as empresas não-sei-quê, por causa de tudo e de mais um par de botas) ao estado de degradação absoluta da Lagoa de Óbidos e da sua margem norte, o presidente da Câmara Municipal de Caldas da Rainha só quer uma coisa: aparecer no maior número possível de fotografias.
E aqui está ele, na primeira página do "Jornal das Caldas" de hoje, a tentar mostrar, a estender a mão com o copo para o tchim-tchim ministerial, a fazer de conta que tem importância. Não é a Cabovisão, que é onde se está bem, mas ficar no "boneco" ao lado de um ministro até pode ser mais favorável.
E há os milhões, claro.
Mas para quê? E para quem?
A Lagoa de Óbidos, enquanto ainda há esperanças de a salvar, é nominalmente de Óbidos. Os milhões de euros são anunciados em Óbidos. Hão de abrir primeiro as termas das Gaeiras e não as de Caldas da Rainha. Os turistas vão para Óbidos e não para Caldas da Rainha.
E neste lado, da margem norte da Lagoa à Foz do Arelho, da costa atlântica onde o lixo se amontoa à negligenciada Salir do Porto, talvez também ganhássemos todos se pertencêssemos ao concelho de Óbidos.
 
  

terça-feira, 8 de abril de 2014

A câmara de Caldas quis ver-se livre do problema que era o hospital termal?

 
Parece que sim, que terá sido essa a ideia que levou à "fuga" da informação sobre a proposta governamental sobre as termas de Caldas da Rainha para a "Gazeta das Caldas".
O "marketing" político ensina estas coisas: entrega-se uma informação a um jornal amigo, que a publica sem comentários, e fica-se à espera do resultado para depois se agir, de acordo com os interesses de quem deixa divulgar essa informação.
Neste caso, com a câmara municipal de Tinta Ferreira em silêncio (o assunto não lhe interessa...), verifica-se que também os partidos do "status quo" optaram pelo silêncio. Não há clamor público que se faça ouvir. O hospital termal não é, obviamente, uma "causa". O assunto fica, deste modo, desvalorizado e é fácil esquecê-lo.
Tal como é fácil, aliás, esquecer o silêncio que o actual presidente camarário manteve sobre as concorrentes Termas das Gaeiras, do concelho de Óbidos...

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Turismo de catástrofes - o melhor turismo para a Lagoa de Óbidos...em Caldas da Rainha

Em Óbidos, que Caldas da Rainha não tem nada a ver com o assunto, já existe um plano de "marketing" para a Lagoa de Óbidos (que "pertence" ao município de Óbidos e de Caldas da Rainha).
É ambicioso, anuncia um festival para o verão de 2014 e aponta, como seria de esperar, à parte obidense da lagoa.
A iniciativa foi da Associação Empresarial de Óbidos, município que às suas diversas iniciativas em prol do turismo e da angariação de receitas para a sua região (o festival do chocolate, o Mercado Medieval, a Vila Natal e as Termas das Gaeiras) junta agora o aproveitamento da Lagoa de Óbidos. 
A apresentação deste projecto coincidiu com mais um fecho da passagem que liga a lagoa ao mar (a "aberta") e com uma intervenção apressada numa situação que nada tem de novo.
Neste processo todo, onde a Câmara Municipal de Óbidos surge em destaque, a Câmara Municipal de Caldas da Rainha confirma a sua irrelevância e a irrelevância para onde arrasta todo o concelho. 
Não tem nada a ver com o que pode ser o bom aproveitamento turístico da Lagoa que, em parte, é sua. Não mexeu uma palha, que se visse, para forçar as dragagens na Lagoa (cuja ausência também provou o fecho da "aberta". E acorreu, estremunhada, à intervenção de emergência.
Por este andar, a Câmara Municipal de Caldas da Rainha ainda pode ir a tempo de apostar no "turismo de catástrofes", que já faz movimentar muita gente por esse mundo fora, à procura das emoções fortes que os desastres naturais (e menos naturais) suscitam nos que os vêem de fora.
É a mais fácil "notoriedade" que se pode obter e até dispensa planos de "marketing".
 
*
 
A "Gazeta das Caldas" faz hoje uma das suas mais extraordinárias primeiras páginas de sempre: o anúncio da pequena catástrofe da Lagoa de Óbidos unida ao plano de "marketing" da Associação Empresarial de Óbidos.
A opção pode ter sido irónica (embora não pareça) ou pode ter sido apenas mais uma manifestação de um certo alheamento do mundo que caracteriza esta publicação, que, se zela pelos interesses da sua terra e gostando tanto de dar opinião, não devia deixar passar em claro o contraste entre a emergência e o interesse que Óbidos manifesta no assunto, perante o silêncio de Caldas da Rainha.
O que se confunde com a postura de "atentos veneradores e obrigados" perante o poder político camarário (por motivos em concreto não apurados, como se costuma dizer noutra sede...) que vão mantendo.
E já agora que muita gente parece ter memória curta, vale a pena recordar a famosa acção da campanha eleitoral em que o actual presidente da Câmara Municipal de Caldas da Rainha embarcou, indo passear de barco para a Lagoa de Óbidos, numa espécie de afirmação de defesa da lagoa que, como está à vista, não foi mais do que demagogia:
 
 
Ainda se lembram?
 

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Notas de prova


Casa das Gaeiras - Tinto 2015 - DOC Óbidos
Touriga Nacional, Tinta Roriz e Syrah
Parras Vinhos (Maiorga, Alcobaça)
13,5% vol.
Muito bom.

domingo, 16 de novembro de 2014

Idiotas com cão (9): uma forma de abandono que a GNR não quer ver


Na fechada Fábrica de Rações Avenal, perto do Intermarché de Gaeiras nas traseiras da Auto Júlio e do ginásio Balance Caldas da Rainha, está aprisionado um cão numa casota improvisada que dá a ideia de já pouco se mexer.
O terreno da fábrica, sem sinais de actividade, é enorme. Mas, talvez para funcionar como cão de guarda, alguém resolveu montar uma espécie de casota junto ao portão e prender aí um cão com uma corrente que não lhe permite afastar-se muito.
Qualquer pessoa se pode aproximar, no entanto, que o cão nem dá sinais de vida. Da pouca vida que se calhar ainda vai tendo, porque nem se percebe se o alimentam, ou não.
Há uma semana contactei o Serviço da Protecção da Natureza e do Ambiente (SEPNA) da GNR que me recomendou que falasse para a GNR de Caldas da Rainha. Acedeu, no entanto, a reencaminhar as informações e as fotografias para esses seus colegas.
Enviei-lhes tudo mas, para já, de pouco serviu. Esperava melhor do SEPNA, apesar de tudo.


O portão

A casota improvisada

O cão está lá dentro e já pouco parece mexer-se


quarta-feira, 11 de setembro de 2013

O meu diário das eleições autárquicas - 4.ª feira, 11 de Setembro: o adeus às termas

A notícia é discreta mas o "Jornal das Caldas" terá tido a percepção do seu significado ao puxá-la para a primeira página: Óbidos, a Câmara Municipal de Óbidos, quer explorar a água mineral das Gaeiras num espaço termal.
Ou seja, o concelho vizinho pode vir a ter termas.
Se for esse o caso, adivinhem quais vão ser as termas preferidas por muita gente. Pois, as Óbidos, concelho que tem uma oferta e uma relevância turísticas que não existe em Caldas da Rainha.
Há poucos dias, os candidatos do PSD de Caldas da Rainha e de Óbidos foram fazer um "show off" aquático conjunto para a Lagoa de Óbidos (repete-se: Lagoa... de Óbidos).
Se o candidato caldense foi informado deste projecto, ou já sabia, ficou calado. O que é grave.
Se não sabia e ficou a saber agora, tipo marido enganado... não é menos grave.
A questão das termas caldenses tem sido motivo de grandes debates. Parece que já não vale a pena...

quarta-feira, 10 de julho de 2019

Notas de prova


Casa das Gaeiras - Tinto 2018 - DOC Óbidos
Touriga Nacional, Tinta Roriz e Syrah
Parras Vinhos (Maiorga, Alcobaça)
14% vol.
Muito bom!
(Bebido no restaurante O Recanto, em Caldas da Rainha, 
a acompanhar cabrito assado.)

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Assuntos esquecidos... e talvez proibidos (3)

[Na campanha para as eleições autárquicas de 29 de Setembro deste ano, e antes, foram abordados diversos temas que parecem perturbar a maior parte dos protagonistas políticos (e da comunicação social local) de Caldas da Rainha. Significativamente são assuntos por resolver e por esclarecer. É sempre útil recordá-los.]

Caldas da Rainha é uma cidade termal e essa actividade podia garantir notoriedade, receitas e mais emprego ao concelho. Mas o hospital termal continua mergulhado numa situação de indefinição em que vai definhando, num quadro em que as vizinhas Termas das Gaeiras (do turisticamente inteligente concelho de Óbidos) se sobreporão. Disse-se muito e escreveu-se outro tanto antes das eleições sobre as termas das Caldas. Mas era tudo fogo de vista. Na melhor das hipóteses, claro...