Por um feliz acaso, e não acredito que tenha sido mais do que isso, o "Diário de Notícias" apresenta hoje na primeira página duas situações de bloqueio, uma de política e de finanças públicas, e a outra de postura política.
Os bancos têm sido "ajudados" pelo Estado, apesar de serem um dos sectores mais poderosos da sociedade portuguesa. Mas a "ajuda", proveniente do dinheiro "dos contribuintes" (ou seja, dos nossos impostos), entra... e não sai. Ou sai a contra-gotas.
São, neste caso, 21 mil milhões de euros, que poderiam dar algum jeito ao nosso "futuro" mas que estão nas mãos dos banqueiros. E que são bons para o "futuro" deles. Não é caso único, aliás. O nosso país é pobre mas é perdulário. Há sempre dinheiro para os amigos, os dos bancos e dos Kiev. E para todos os outros. Mas recuperar o que parecem ser empréstimos é que nada. Para nós, este dinheiro já ardeu. Pars os outros, é sempre um consolo para o futuro deles.
Perante esta e outras situações de bloqueio, que nenhuma da actual "cultura política" consegue romper (e nos últimos anos só um político é que mostrou ter coragem para pôr os bancos em sentido), temos um Presidente da República que se perde nos lugares-comuns, a usar frases feitas, numa espécie de discurso pantanoso que quer significar tudo e o seu contrário e que apenas protege o pântano em que nos atolámos. Mais um, numa linhagem que, essa sim, é que tem "futuro". Que não é o do País, claro.
Não me surpreende. Não esperava melhor do cidadão que agora é Presidente da República e, esperando até pior do que isto, não votei nele.
Já agora, o que mais me surpreende, no entanto, é o modo como muito boa gente se manifesta neste altura arrependida por ter votado nele, inebriada pela mixórdia que foi essa espécie de União Nacional informal que nasceu em Janeiro.
Chega a ser comovente... em especial quando estes que se lamentam já tinham, em Janeiro, idade para terem juízo. Digamos que estes também não dão mostras de ter grande "futuro"...
(Imagem de fonte aberta de acesso público.)

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