sábado, 12 de setembro de 2015

Jornalismo de campanha mas "de referência"

 
Os diários ditos de "referência" deitam fora a objectividade jornalística e entram na campanha política, alinhados com a oposição.
O "Público" lança um extraordinário título com imagem em grande plano da dirigente do BS: "Catarina Martins insistiu, mas Passos não pediu desculpa nem mostrou números" (sublinhado nosso).
No "Diário de Notícias", na primeira página, escreve-se este mimo: "Recensearam-se nas embaixadas para votar e receberam no correio panfletos da coligação PSD-CDS. A prática é legal, mas os jovens emigrantes ficaram espantados por a propaganda vir de quem os incitou a deixar o país" (sublinhado nosso). 



 
 
O "Avante!", o "Acção Socialista" ou o clandestino "Bloco" não fariam melhor. E por mau aspecto  que dê imputar parte de um eventual insucesso da coligação governamental a este tipo de comportamento de algum jornalismo luso, o certo é que não escasseiam os maus exemplos...

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Preço da água, Hospital Termal, obras e a desistência das oposições em Caldas da Rainha


1 - Há três anos houve um aumento nos preços do fornecimento de água praticados pelos Serviços Municipalizados da Câmara Municipal de Caldas da Rainha que, pelo efeito multiplicador das várias taxas, fez com que o custo pago pelos consumidores subisse para o dobro.
O mau serviço prestado pelos Serviços Municipalizados não melhorou. Alguns protestos e queixas individuais não tiveram eco na oposição ao PSD municipal: o PS, o CDS, o PCP, o que ainda restava do BE e, fora da Assembleia Municipal, o futuro MVC aceitaram os aumentos. Agora estão nas calhas mais aumentos e, segundo o PS, nada o justifica. Pelo contrário. Mas a maioria do PSD na Câmara e na Assembleia Municipais pode impor esses aumentos.
 

O aumento do preço da água não serviu para investir na rede de abastecimento



2 - Para a financeiramente pouco sólida Câmara de Caldas da Rainha, o ónus do atraso na ansiada entrega do Hospital Termal está agora no Tribunal de Contas, que lhe pediu "um conjunto de esclarecimentos".
Não se sabe se, entre esses esclarecimentos, está a certeza de que a câmara consegue evitar cair no buraco financeiro decorrente das responsabilidades com o Hospital Termal que quer levianamente assumir.
As oposições, que infelizmente se dividiram nesta matéria na Assembleia Municipal, deviam fazer-se ouvir. Mas não é o caso. Estão mudas e quedas. E, entretanto, vai avançando o processo das termas no concelho vizinho de Óbidos. Alguém sinceramente acredita que, com termas já em funcionamento mesmo ao lado, um hospital termal na cidade de Caldas da Rainha tem alguma hipótese?!




"Gazeta das Caldas", 28.08.15




3 - Numa das entradas da capital do concelho (que talvez seja a entrada principal para quem se desloca pela A8) há obras interrompidas há várias semanas. O trânsito faz-se com dificuldade, o aspecto é ofensivo. Mas impera o silêncio.
 


Obras paradas: nada de novo neste concelho


Estes três temas não esgotam a crítica que se esperaria que fosse feita à gestão PSD da Câmara Municipal de Caldas da Rainha por uma oposição de que eu (e se calhar não só eu) esperava muito mais: mais resistência, mais intervenção, menos complacência e menos passividade. E um pouco mais de cultura política.
À excepção do PS (e, mesmo assim, em regime de "serviços mínimos"), a oposição caldense desistiu, cansou-se, ou distraiu-se do seu papel. Ou foi de férias. Ou mudou-se.
Em termos partidários, o PS e o CDS têm feito as suas provas de vida embora o CDS, coligado com o PSD a nível nacional, tenha optado por hostilizar pouco o PSD a nível local.  O MVC (Movimento Viver o Concelho), cuja intervenção me iludiu, e o PCP andam entretidos com as eleições nacionais.
Nada disto, no entanto, serve de desculpa para a falta de comparência das oposições. O pedido dos votos aos eleitores pressupõe um compromisso de intervenção política regular, persistente, coerente e pública. Não é o que se vê em Caldas da Rainha.
E se o PSD caldense fosse suficientemente arguto e inteligente para ter sentido de humor, bem podia começar a escolher os principais dirigentes oposicionistas  para os condecorar no próximo 15 de Maio pelos relevantes contributos que andam a dar para a glória das extraordinárias criaturas da "nova dinâmica". 

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

As novas obras sem fim de Caldas da Rainha

 
 



Já aqui falei disto, há quase um mês: de obras que não se percebe para que servem e que estão paradas há muitas semanas, entre uma das rotundas de entrada em Caldas da Rainha para quem vem da A8 e a rotunda de acesso ao supermercado E. Leclerc, na Rua Vitorino Froes. Obras públicas de um PSD autárquico que, num inevitável sarcasmo, se autodenominou como "nova dinâmica".
Não há uma explicação, uma justificação, uma informação que seja. Nem, verdade seja dita, um protesto. Toda a gente aceita isto, incluindo os moradores.
Toda a gente gosta, se calhar, a pensar que é um sinal de progresso.

Um post que até pode ter uma leitura política (1)


A "nova dinâmica" está a engordar muito e com ar pouco saudável.

domingo, 6 de setembro de 2015

Insolação cultural

É de supor que o sol tenha brilhado em excesso por cima do simpático jornal "Sol", onde talvez não haja capacidade de resistência para um tal brilho, o que pode ter dado origem a uma inesperada insolação*.
A sua revista desta semana abre logo com uma mirabolante explicação para uma sigla conhecida: RIP significa "rest in peace".
Ora, RIP é, na sua origem, uma expressão latina: "requiescat in pace" (ou seja, "que descanse em paz"). 
A língua inglesa, como a conhecemos, é posterior ao latim, pelo que é tonto escrever que RIP significa "rest in peace". Significar, significa mas mesmo em inglês o certo é que a expressão vem do latim. No mínimo há nisto alguma falta de conhecimentos de "cultura geral"
Duas páginas à frente há mais uma do género: "desabilitado".
A palavra significa "perder a habilitação" mas, neste caso, refere-se a uma incapacitação física. O correcto seria "incapacitado". O "desabilitado" vem do inglês "disabled". No mínimo também se pode dizer que há nisto alguma falta de "cultura geral".
Onde o sol também deve ter provocado insolações foi na Ajuda, onde "mora" o insuportável secretário de Estado da Cultura, que se derrama numa entrevista desinteressante à mesma publicação, afirmando que leu, na infância ou na adolescência, o monumental "Guerra e Paz" em "dia e meio". Pode ser que essa experiência, que a ter existido há de ter sido traumatizante, explique a sua tão característica arrogância...
 
 
*Este parágrafo, na novilíngua deste tipo de gente, deveria ter sido escrito assim: "Supostamente, o sol brilhou em excesso por cima do simpático jornal "Sol", onde alegadamente não haverá resiliência para um tal brilho, o que pode ter dado origem a uma improvável insolação."

Caldas da Rainha





O futuro do concelho de Caldas da Rainha e da sua capital está metido num beco por uma gestão municipal incompetente.
Começam-se obras que depois ficam por acabar. A sujidade reina.
As oposições vivem na ilusão de que, um dia, o poder lhes cairá nos braços e de que lhes basta terem fé para que isso aconteça.

sábado, 5 de setembro de 2015

Muito gosta esta Câmara Municipal da porcaria! (7)

 
Lixo late night em Caldas da Rainha
 
 



 

 
 

Questões básicas


1 - A passagem do ex-primeiro-ministro arguido da cadeia de Évora para prisão domiciliária é má para António Costa (e para o PS) porque desvia as atenções da imprensa do segundo para o primeiro, pelo menos enquanto notícia.
 
2 - Esta situação pode ser ainda pior para António Costa (e para o PS) se o ex-primeiro-ministro não ficar calado e der voz a todos os seus ressentimentos contra o seu antigo ministro que só o foi visitar uma vez, e de passagem e que já não garante a reconquista do poder pelo PS em 4 de Outubro.
 
3 - Se o ex-primeiro-ministro, por hipótese, quiser acompanhar António Costa na campanha do PS, será mesmo ainda pior porque a imprensa quererá ouvi-lo a ele e não ao homem que ainda está a tentar ser primeiro-ministro.
 
4 - A alteração da medida de coação (porque é disso que se trata e não de uma "libertação") deve ser lida à luz de uma notícia discreta dada pelo "Correio da Manhã" há dias, de que iam ser extraídas certidões para processos autónomos da "Operação Marquês", e da manchete do mesmo jornal de hoje: a de que já há uma investigação concluída (relativamente a Vale de Lobo, envolvendo Armando Vara e Hélder Bataglia). Ou seja: a ser verdade, pode haver uma primeira acusação muito em breve... e antes das eleições?
 
5 - O dia de ontem (com mais uma sondagem fortemente negativa e a entrada em cena do espectro que é Sócrates para o PS e o seu eleitorado) pode muito bem ter sido o dia em que o PS perdeu mesmo as eleições de 4 de Outubro.
 

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Adeus a Lee Child

 
Li o primeiro livro de Lee Child em 2002, penso que "The Killing Floor", comprado autografado numa livraria do centro comercial Apolo 70, e gostei de imediato da personagem de Jack Reacher.
Li praticamente todos os seus livros desde então e só posso elogiar o modo como Child construiu a imagem física do seu herói e a fez entrar em histórias bem escritas e bem contadas.
No entanto, não gostei mesmo nada de saber que o actor Tom Cruise se apropriou da personagem de Jack Reacher (num filme de 2012) e até pensei que a tolice se resumiria a um único episódio. Cruise terá 1,70 de altura e Jack Reacher tem dois metros. Pela descrição, a presença física de Reacher é impressionante. Cruise não é. É como ter um carapau em lugar do tubarão branco que é a estrela do "Tubarão" de Spielberg.
Porque é possível alterar uma personagem mas não uma personagem que foi sendo desenvolvida e estruturada ao longo de quase vinte anos e cuja dimensão corporal é quase sempre fundamental para os segmentos mais importantes da narrativa.
Fiquei a saber agora que Cruise vai voltar a ser Jack Reacher (o segundo filme estreia-se no próximo ano).
Lee Child, que andou tantos anos à espera de ver as suas histórias no cinema, não terá sabido resistir ao disparate (e ao dinheiro, muito provavelmente). E pelo andar da coisa ainda começa a encolher Jack Reacher, cortando-lhe os trinta centímetros que o separam de Cruise. É um pouco como uma antiga anedota em que figura Bocage e em que intervém um periquito.
Por isso, desisto de Lee Child.
Pode ser que releia alguns dos seus livros a.C. (antes de Cruise) mas tenho tantas outras coisas para ler que até me parece que nem terei tempo...

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Quantos? Como? Quem? Até quando?

 
Não há dúvidas, não pode haver, sobre a tragédia que é a fuga desesperada de milhares de habitantes da Síria, dos países vizinhos e do Norte de África, a caminho do Norte, da Europa, significativamente dos países mais ricos (não querem ficar na Grécia ou na Itália, no que resta dos países do "socialismo real", não se nota que algum número significativo queira vir para Portugal), do Reino Unido.
A União Europeia acena com quotas e algum limite e controlo mas de nada serve. São, e serão, cada vez mais porque ninguém os impede de avançar e as boas almas e a comunicação social de lágrima ao canto do olho fazem pressão todos os dias... sem que ninguém se mostre dispostos a abrir-lhes as portas de casa.
Entretanto, já gritam e fazem exigências, já confiam na força dos números para forçar as barreiras, pedem aquilo que já poderão ter desistido de pedir nos seus próprios países.
Mas... quantos são? E quantos é que ainda virão? E como? E, entre eles, quantos infiltrados das organizações islâmicas terroristas haverá? E serão todos inocentes e cheios de boas intenções? E até quando se manterá o êxodo?
Não seria altura de pensar que talvez seja impossível acolher todos e indiscriminadamente? Ou vão ficar à espera das reacções de sentido contrário?