domingo, 12 de abril de 2015

RTP omitiu episódio de "The Flash"

No passado domingo, dia 5 de Abril, a RTP não transmitiu o episódio 11 da série televisiva "The Flash", substituindo-o por uma longa-metragem sobre um tema "pascal": a Bíblia.
Esperar-se-ia que hoje fosse transmitido esse episódio. Mas não. Saiu o episódio 12.
Isto é o serviço público de televisão: uma merda.
 
 
Recordando: já há um ano, aproximadamente, a RTP transmitiu, no seu segundo canal, seis episódios de uma série que tinha sete episódios, "Margens do Paraíso" ("Top of the Lake"), sem que se percebesse o porquê da discrepância e permitindo a dúvida - a RTP2 terá passado a versão integral de "Margens do Paraíso"?

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Onde comer em Caldas da Rainha (e arredores): as minhas recomendações


Naco na Pedra
Salir do Porto, Facebook, www.naconapedra.pt, tel. 262406147/936069473
O Naco na Pedra é, essencialmente, um restaurante de carnes, onde o vasto leque de variedades assenta numa escolha criteriosa e de qualidade segura. António Flores, chef com experiência e criatividade, orienta a cozinha e Cila Moreira também faz, e muito bem, as honras da casa. Tem evoluído ao longo dos anos, sempre para melhor, com um serviço simpatiquíssimo e ambiente agradável, tanto dentro de casa como na esplanada. A lista de vinhos, com renovação periódica, é magnífica (com muitos exemplares que podem ser encontrados na garrafeira Wine Store, perto do restaurante) e muito bem apresentada e a secção dos digestivos tem duas verdadeiras joias que, neste contexto, são de prova obrigatória: aguardentes de Valle Pradinhos e do Mouchão. E o enquadramento de Salir do Porto, uma povoação tranquila à beira da lagoa de São Martinho do Porto, ajuda à beleza da refeição. Não há melhor por aqui e os preços, acima da média, são mais do que justificados.
A minha classificação: Excelente.


















O Recanto
Caldas da Rainha (cidade), www.restauranterecanto.com,
tel. 262 282 559
É um pequeno restaurante de cariz popular, com um magnífico trabalho de cozinha num espaço exíguo onde arranjar lugar é às vezes tarefa impossível (eu costumo telefonar a reservar, à cautela). Há petiscos, pratos que convém encomendar e uma panóplia de pratos excelentes: as enguias (fritas e em ensopado), o cabrito assado (e é difícil fazer melhor!), a "dobradinha" e as iscas, saídas das mãos milagrosas de Maria Fialho, que manda na cozinha. O ambiente é simpático e o serviço é primoroso.  A lista de vinhos é pequena mas pode haver preciosidades na categoria do vinho recomendado e do vinho verde.
A minha classificação: Excelente.


 






O Melro - Pão Quente e Petiscos
Bairro Senhora da Luz, Óbidos, tel. 262 958 083, Facebook
Fica de certo modo na zona de "fronteira" entre Caldas da Rainha e Óbidos, relativamente perto da A8 e a qualidade justifica por inteiro o pequeno desvio. A entrada, de pastelaria, esconde uma sala de refeições acolhedora e de decoração simples mas eficaz, uma cozinha de grande qualidade e um óptimo saber-fazer em matéria de pão (a broa com frutos secos é memorável). Para quem gosta, os caracóis (na sua época) são inexcedíveis mas o melhor, no domínio das carnes grelhadas, são as postas de vitela e as peças de javali e de veado. é uma extraordinária posta de vitela grelhada, que merece todos os elogios, bem como o bife de veado. Há pratos de marisco para os apreciadores. Tem uma boa cerveja própria e uma lista de vinhos muito completa e bem organizada. O serviço é simpático e quase personalizado. Convém marcar.
A minha classificação: Muito bom.





Solar dos Amigos
Salir de Matos, Facebook, www.solardosamigos.com, tel. 262 877 135
A lista é vasta e o ambiente, em geral, é agradável mas o essencial do Solar dos Amigos é a sala grande (a Sala do Cavaleiro) com a lareira aberta onde se grelham as carnes e o bacalhau, e onde se está melhor no tempo mais frio. O bacalhau assado (Tiborna de Bacalhau), é imprescindível para os apreciadores deste peixe. As doses são enormes (pormenor a que convém tomar atenção na altura de pedir) e há vinho a jarro. O serviço é simpático, apesar de a afluência de clientes gerar, por vezes, uma impressão de confusão.
A minha classificação: Muito bom.























A Lareira
Rua da Lareira, n.º 35, Alto do Nobre, Nadadouro, 

A Lareira tem uma particularidade interessante: apresenta, tanto ao almoço como ao jantar, uma ementa de entradas, peixe, carne e sobremesa com alternativas, a um preço bastante moderado, funcionando à margem de uma carta fixa. A qualidade da cozinha é boa e afirma-se bem nesta ementa. A lista de vinhos é imensa, a precisar, no entanto, de ser actualizada e reforçada.  A decoração consegue ser simpática, apesar de alguns exageros neoclássicos. Em tempo mais ameno, A Lareira pode ter um encanto suplementar: uma pequena esplanada protegida, para estar antes ou depois do jantar a beber o café e os digestivos, se o tempo ajudar.
A minha classificação: Bom.


O Poço do Zé
Casais de Santa Helena, http://opocodoze.blogspot.com, tel. 262 949 222
Um restaurante "popular" com um bom serviço de grelhados, uma ementa pequena mas que tem o essencial, uma lista de vinhos esclarecedora e com preços razoáveis e, graças ao bom aproveitamento de uma grande janela, uma vista panorâmica para os campos verdejantes da região e para a Serra de Montejunto. O pessoal é simpático e despachado, atento e dialogante. A sala interior tem uma capacidade razoável mas a posição à janela, sobretudo ao jantar quando a noite chega mais tarde, é excepcional.
Convém reservar.
A minha classificação: Bom.















Taverna do Manelvina
Cruzes, Facebook, www.tabernadomanelvina.com tel. 262 870 014
Apresentando-se como "A casa do grelhado e do aficionado", tem uma sala pequena e uma cozinha duplamente grande, no espaço e na qualidade. Os grelhados, em jeito de rodízio, são realmente bem feitos e a salada com que recebe os clientes (de tomate, com um delicado tempero de ervas) é óptima. A entremeada é uma maravilha e a posta de vitela não lhe fica atrás. O serviço às vezes torna-se confuso, e a sala tem mesas a mais para ser completamente confortável, mas é pelo menos rápido. O vinho a jarro é bom e a refeição encerra com mimos sólidos e líquidos.
A minha classificação: Bom!






Só vêem a cidade; o resto não existe

"Intervir no património urbanístico e imobiliário, mantendo-o e modernizando-o através de obras de remodelação dos sistemas de infraestruturas, equipamentos e espaços urbanos e verdes de utilização colectiva."
Lindas palavras estas. São do vice-presidente da Câmara Municipal de Caldas da Rainha, segundo o "Jornal das Caldas". E referem-se a um plano sem grandes pormenores que a Câmara quer lançar (aparentemente satisfeita com o estado de guerra em que mergulhou a capital do concelho com o seu plano de obras que, desde há dois anos, ainda não está terminado).
E o plano é para o concelho?
Não. É para a cidade, para a capital do concelho. Porque o resto não existe.


Caldas da Rainha: para eles, só existe a cidade
 
As elites do concelho de Caldas da Rainha abominam o que existe fora da cidade que é a capital. É um provincianismo invertido levado ao extremo. Deixaram degradar a cidade e emporcalhar o interior. Cuidam de relíquias e de sonhos mas não do potencial turístico que oferece a costa atlântica.
Não admira que as reacções das oposições ao PSD da "nova dinâmica" sejam a tristeza que o "Jornal das Caldas" regista: uns querem atender às "questões sociais", outros não sabem, outros ainda que o essencial é "repovoar o centro da cidade".
A ninguém ocorre que o interior do concelho (a quinze minutos da capital do concelho, e em tudo melhor) tem melhores condições para "repovoar" o concelho. Desconhecem a realidade, que talvez lhes meta medo.
Fora das tolices expressas ao momento, o "Jornal das Caldas" regista a única intervenção inteligente sobre o assunto, proveniente de Rui Correia, vereador do PS, que já parece ter aprendido bastante desde Setembro de 2013: "importaria incluir freguesias urbanas que não apenas as da cidade propriamente dita".
 
 
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O PCP caldense deve estar satisfeito com a perspetiva de umbigo do PSD, depois de ter afirmado que a cidade anda a sofrer porque as freguesias do interior são mais beneficiadas do que a cidade porque os seus confrades da "nova dinâmica" têm mais votos no interior.
 
 

Greves nos transportes públicos: os clientes (os outros trabalhadores) tornaram-se o inimigo


No início as greves eram contra os patrões, num mecanismo rigorosamente muito simples: os trabalhadores paravam de trabalhar e os patrões deixavam de ter produtos para vender; não tendo produtos para vender, não ganhavam dinheiro; não conseguindo servir os clientes, arriscavam-se a que eles fossem comprar os produtos dos seus concorrentes. Ou seja: os prejudicados pelas greves eram os patrões.
O sindicalismo era assim e a teoria e a prática marxistas e marxistas-leninistas foram construídas sobre esse princípio.
As greves (praticamente permanentes) dos transportes públicos não seguem estes cânones. Nesta batalha da luta de classes, o inimigo deixou de ser o patronato para passar a ser o conjunto das pessoas que usam os transportes públicos. Ou seja, os seus clientes.
Se os patrões prejudicados podem ser obrigados a ceder em conflitos laborais (com ou sem greves), os clientes nada podem fazer. Não têm os meios para resolver os problemas que poderão estar na origem das greves.
Mas isto não demove os sindicatos.
Os patrões não cedem? Pois hão de massacrar de tal forma os clientes que, com sorte, os patrões podem vir a condoer-se e a ceder. É nisto que apostam os sindicatos: na chantagem pura e simples sobre os clientes.
É como apontar uma pistola à cabeça de alguém para forçar a um familiar seu a fazer uma coisa que não quer. Neste caso, os clientes (na sua imensa maioria, trabalhadores como os grevistas) são impedidos de se deslocarem (para irem trabalhar).
 
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O PCP manteve durante alguns anos, e por intermédio de uma sua empresa, um matutino chamado “o diário” (onde trabalhei como jornalista), organizando reuniões regulares entre os trabalhadores jornal e o secretário-geral, Álvaro Cunhal. E ainda me lembro do que nessa altura ele dizia sobre as greves que deviam ser objecto de notícias que as apoiassem e das outras que não eram correctas.
Nesta definição cabiam por exemplo as greves dos maquinistas da CP, que eram um sector da CP que os sindicalistas comunistas não controlavam e que consideravam elitista e que conseguia fazer os comboios, o que prejudicava claramente a população. Ou seja, e muito directamente, os seus clientes e de uma forma quase terrorista. Como fazia o MRPP em 1974 e em 1975.
Mas hoje o PCP apoia entusiasticamente as greves que têm os clientes como alvo e que expressam aquilo que, noutros tempos, o próprio PCP e o próprio Álvaro Cunhal consideravam como “desvios oportunistas de esquerda”.
O radicalismo esquerdista do PCP e a impotência dos sindicatos expressam o mesmo desespero que nasce da incapacidade de perceber que o mundo laboral mudou e de encontrar uma alternativa a procedimentos que prejudicam sempre os mais fracos. Ou seja, os clientes.
Nisso, os grevistas que agora querem imitar o MRPP dos tempos do PREC são aliados objectivos dos patrões, sejam eles os capitalistas privados ou o Estado capitalista burguês.

terça-feira, 7 de abril de 2015

Notas em formato de "zapping": "CSI: Cyber", "The Flash", a revista "Empire" e "Fear the Walking Dead"


1 - Consta que há uma internet mais escondida, "negra", normalmente designada por "deep web", terreno fértil para muitas coisas que as leis interditam. É uma ideia que, bem desenvolvida, podia dar uma óptima história e, se calhar, até já deu. Não sendo fã do franchising "CSI", antes pelo contrário, pensei que a recente "CSI: Cyber" (em estreia agora no canal Fox) pudessem, partindo desse terreno de caça sugestivo, ser bastante melhor do que afinal é. Mas não quer ser ou não consegue e o que saiu foi apenas mais uma série de agarra-que-foge, com o mundo da internet por pretexto. Não gosto.
 
 
2 - "The Flash" é uma série para o segmento dos "jovens adultos". Não tem pretensões intelectuais. Facilita em certas situações, talvez mais do que a sua congénere "Arrow", que se leva muito a sério. O Flash recriado por Grant Gustin é divertido. Mas é também mais um passo bem dado na transposição dos super-heróis da DC para o audiovisual. Talvez por isso e por muito mais, dá-se (ou deu-se) mal na RTP. A televisão do "serviço público" que todos nós pagamos não larga alguns hábitos (e programas) intragáveis mas trata com os pés (com as patas, melhor dizendo...) uma série bem interessante como "The Flash". Se calhar, houve alguém que se enganou quando a compraram, pensando que era uma coisa (talvez um programa sobre o "flash" das máquinas fotográficas?) quando afinal era outra.

AXN com "Arrow", 1 - RTP, com "The Flash", 0


3 - As séries televisivas têm ocupado, até agora, poucas páginas nas revistas inglesas de cinema "Empire" e "Total Film". Mas a situação está a alterar-se. Na edição de Abril, a "Empire" proclamava (a abrir diversas páginas sobre novas séries já anunciadas) que "a televisão é o novo cinema. Ficar em casa é a nova saída" ("Television is the new cinema. Staying in is the new going out"). Na edição de Maio, a mesma revista refere-se a "Mad Men" (que chega agora ao fim) e anuncia 30 páginas dedicadas à "Guerra dos Tronos" ("Estrelas entrevistadas! Segredos revelados! Mortes contadas!"). É significativo.

"A televisão é o novo cinema"
 
 
4 - Não, já não "The Walking Dead", mas "Fear the Walking Dead" (primeiro filme-anúncio em baixo), uma nova série que conta como os zombies começaram a aparecer... em Los Angeles. Como todos sabemos, e o declínio de "The Walking Dead" confirma, o mais excitante dos zombies é quando eles começaram a aparecer. George Romero sabia-o bem e, num registo diferente, Richard Matheson também quando escreveu "I Am Legend".
"Fear the Walking Dead" estreia-se no verão deste ano.
 





Nota: No site www.imdb.com encontram-se os pormenores essenciais sobre as séries citadas.

domingo, 5 de abril de 2015

Recordando algumas coisas elementares e uma ideia bondosa mal concretizada


 
 
O concelho de Caldas da Rainha tem uma área de 255,87 km2 e, segundo os números de 2011, uma população de 51 645 pessoas. Como se pode ver pelo mapa, toda a sua "fronteira" ocidental está voltada para o Oceano Atlântico.
É possível fazer todo o caminho entre a praia de São Martinho do Porto (que pertence ao concelho de Alcobaça) e a Lagoa de Óbidos sempre a olhar para o mar pela sua estrada panorâmica.
A Norte, Salir do Porto, colada a São Martinho do Porto, tem uma praia fluvial e uma piscina; há uma zona de praia razoavelmente vasta que vai do extremo norte da Foz do Arelho até parte da Lagoa de Óbidos.
E se há uma miserável falta de investimento municipal no turismo, o certo é que o potencial turístico do concelho, em especial na sua ligação ao mar, já é apoiado e mantido pela iniciativa individual que tem levado à criação de ofertas de qualidade de restauração e de alojamento.
O potencial turístico do concelho, se apoiado e estimulado, permitiria criar emprego e aumentar as receitas locais e dar um outro destaque ao concelho de Caldas da Rainha.
 
 
*
 
A relevância destes pormenores (que também servem para mostrar que o autor deste blogue não se limita a "dizer mal") justifica-se para recordar o que aqui escrevi há quase dois anos sobre o portal caldense GoCaldas.
Se, visualmente, melhorou, o que antes escrevi (e que tanto indispôs um dos seus animadores, que até me escreveu, a acenar com os seus graus académicos) mantém-se: o portal ocupa-se apenas da cidade que é capital do concelho e ignora tudo o resto, numa pecha comum às elites citadinas que vêem Caldas da Rainha quase como o centro do mundo. 
E é pena, porque a ideia (até por contraste com a falta de comparência da Câmara Municipal nesta matéria) até era bondosa.
 

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Uma questão de barriga?

Tinta Ferreira (actual presidente da Câmara Municipal de Caldas da Rainha): "Aquele Fernando Costa já me anda a irritar! Agora deu em aparecer a fazer comentários sobre as nossas decisões na Câmara. Qualquer dia ainda pensam que se vai candidatar outra vez..."
Fernando Costa (ex-presidente da Câmara Municipal de Caldas da Rainha): "Eu ouvi muito bem o que disseste ! Está descansado que não vou voltar porque já voltei! Sou o D. Sebastião das Caldas. Podem chamar-me D. Turquião!"
"Zé Povinho": "É tudo uma questão de sombra! Um homem com barriga grande só faz sombra aos seus pés e um homem grande faz sombra a muitas barrigas!" 
 
São estes os diálogos da caricatura "Caldastoon", da edição de hoje da "Gazeta das Caldas", com uma caricatura de Tinta Ferreira que o faz mais alto do que o barrigudo Fernando Costa.
Mesmo que se diga que o "Zé Povinho" do "Caldastoon" tem cara de alarve (que tem), o que lhe é colocado na boca é significativo: o actual presidente da Câmara receia um eventual regresso do anterior e já lhe faz guerra, sendo "grande" quando o outro é "barrigudo".
 
 
Fernando Costa: "Sou o D. Sebastião das Caldas"

Tinta Ferreira (à esquerda): "Aquele Fernando Costa já me anda a irritar!"
 

"O Diário de Mary Berg"


 
 
Miriam Wattenberg tinha 15 anos quando, em Outubro de 1939, fugiu, com os pais e a irmã, da cidade polaca de Lodz para Varsóvia. 
Os alemães tinham acabado de invadir a Polónia e a prioridade inicial foi a sobrevivência. Depois, quando conseguiram regressar a Varsóvia e já sob o domínio nazi, a prioridade da família Wattenberg alterou-se, ligeiramente. Era necessário, percebe-se, esperar, ir sobrevivendo a cada dia e confiar no fim da guerra. Apesar das fronteiras cada vez mais apertadas do gueto, apesar do terror nazi, apesar da fome, apesar da morte, ocasional e programada.
Por a mãe ter a nacionalidade americana, Miriam conseguiu escapar ao gueto. Levou consigo, na viagem para os EUA, os fragmentos do seu diário, que foi publicado pela primeira vez em 1945.
"O Diário de Mary Berg" (nome adoptado por Miriam a certa altura), título que depois se generalizou e que é publicado agora em edição portuguesa, é uma crónica dos dias de vida e de morte na Varsóvia judaica, um relato impressionante de um quotidiano que, por estranho que possa parecer, ainda conseguia reproduzir os comportamentos e as posturas sociais de uma época em que não se pensava que fosse possível a barbárie nazi.
E é nesse contraste, entre o dia-a-dia relatado pelos olhos da adolescente Mary e aquilo que nós sabemos, ou descobriremos, que vai acontecer, que se ergue esta narrativa por vezes comovedora e que termina numa terrível nota de esperança à chegada ao porto de Nova Iorque, a seguir ao relato impressionante da revolta do gueto de Varsóvia. Trazendo consigo, na limpidez do texto, a maior de todas as interrogações: porque é que isto aconteceu?  E conseguiremos nós verdadeiramente responder? (Ed. Vogais/20|20, tradução minha.) 

Uma perguntinha que se calhar até parece mal...

 
 
 
Porque é que a Câmara Municipal de Caldas da Rainha gasta milhões de euros num estacionamento subterrâneo que, claramente, não era necessário e não atende a problemas tão reais e tao graves que podem mesmo pôr em perigo vidas humanas?
 
 

Um parque que nem com uma hora grátis se enche...



... e uma ponte, usada por muita gente, que um dia pode vir abaixo
(1.ª página do "Jornal das Caldas", de 1.04.15)

quarta-feira, 1 de abril de 2015

A arte da fuga

 
 
As coisas não andavam a correr-lhe bem, e ao PS também não, e António Guterres deixou o Governo em 2001.
As coisas também não lhe andavam a correr bem no Governo e, em 2004, Durão Barroso trocou os problemas nacionais pela alta política europeia.
Francisco Louçã estava com problemas no já minguado Bloco de Esquerda e largou o "filho" em 2012.
Agora é António Costa que, confrontado com problemas na Câmara Municipal de Lisboa (para cuja presidência foi eleito há menos de dois anos) e no PS, se livra das maçadas municipais, na esperança de a vida de primeiro-ministro lhe ser mais fácil.
Será vírus?



Eu piro-me, tu piras-te, ele pira-se, nós piramo-nos...