sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Um Orçamento de fim de regime

Há uma indisfarçável sensação de fim de regime neste Orçamento de Estado para 2014 e, numa triste aliança, a tradicional capacidade portuguesa de desenrascanço e de deixar tudo para a última hora com o cansaço político a que o Governo começa a ceder.
Este orçamento da 25.ª hora feito para satisfazer, como é natural, os nossos credores não precisava de trazer tantas más notícias e de deixar a impressão de que ficou muita coisa por fazer (como é o caso do insondável mistério da "reforma do Estado"). Podia ser o corolário de um processo de ajustamento financeiro e económico mais equilibrado. Doloroso, claro, mas equilibrado. Infelizmente não é.
As responsabilidades não são apenas do Governo.
À inabilidade governamental correspondeu o desvario de todas as oposições - e foram muitas, talvez em maior número e mais fortes do que a desejável transparência da vida democrática deveria permitir.
Se este orçamento traz a impressão de que o ciclo governativo chegou ao fim (o "pós-'troika'" pode recomendar mesmo a antecipação das eleições legislativas para 2014, apesar da dramática falta de alternativas), ele também cria uma nova obrigação a quem tem estado no outro lado.
O PS e o PCP (o BE, praticamente, já pouco conta) têm neste momento a obrigação irrevogável de apresentarem as suas propostas políticas e de governo para as eleições legislativas, quer eles se realizem em 2015 quer sejam antecipadas para 2014.
Os dois partidos devem não só dizer quais as medidas tomadas até agora por este governo, que tanto criticaram, que querem anular e alterar mas também declarar o que farão de diferente no cenário provável do já mencionado "programa acautelar" pós-"troika": remunerações, pensões, reformas, subsídios, despesas do Estado, Serviço Nacional de Saúde, impostos, apoio aos desempregados, Segurança Social, CGA, ADSE... tudo. Mas tudo, mesmo.
Este fim de ciclo (que pode ser um verdadeiro fim de regime) impõe a esses partidos propostas construtivas e declarações de intenções e, para tornar a coisa mais séria, a suspensão da berraria contestatária.
Pois o futuro não é deles, no caso de uma provável derrota eleitoral do PSD?!

"Simplesmente Maria" em versão Anita reinterpretada por Maria João e dissecada pelo Malomil

O sempre interessante blogue Malomil fez mais uma admirável desconstrução de um livro, neste caso de uma versão curiosa tipo Anita de memórias políticas de curtíssimo prazo de uma personagem que narra a sua vida político-institucional na terceira pessoa.
Com o título genérico, obviamente bem escolhido, de "Simplesmente Maria", a dissecação da coisa pode ser lida aqui e, fica o aviso, atenção aos efeitos secundários. Eu fiquei estupefacto com a matéria de facto mas dei algumas boas gargalhadas. 

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Entrevista na RDP Internacional


Com perguntas do jornalista Germano Campos, no seu programa de entrevistas a propósito de "Morte na Arena".
Pode ser ouvida na íntegra aqui.





As postas de pescada do berloque

... Que fazia e que acontecia e etc e tal, inchado como o sapo que quis encher-se de ar para ser maior do que um boi, o pequeno berloque esvaziou-se e assim se ficou.
Finou-se politicamente, depois de arrotar algumas postas de pescada.
Pessoalmente já era uma espécie de (pequeno) zombie raivoso, cheio de som e de fúria sem significado nenhum, como escreveu Shakespeare; ou "full of shit", como dizem os americanos.
Agora é menos do mesmo. E ainda há de ser menos.
RIP.

Perguntas que ninguém faz...


Quanto custa isto (alugueres e combustível)? Quem paga? E de onde é que sai o dinheiro? Qual é o poder económico e financeiro dos sindicatos?
 
A manif da CGTP passa agora por uma concentração em Alcântara, embora os autocarros que vão chegar a Lisboa vindos do Centro e do Sul do país atravessem na mesma a 25 de Abril. "Os que partem de Coimbra e da Região Centro vão entrar em Lisboa, atravessam a Vasco da Gama, seguem até à rotunda centro sul, em Almada, e percorrem depois a Ponte 25 de Abril até Alcântara", explicou Arménio Carlos ao i, escusando-se a adiantar um número exacto de autocarros esperados na manifestação. "Já estão inscritos pelo menos 350, mas estamos a falar de várias centenas", garante o dirigente sindical. Os que chegam do Sul vão entrar, a partir das 13h, directamente na 25 de Abril, vindos da A2. Mas independentemente da sua origem, todos os autocarros vão pagar portagem. Feitas as contas, a Lusoponte irá lucrar pelo menos 1300 euros.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Wall of fame




Nove livros (e uma edição espanhola). O décimo, "Morte nas Trevas", sai na Primavera de 2014.


Blogue Livros e Marcadores elogia "Morte na Arena"

 
Depois de ter escrito recentemente sobre "Morte com Vista para o Mar", Paulo Pires leu agora "Morte na Arena". A sua opinião sobre este livro pode ser lida na íntegra aqui no blogue Livros e Marcadores. Um excerto:
 
As atrocidades e o nível de violência são pontos fortes neste livro, e facilmente fazemos a ligação que a sinopse nos indica com a Roma Antiga.  A violência e a frieza ilustrados deixam o leitor inquieto. Pedro Garcia Rosado não só nos apresenta uma história, vai mais além, pinta-nos um retrato de uma sociedade actual, conflituosa, e muitas vezes decadente. O que é assombroso, uma vez que nos mantém, com perícia, motivados na leitura da primeira à última página. Esta dicotomia realidade/ficção é muito bem conseguida.


 

 

Redescobrindo Ulianov ("Ulianov e o Diabo")

Cláudia Lé (do blogue Crónicas de uma Leitora) leu agora "Ulianov e o Diabo" e fez uma análise muito interessante, que pode ser lida na íntegra aqui.
Eis um excerto:
 
O livro tem uma leitura extremamente fluida o que já se torna habitual no autor. É mais uma vez muito gratificante ser conduzido por cenários que acabamos por, mal ou bem, conhecer de alguma forma e que de certo modo, nos farão olhar para eles com outros olhos da próxima vez que por lá passearmos. Após a leitura do livro, tal como aconteceu com "Morte na Arena", acabo por encarar a cidade de Lisboa sob outra perspectiva, bem mais sombria. Verdade seja dita que a zona ribeirinha da nossa capital poderia facilmente ser palco de diversos homicídios, em ruelas estreitas de calçada portuguesa onde janelas de vizinhos quase se tocam e, no entanto, tão anónima quanto uma noite escura e sem lua o permite.
Relativamente a esta obra, sinto-me na obrigação de sublinhar o fato deste livro ser, infelizmente, de difícil acesso uma vez que se encontra esgotado, consegui-o em segunda mão, bem como "O Clube de Macau" mas para nós leitores, seria uma excelente ideia uma editora (por favor, Topseller) reeditar estes livros.







Ulianov, um ex-oficial do KGB e das forças especiais russas que emigrou para Portugal, estreou-se em "Ulianov e o Diabo" (Temas e Debates/Círculo de Leitores, 2006) e reapareceu em "Vermelho da Cor do Sangue" (Asa, 2011). Será um dos protagonistas de "Morte nas Trevas", o terceiro livro da série "As investigações de Gabriel Ponte" (Topseller, Primavera de 2014).

terça-feira, 15 de outubro de 2013

"Este país não é para cães" no Tomate n.º 8


Num país que devia estar voltado para o turismo (que dá dinheiro e gera emprego), é pouco compreensível que a restauração, a hotelaria e o comércio continuem a não querer perceber verdades muito elementares: há pessoas que viajam e que passeiam com os seus cães e essas pessoas são, na maioria, cultas e educadas e sabem educar e controlar socialmente os seus cães. A abertura de muitas actividades económicas, e até de actividades profissionais, à presença de cães é uma marca das civilizações que se sentem confortáveis e que são capazes de absorver e encarar a diferença.
 
Do meu artigo "Este país não é para cães", que pode ser lido no número 8 do e-magazine "Tomate" aqui na íntegra.
 
 
 

O assalto à ponte, tipo assalto ao Palácio de Inverno

Portanto, o que é que poderemos esperar no próximo sábado? Algo como isto:
 
- A Ponte 25 de Abril estará aberta à circulação automóvel, como habitualmente.
É natural que as entradas e saídas tenham fiscalização reforçada pela PSP e pela GNR para impedir que pessoas a pé consigam chegar ao tabuleiro superior. Será o que a CGTP vai tentar fazer. É possível que grupos autónomos tentem chegar ao tabuleiro ferroviário.
 
- Haverá sindicalistas da CGTP e outros activistas em carros que vão passar na ponte e começar a buzinar ou a andar muito mais devagar, para criar, pelo menos, a impressão de um "buzinão".
 
- As guardas avançadas da CGTP entrarão em contacto directo com as barreiras policiais nos acessos norte e sul da ponte, criando situações de potencial conflito que poderão ser aproveitadas por activistas mais radicais para provocar confrontos físicos.
A partir daqui chegaremos ao quadro ambicionado pela CGTP: a repressão policial desencadeada pelo Governo contra o povo.
 
 
Ao forçar esta situação, a CGTP mostrou que as suas sucessivas manifestações e greves estavam a perder força e que precisava de uma acção de perturbação pública de grandes dimensões num espaço mais arriscado onde a responsabilidade por vítimas humanas pudesse ser atribuída claramente às forças policiais e ao Governo e não aos "seus" radicais.
A associação sindical tem como pontos de referência para esta acção o "buzinão" que abalou o último governo de Cavaco Silva e a ocupação da ponte na véspera da manifestação de 28 de Setembro em 1974 e do comício da Fonte Luminosa em Julho de 1975, em que o PCP fechou os acessos a Lisboa para revistar carros e dissuadir eventuais manifestantes de entrarem em Lisboa para a manifestação da "maioria silenciosa" e do comício do PS.
Os sindicalistas cantarão vitória se conseguirem ter pelo menos um simulacro de "buzinão", manifestantes a pé na ponte ou obrigar o Governo a fechar a ponte.
Se houver confrontos físicos com manifestantes lesionados, a CGTP atribuirá a culpa ao Governo.
Se os radicais atirarem pedras à Polícia dirá que não tem nada a ver com isso.
A CGTP será derrotada se os seus esforços não forem bem sucedidos, se não enveredar pela provocação e pela tentativa de confronto físico e se o trânsito na ponte não ficar imobilizado. 
O Governo será derrotado se as forças policiais forem forçadas a intervir, com eventuais vítimas a mostrarem as suas lesões às câmaras das televisões, que já devem andar a fazer contas para alugarem helicópteros para essa tarde.


Actualizando:
Manhosos, os dirigentes da CGTP desistiram da manifestação a pé e optaram pelas modalidades da "marcha lenta" e pelo "buzinão", deixando a possibilidade de bloquearem mesmo o trânsito com o tal "número significativo" de veículos (que têm dinheiro para alugar, sem que a imprensa tente sequer saber de onde vêm tais riquezas).
Como escrevi neste mesmo "post", em cima: Haverá sindicalistas da CGTP e outros activistas em carros que vão passar na ponte e começar a buzinar ou a andar muito mais devagar, para criar, pelo menos, a impressão de um "buzinão".
Portanto, haverá espectáculo à mesma...