domingo, 27 de novembro de 2011

"State of Play" - uma série admirável sobre o jornalismo e a política

Em 2003, a BBC transmitiu uma mini-série escrita por Paul Abbott e realizada por David Yates, em seis episódios, intitulada "State of Play".
A história começa com a morte a tiro de um jovem suspeito de estar ligado ao tráfico de droga e com a morte, no Metro de Londres, de uma assistente de um deputado.
O caso chega às mãos de um jornalista que já tinha trabalhado com o deputado e o assunto começa a ser investigado, quer na Polícia quer por esse jornalista, a que se associam outros quando o assunto começa a parecer demasiado complexo e mais importante do que de início parece. E, entretanto, sabe-se que a jovem era amante do deputado que preside a uma comissão parlamentar sobre política energética e o partido agita-se.
"State of Play", que salvo erro não foi exibida em Portugal, é um dos mais prodigiosos trabalhos no domínio do audiovisual (e deixem-se englobar aqui o cinema e a televisão) sobre o jornalismo, a sua dependência do poder político e a sua capacidade de ser independente. É também uma história admiravelmente construída e que cresce em interesse e tensão ao longo das quase seis horas que dura e devia ser de visão obrigatória - cá como noutros países - para jornalistas, empresários da comunicação social, políticos e agências de comunicação.








Em 2009, "State of Play" foi objecto de um "remake" nos EUA, com o mesmo título (intitulando-se cá "Ligações Perigosas"), realizado por Kevin Macdonald e interpretado por Russell Crowe. Pareceu-me interessante, na altura, mas depois de ter visto agora o original... enfim, já não.

sábado, 26 de novembro de 2011

Vinho novo

Há poucos anos, havia empresas que por esta altura lançavam no mercado vinho novo. Lembro-me de um Dão (talvez da Sogrape), de um tinto da Vidigueira (talvez da adega cooperativa local) e de um do Ribatejo. O Dão (designado por "Dão Novo") era o melhor. Agora já não há vinho novo e é pena.
Para matar saudades tenho aqui um "Beaujolais Noveau", comprado num supermercado da cadeia de origem francesa E. Leclerc, que cheira bem...

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Porque não gosto dos CTT (7)

Depois de ter visitado a estação de correios de Caldas da Rainha por duas vezes (nos passados dia 9 e 11 deste mês) e de ter passado quase uma hora nos dois dias à espera de poder levantar um registo (é a única estação do concelho para onde vão ós registos), devolvi a um serviço da dita empresa chamada "ACL - Apoio a Clientes" o aviso da correspondência, perguntando se haveria alguma possibilidade de essa correspondência ser encaminhada para um posto dos CTT na periferia da cidade´, onde há muito menos afluência de público.
Uma semana depois, recebi uma extraordinária resposta do tal "ACL" onde me garantiam que "o tempo médio de atendimento no dia 9 foi de 13 minutos e no dia 11 foi de 13 minutos e vinte e sete segundos"! E sobre o reencaminhamento... nada.
Há uma piada sobre estatísticas que diz que se eu tiver duas galinhas e o meu vizinho nenhuma, há uma distribuição equitativa de galinhas: cada um tem uma galinha.
A piada tem graça, a resposta idiota dos CTT não tem e até estou a pensar em devolvê-la com uma citação do antigo primeiro-ministro Pinheiro de Azevedo ou, então, do ex-deputado José Eduardo Martins. Ou dos dois?

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Uma bizarra greve "geral"


Bizarra greve "geral" esta que junta sindicalistas profissionais, políticos que berram muito e que trabalham pouco, trabalhadores privilegiados e gente realmente desesperada e outra muito assustada, contestatários das mais variadas colorações e confissões e, num extraordinário pico de excitação, o venerando dr. Soares e outros "compagnons de route" de José Sócrates que, em companhia de Teixeira dos Santos, também deve vir, muito naturalmente, juntar-se aos grevistas...

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Porque não gosto dos CTT (6)

Sempre duvidei do regime do “não atendeu” para os carteiros não entregarem certo tipo de correspondência, nomeadamente volumes.
Pode haver motivos muito objectivos (muitos volumes, muita carga, etc) mas isso é-me indiferente.
Há clientes (designação que a empresa CTT não compreende) que pagam um serviço e esse serviço, com frequência, não existe. Muitas vezes, a visita do carteiro é demasiado rápida para preencher o aviso de entrega e, noutras, há gente em casa. Mas “não atendeu”.
Durante vários anos tive de lidar com uma manada de carteiros que achavam suficiente espalmar uma mão em cima do conjunto de campainhas do prédio para que os interessados na correspondência, que talvez adivinhassem que eles lhes traziam, lhes abrissem a(s) porta(s).
Comprovei-o, à vista desarmada, quando o fecho da porta do prédio em que morava ficou avariado e os carteiros continuaram a fazer o mesmo, sem se preocuparem subir os cerca de vinte degraus que separavam a porta do prédio da porta do meu andar.
A coisa foi tão recorrente, e envolvendo uma carta tão imbecil cheia de “alegados” aplicados ao serviço não efectuado, que acabei por escrever ao “provedor do cliente”, enviando fotografias da distância entre a minha porta e a porta do prédio e propondo-me disponibilizar uma cadeira para o funcionário repousar, depois de subir essa monstruosidade de degraus. O “provedor do cliente” não respondeu. Não tinha, decerto, argumentos.
Curiosamente, pouco tempo depois, a estação dos CTT que utilizei para enviar, no mesmo dia, correspondência para uma empresa e para o “provedor do cliente” deve ter baralhado os registos e o certo é que o serviço do “provedor do cliente” assinou sem a menor dúvida e eventualmente com alguma expectativa o “aviso de recepção” de uma carta dirigida a uma imobiliária.
Isto coincidiu com o famoso caso do prédio dos CTT de Coimbra que foi vendido e revendido no mesmo dia e que está, ou há-de estar, para julgamento...

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Obsceno

É obsceno reduzir o problema dos acidentes mortais nas estradas ao excesso de velocidade.
Alinhar nesta filosofia é branquear a realidade e os outros problemas todos: estradas mal construídas, vias com buracos, sinalização inexistente, inadequada ou desaparecida, transformação das autoridades policiais em caixas registadoras de caça ao dinheiro das multas, fiscalização técnica, médica e policial absolutamente desadequada, limites de velocidade desajustados da vida real, impunidades diversas, legislação sem pontaria. 
Dá vontade de dizer: metam os radares onde as costas mudam de nome! 

domingo, 20 de novembro de 2011

Do blogue As Leituras do Corvo, uma apreciação a reter sobre "Vermelho da Cor do Sangue"

Com algum atraso, eis na íntegra uma apreciação feita no blogue As Leituras do Corvo, da autoria de Carla Ribeiro, sobre "Vermelho da Cor do Sangue":

"O objectivo do assalto à casa do banqueiro era apenas roubar as jóias do cofre. Mas as coisas complicam-se quando um dos envolvidos decide levar consigo um passaporte da União Soviética pertencente a um homem desaparecido. Um homem cuja filha tem procurado incessantemente informações sobre o seu paradeiro. O problema é que esse passaporte é também o símbolo físico de um segredo comprometedor para algumas figuras poderosas, que estarão dispostas a tudo para o recuperar.
Destaca-se, desde cedo, nesta leitura, a forma como o autor percorre os pontos de vista das diferentes personagens. Que são muitas. Assim, é necessário um certo esforço, na fase inicial, para captar as posições e ligações dos muitos intervenientes neste mistério e isto resulta num ritmo de leitura que começa por ser bastante pausado. Contudo, assimiladas as circunstâncias das diferentes personagens e estabelecido um ritmo de acontecimentos, cedo a leitura evolui para um ritmo cativante (por vezes, viciante), onde há muito a acontecer, um interessante segredo por desvendar e situações que, de um momento para o outro, podem alterar-se por completo.
Havendo tantas personagens a interagir ao longo da narrativa, é natural que algumas delas tenham um maior desenvolvimento, enquanto que outras permanecem, de certa forma, na sombra. Em termos de construção de personagens, destaca-se de forma notória o misterioso Ulianov, interveniente relutante, mas crucial em todo o enredo. Trata-se de uma personagem com um passado que se evidencia nas suas escolhas e até no seu normal modo de agir. Razões pelas quais também Joel Franco vai cativando a atenção do leitor, tanto através da sua posição no caso como pelas breves referências ao incidente do seu passado.
Fica, pois, uma impressão muito positiva deste livro que, apesar de um início mais lento, rapidamente evolui para uma história envolvente e cheia de surpresas. Uma boa leitura, em suma."

sábado, 19 de novembro de 2011

Porque não gosto dos CTT (5)

Talvez há uns dez anos, com a presença efusiva do então primeiro-ministro António Guterres e do então ministro da Ciência Mariano Gago, foram montadas pelo menos nas principais estações dos CTT umas máquinas que serviriam para a população navegar na internet. Não eram grátis, claro, e o teclado era de manuseio difícil mesmo para quem sabia mexer em computadores.
A experiência – a coisa foi experimental mas há-de ter custado alguma coisa – foi um fracasso.
As máquinas de venda automática de selos, que permitiriam desanuviar os balcões, também foram outro fracasso.
A caixa de correio electrónica anunciada há uns dois anos sob a designação de “Via CTT”, completamente supérflua para quem usa regularmente a internet e inútil para quem não a usa, também não foi um êxito e não acredito que tenha havido um número significativo de adesões quando as Finanças começaram a fazer pressão para que os contribuintes utilizassem essa bizarria.
Tudo isto há-de ter custado algum dinheiro. Mas ninguém presta contas. É um “serviço público” que todos nós pagamos, directamente através dos (maus) serviços que pagamos e indirectamente através dos nossos bem pesados impostos.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Porque não gosto dos CTT (4)

Ser-se remunerado pelo trabalho que se presta é uma coisa normal.
Depois há subsídios que certos sectores vão tendo, em especial em domínio da administração pública, que servem para compor o salário mensal.
E, acima de tudo isto, nos CTT, há uma coisa extraordinária chamada “subsídio de incómodos”.
Não sei se, na origem, este pitoresco “subsídio de incómodos” teve outra designação. Mas é assim que ele aparece, é assim que o designam, é assim que o Bloco de Esquerda, pelo menos, o defende, achando que os trabalhadores dos CTT são mais do que quaisquer outros trabalhadores. Está aqui, num documento de 17 de Agosto de 2010 deste movimento político:
“Tendo em conta a situação profissional que está a afectar todos os trabalhadores dos CTT do distrito de Leiria, a Comissão Coordenadora Distrital do Bloco de Esquerda vem publicamente expressar o seu apoio às formas de luta que os trabalhadores dos CTT, em vários pontos do distrito (Caldas da Rainha, Marinha Grande, Leiria, Óbidos etc) têm decidido encetar em resposta à ameaça de verem os seus ordenados reduzidos, através de cortes quer no subsídio nocturno, subsídio de pequeno-almoço e em alguns casos no subsídio de incómodos, em resultado da tentativa de impor uma alteração dos horários de trabalho.”
É um incómodo ter de trabalhar, não é?

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Porque não gosto dos CTT (3)

Quando é que o aviso de pagamento foi metido no correio? Não estou a referir-me à data que consta do papel que está dentro do envelope. Estou a falar do próprio envelope… que não tem data.
A maior parte das empresas, e outras entidades, fornecedoras de serviços expede a sua correspondência por franquia, em lotes, sem o carimbo individual do balcão dos CTT.
Acontece isso com a água, a electricidade, a internet, os telefones e os mais variados serviços. E as contas chegam com prazos bem claros de pagamento. Que, ultrapassados, ainda podem ser pagos. Ou não. Ou com juros.
Às vezes, essas contas chegam todas juntas à caixa do correio. E são expedidas todas juntas? Não me parece. Até porque, dentro dos envelopes, vêm documentos com datas diferentes.
Vendo como, em alguns dias, o carteiro não circula (numa zona onde há sete casas, onze adultos e três sedes de empresa), é impossível não pensar que, às vezes, uma ou duas cartas não justificam a deslocação. E, sem carimbo, tanto pode ter saído da origem na véspera ou há uma semana. Portanto… pode esperar.
E se o aviso de pagamento, que está discretamente lá dentro, chega atrasado? E não pode ser satisfeito? Ou obriga ao pagamento de juros?
Os CTT assumem a responsabilidade? Daquilo que lhes é confiado (num serviço pago)? Não.
É um belo “serviço público”, não é?