domingo, 10 de abril de 2016

Os Papéis do Panamá e o "processo Casa Pia"

O "Expresso" garante que há figuras públicas portugueses nos Papéis do Panamá. Mas nomes (empresários? empresas? ex-políticos? políticos no activo?) é que não aparecem.
Faz lembrar todo o caso do "processo Casa Pia" e o muito que se escreveu sobre ele e a respeito dele, com muitas alusões, referências escondidas e muitos silêncios, sobre as figuras públicas que teriam feito parte dos usufrutuários sexuais dos menores da Casa Pia. E que, sendo de primeiro plano, terão ficado devidamente protegidas da indesejável publicidade...


E quem eram?...

Agora o "Bambi" é viado


No "Observador" faz-se um "A a Z" de Stephen King, esforçado e bondoso mas irremediavelmente medíocre. Quem assina a coisa sabe pouco da arte do mestre, o que também não surpreende dado que que King só há poucos anos é que começou a ser considerado em Portugal e apenas como "best seller".
Além do desconhecimento da bibliografia de Stephen King, notam-se algumas generalidades que cheiram mais a tradução do que a elaboração própria ("o escritor dirigia a carrinha de uma lavandaria"...) e alguns pontapés na escrita que, já agora, por muito mal que dele pensem, King não dá: "'quando o pequeno viado é apanhado no incêndio florestal, fiquei apavorado, mas também em êxtase'" (a propósito de "Bambi", citando o próprio King).
De qualquer modo, pensando bem, é capaz de ser difícil para certas pessoas não ficarem em êxtase perante a hipótese de o pequeno veado "Bambi" ser viado.



E a borboleta, também será?

sábado, 9 de abril de 2016

Tirar das reformas para dar aos amigos

Os primeiros-ministros Cavaco Silva, António Guterres e José Sócrates foram amigos dos empreiteiros, com as auto-estradas, a Ponte Vasco da Gama, a Expo 98, a Parque Escolar… e estiveram por um fio um novo aeroporto e o TGV e mais uma ponte à boleia do comboio de alta velocidade. 
Foram anos dourados para as empresas do sector. Para as maiores, para as mais pequenas, para as subcontratadas, para aquelas que assentem mais no biscate temporário. E, reciprocamente, para os partidos dos respectivos primeiros-ministros.
O pretexto, sobretudo na época de Sócrates, foi sempre a “reanimação” da economia, mais do que a criação de novos equipamentos públicos ou a sua substituição.
Mas é mais do que isso: o pagamento das obras públicas às empresas do sector da construção civil dá dinheiro não apenas às empresas mas também aos empresários; obriga a contratar mais pessoal em domínios muito diversificados e, por isso, mesmo que temporariamente, faz diminuir o desemprego, o que tem um efeito estatístico sempre interessante; anima sectores subsidiários da construção e também os bancos. E em caso de dificuldade, haverá sempre algum dinheiro para as empresas fornecedoras do serviço e, se não for o caso, uma parte pode ir sendo paga aos bochechos e algumas obras atrasam-se sem problema.
Os primeiros-ministros que optaram por esta política de favorecimento sectorial conseguiram ganhar eleições, até chegar o momento em que um factor imponderável os tirou do poder. Há nisto tudo um efeito de “branco é, galinha o pôs” que já tem sido diversas vezes aludido.
A tendência (que não foi seguida pelo anterior governo, que teve de gerir o Programa de Ajustamento da pesada herança socialista) foi agora retomada pelo governo da tríade PS/BE/PCP e da pior maneira: como parece não haver dinheiro, ou mais dinheiro depois de satisfeitos os grupos do eleitorado que podem ser mais facilmente conquistados por estes partidos, o Governo decidiu ir buscar dinheiro onde não devia – ao Fundo de Estabilização da Segurança Social – para dar aos empresários da construção civil. São 1400 milhões de euros que serão desviados das reformas e das pensões (o FESS é uma espécie de “reserva” da Segurança Social). Talvez só para começar.
Pode argumentar-se que o FESS tem muito dinheiro e que está sempre a lucrar com os muitos milhões que vai ganhando com os seus investimentos mas as bases desta opção não podiam ser mais erradas e, sobretudo, mais perigosamente erradas. 
A Segurança Social não é um fundo de caixa para trocar por votos ou por financiamentos partidários. E é isso que vai acontecer. Pelas mãos do PS (nada de novo), do BE e do PCP (que, se calhar, até estarão dispostos a receber à percentagem… sobre a percentagem).

quarta-feira, 6 de abril de 2016

Porque não gosto dos CTT (95)

Hoje, dia 6 de Outubro, recebi:

- 1 carta de uma editora (arredores de Lisboa) com data de 24 de Março;
- 1 carta de uma empresa de telecomunicações (Lisboa) com uma factura para pagar e com data de 28 de Março;
- 1 carta de um banco (Lisboa) com data de 31 de Março;
- 1 carta de uma entidade financeira (Lisboa) com data de 1 de Abril;
- 1 carta de uma empresa com uma factura (Porto) com data de 1 de Abril.

Os "índices de qualidade" dizem que a empresa CTT é do melhor que há. A mim só me ocorre a frase "fina flor do entulho".

segunda-feira, 4 de abril de 2016

50 cêntimos de demagogia





O governo actual deu-me uma "borla" de 50 cêntimos.
Na consulta regular que tenho numa estrutura de saúde pública paguei 4.50 euros em vez dos 5 euros da "taxa moderadora" que antes pagava. 
Mas senti-me insultado pela "borla", pela demagogia e pela facilidade deste governo.
Em vez deste 50 cêntimos, preferia ver a competentíssima médica de família que me assiste instalada num gabinete melhor e mais digno. Preferia ver uma sala de espera para todas as pessoas se poderem sentar. Preferia ver um sistema tecnicamente mais eficaz de atendimento.
Mesmo que para isso tivesse de pagar mais 50 cêntimos. Ou mais 5 euros.
A demagogia da "borla" dispenso-a. E este governo ainda mais.

domingo, 3 de abril de 2016

Filha-da-putice em letras pequeninas

Em Janeiro deste ano paguei a conta da água (Serviços Municipalizados de Caldas da Rainha) pelo "homebanking". Ou seja, não paguei. Porque, por lapso, não completei a operação. E a conta ficou por pagar.
Seria normal, como acontece por exemplo nas telecomunicações, que essa quantia passasse para o mês seguinte.  Foi, aliás, a informação que me deram quando telefonei para os Serviços Municipalizados (SM).
A factura seguinte veio com uma soma maior e paguei-a. Devo ter pensado, sem ver, que a conta em falta estava incluída. A seguir veio outra factura, que também paguei.
Esta semana tive uma surpresa: uma intimação (penhora de bens, juros e mora e custos da execução) para pagar a tal conta. Que quase triplicou o valor inicial.
Verificadas as duas facturas anteriores, lá estava o aviso: "Nesta data existe uma fatura já enviada em dívida. Esta situação que pode resultar de esquecimento é regularizável nos nossos balcões." Em letras pequeninas, sem mais pormenores, sem ameaças, até com uma palmadinha nas costas ao falar em "esquecimento".
Mas, na prática, a dizer isto: "Não te preocupes, quando puderes vens cá, a gente logo fala... e quanto mais tarde vieres, melhor, porque mais te fodemos."

*

Não admira, claro, num serviço onde não se liga às rupturas da rede de água, onde as reparações públicas passam para o horário pós-laboral quando já se pagam horas extraordinárias, onde as taxas aplicadas ao preço da água mais do que duplicam o valor da água consumida, onde atirar alcatrão e terra para cima de buracos mal tapados deve ser considerado um trabalho de excelência.

Passei aqui há quatro dias



Buraco na A14, no sentido Coimbra - Figueira da Foz. "Rasgado" ontem por motivos que se desconhecem. (Fotografia Fernando Fontes/Global Imagens)

sábado, 2 de abril de 2016

House of Costa


Quando o PS, o PCP e o BE fizeram o golpe de Estado parlamentar que lhes permitiu formarem um governo alternativo ao da coligação que vencera as eleições legislativas, não faltou quem invocasse “Borgen”, a série televisiva dinamarquesa em que a criadora de um partido alternativo consegue chegar ao governo da nação.
Mas o padrão para a forma como nasce, e funciona o actual Governo, o da “geringonça”, tem mais a ver com a série americana “House of Cards”. Nesta série conta-se como o equivalente ao presidente do grupo parlamentar das democracias europeias, o “party whip” do Partido Democrático norte-americano, consegue – à custa das mais variadas negociações, maquinações, traições, tráficos de influências, corrupções e mesmo crimes de morte – chegar a vice-presidente e depois a presidente dos EUA.
Frank Underwood, o nome desta versão de Macbeth com um doutoramento em Ciência Política e especializações em “Os Doze Césares” e “O Príncipe”, a que dá corpo e rosto o actor Kevin Spacey, é um retrato exemplar do que podem fazer os políticos habilidosos e sem escrúpulos quando a democracia e os seus princípios e instituições falham e eles se movem por uma sede absoluta de poder absoluto.
António Costa, o primeiro-ministro triunfante, é uma espécie de clone de Frank Underwood, à escala portuguesa. Conquistou o poder de uma maneira parlamentarmente sórdida e mantém o lugar graças – pelo menos no que é visível – ao apoio de um BE e de um PCP que, famintos de poder, mergulharam com alegria naquilo a que a doutrina marxista-leninista definiu como “oportunismo de direita”.
Basta, aliás, ver como a aliança do PS com o BE e o PCP funciona quando os seus chefes vislumbram algum perigo no horizonte. Os compromissos anteriores não existem, aguenta-se tudo e diz-se o que for preciso e o seu oposto.
É isso que torna tão difícil a tarefa dos partidos da oposição.
Se estes cumprirem os formalismos da democracia parlamentar e se respeitarem os princípios básicos da lealdade democrática, terão sempre pela frente uma aliança feita de oportunismo e de fome de poder absoluto que quer sobreviver a todo o custo.
O Governo pode, é certo, cair por um acaso, por um revés das circunstâncias económicas e financeiras, pelo resultado das eleições autárquicas (aconteceu com os primeiros-ministros Pinto Balsemão e António Guterres). Mas combatê-lo diariamente, o que é necessário, e derrubá-lo o mais depressa possível,, o que é igualmente necessário, pode exigir que, como o Underwood português, se deite mão de outros recursos.
Frank Underwood é uma personagem de ficção. Kevin Spacey é um ator fantástico e as suas interpretações em “Os Suspeitos do Costume” e “American Beauty” são memoráveis. Por isso, “House of Cards” é uma série extraordinária.
Ao contrário, a bem real “House of Costa” não é. É apenas um momento insuportável da democracia portuguesa que provavelmente não sobreviverá ao projecto de poder absoluto de António Costa se este se eternizar. 


Há festa na aldeia








O 1 de Abril caldense de António José Seguro


Anuncia o jornal regional "Gazeta das Caldas" na sua edição do Dia das Mentiras: "Oposição caldense convida Seguro para a Câmara das Caldas".
O respectivo texto é bem construído e até indica que o ex-secretário-geral do PS "está a analisar o convite e promete que só por razões muito poderosas não o consideraria", com base numa candidatura "unitária" que incluiria, com destaque, o CDS, já que Seguro tem boas relações com Assunção Cristas e Nuno Melo.
A "Gazeta", que ainda vai respeitando a tradição do Dia das Mentiras (ao contrário da generalidade da imprensa nacional), marca pontos com a brincadeira que, no entanto, até poderia ser um desejo para muita gente.
António José Seguro, segundo se disse na altura, chegou a considerar uma candidatura à Câmara Municipal de Caldas da Rainha antes de chegar ao cargo de secretário-geral do PS. Agora seria decerto um bom candidato, capaz de, na realidade, unir o CDS, o PS, talvez o PCP e o que resta do MVC.
Aliás, só uma candidatura comum da oposição poderá afastar o execrável PSD da "nova dinâmica" da câmara caldense nas eleições autárquicas de 2017. (Ou, por hipótese, uma candidatura de Fernando Costa, claro. Mas, aparentemente, será necessário esperar para ver.)


António José Seguro: o cargo de presidente de câmara, por agora,
nem lhe assentaria mal