domingo, 19 de agosto de 2012

A confusão do IVA da restauração

Por um lado, é verdade que o aumento do IVA da restauração para os 23 por cento pode ter sido demais. Mas também me lembro de que a sua descida para esse sector em 1996 não serviu para baixar o preço das refeições.
E há casos demais em que um aumento de impostos tem levado à retracção das receitas fiscais porque o aumento do preço final leva a que haja menos consumo.
Mas faz-me uma grande confusão ver quem, em representação do sector, argumente que a restauração não tem dinheiro para pagar o IVA. Não tem... mas recebe-o e não tem de o entregar se não o receber. E o IVA destinado ao Estado, antes das muitas deduções que pode ter, é cobrado aos clientes.
É possível que o hábito do papel que "não serve de factura" torne difícil fazer as contas (como é que se contabiliza o IVA contido no preço de trinta cafés vendidos ao balcão sem documento contabilístico, ao fim de um dia?) mas qualquer pessoa obrigada a fazer pela vida e a cobrar IVA sabe que uma parte do que recebe é IVA e não há nenhum técnico oficial de contas que não saiba ensinar os seus clientes a fazerem o que devem fazer.

sábado, 18 de agosto de 2012

Plano Nacional de Leitura em versão expresso para a aristocracia intelectual

O "Expresso" decreta, hoje, que há cinquenta livros que todos devemos ler e faz um inventário, com as devidas justificações. 
É pena que não faça acompanhar a coisa de uma espécie de teste: quem leu menos de cinco livros desta lista é obviamente iliterato; quem leu menos de dez é anti-social; quem leu entre dez e vinte é vagamente culto... e por aí adiante.
Eu li oito ou nove desses títulos. E muitos, muitos outros, em alguns múltiplos de cinquenta. Mas claro: tudo fora deste cânone. E isso fará de mim o quê?

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Cães, os mal-amados (1)

A descrição é terrível:

"Que desgraça, foi um banho de sangue, Jesus!", diz outra vizinha, que pede também anonimato. "Havia sangue na sala, nos corredores, nas escadas, até a ambulância ficou toda manchada", diz a mulher. O cenário seria tão horrendo que "até os polícias e os auxiliares do INEM estavam chocados e comovidos".
Aconteceu tudo muito depressa: as crianças brincavam na sala e o cão estava fechado no terraço, que divide com outro dogue. Alguém se distraiu com a porta e um dos cães (só um atacou) avançou e abeirou-se das duas meninas. Por que razão atacou? A família não sabe e os donos do animal não quiseram prestar declarações, mas vizinhos dizem que "o cão estava a lamber a cara à menina, ela agarrou-lhe as orelhas e ele mordeu. E nunca mais largou".

Este foi, segundo o relato do "Jornal de Notícias" da passada segunda-feira, um dos ataques mais violentos de um cão a uma pessoa nos últimos tempos.
Mas não é o único e as notícias são frequentes, envolvendo cães de grande porte potencialmente perigosos em espaços confinados, de quintais (ou recintos onde ficam a fazer de cães de guarda) e de apartamentos, muitas vezes fechados em espaços exíguos e sem qualquer tipo de exercício.
Não estão "legalizados", servem muitas vezes de adorno ou de elemento de intimação e/ou de estatuto social, a socialização é reduzida e não têm qualquer tipo de treino ou de educação. As vítimas são, em geral, elementos mais fracos ou debilitados da sociedade (mulheres, muitas vezes idosas, e crianças).
A solução, que se saiba, é sempre a mesma: o cão - que devia ter tido outra vida - é executado, o dono (se existe e pode ser identificado... mas como?) pode ser multado. Pelo caminho ficou alguém estropiado, muito ferido ou mesmo morto.
E depois erguem-se as carpideiras: a lei existe mas não serve de nada, os cães não têm culpa (mas são eles que morrem) e há sempre outro cão fácil de obter para substituir o outro que, no fundo, cumpriu uma inglória função de arma ou de brinquedo.
A lei aplicável parece cheia de boas intenções mas indigna os que percebem que um dogue argentino, um pitbull ou um rottweiler podem ser tão treinados, educados e sociabilizados como um beagle, um cocker ou um boxer. E não chega para dissuadir os outros, os que não se preocupam com a lei e que fazem gala em passear com as suas "armas" de quatro patas sem qualquer tipo de controlo para mostrar que eles é que são bons.
Por difícil que seja, a questão tem muito a ver com a educação dos próprios donos e das pessoas, em geral.
Para muita gente, um cão possui-se, como um objecto qualquer. Com sorte, ou com dinheiro, aguenta-se o animal depois de ter crescido e depois de ter deixado de ser engraçadinho. Não se educa, não se compreende. Não há grande preocupações com o que come e em matéria de vacinas e de idas ao veterinário... nem vale a pena pensar.
Depois de ter protestado por não poder entrar num certame, eventualmente desinteressante, no Bombarral, fui bombardeado (além de insultos, consentidos pela Câmara Municipal do Bombarral) pela indignação de alguns para quem um cão (com trela e acompanhado pelos donos) num local público significa sempre excrementos colados às solas.
Quem assim pensa está mais próximo do que se pensa dos que utilizam os cães potencialmente perigosos: é gente que nunca teve educação sanitária, que não sabe o que ela é e que se calhar também defeca e urina na rua.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Insegurança infantil


Povoação de Campo, freguesia da Tornada, Caldas da Rainha
Mais à frente há uma escola do primeiro ciclo.
O caixote do lixo sobrepõe-se ao painel que indica a escola e o plástico pendurado a anunciar uma festa distrai as atenções.
E diante da escola a passadeira de peões em forma de lomba foi parcialmente destruída durante a reparação de mais uma ruptura da canalização pública. 

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Uma pausa polémica a v(M)er a praia

Segundo relata o "Correio da Manhã" aqui, o médico e o enfermeiro tripulantes da Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER) do Hospital das Caldas da Rainha estiveram na noite do passado dia 4 de Agosto, sábado, numa esplanada da Foz do Arelho. A polémica que já estalou pode ser acompanhada nos comentários à notícia no mesmo link.
Devem ser os mesmos que vão muitas vezes almoçar ao Restaurante Lisboa, na Zona Industrial, mas essa deslocação já não parece ser tão controversa.
A notícia não indica a hora do avistamento.

Tasquinhas desinteressantes

Fui ontem às tasquinhas da Expoeste, um imenso restaurante dividido por dezenas de colectividades e outras agremiações populares do concelho de Caldas da Rainha que é considerado pela Câmara e pela misteriosa entidade que é o Turismo do Oeste como o suprassumo da promoção turística.
Dei como habitualmente a volta aos pavilhões, à procura de qualquer peculiaridade gastronómica, e fui parar, também como habitualmente, à tasquinha do Arneirense, que é o que tem um serviço mais parecido com o de um restaurante normal e uma cozinha mais dinãmica.
O que me surpreendeu, nestes tempos de rigor fiscal, foi uma conta impossível de conferir que era apenas o papel que sai de uma simples máquina de calcular.
A visita à Expoeste foi, este ano, mais penosa.
O pavilhão absorveu o calor do dia e, combinado com a atmosfera sufocante de dezenas de cozinhas em funcionamento e o calor trazido por dezenas de visitantes, ficou criado um ambiente desconfortável. E nada bem cheiroso: ao cabo de uma hora já sentia a roupa a cheirar a fritos e nem sequer me encontrava numa das zonas mais expostas.
E os restantes pavilhões, representativos de diversas estruturas e actividades? Pois lá estão, poucos e sem grandes rasgos imaginativos e alguns dos que têm coisas à venda absolutamente desertos.
Incapaz de inovar, o certame das tasquinhas da Expoeste tornou-se desinteressante e desconfortável. Como, aliás, aconteceu - como aqui escrevi - com a degradação do Mercado Medieval de Óbidos, transformado agora em mais um recinto de tasquinhas.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Os contestários das portagens já foram longe demais

 
O que ontem aconteceu e que é relatado aqui é definitivamente inaceitável: o debate político não pode ser confundido com manifestações de violência, com insultos e com ataques a crianças.
Quem o faz - com a conivência directa e indirecta de partidos com assento parlamentar e de organizações sindicais - está a pôr-se à margem da democracia e do Estado de Direito. E, no mínimo, não só não merece qualquer tipo de respeito como perde toda a razão e mostra que é hostil à própria democracia.
Aliás, os contestatários das portagens da ex-"Via do Infante" já tinham perdido por completo a razão que, note-se bem, não é substituível pela militância partidária e pelo desespero político, quando escorregaram alegremente para a estupidez tipo Jardim quando afirmaram que não queriam o Presidente da República e o primeiro-ministro no Algarve. Agora foram longe demais.
A EN125 é uma coisa miserável e é pena que os activos manifestantes de agora não tenham começado, já há muito tempo, a exigir obras e a respectiva "requalificação".
Mas a alternativa para a EN125 não é uma auto-estrada à borla, suportada pelos nossos impostos e pelos impostos dos nossos filhos e dos nossos netos (na bela lógica das PPP do anterior governo, que estes contestatários não beliscam) e por todos os outros que já pagam portagens nas suas regiões.
Eu também gostava de circular à borla em toda a extensão da A8, fora da região em que resido, mas não o posso fazer. Nem vou exigir que venham outros pagar as portagens que estou infelizmente obrigado a pagar se quero circular em melhores condições. E garanto que são bem caras.
Além do mais, nisto tudo não há só uma questão de princípio.
Há também a questão da emergência nacional de um país sem dinheiro e de uma população que já passa "as passas do Algarve" para sobreviver todos os dias e que não pode ser obrigada a pagar os luxos dos algarvios.
E não é pela chantagem, pelas ameaças, pelos insultos, por protestos que assustam crianças, pela destruição da democracia e pela pura e simples má-criação que conseguirão impor uma opinião que, ela sim, é um ultraje feito ao resto do País.

domingo, 12 de agosto de 2012

Oliver Stone acha que a marijuana está legalizada em Portugal... há 40 anos

Oliver Stone, o realizador relativamente rebelde de "Salvador","Wall Street" e, no próximo mês, "Savages", em entrevista à revista "Empire" (edição impressa, Setembro 2012) sobre o consumo da marijuana:
"... Claro que a legalização faz parte da solução! Amsterdão e Portugal já a legalizaram há 40 anos. Estive em Amsterdão a fumar droga nos anos 60: era porreiro! Qual é o problema?"

sábado, 11 de agosto de 2012

Caldas da Rainha não gosta da Foz do Arelho

A praia da Foz do Arelho, com a sua ligação à Lagoa de Óbidos, marca a extremidade sul da orla costeira do concelho de Caldas da Rainha.
Partindo daí para o Norte, até Salir do Porto na sua ligação a São Martinho do Porto, são vários quilómetros de uma paisagem deslumbrante onde o Oceano Atlântico se combina com falésias e terrenos quase em estado selvagem e de onde se podem ver Peniche, a Nazaré e as Berlengas.
Com excepção de São Martinho do Porto (que devia regressar a este concelho, onde já esteve integrado), esta extensão territorial é uma das grandes mais-valias turísticas das Caldas da Rainha. Mas é, também, a que é pior tratada.
A Foz do Arelho é uma praia amena e simpática que, mesmo sem promoção adequada, ganha uma população flutuante de milhares de pessoas em Agosto. Mas não tem estacionamento e a experiência de um autocarro gratuito de transporte para a praia, que foi uma boa ideia da Câmara Municipal, perdeu-se ingloriamente.
Na rotunda entre a Foz do Arelho e a Estrada Atlântica (mais conhecida por "Rotunda do Greenhill") havia um miradouro natural, de onde se podia ver a praia, a Lagoa de Óbidos e o mar. A Câmara contratou obras, das tais "de requalificação", há vários meses. Hoje em dia as obras estão paradas e o miradouro está inacessível.
O turismo e a promoção turística vivem, às vezes, de coisas muito simples. A Câmara das Caldas e a tal Turismo do Oeste não o percebem. Ou então não gostam da Foz do Arelho. Ou nem sabem que esta praia existe. Ou apostam na retaliação contra o presidente da Junta de Freguesia local. Ou as quatro coisas juntas.
Talvez lhes fizesse bem deixar os balcões das tasquinhas da Expoeste e irem dar uma volta até à Foz do Arelho...

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

XXIV Festival do Vinho Português e XIX Feira Nacional da Pêra Rocha: abaixo de cão

Fui ao Bombarral para ver o XXIV Festival do Vinho Português e a XIX Feira Nacional da Pêra Rocha. A Mata Municipal não foi difícil de encontrar. A entrada para o "festival" e para a "feira" mostrava um acesso de terra escura e poeirenta e um letreiro a anunciar churros. Uma barraquinha com um escuteiro apresentava-se como "bilheteira".
Fui mas não entrei.
Levávamos connosco a nossa Joaninha, uma cocker spaniel preta e branca (oficialmente azul-ruão) com 50 cm de comprimento,16 cm de altura , uma boa disposição inesgotável e uma educação quase irrepreensível. E não entrámos. Porque no sítio não podem entrar cães. Nem valia a pena perguntar porquê. Voltámos para trás.
Ia preparado para comprar vinho e para jantar (duas pessoas ) no local.
Mas os nossos euros não ficaram lá. Nem nunca ficarão. O vinho português e a pêra rocha não merecem esta tacanhez de espírito - os resíduos de plástico podem ficar, os seres humanos podem urinar à vontade e cuspir para o chão mas os cães não podem entrar.
Há países civilizados que dão ao turismo (interno e externo) a atenção que ele merece e que sabem acolher todo o tipo de turistas.
A atitude de gente como esta para com pessoas acompanhadas de cães revela a sua verdadeira essência: uma abjecta falta de civilização. E uma absurda insensibilidade.
Que, aliás, é completada por entradas pagas que, manhosamente, nem sequer são citadas na publicidade à coisa. Se calhar por não pagarem impostos sobre essas receitas. 
Aliás, por mim, não me importaria de ter pago entrada para a Joaninha. Eles ganhavam mais. Mas também não devem precisar do nosso dinheiro. Tal como eu não preciso deles para apreciar o vinho português e a pêra rocha. Portanto: bardamerda.