O "Expresso" tem sido um dos jornais que mais têm ajudado a branquear o cortejo de coisas estranhas que acompanham o chefe da Administração Interna que já foi chefe da Polícia Judiciária. E, ao mesmo tempo, um dos jornais que mais combatem o Chega (e que, por essa via, promovem este partido).
Não admira que, neste caso e na sua função de lavandaria especializada em branqueamento, o "Expresso" adopte a linha de defesa do ministro Neves e, com ela, faça de conta que esse cortejo de coisas estranhas, e de estranhas irregularidades, não existe.
É curioso, ainda, que, para um jornal que se quer eminentemente político e de análise político, façam de conta que não vêem que esta bizarra afirmação de poder individual, num órgão que devia ser colegial como o Conselho de Ministros, está a arrastar para este lamaçal político o próprio presidente do Conselho de Ministros, Montenegro.
O ministro Neves pode não se demitir e conseguir, sabe-se lá porquê, não ser demitido. Mas quando sair, e há de sair, talvez leve com ele o lamentável primeiro-ministro que ainda temos.
(Imagem de fonte aberta de acesso público.)

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