Gostei da série televisiva israelita "Fauda", lançada em 2018, quando comecei a vê-la. As peripécias de um punhado de agentes do serviço de segurança interna de Israel, o Shin Bet (também conhecido por Shabak), estavam bem contadas e o relacionamento entre Israel e o Hamas estava descrito num quadro de conflito militar onde se enfrentavam forças iguais.
A caminho da quinta temporada, os seus autores, Avi Issacharoff e Lior Raz (que também é o actor que personifica o "herói", Doron Kabilio), resolveram trocar o guião já escrito pela referência aos acontecimentos de 7 de Outubro de 2023, data da incursão das forças do Hamas no território controlado por Israel.
E fizeram-no, inevitavelmente, demonizando os palestinianos e o Hamas e glorificando ainda mais Doron Kabilio e os seus companheiros.
O alinhamento da série com a ideologia de Estado de Israel só fica descaradamente claro no sétimo episódio e foi aqui que eu parei e deixei de ver "Fauda".
Não condeno, só por si, a colagem ou submissão de um produto audiovisual de ficção à orientação governamental do seu país de origem. A qualidade pode ser salvaguardada, como o demonstra, por exemplo, "Alexander Nevsky", de Eisenstein.
Mas o que aqui está em causa é o modo como, directa e indirectamente, "Fauda" acaba por servir de justificação e de branqueamento de um genocídio que nada justifica ou desculpa: a extinção da população palestiniana pelo Estado israelita e a destruição do seu país.
Por isso, repito, deixei de ver "Fauda". E nem sequer incluirei uma referência a esta série no balanço que faço das séries televisivas vistas em cada ano.
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| Não há justificação nem desculpa para o genocídio dos palestinianos em Gaza. |
(Imagens de fonte aberta de acesso público.)



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