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terça-feira, 30 de dezembro de 2014

"Vermelho como o Sangue" é, como quem diz, "Vermelho da Cor do Sangue", não é?









Quando escolho um título para um livro meu, tenho o cuidado de tentar saber se ele já existe como título de livro ou de filme em Portugal ou no Brasil.
Pode ser sempre útil ir à boleia de outro título mas há, no mínimo, uma questão de honestidade que é básica. Quanto mais não seja, esta: se alguém se apropria, literalmente ou aproximadamente, de um título, não estará a apropriar-se também do conteúdo da obra?
"Vermelho da Cor do Sangue" foi publicado em 2011 na Asa (Leya) e foi o meu sexto "thriller". Para Janeiro de 2015 está anunciado "Vermelho como o Sangue", na Presença, que não é meu.
Mais facilmente se falará aqui de apropriação do que de honestidade.
Mas pode ser que quem procure um vá ter ao outro, porque "Vermelho da Cor do Sangue" ainda está à venda e, pelas críticas como sempre favoráveis que teve, até pode ser de leitura mais proveitosa do que a incursão encarnada da Presença.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Moscovo, Dezembro de 1984: o Natal do sargento Ulianov

 
Respeitando o espírito da época e as características do então sargento Ulianov, do KGB, eis "O Natal do Sargento Ulianov", um conto de Natal (publicado agora no blogue Crónicas de uma Leitora, onde pode ser lido na íntegra) que é o prólogo do futuro "Ulianov - A Conspiração das Águas", uma história das origens de Ulianov passada na então União Soviética entre 1984 e 1989.
Eis como começa:


Olho para o espelho e vejo o rosto límpido de um homem que tenta dissimular a sua juventude. Só tenho vinte e dois anos mas quero parecer mais velho. Não quero ter estas faces onde a barba alourada demora a crescer, não quero ter a palidez de um rosto adolescente, nem os olhos verdes que parecem fugir do mundo. E gostava de ter um espelho à minha altura, que não me cortasse a parte de cima da cabeça.
Acabei de ser promovido a sargento no Comité para a Segurança do Estado e dizem-me que sou um dos mais jovens elementos do KGB a alcançar tão rapidamente esta posição.
— Mereceste-a — disse-me o camarada Dolbin. Vladislav Andreevich Dolbin. O major Dolbin, um histórico do KGB. Esteve comigo no último exercício. Impassível, enquanto eu enfrentava o meu oponente: um homem ágil, vindo não sei de onde. Talvez fosse um prisioneiro ansioso por se escapar. Talvez lhe tivessem prometido que o deixariam escapar-se se me vencesse. Tinha preparação militar e movia-se bem. Se não estivesse tão magro seria talvez maior do que eu. Mas não venceu. Deixei-o no chão, onde caiu, com o pescoço partido.
 

terça-feira, 29 de julho de 2014

Nuno Chaves escreve sobre "Ulianov e o Diabo"

Nuno Chaves, que anima o blogue Página a Página, tem estado a ler as minhas primeiras obras e leu agora "Ulianov e o Diabo", onde se estreou o ex-KGB conhecido por Ulianov, que voltou a aparecer em "Vermelho da Cor do Sangue" e em "Morte nas Trevas" e que será, sozinho, o herói de "Ulianov - A Conspiração das Águias".
"Ulianov e o Diabo" foi também a primeira história em que apareceu o sem-abrigo conhecido por Diabo e que regressou em "Morte na Arena". Nuno Chaves deixa, a propósito, uma sugestão interessante.
Um excerto da sua opinião, que pode ser lida aqui na íntegra:
 
Ulianov, o protagonista deste thriller é um personagem memorável que descobri em “Vermelho da Cor do Sangue” e que, tal como apareceu, desapareceu e levou o leitor a torcer por ele e a desejar saber mais a seu respeito. O facto de estar a ler os livros numa ordem invertida, dá-me também a possibilidade de recordar outros personagens com quem já me tinha cruzado. O inspector José Moura e  o director Rodrigo Álvares ("O Clube de Macau") e o personagem Maxim e o seu célebre “video-clube” ("Vermelho da Cor do Sangue"). Em "Ulianov e o Diabo", é novamente aberta a porta para o universo de Serguei Denisovich Tchekhov, ex-agente do KGB, desta forma conhecemos e entendemos um pouco melhor o percurso do ex-agente soviético e de como chegou a Portugal.
 

 
 
"Ulianov e o Diabo" (ed. Temas e Debates/Círculo de Leitores, 2006)
ainda se encontra à venda na loja on line Wook.
 
 
 
 


quinta-feira, 26 de junho de 2014

Em 2015: "Ulianov - A Conspiração das Águias"

 
Em "Ulianov e o Diabo" (2006), Serguei Denisovich Tchekhov, oficial do KGB e das forças especiais russas, conhecido por Ulianov, acabou de sair de uma prisão portuguesa e trabalha nas obras. O assassínio da irmã vai arrastá-lo para o mundo do crime, mas para vingar a morte da irmã.
Em "Vermelho da Cor do Sangue" (2011), Ulianov é um homem de família que quer viver uma existência discreta. O pedido de ajuda de um velho amigo leva-o a intervir numa investigação que começou com o desaparecimento de um agente soviético em Portugal em 1975, ajudando o inspector Joel Franco, da PJ.
Em "Morte nas Trevas" (2014), Ulianov é um profissional independente com uma agenda secreta que vende os seus serviços na fronteira da legalidade.
Chegou agora o momento de conhecer Ulianov quando era um oficial de prestígio do KGB, na antiga União Soviética, na era de Gorbachev. Vai ser no verão de 2015 em "Ulianov - A Conspiração das Águias".





 

quinta-feira, 8 de maio de 2014

"Morte nas Trevas": Gabriel Ponte torna-se investigador privado, recebe a ajuda de Ulianov e enfrenta o inspector Joel Franco



À venda a partir de hoje

Em "Morte com Vista para o Mar", Gabriel Ponte (inspector da PJ reformado cedo demais sob a suspeita de ter cometido um crime), é chamado pela sua ex-mulher (a inspectora Patrícia Ponte) a ajudar na investigação do assassínio de um professor de Direito que ambos conheciam.
Em "Morte na Arena", o desaparecimento de um velho amigo empurra Gabriel Ponte para uma investigação privada que o conduzirá a um pesadelo nos subterrâneos de Lisboa.
Agora, interessado em voltar à vida activa e estimulado pelo reencontro com a sua antiga namorada, a jornalista Filomena Coutinho, Gabriel Ponte encara a hipótese de trabalhar como investigador privado e, apesar das dificuldades legais, aceita a proposta de ajudar a procurar a filha, desaparecida em Portugal, de um cidadão romeno. É assim que começa "Morte nas Trevas", o terceiro título da série "As investigações de Gabriel Ponte", hoje posto à venda.
"Morte das Trevas", publicado como os dois anteriores pela Topseller, tem duas "guest stars" muito especiais: o ex-KGB Ulianov, que apareceu pela primeira vez em "Ulianov e o Diabo", e o inspector Joel Franco (protagonista principal de "A Cidade do Medo", "Vermelho da Cor do Sangue" e "Triângulo", ed. Asa), que vai tomar Gabriel Ponte como um dos alvos da investigação à morte em Lisboa de um relojoeiro romeno.
"Morte nas Trevas" é o meu décimo romance policial desde 2004, em dez anos preenchidos por "Crimes Solitários" (Temas e Debates/Círculo de Leitores), "Ulianov e o Diabo" (Temas e Debates/Círculo de Leitores), "O Clube de Macau" (Bertrand/Círculo de Leitores), "A Guerra de Gil" (Temas e Debates/Círculo de Leitores) e a série Não Matarás ("A Cidade do Medo", "Vermelho da Cor do Sangue" e "Triângulo").

As primeiras páginas de "Morte nas Trevas" podem ser lidas aqui.



 
 
 
Os anteriores, publicados ambos em 2013
 
 

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

O "meu" 25 de Novembro

Não é bem o meu 25 de Novembro de 1975, propriamente dito (o meu envolvimento nas peripécias dessa data foi mínimo), mas o modo como utilizei a data para uma história.
Em "Vermelho da Cor do Sangue" (a segunda história do inspector Joel Franco e a segunda, também, em que intervém o ex-KGB Ulianov), imaginei um golpe criminoso dado por três militares "revolucionários" para se apoderarem da pequena fortuna que a então União Soviética lhes quis dar para os ajudar a fazer "a revolução", à margem do PCP, que não era o destinatário exclusivo dos apoios soviético.
"Vermelho da Cor do Sangue" (ed. Asa, 2011, número 2 da mini-série "Não Matarás") ainda está à venda.



segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

O blogue Menina dos Policiais gostou de "Vermelho da Cor do Sangue"


A opinião do blogue Menina dos Policiais sobre "Vermelho da Cor do Sangue" (o segundo "Não Matarás"), que publico na íntegra:
 
Depois de ter lido "A Cidade do Medo", no ano passado (caramba, como o tempo passa!) e ter sido um livro que adorei, "Vermelho da Cor do Sangue", protagonizado por Joel Franco, inquestionavelmente era uma obra a ler embora deva confessar que estava com algumas reservas em iniciar a leitura da mesma.
Passo a explicar: embora com um título apelativo, o símbolo do comunismo, aliado à sinopse, eram factores suficientes para que adiasse esta leitura. Não sou fã de enredos que tenham como fundo ideologias políticas. O que me apraz dizer agora é que os meus receios eram infundados.
Apesar deste ser o segundo livro protagonizado por Joel Franco, a trama é completamente independente de "A Cidade do Medo", não sendo mencionado qualquer elemento relativo ao livro antecessor. Apenas em comum são as personagens principais. O autor contextualiza os leitores não familiarizados com as personagens, incluindo no inicio do livro, uma pequena lista onde figuram os intervenientes da história, sintetizando o seu papel na trama.
Ainda sobre as personagens, um aspecto que denotei deveras curioso foi a participação de personagens concebidas pelo autor ainda antes do aparecimento desta colecção Não Matarás. Falo mais concretamente de Ulianov, cabeça de cartaz do livro "
Ulianov e o Diabo", obra esta que infelizmente ainda não tive oportunidade de ler. Fiquei, de facto, muito curiosa com a leitura dos primeiros livros do autor!
Joel Franco, volta com um caso altamente misterioso. Se há algo que gostaria de ver tratado é a investigação da morte de Augusto, amigo de infância de Joel e que deixou marcas profundas. Pois ainda vou ter que aguardar, uma vez que "Vermelho da Cor do Sangue" não revela pitada desse enigma que se começou a desenhar no livro antecessor.
Denotei que nesta trama, a componente pessoal de Joel Franco está reduzida ao máximo, concentrando-se nos acontecimentos de índole do thriller.
Constatei que a estrutura está bastante semelhante à de "A Cidade do Medo", capítulos curtos, formatados sob a sequência de acontecimentos em cada dia da semana, fomentando uma rápida e empolgante leitura.
Não só a curiosidade natural aliada ao mistério relevante deste caso, como a sobriedade da expressão de temas como o PREC e a sociedade portuguesa nos anos 70, que se constataram ser extremamente didácticas no decorrer desta leitura.
O autor disserta sobre a livre circulação de pessoas estrangeiras e bens, sem imposição de fronteiras, fomentando a facilidade de difusão de núcleos mafiosos. Tema este, que confesso, não aprecio quando tratado em literatura mas a abordagem de Pedro Garcia Rosado tornou-o muito interessante e nada maçudo.
Além disso, o autor volta a recorrer à carismática personagem Eunice Neves, que como me expressei no livro "A Cidade do Medo", volta a ser notório o paralelismo ficção/realidade no que concerne ao tornar as notícias de foro criminal em quase notícias sensacionalistas, por parte da imprensa portuguesa.
Em suma, embora tenha gostado deste "Vermelho da Cor do Sangue", devo confessar que apreciei mais "A Cidade do Medo", apenas por uma questão de subjectividade de gostos literários, que vós sabeis, está mais em conformidade com as investidas de um serial killer, do que propriamente métodos de actuação de máfias russas.
Ainda assim, a avaliar pelo segundo volume da colecção Não Matarás, esta promete abordar temas variados, constituindo thrillers diferentes e independentes entre si, que farão as delícias dos amantes do género. Recomendo!


 

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

O regresso de Francisco José Viegas


Francisco José Viegas, a quem devo uma estimulante e vibrante apresentação do meu "Ulianov e o Diabo" em 2006, ao lado de Guilhermina Gomes, directora editorial do Círculo de Leitores, está de regresso com os seus inspectores da Polícia Judiciária, segundo anuncia aqui o "Público". Ainda bem! A literatura "policial" portuguesa precisa de mais autores, de reafirmar mais uma vez a sua vitalidade aos editores e de ir sempre ao encontro do público interessado.
 
 

sábado, 13 de agosto de 2011

O que faz um passaporte soviético no cofre de casa de um banqueiro?

Quando um mercenário ucraniano chamado Gengis Khan assalta a casa do banqueiro Ramiro de Sá, deixa atrás de si um mistério, além de um vigilante morto: no cofre do banqueiro encontrava-se o passaporte de Valentin Zadenko, um emissário do Partido Comunista da União Soviética com um carimbo de entrada em Lisboa em 24 de Novembro de 1975.
Enquanto o inspector Joel Franco, da Secção de Homicídios da Polícia Judiciária, começa a investigar as circunstâncias da morte do vigilante, o passaporte torna-se um objecto a que várias pessoas querem deitar a mão: além de Ramiro de Sá, o chefe de uma máfia russa que vive a coberto de uma associação de amizade Portugal-Rússia, um veterano do PCUS que foi colega de Zadenko em Moscovo, dois inspectores do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras com propósitos muito pessoais, e ainda Svetlana Zadenko, que vem de Moscovo para Lisboa à procura do pai, com a ajuda de um angolano que estudou em Moscovo e que presta serviços a vários grupos criminosos.
E que beneficia de um apoio inesperado na pessoa de um ex-KGB e ex-spetsnaz chamado Serguei Denisovich Tchekhov, Herói do Povo na ex-URSS e depois criminoso na Rússia e em Portugal e mais conhecido por Ulianov.
E é com a ajuda de Ulianov que Joel Franco vai desenterrar a conspiração criminosa que nasceu no PREC e que envolveu banqueiros, militares revolucionários, o PCUS, gangsters russos e assassinos chechenos... e várias garrafas de "Barca Velha".
Pormenores em… “Vermelho da Cor do Sangue” (n.º 2 da colecção Não Matarás e que se segue a "A Cidade do Medo").
A partir de amanhã, dia 15, nas livrarias. E, para já, de certeza nas FNAC. 

sábado, 23 de julho de 2011

E se Lisboa se afundar no Tejo?

Há cerca de sete anos, salvo erro, visitei uma parte exposta do subsolo de Lisboa que estava aberta ao público na sede da Fundação BCP e o que vi - restos da urbanização romana de Lisboa que as águas subterrâneas já não cobriam - inspirou-me, também, na escrita de "Ulianov e o Diabo".
Nesse meu segundo romance, as duas principais personagens tinham um contacto directo com o subsolo lisboeta: Ulianov trabalhava nas obras da estação de metro do Terreiro do Paço, a lutar contra a invasão das águas do Tejo, e o Diabo, um sem-abrigo, habitava em subterrâneos à beira-rio (onde hoje existe uma estação de barcos para a Margem Sul).
O que vi e o que fui lendo sugeriu-me sempre que poderia haver no "conflito" de Lisboa com o Tejo (do caneiro de Alcântara à estação de metro do Terreiro do Paço) material suficiente para uma história apocalíptica da submersão da capital.
Foi nisso que me fez pensar esta notícia, a das infiltrações de água numa estação de metro em parte situada abaixo do nível do Tejo.

quinta-feira, 12 de maio de 2011

"Ulianov e o Diabo"

Serguei Denisovich Tchekhov (mais conhecido por Ulianov, devido à sua rigidez ideológica) é um ex-major do KGB que, nas forças especiais russas (os "spetsnaz"), subiu ao posto de coronel. Veio para Portugal, seguindo um seu antigo camarada de armas, com quem formou um grupo criminoso. A certa altura, farto de violência, denuncia o grupo e, depois de cumprir uma pena de prisão, começa a trabalhar nas obras, alheando-se do mundo. A morte da irmã arranca-o a esse estado de dormência. Vinga-se dos que a mataram, com a ajuda de um aliado inesperado: um sem-abrigo desfigurado na guerra colonial que habita no subsolo de Lisboa e que é conhecido por "Diabo". "Ulianov e o Diabo" foi o meu segundo romance (Temas e Debates/Círculo de Leitores, 2006).
No fim da história, Ulianov desaparece, para regressar à Rússia. Mas por pouco tempo. Conheceu, entretanto, uma mulher chamada Helena, com quem casou e uma circunstância inesperada vai obrigar o antigo soldado a pegar em armas... como veremos em "Vermelho da Cor do Sangue", a publicar no próximo mês de Julho.