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terça-feira, 30 de dezembro de 2014

"Vermelho como o Sangue" é, como quem diz, "Vermelho da Cor do Sangue", não é?









Quando escolho um título para um livro meu, tenho o cuidado de tentar saber se ele já existe como título de livro ou de filme em Portugal ou no Brasil.
Pode ser sempre útil ir à boleia de outro título mas há, no mínimo, uma questão de honestidade que é básica. Quanto mais não seja, esta: se alguém se apropria, literalmente ou aproximadamente, de um título, não estará a apropriar-se também do conteúdo da obra?
"Vermelho da Cor do Sangue" foi publicado em 2011 na Asa (Leya) e foi o meu sexto "thriller". Para Janeiro de 2015 está anunciado "Vermelho como o Sangue", na Presença, que não é meu.
Mais facilmente se falará aqui de apropriação do que de honestidade.
Mas pode ser que quem procure um vá ter ao outro, porque "Vermelho da Cor do Sangue" ainda está à venda e, pelas críticas como sempre favoráveis que teve, até pode ser de leitura mais proveitosa do que a incursão encarnada da Presença.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

O blogue Menina dos Policiais gostou de "Vermelho da Cor do Sangue"


A opinião do blogue Menina dos Policiais sobre "Vermelho da Cor do Sangue" (o segundo "Não Matarás"), que publico na íntegra:
 
Depois de ter lido "A Cidade do Medo", no ano passado (caramba, como o tempo passa!) e ter sido um livro que adorei, "Vermelho da Cor do Sangue", protagonizado por Joel Franco, inquestionavelmente era uma obra a ler embora deva confessar que estava com algumas reservas em iniciar a leitura da mesma.
Passo a explicar: embora com um título apelativo, o símbolo do comunismo, aliado à sinopse, eram factores suficientes para que adiasse esta leitura. Não sou fã de enredos que tenham como fundo ideologias políticas. O que me apraz dizer agora é que os meus receios eram infundados.
Apesar deste ser o segundo livro protagonizado por Joel Franco, a trama é completamente independente de "A Cidade do Medo", não sendo mencionado qualquer elemento relativo ao livro antecessor. Apenas em comum são as personagens principais. O autor contextualiza os leitores não familiarizados com as personagens, incluindo no inicio do livro, uma pequena lista onde figuram os intervenientes da história, sintetizando o seu papel na trama.
Ainda sobre as personagens, um aspecto que denotei deveras curioso foi a participação de personagens concebidas pelo autor ainda antes do aparecimento desta colecção Não Matarás. Falo mais concretamente de Ulianov, cabeça de cartaz do livro "
Ulianov e o Diabo", obra esta que infelizmente ainda não tive oportunidade de ler. Fiquei, de facto, muito curiosa com a leitura dos primeiros livros do autor!
Joel Franco, volta com um caso altamente misterioso. Se há algo que gostaria de ver tratado é a investigação da morte de Augusto, amigo de infância de Joel e que deixou marcas profundas. Pois ainda vou ter que aguardar, uma vez que "Vermelho da Cor do Sangue" não revela pitada desse enigma que se começou a desenhar no livro antecessor.
Denotei que nesta trama, a componente pessoal de Joel Franco está reduzida ao máximo, concentrando-se nos acontecimentos de índole do thriller.
Constatei que a estrutura está bastante semelhante à de "A Cidade do Medo", capítulos curtos, formatados sob a sequência de acontecimentos em cada dia da semana, fomentando uma rápida e empolgante leitura.
Não só a curiosidade natural aliada ao mistério relevante deste caso, como a sobriedade da expressão de temas como o PREC e a sociedade portuguesa nos anos 70, que se constataram ser extremamente didácticas no decorrer desta leitura.
O autor disserta sobre a livre circulação de pessoas estrangeiras e bens, sem imposição de fronteiras, fomentando a facilidade de difusão de núcleos mafiosos. Tema este, que confesso, não aprecio quando tratado em literatura mas a abordagem de Pedro Garcia Rosado tornou-o muito interessante e nada maçudo.
Além disso, o autor volta a recorrer à carismática personagem Eunice Neves, que como me expressei no livro "A Cidade do Medo", volta a ser notório o paralelismo ficção/realidade no que concerne ao tornar as notícias de foro criminal em quase notícias sensacionalistas, por parte da imprensa portuguesa.
Em suma, embora tenha gostado deste "Vermelho da Cor do Sangue", devo confessar que apreciei mais "A Cidade do Medo", apenas por uma questão de subjectividade de gostos literários, que vós sabeis, está mais em conformidade com as investidas de um serial killer, do que propriamente métodos de actuação de máfias russas.
Ainda assim, a avaliar pelo segundo volume da colecção Não Matarás, esta promete abordar temas variados, constituindo thrillers diferentes e independentes entre si, que farão as delícias dos amantes do género. Recomendo!


 

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

O regresso de Francisco José Viegas


Francisco José Viegas, a quem devo uma estimulante e vibrante apresentação do meu "Ulianov e o Diabo" em 2006, ao lado de Guilhermina Gomes, directora editorial do Círculo de Leitores, está de regresso com os seus inspectores da Polícia Judiciária, segundo anuncia aqui o "Público". Ainda bem! A literatura "policial" portuguesa precisa de mais autores, de reafirmar mais uma vez a sua vitalidade aos editores e de ir sempre ao encontro do público interessado.
 
 

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Do blogue Porta-Livros, uma apreciação a reter sobre "Vermelho da Cor do Sangue"

Eis na íntegra uma apreciação de Rui Azeredo, no seu blogue Porta-Livros, sobre "Vermelho da Cor do Sangue":

Já o disse (ou escrevi) e não me canso de o repetir que fazem falta em Portugal policiais do estilo dos criados por Pedro Garcia Rosado. Contemporâneos, urbanos, despretensiosos, realistas, ou seja, que geram uma identificação e um vínculo com o leitor, que ali vê reflectidas nas páginas a realidade que vê nas páginas dos jornais e, principalmente, nas televisões.As personagens de Pedro Garcia Rosado são pessoas “reais”, não há ali super-heróis, ou super-detectives, com um poder e perspicácia acima da média. O que ali vemos (lemos) é um retrato realista da nossa sociedade.Em Vermelho da Cor do Sangue (editado em 2011 pela ASA) a fórmula repete-se (e ainda bem que assim é), pelo que podemos deleitar-nos com um belo policial, cheio de ritmo, ao nível do que se faz “lá fora” dentro do género. Não há aqui as melancolias do ser português que tantas vezes são retratadas nos “nossos livros”. A essas “melancolias” ninguém lhes tira o valor e o interesse, naturalmente, mas é bom ter alternativas que nos permitam tão só ler um policial menos reflexivo e mais pragmático, mais, digamos assim… realista, mais… notícia de jornal ou de telejornal. Não se pense, contudo, que isso implica ser menos profundo ou trabalhado (ou, sequer, pior escrito), nada disso, só é apresentado de uma forma diferente, mais consentânea, em meu entender, com as características atribuídas ao género. E isso não é novidade em Pedro Garcia Rosado, pelo menos para quem (como eu) já leu as obras A Cidade do Medo (que, tal como Vermelho da Cor do Sangue, integra a colecção Não Matarás) e Crimes Solitários.Em Vermelho Cor de Sangue reencontramos personagens já nossas conhecidas, tanto do lado dos “bons” como dos “maus”, se bem que esta distinção básica de géneros seja muito volúvel. Na sequência de um “simples” roubo de jóias é revelado um segredo há muito guardado (desde 1975 e envolvendo os comunistas portugueses e da União Soviética), o que espoleta uma sequência de eventos que vai afectar uma série de figuras bem colocadas na sociedade portuguesa. Um passaporte retirado desse cofre torna-se o objecto preferido de muita gente, desde as autoridades ao seu antigo dono e a outros implicados, pois veio desenterrar um caso antigo de desvio de verbas que vieram a sustentar negócios que estariam na base de fortunas de alguns “respeitáveis” que, entre os princípios ideológicos e a fortuna material, optaram por esta última.O enredo está bem tecido e apesar de haver muitas ligações e interligações entre personagens, o leitor nunca se perde, tendo ainda “tempo” para apreciar os problemas comuns do dia a dia de alguns dos protagonistas, tão parecidos com os nossos e bem retratados por Garcia Rosado.É, assim, um excelente retrato da sociedade portuguesa que, embora passado na actualidade, nos faz também regressar aos animados e agitados anos pós-25 de Abril, um momento histórico aqui bem aproveitado e descrito pelo escritor, destacando que muitas vezes não eram só as motivações políticas que orientavam os comportamentos.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Um elogio a "Vermelho da Cor do Sangue" nas recensões da Gulbenkian

Uma opinião que me entusiasma sobre "Vermelho das Cor do Sangue" na recensão de livros da Fundação Calouste Gulbenkian, com uma classificação de quatro estrelas e um link directo aqui:

"Depois de chamar a atenção dos leitores com o seu romance de estreia, Crimes Solitários, Pedro Garcia Rosado não tem desiludido quem passou a estar atento à sua obra. Munido com uma sólida informação de 'background' no que toca ao funcionamento de uma investigação policial, o autor confere verosimilhança aos seus relatos que são também inéditos no que toca ao realismo dos pormenores e dos diálogos. Portugal passa a ser o cenário credível de uma criminalidade violenta cujos ecos, por vezes, são notícia nos jornais. Sem medo das palavras, sem mascarar realidades cruas com descrições vagas que mais devem à poesia do que ao género policial, como sucede em muitos autores portugueses que enveredaram por este tipo de literatura, Pedro Garcia Rosado concentra os seus esforços na força que confere às personagens e às suas histórias, conseguindo uma assinalável qualidade literária. Um romance a ler com gosto."