quarta-feira, 13 de julho de 2011

Uma "ordem" do procurador-geral dos EUA: façam mais "The Wire"

 
A série televisiva "The Wire" (criada por David Simon e Ed Burns) é, pelo menos, uma das melhores de televisão de todos os tempos e, muito possivelmente, a melhor série "policial" de sempre. Em cinco temporadas, os dois autores passaram em revista o flagelo da droga, o sindicalismo, a escola pública, a política e a comunicação social, criaram personagens inesquecíveis e definiram um novo paradigma para o "thriller" e para o "romance policial" para a televisão do século XXI e para a própria literatura. Em Portugal, a série passou clandestinamente e o desassombro com que abordou certos temas há-de ter contribuído para não receber prémios importantes. Para os mais interessados, acrescente-se que a série existe em DVD, com edição que tem legendas portuguesas.
Desagradando aos poderes instituídos de Baltimore (o cenário de "The Wire"), esta série foi publicamente elogiada pelo presidente dos EUA. E é interessante que, em Maio último, o procurador-geral dos EUA, o "attorney general" Eric Holder tenha "ordenado", num encontro com alguns dos actores da série, que fosse feita mais uma temporada (coisa a que a HBO, possivelmente, não se oporia) ou, pelo menos, uma longa-metragem.
A notícia encontrei-a aqui por acaso e, duvidando de que David Simon (ocupado com outra série, "Treme", em Nova Orleães) o queira fazer, não posso deixar de desejar que isso fosse possível. E e, muito possivelmente, os muitos milhares de fãs de "The Wire". Mas talvez não seja de perder a esperança, no entanto...

sábado, 9 de julho de 2011

Um engarrafamento de disparates

Segundo conta o "Jornal de Notícias" aqui, as salas de cinema terão perdido, no nosso país, cerca de meio milhão de espectadores.
A notícia não surpreende. Acho que foi em 2007, antes de deixar a Grande Lisboa por completo, que fui pela última vez ao multiplex do Oeiras Shopping. Num dos irritantes intervalos da sessão em que eu me encontrava, olhei para a alcatifa puída e suja, lembrei-me do som desequilibrado com que o filme estava a passar e pensei no preço do bilhete e decidi: àquele cinema não voltaria mais. E não voltei.
A história do decréscimo do público de cinema em Portugal é uma colecção de disparates equivalente a um engarrafamento na Segunda Circular - na programação, nos títulos, no desinteresse, nos preços absurdos, na falta de diversificação da oferta, nas más condições das salas, no combate hipócrita à "pirataria" e da hostilidade para com os clubes de vídeo e o público em geral, e tudo com o beneplácito imoral do Estado, as empresas de distribuição, de exibição e de edição de filmes para salas e para o mercado doméstico.
Na cidade de Caldas da Rainha, concelho onde agora resido, o pequeno multiplex local é desconfortável, o som deve ser controlado por deficientes auditivos e a programação é bizarra. Num ano, fecharam três clubes de vídeo num total de, pelo menos, cinco lojas.
Ainda há um. O proprietário respondeu-me "Por enquanto" quando descobri este clube de vídeo e lhe manifestei a minha satisfação.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Mercado Medieval de Óbidos em défice

O Mercado Medieval de Óbidos  (este ano até 24 de Julho) é, mais do que o festival do chocolate (que pode ser feito em qualquer sítio mas que foi habilidosamente aproveitado), uma iniciativa que fica bem na simpática vila, com a sua imagética de época, as "tasquinhas" em versão medieval e a sua vertente de feira e de teatro com muita animação também de época.
Mas talvez necessite de mais qualquer coisa para evoluir melhor, recorrendo, por exemplo, a tendências medievais de áreas do fantástico. Um dragão, por exemplo, ficava muito bem no recinto...
Ontem, na abertura, notei menos tendas e menos visitantes. A crise e a imposição de entradas pagas aos visitantes trajados a preceito podem ter afastado muitas pessoas. Ou, talvez, o facto de se repetir o mesmo figurino todos os anos.
Ainda lá voltarei este anos, mas só a pensar em alguns petiscos, porque me pareceu já ter visto tudo o que havia para ver.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Quantidade e qualidade

Nunca consigo deixar de me impressionar com as pessoas que, em inquéritos, dizem sempre que estão a ler vários livros ao mesmo tempo, citando um "mix" de romances, ensaios e poesia que parece demasiado pronto-a-comer. Talvez eu tenha sido sempre antiquado, porque nunca consegui estar a ler mais do que um livro de cada vez. 

domingo, 3 de julho de 2011

O recenseamento poderá ajudar ao desenvovlmento do interior do País?

Segundo os dados já divulgados relativamente ao recensamento da população (Censos 2011), o concelho em que agora resido, Caldas da Rainha, viu a sua população aumentar em 5,7 por cento em 10 anos. Ou seja, moram aqui mais 2799 pessoas, tanto nas freguesias rurais como na cidade.
Os dados divulgados não indicam pormenores sobre estes novos residentes: se ainda estão a trabalhar, se trabalham à distância para clientes noutros concelhos ou se estão reformados.
Seria interessante sabê-lo, e não apenas neste concelho, claro, porque isso talve fornecesse indicadores sobre as possibilidades de desenvolvimento do interior do País. Mais residentes novos significa, pelo menos, mais consumidores. E isso significa, de imediato, mais receitas para o comércio local e um aumento da percentagem do IRS recolhido para as câmaras municipais.
Ou seja: as câmaras municipais podem ganhar com mais residentes novos. Têm é de saber conquistá-los.
(E é necessário, também, que não haja presidentes de juntas de freguesia a hostilizar, por manifesto défice democrático e de inteligência, os novos residentes. Mas essa é outra história que vai ser necessário contar um dia...)

quarta-feira, 22 de junho de 2011

"O romance policial e o crime em Portugal" na X Feira do Livro do Bombarral


É este o tema da sessão que vou animar neste sábado, dia 25, a partir das 21h30, no Palácio Gorjão, no Bombarral.
O convite foi da Câmara Municipal do Bombarral, que inaugura nesse dia a sua décima feira do livro.
Na ocasião, apresentarei também o meu próximo romance, "Vermelho da Cor do Sangue", número 2 da série Não Matarás (Asa), que sai em Julho.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Enigmas portugueses

A morte do então primeiro-ministro Sá Carneiro, em Camarate, foi um atentado (bem sucedido) ou um acidente? Quem eram os outros suspeitos do "pocesso Casa Pia" que não chegaram a ser acusados, e porquê? Quem fez o blog Mui Mentiroso e o que lhe aconteceu? Quem é que esteve realmente, e activamente e com armas, envolvido no 25 de Novembro, em 1975? Qual foi a verdadeira dimensão da intervenção dos serviços secretos dos países do Leste europeu e dos partidos "irmãos" do PCP no PREC?
Noutro país, estes enigmas da História portuguesa teriam dado origem a vários filmes e romances. Por cá, o realizador Luis Filipe Rocha fez, em 2000, "Camarate", um filme bem interessante e estimulante em que aborda o caso da morte de Sá Carneiro. Inspirado pelo "processo Casa Pia", escrevi eu "O Clube de Macau" (2007) e o meu próximo livro, "Vermelho da Cor do Sangue" (em Julho), aborda o 25 de Novembro e algumas peculiaridades da época. Não tenho memória de haver outras iniciativas no domínio da ficção sobre os enigmas da História contemporâna.
O que já de si é um enigma.
Tal como é um enigma a evocação pela imprensa portuguesa de "casos" como o de Dominique Strauss-Khan apenas dos que ocorreram noutros países, ignorando o que aconteceu de parecido em Portugal, a começar pelos "Ballets Roses"...

sábado, 11 de junho de 2011

Um vampiro português: "Sede de Sangue", de Manuel Teixeira Gomes

Uma curiosidade que convém nunca esquecer: um escritor português, que até foi Presidente da República, Manuel Teixeira Gomes (1860-1941), escreveu uma história de terror - intitula-se "Sede de Sangue" e tem um vampiro, brutal e boçal, que não faz figura triste perante muitos vampiros da lenda literária. O conto figurou na famosa "Antologia do Conto Fantástico Português" (1967 e 1974), da extinta editora Afrodite, que nunca mais foi reeditada.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

O Plano Nacional de Leitura "existe"?

Ou seja: os títulos nele indicados estão todos, ou quase todos, disponíveis no mercado português ou reeditados se, por acaso, já estiveram?
Dizem-me que não. O que suscita as maiores dúvidas sobre a eficácia desta coisa abreviadamente designada por PNL, cuja importância parece resumir-se a três letras que também significam "programação neurolinguística"...