Quem gosta realmente de histórias de vampiros e é menos sensível às variações introduzidas por autoras como P.C. Cast, por exemplo, encontra nesta colectânea (que traduzi para a Gailivro/Asa) uma boa mão-cheia de histórias que respeitam os cânones no género, que conciliam alguma ironia com passagens mais fortes e que deixam espaço a uma inovação bem sugestiva: pode uma sereia, que também se alimenta de seres humanos, ser considerada um vampiro? Das escritoras representadas, Rachel Caine, Tanith Lee, Nancy Holder, Rachel Vincent e Claudia Gray são as que merecem leitura mais atenta.
Este blogue é um registo pessoal de impressões, comentários e opiniões do autor, na sua qualidade de cidadão, na forma de um diário privado que é, no entanto, de acesso público e livre. Este blogue não tem fins lucrativos e as apreciações do autor sobre acontecimentos, pessoas e iniciativas, sociais, culturais, políticas, comerciais, mediáticas e outras, são completamente independentes e pessoais.
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terça-feira, 6 de setembro de 2011
sábado, 11 de junho de 2011
Um vampiro português: "Sede de Sangue", de Manuel Teixeira Gomes
Uma curiosidade que convém nunca esquecer: um escritor português, que até foi Presidente da República, Manuel Teixeira Gomes (1860-1941), escreveu uma história de terror - intitula-se "Sede de Sangue" e tem um vampiro, brutal e boçal, que não faz figura triste perante muitos vampiros da lenda literária. O conto figurou na famosa "Antologia do Conto Fantástico Português" (1967 e 1974), da extinta editora Afrodite, que nunca mais foi reeditada.
terça-feira, 26 de abril de 2011
Zombies, orgulho e preconceito

Os zombies são seres sujos e ameaçadores, com o péssimo hábito de quererem devorar pessoas. Ou seja, nada que se recomende fora do cinema e da literatura que se considera menor, apesar de exemplos maiores como, na literatura, “Cell – Chamada para a Morte”, de Stephen King (Bertrand), que é uma boa história com um final débil, “Guerra Mundial Z”, de Max Brooks (Gailivro), que é um épico notável e “Orgulho e Preconceito e Zombies”, de Jane Austen e Seth Grahame Smith (Gailivro), que é uma ousadia divertida. Obras escritas com justificado orgulho pelos seus autores.
No cinema, depois de alguns “remakes” e duas tentativas de George A. Romero de se manter como patriarca contemporâneo do género, o mais interessante, até agora, será “Zombieland”, de Ruben Fleischer, e aguardam-se “Orgulho e Preconceito e Zombies” em 2011 e “Guerra Mundial Z” em 2012 e, na televisão, “Cell” (2011).
Também para a televisão, a recentíssima série “The Walking Dead”, de Frank Darabont, chegou agora à Fox portuguesa (infelizmente, em formato 2:3, que é um hábito tonto deste canal) e revelou-se uma série bem adulta e de qualidade.
E no cinema, mas apenas em vídeo, já existe a continuação em formato de “prequel” de “Orgulho e Preconceito e Zombies”, também de Seth Grahame Smith (com o divertido título “Pride and Prejudice and Zombies: Dawn of the Dreadfuls”). O filme-anúncio pode ser visto aqui. Infelizmente, a edição portuguesa desta obra parece ter sido vítima do desprezo a que “Orgulho e Preconceito e Zombies” foi votado pelos cultores da sisudez literária. Ou seja, pelo preconceito, que é mais mortífero do que um bando de zombies esfomeados e que só se combate pelo orgulho que se põe nas coisas que ficam bem feitas. (“Guerra Mundial Z” e “Orgulho e Preconceito e Zombies” foram traduções minhas e gostei muito dos dois livros.)
(Publicado no Facebook em 3.11.10)
domingo, 24 de abril de 2011
A literatura que parece mal
Nos anos sessenta e no início dos anos setenta, não havia quase literatura fantástica publicada em português. Parecia mal.
A Estampa tinha a saudosa colecção Livro B, na colecção Vampiro ainda apareceu um romance de H. P. Lovecraft com título “Os Mortos Podem Voltar”, as antologias do conto fantástico, com um conto do antigo Presidente da República Manuel Teixeira Gomes (“Sede de Sangue”, com um vampiro) e do “conto abominável”, ambas da Afrodite, deixaram saudades.
Sangue? Vampiros? Monstros? Horror dos horrores! Só funciona, para a grande maioria dos editores e dos círculos críticos que impõem a ditadura do “bom gosto”, quando dá dinheiro. “Crepúsculo” teve, e tem, imitadores sem fim e houve editores que se atiraram à literatura sueca como gato a bofe só porque “Let the Right One In”, de John Ajvide Lindqvist, foi um (merecido) êxito. Hoje, com carácter permanente (e com a devida “declaração de interesses”: algumas edições são traduções minhas), a Gailivro está a lançar excelentes títulos da literatura fantástica mundial, incluindo a ficção científica. E faz pena perceber que a qualidade de um vasto conjunto de obras e o interesse que suscitam em certos públicos, que se vão manifestando “on line”, não se repercutem nos meios onde impera a ditadura da sisudez e de onde é banida a literatura que, aos olhos dos seus vigilantes, é vista como “parecendo mal”.
Neste aspecto, em mais de trinta anos, evoluímos de facto muito pouco.
(Publicado no Facebook em 25.10.10)
No início foi o Prémio
Há cerca de trinta anos, quando já trabalhava como jornalista e tendo já escrito várias histórias desde a adolescência, achei que uma maneira de conseguir publicar um livro seria candidatar uma história a um prémio literário. E assim fiz, enviando um original a uma edição do Prémio Literário Círculo de Leitores.
Íntitulava-se "Os Demónios de Novembro", era uma história de terror e terminava na madrugada da histórica data de 25 de Novembro com um duelo entre um padre e um demónio, filho de uma feiticeira morta pela Inquisição.
A narrativa tinha alguns defeitos de construção mas não era completamente má. O pior era ser uma história de terror. O resultado, obviamente, foi a sua rejeição pelo júri.
Nessa altura, jurei que nunca mais voltaria a escrever livros e percebi que dificilmente haveria lugar no mercado editorial português para a literatura fantástica que era, nessa altura, o que mais me entusiasmava.
Regressei mais tarde ao Círculo de Leitores, onde foi publicado o primeiro dos meus "thrillers", "Crimes Solitários". Também regressei à literatura fantástica por via da colecção 1001 Mundos, da editora Gailivro, embora apenas como tradutor. E "Os Demónios de Novembro" ficou arquivado, nas brumas da memória. A ideia do 25 de Novembro quase como protagonista foi utilizada para outro livro e o conceito básico desta história pode vir a servir para outra...
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