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sexta-feira, 6 de setembro de 2024

O PSD ainda pode recuperar a Câmara Municipal de Caldas da Rainha? (2)




Esta entrevista do "Jornal das Caldas" a Daniel Rebelo, presidente da Comissão Política da secção do PSD, publicada na sua edição de 4 de Setembro,  não responde à pergunta que aqui fiz em 11 de Agosto ("O PSD ainda pode recuperar a Câmara Municipal de Caldas da Rainha?") nem me faz alterar a opinião que expressei: "Não sei. Mas já começo a pensar que já não."            

Ou seja: continuo a pensar, à medida que o tempo vai passando, que o PSD vai chegar tarde a este campo de batalha político e que, como tal, dificilmente ganhará as eleições.

Embora tenha um discurso articulado, levando-me a acreditar que está a ser feito algum "trabalho de casa" em matéria de reflexão sobre a situação política neste concelho, que até pode dar bom resultado, Daniel Rebelo faz mal ao evidenciar uma despreocupação tão grande sobre uma matéria que é fundamental: "O processo de escolha do candidato não foi ainda formalmente iniciado, não é difícil, no entanto, descrever as características que procuraremos num candidato que nos venha a representar, e que terá forçosamente de demostrar competência política, capacidade de liderança, vontade de diálogo, e visão estratégica para as Caldas da Rainha. Felizmente são muitos os quadros do PSD das Caldas, quer sejam militantes quer não sejam que poderão reunir condições para liderar uma candidatura que pretendemos forte e mobilizadora, esta é uma matéria sobre a qual o PSD tem refletido e que será em breve concretizada." 

É que se o processo até parece formalmente correcto, o problema é o tempo: as eleições serão em Setembro do próximo ano e o adversário principal, e que conta, está há três anos a trabalhar para a sua reeleição. E o PSD não está, nem esteve, a trabalhar para a eleição de um candidato próprio. Pelo menos, publicamente. 

Além disso, o que não ajuda, o quadro já começou a ser definido e contra a vontade do próprioPSD: já há um candidato a presidente da Assembleia Municipal, que é o antigo presidente da Câmara, Fernando Costa, que se dispôs publicamente a ser candidato a esse cargo, antecipando-se ao que o seu partido, o PSD, poderia decidir.

Aliás, Fernando Costa até dispõe de uma página nesta edição do "Jornal das Caldas" em que recorda, satisfeito, o que fez como presidente da Câmara. 

O que, obviamente, até faz pensar que Fernando Costa poderia estar, afinal, disponível para ser candidato à presidência da Câmara Municipal de Caldas da Rainha. Será isso? Se for, continuo a pensar, como há um ano, que ganharia a eleição. E, ganhando-a, o PSD também ganharia. Finalmente.


sábado, 18 de janeiro de 2025

Como o PSD de Caldas da Rainha está a voltar costas à Câmara Municipal e a humilhar Hugo Oliveira


A minha dúvida (o PSD ainda pode recuperar a Câmara Municipal de Caldas da Rainha nas eleições autárquicas do Outono deste ano?) existe desde Agosto do ano passado e está devidamente fundamentada, com todos os pormenores, no que aqui escrevi.

A questão essencial é, cada vez mais, esta: o maior e mais bem implantado partido político do concelho, não tem um candidato à presidência da câmara que perdeu, ingloriamente, em 2021, não tem uma equipa de candidatos a vereadores e à Assembleia Municipal. E o seu inimigo principal, Vítor Marques, que venceu o PSD nesse ano, está em campanha para a sua própria reeleição praticamente desde que foi eleito, há quatro anos.

E só faltam oito meses para as eleições.




Visivelmente à deriva, o PSD decidiu recuar ainda mais e lançar um processo de escolha por telefone, tipo sondagem, tão aleatório como formalmente idiota, para definir quem é o seu candidato a partir de dois nomes: Jorge Varela e Hugo Oliveira.

A situação é ainda mais estranha porque um dos nomes é uma confissão de impotência política e de derrota pré-anunciada. E estou a falar de Jorge Varela, que foi um péssimo presidente de junta, com uma gestão desastrosa (e politicamente ofensiva) na União de Freguesias de Santo Onofre e Serra do Bouro. Coleccionou fracassos e que saiu pela esquerda baixa, refugiando-se no seu lugar de professor do Instituto Politénico de Leiria. 

Considerá-lo um candidato credível revela bem a desertificação do PSD de Caldas da Rainha. E pô-lo como alternativa, interna, a Hugo Oliveira é uma humilhação para Hugo Oliveira, porque atira contra o candidato "natural" do PSD um resíduo político. Que, se for o candidato do PSD, terá uma derrota certa, e infelizmente merecida, às mãos de Vítor Marques.

Hugo Oliveira, que acompanhou os presidentes Fernando Costa e Tinta Ferreira na Câmara Municipal de Caldas da Rainha, é deputado na Assembleia da República e é, ainda, o dirigente do PSD com maior visibilidade e maior intervenção no concelho. 

Em certa medida, e mesmo contra os seus projectos mais pessoais, acaba por ter a responsabilidade, ou a obrigação politicamente "moral", de assumir a candidatura à Câmara. Já o devia ter feito. Já devia estar a conduzir a campanha do PSD para derrotar o actual presidente, tarefa que até ainda pode estar ao seu alcance.

Por tudo isto, e por tudo o que é, Hugo Oliveira não precisava de ser posto no mesmo plano de um fracassado presidente de junta. E nós todos, o concelho de Caldas da Rainha, precisamos de Hugo Oliveira na presidência da Câmara Municipal. 

Não há outra forma, agora, de derrotar o projecto de poder pessoal, económico e político, que domina a Câmara Municipal de Caldas da Rainha. 



domingo, 11 de agosto de 2024

O PSD ainda pode recuperar a Câmara Municipal de Caldas da Rainha? (1)



Não sei. Mas já começo a pensar que já não.

Há poucos meses, uma fonte do PSD disse-me que havia duas hipóteses para a candidatura do PSD à Câmara Municipal de Caldas da Rainha nas eleições que devem ocorrer no Outono de 2025: o antigo presidente Fernando Costa e o ex-vice-presidente, e deputado na Assembleia da República, Hugo Oliveira. O primeiro preferia, no entanto, presidir à Assembleia Municipal (como agora ele próprio confirmou) e o segundo, por motivos pessoais, preferia manter-se na Assembleia da República.


Hugo Oliveira


Fernando Costa


Sempre pensei que Fernando Costa poderia, tranquilamente, ganhar as eleições de 2025 e já o escrevi aqui. 

Na sua ausência, Hugo Oliveira (um quase n.º 2 de Costa e  n.º 2 do derrotado de 2021, Tinta Ferreira) também poderá ser um bom candidato. Tem experiência da Câmara Municipal e das lides políticas ao nível autárquico, já está neste meio há muitos anos e, crítico que fui dele, acredito agora que terá experiência, conhecimento e reconhecimento para poder vencer e ser um bom presidente. A ser candidato, votarei nele e apelarei ao voto na sua lista e no PSD.

Só que ainda não há uma decisão. 

Fernando Costa, que é um "histórico" do PSD, talvez por nada parecer estar decidido, já se candidatou publicamente a entrar numa lista para poder chegar à Assembleia Municipal. (A entrevista que deu à "Gazeta das Caldas", sobre isso, pode ser lida aqui.) Falta o resto: o candidato à presidência da Câmara Municipal. E acho que o tempo não corre de feição para quem se atrasar.

O actual presidente da Câmara Municipal, com o seu partido unipessoal (Vamos Mudar) já lançou há meses a sua campanha para a reeleição. A gestão municipal deste empresário é uma catástrofe para o concelho e o seu objectivo está à vista, há muito tempo: é o seu próprio interesse pessoal que o move e não o interesse público.

Concentrou todos os esforços em festas e festarolas (que não devem ter falta de financiamento municipal...) e lançou uma campanha de obras de repavimentação de ruas, com olho nos efeitos práticos de medidas que caem sempre bem. E, beneficiando da cumplicidade da imprensa local (que mais parece promovê-lo do que escrutinar as suas acções), tenta evitar tudo o que seja danoso para a sua imagem. Como é o caso da construção do novo hospital do oeste. Ou as suspeitas que, de vez em quando, vão aparecendo na espuma dos dias. E sem ter uma oposição sólida, coerente e permanente.

Com excepção do PSD, que é o único partido de poder neste concelho mas que vai arrastando os pés, os restantes partidos limitam-se, agora como sempre, a uma gestão de assuntos correntes e a pouco ambiciosas provas de vida durante os quatro anos que medeiam entre cada eleição. Depois, lá fazem as suas campanhas, perdem (sempre) e hibernam. O PSD tem tido alguma actividade política... mas nada que realmente se note na perspectiva do combate eleitoral de 2025 a que não pode fugir.

A mesma fonte que citei no início mostrou-se convicta de que o PSD tem a vitória ao seu alcance nas eleições de 2025, porque há um grande descontentamento (mais do justificado, note-se) no eleitorado local relativamente à gestão municipal do Vamos Mudar. 

Mas, acrescento eu, para isso, o PSD tem de dizer o que quer fazer no concelho e, em especial, dizer quem o vai fazer. E cada vez mais vai sendo tarde...



quinta-feira, 14 de novembro de 2024

O PSD ainda pode recuperar a Câmara Municipal de Caldas da Rainha (mesmo com um hospital novo)? (3)



... Não. 

Já não acredito que o possa fazer nas eleições autárquicas de 2025, nem com a "oferta" do novo hospital do Oeste ao concelho de Caldas da Rainha, e outros concelhos limítrofes como Rio Maior e Óbidos, que o actual governo poderá vir a fazer em breve.

A construção do novo hospital foi anunciada em Junho do ano passado pelo governo do PS no concelho do Bombarral, que era o único concelho onde o PS poderia, com esse "presente", ganhar facilmente as eleições de 2025. Os restantes concelhos do Oeste não gostaram e, no caso de Caldas da Rainha, o presidente da Câmara Municipal fez uma campanha errónea, demagógica e isolacionista para poder ficar com o hospital.

A situação poderia, agora, vir a ser invertida pelo governo do PSD, que usaria a mesma táctica: pondo o novo hospital (ou um segundo hospital) no concelho de Caldas da Rainha, ou muito perto, beneficiando mais directamente os concelhos de Óbidos e de Rio Maior (cujas câmaras são do PSD), poria o PSD de Caldas da Rainha a reivindicar como sua a "vitória". 

Deste modo, independentemente de quem fosse candidato à câmara, o PSD teria como garantida a vitória eleitoral e o regresso à Câmara Municipal de Caldas da Rainha perdida, sem honra nem glória, para o actual presidente, Vítor Marques, empresário e chefe do partido unipessoal Vamos Mudar.

Mas nisto o PSD tem dois problemas: um é o facto de estar atrasado em termos de calendário político. A vida política, em Caldas da Rainha, parece às vezes uma farsa, com os partidos interessados apenas em fazerem provas de vida nas eleições. Se nada há a esperar dos outros, quem vê na agenda política do empresário criador do Vamos Mudar o perigo que ele representa para a gestão e para o património só pode sentir-se estupefacto por o PSD não ter ainda anunciado quem e que programa propõe para 2025. Faltam, apenas, dez meses para as eleições.

O outro problema é a possibilidade de uma decisão destas oferecer a Vítor Marques a capacidade de reivindicar a eventual mudança de localização do futuro hospital como vitória sua e resultado da sua campanha de protesto. 

E, nessa situação, com os seus programas de festas e de anúncios grandiloquentes, o presidente da câmara partiria de uma posição ainda muito mais favorável do que a do PSD. Aliás, a sua campanha para ser reeleito começou logo a seguir às eleições de 2021, depois de algumas hesitações iniciais.

O que é pena.



Entre uma candidatura que é uma incógnita e um demagogo em campanha...
quem é que vai ganhar dentro de 10 meses?







terça-feira, 17 de junho de 2025

Hugo Oliveira e Fernando Costa, finalmente! Conseguirão vencer Vítor Marques (e o seu PS amestrado)?



Foi, pelo menos, há dez meses que levantei a dúvida: o PSD poderia não conseguir recuperar a Câmara Municipal de Caldas da Rainha, politicamente perdida em 2021 para o grupo arrivista Vamos Mudar. E quem o quisesse desafiar a sério tinha de estar no terreno, a combatê-lo diariamente, e sem demora. E com tempo.

Foi isto que escrevi em 11 de Agosto de 2024:

O post pode ser lido na íntegra aqui.


A solução que já estava a ser ponderada, com maior ou menor convicção, no seio do PSD de Caldas da Rainha (que era, e ainda será, o segundo maior partido do concelho e o rival mais directo do Vamos Mudar), era mesmo esta: Hugo Oliveira, com experiência da câmara mas mais dedicado à sua carreira política na Assembleia da República, candidato à Câmara Municipal, e Fernando Costa, presidente da câmara durante vários mandatos, candidato à Assembleia Municipal. Seria, de certo modo, uma candidatura "natural". E quanto mais depressa estivesse no terreno, melhor seria. 

Mas as decisões demoraram muito tempo e tiveram de passar oito meses, e várias peripécias, para que (segundo o jornal "Gazeta das Caldas" e sem confirmação oficial) o PSD tomasse a decisão... que não podia deixar de tomar e que terá estado prestes a não tomar. Ei-la:









É uma boa notícia que vem tarde porque as eleições deverão realizar-se em Setembro. Mas maiis vale tarde do que nunca, no entanto. Quanto à possibilidade de esta candidatura do PSD (com o que resta do CDS) ganhar e conseguir afastar Vítor Marques... bem, a minha dúvida mantém-se, e agora noutra perspectiva e tomando já em consideração os resultados das eleições legislativas do mês passado. Vejamos porquê, olhando para as circunstâncias e para os números.




A vantagem inicial

O presidente da câmara, Vítor Marques, começou, praticamente, a fazer campanha pela sua reeleição neste ano desde que ganhou as eleições em 2021. Nunca escondeu as suas ambições, sendo impossível dissociá-las da expectativa que terá, como empresário, de poder alargar a sua esfera de influência e os seus negócios graças à sua posição de presidente da Câmara Municipal, ambição naturalmente legítima se for, de forma adequada, distanciada da sua carreira política.

Ao contrário de outros seus antecessores, Marques está a jogar tudo numa estratégia clara de comunicação. Para o que servirá a animada política de contratação de "especialistas" em comunicação pela sua câmara municipal. Planos diversos, actividades frenéticas, campanhas políticas ao sabor das necessidades, presença assídua nos órgãos de comunicação do concelho... tudo lhe serve.

Bastaria esta circunstância para a oposição que chega tarde correr um sério risco nas eleições. Três meses é tempo a menos para contrariar o efeito de quatro anos de campanha de um candidato que tem o controlo da Câmara Municipal, onde se imagina como homem do leme.




Um post, do próprio, do Facebook ainda de 2018








O Vamos Mudar e o PS vão coligar-se?

O chefe do Vamos Mudar foi eleito presidente da Câmara Municipal de Caldas da Rainha em 2021 com 9037 votos. E o então presidente da câmara, Tinta Ferreira, que encabeçou a lista do PSD, foi derrotado com 7707. Os 627 votos que a lista do CDS, em coligação com outros pequenos partidos, obteve de nada lhe teriam servido. O PS teve 2474 votos. O que também de nada lhe serviu.

No início, Marques ainda fez a corte ao cabeça de lista do PS, Luís Patacho, sendo inevitável ver na aliança entre os dois um projecto conjunto para as eleições deste ano. E se Patacho saiu de cena, o PS de Caldas da Rainha (que nunca conseguiu chegar à Câmara Municipal) não pôs de lado a hipótese de poder encontrar alguma maneira de chegar ao poder, atraído pelo seu cheiro cativante.

Em 3 de Abril de 2025, o "Jornal das Caldas" publicou uma notícia com o título "PS e Vamos Mudar em conversações para acordo eleitoral nas Caldas". O rasto da notícia ainda está no Facebook, mas a notícia, em si, desapareceu. Não se soube mais nada e até se pode pensar que tenha sido uma brincadeira de 1 de Abril. Mas, se fosse, teria havido decerto uma nota posterior a dizer isso mesmo. E não houve. E a notícia não teria desaparecido. Dois meses depois, é estranho este desaparecimento.





No Facebook é o que se encontra, mas a notícia, no próprio "Jornal das Caldas", desapareceu



Não tendo havido mais notícias sobre o "acordo eleitoral" (o que não quer dizer que não tenha havido contactos), o certo é que um novo elemento relacionado com as relações entre Marques e o PS acabou por emergir mais recentemente: o apoio expresso de Marques no Facebook, com apelo à sessão de apresentação do candidato na capital do concelho, ao ex-dirigente socialista António José Seguro, a quem designa já por "Futuro Presidente da República", numa espécie de investimento.

 




Residente, por motivos matrimoniais, em Caldas da Rainha, António José Seguro (que até poderia ter sido um bom presidente nesta câmara municipal) pode servir de elemento de ligação com o PS local e, com ou sem qualquer mecanismo de troca, ser a bengala para Marques se sentir mais tranquilo nesta eleição.

Porque, à partida, o Vamos Mudar precisa dos votos do PS para ganhar, o que será facilitado por uma aliança entre as duas partes. E esses votos até poderão ser suficientes para derrotar o PSD.





O que dizem os números




Uma análise, muito superficial, dos resultados eleitorais no concelho (Câmara Municipal e Assembleia da República) diz-nos isso e diz-nos mais algumas coisas. Vejamos alguns aspectos e algumas interrogações:

1. Quem foram, e quem serão, os eleitores do Vamos Mudar em 2025? De onde onde foram para o Vamos Mudar em 2021, e em quem votaram nas eleições legislativas de 2024 e deste ano? No PSD, no Chega, na Iniciativa Liberal e no PS? E serão eleitores fixos do Vamos Mudar, susceptíveis às acções de propaganda e de comunicação política do chefe da Câmara Municipal?

2. Por comparação com as eleições de 2017, vemos que em 2021 o PS perdeu quase 3000 votos. Terão ido para o Vamos Mudar? Depois, nas eleições legislativas, o PS recuperou eleitores, mais em 2024 do que em 2025. Como é que estes eleitores votarão este ano nas autárquicas? Note-se que o PS ainda não tem, ou não apresentou, candidato à presidência da Câmara Municipal.

3. O PSD perdeu quase 4000 votos entre 2017 e 2021. Muito provavelmente para o Vamos Mudar, cujo chefe foi, aliás, deste partido. Os eleitores do PSD, no entanto, não terão regressado todos a este partido nas eleições legislativas, onde o Chega obteve 6614 votos já este ano. Há uma perda de cerca de 1500 eleitores em 2025 desde as eleições de 2017. 

4. Em 2021 o Chega teve só 646 votos. Três anos depois, registou um resultado impressionante (5572 em 2024), que se alargou ainda mais este ano (6614 votos). Estes eleitores apoiarão a candidatura deste partido à Câmara Municipal (que até pode vencer) ou dispersar-se-ão por outras candidaturas? Que poderão ser o PSD ou o Vamos Mudar?

5. Haverá um efeito de "voto útil" em torno da candidatura do PSD contra o Vamos Mudar? Não creio, porque uma das consequências do atraso do PSD foi a ausência de alguém que, constantemente e com exemplos bem concretos, pudesse denunciar e combater o estado ruinoso em que o Vamos Mudar está a conseguir mergulhar a Câmara Municipal e o próprio concelho. O eleitorado, em geral, desconhece a situação.

6. Numa perspectiva apenas matemática, será suficientes para o Vamos Mudar ganhar a soma dos eleitores "orfãos" que lhe deram a vitória em 2021 com os eleitores pouco convictos do PS.



*

Hugo Oliveira e Fernando Costa têm uma tarefa difícil pela frente e uma derrota nestas eleições será fortemente penalizadora para o primeiro. E só a sua vitória poderá travar Vítor Marques e o seu projecto de poder unipessoal. 

Para já, lamentando que se apresentem tão tarde, é neles que votarei. E, esperando que apresentem ideias e projectos úteis para o desenvolvimento do concelho, fá-lo-ei numa perspectiva de "voto útil" para correr com o actual presidente da Càmara Municipal de Caldas da Rainha. 

Boa sorte! A ambos e a nós todos.



(Imagens de fonte aberta de acesso público.)


quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Depois das eleições presidenciais: como Seguro e Ventura vão derrubar Montenegro




1

O candidato presidencial António José Seguro venceu as eleições presidenciais. Tecnicamente. Porque, politicamente, quem ganhou foi o Partido Socialista, o partido que o novo Presidente da República temporariamente chefiou e de que é militante.

Dizem-nos que a decisão de este ex-secretário-geral do PS (que aqui apresentei) se candidatar à Presidência da República foi individual e pessoal. Nisso eu acredito, porque, por um lado, o candidato a candidato devia estar mais do que farto de gerir o seu modesto alojamento local e a sua pequena produção de vinho e de azeite e, por outro, o PS não tinha candidato. Mas uma coisa é a sua vontade e o resto é a concretização.

A certa altura há de ter havido um encontro, uma convergência e/ou um acerto de posições entre ele e o PS. Seguro e a direcção do PS (chefiada por um secretário-geral da mesma ala de Seguro, José Luís Carneiro) terão chegado a um entendimento. O PS dar-lhe-ia todo o apoio, ele seria o candidato do PS e ajudaria, pelo menos politicamente, o PS a partir de Belém. E pagaria, digamos assim, a factura que o PS lhe iria apresentar.

E a factura (da campanha e do apoio) existe. Pedro Costa, filho do ex-primeiro-ministro António Costa, que afastou e substituiu Seguro na chefia do PS, já veio recordar que a vitória de Seguro também é a do PS. Clarinho como água.





2

António José Seguro pode fazer juras sem fim a acompanhar qualquer tipo de promessa de que chefiará o Estado bem distante do PS. Mas não está em condições de cumprir esse distanciamento e será interessante ver o que dizem, ou não, todos os eleitores do PSD e da Iniciativa Liberal que nele foram votar, alinhando na cruzada do “bom” contra os “maus”, quando ficarem mais visíveis as consequências da articulação entre o novo presidente e o seu PS.

O PS, partido que mais tempo esteve no Governo desde 1976, é o partido que menos se contém quando lhe cheira a poder. É quem dispõe de uma maior clientela, das empresas às organizações sociais e culturais. E agora, com um pé no Palácio de Belém, já olha para as portas que se escancara,m para voltar a dominar o Estado e a tomar contas das chaves do cofre. Numa primeira fase, para mostrar bom comportamento, pode preferir a estabilidade. Mas, depois, irá pela instabilidade.


3

Toda a gente faz a sua profissão de fé de que este novo Presidente da República será um factor de estabilidade.

Mas não vai ser. Não pode, não tem força para isso.

Porque quem tem força, e a sente, é o PS. O Governo do PSD (com o CDS) está debilitado. O caos do Serviço Nacional de Saúde e a incapacidade de responder à catástrofe causada por tempestades difíceis deixaram mal o governo a que preside Luís Montenegro. E a nova correlação de forças também o prejudica.

O primeiro-ministro precisava, até agora, de se entender com o PS ou com o Chega na Assembleia da República. Para gerir os assuntos do Estado e para evitar eleições. O PS tinha medo de ir a eleições, para não perder ainda mais. O Chega tinha medo de ir a eleições para não correr riscos.

Mas, agora, o PS sabe que não precisa de ter medo de eleições, porque a base eleitoral do seu candidato a Belém até pode ser transferida para si, para seu próprio proveito.

E o Chega também sabe que não precisa de ter medo de eleições graças ao bom resultado que André Ventura teve, com mais votos relativamente às eleições legislativas do ano passado.

É natural, nesta perspectiva, que o PS e o Chega não façam favores ao Governo do PSD. Apostarão no seu desgaste. Quererão, sem o dizerem, eleições antecipadas, não dando ao adversário os três anos e meio de legislatura sobrante que poderão ajudar o PSD a lamber as feridas e a recuperar algum apoio popular.


4

O PS dispõe de duas vias para o fazer: por intermédio da Presidência da República (vejam-se, depois, as nomeações para Belém) e por meio de eleições. O Chega dispõe de uma só via: as eleições.

Porque, se pode dizer-se que André Ventura perdeu as eleições presidenciais, o certo é que só tecnicamente perdeu. Porque, politicamente, até ganhou com elas.

Anote-se no que escreveu o jornalista António José Vilela, num resumo rigoroso, aqui:

“Se o Chega é André Ventura e se André Ventura é o Chega - algo que até os mais críticos dizem há anos -, então Ventura e o Chega conseguiram simplesmente isto a 8 de fevereiro de 2026: cerca de um em cada três votos de quem votou na 2.ª volta das presidenciais; quase 403 mil votos a mais da 1.ª para a 2.ª volta (ainda há concelhos, freguesias e consulados sem votação); quase 292 mil votos a mais em relação às legislativas de 2025; mais cerca de 1,2 milhões de votos do que nas Presidenciais de 2021; mais quase 560 mil votos do que nas legislativas de 2024; mais 1,3 milhões de votos em relação às legislativas de 2022; mais quase 1,7 milhões de votantes quando comparado com as legislativas de 2019, o ano da fundação do Chega.
Sem dogmas, se isto não é um percurso de enorme sucesso eleitoral (e de forte impacto político e social em Portugal), não sei o que será. Outro dado que convém ter em conta é que o Chega e a liderança de Ventura sujeitaram-se a oito diferentes eleições democráticas (autárquicas, legislativas e presidenciais, sem considerar as das regiões autónomas) e vão apenas para o 7.º ano no palco político. Ora, nesse período, o PS já vai no 3.º líder, tal como sucede com o BE e a IL, sendo que o PSD e o PCP estão na segunda dose das suas lideranças políticas.”


5


O cenário, a longo prazo, será uma espécie de 3.ª volta entre o PS (e Seguro) e Ventura. E o PSD cairá, com Montenegro.





(Imagem de fonte aberta de acesso público.)

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Porque é que Costa e o seu PS ainda continuam a precisar de eleições antecipadas


Defendi aqui que o actual chefe do Governo e secretário-geral do PS precisa, tal como o seu partido, de eleições legislativas antecipadas. A vitória eleitoral nas eleições autárquicas (39 por cento, cerca de 6 pontos mais do que a vitória “poucochinha” do anterior secretário-geral do PS, António José Seguro) não afastou essa necessidade.
E eis porquê.

1

Houve quem dissesse que estas eleições eram a “desforra” nas urnas da derrota do PS nas eleições legislativas de há dois anos. Não são.
O resultado destas eleições fez-se de resultados locais. E foi obtido com uma distribuição copiosa de aumentos salariais na função pública e nos reformados e pensionistas (até pouco menos de dois meses das eleições), em dinheiro bem sonante no final do mês mas também com promessas abundantes de ganhos futuros.
O consumo interno e o crédito aumentaram, em resultado do aumento do poder de compra. Mas esta política de distribuição de benefícios à função pública vai durar para sempre? 
O PS (o único partido da tríade governativa a colher os louros da compra de votos) tem de ir a eleições sem essa almofada. De outro modo, está a partir de uma vantagem ilegítima, garantida pelo domínio do Estado.


2


O BE não teve, nestas eleições (locais, repete-se), melhores resultados do que em 2015. Foi como se não tivesse investido na solução de governo actual. E, tendo investido, perdeu parte do seu capital. O que vai acontecer nas eleições legislativas de 2019? Até que ponto é que o BE vai querer continuar amarrado ao PS?
O PCP teve uma derrota eleitoral assinalável. Se, por via dos sindicatos e da agitação, conseguiu ganhos para o que pensava ser o seu eleitorado, os louros desses benefícios foram para o PS. Vale a pena ao PCP continuar a apoiar um governo que, em termos práticos, de pouco lhe serve, e até acaba por lhe ser prejudicial?
Ou seja: o BE e o PCP vão continuar comprometidos com o PS, que até pode vir a ganhar uma maioria absoluta, por mais dois anos?
A situação deixou de ser segura para o PS e para o seu secretário-geral e chefe do Governo.


3

O PS só tira pleno partido do Governo e do Estado quando tem maioria absoluta ou quando, como neste caso (e com um comprometimento do BE e do PCP com coisas noutras circunstâncias não “engoliriam”), pode usar a administração pública para se financiar, distribuir lugares aos seus e satisfazer os amigos.
Se esta solução falhar, o que fará?


4

Talvez por um certo complexo de inferioridade (com uma boa dúzia de razões, infelizmente naturais em pessoas fracas e inseguras de si), António Costa abomina Pedro Passos Coelho. E, apesar de tudo, não se pode dizer ainda (hoje) que estas eleições tenham afastado o presidente do PSD da vida política portuguesa.
A humilhação de Outubro de 2015 ainda pesa ao actual chefe do Governo. Se, por hipótese, Pedro Passos Coelho continuar à frente do PSD por mais dois anos, a recordação da humilhação persistirá. Além disso, quem sabe se o PSD não conseguirá recuperar em dois anos e, seja lá como for e com um dirigente pouco amigo da lógica do “bloco central”, ameaçar em definitivo o PS?
Eleições antecipadas resolveriam este problema.


5

O PS aparece demasiado dependente do Presidente da República que, às vezes, até parece ser o primeiro-ministro do primeiro-ministro. Também é certo que, por outro lado, é muitas o PR que parece demasiado dependente deste Governo e do PS, como se alguma coisa houvesse que o fizesse refém do PS.
A legitimidade democrática que fosse eventualmente ganha nas urnas nacionais esolveria o problema e evitaria, caso o PS ganhasse (como o indicam as sondagens, de uma ou duas empresas, que têm sido publicadas), que um dia o PR, por hipótese, lhe atirasse à cara que ele, o PR, ganhou as eleições nas urnas e que o PS só ganhou o Governo nas secretarias parlamentares.


6

Finalmente, e supondo que o PSD até poderia ganhar entretanto um novo líder mais aberto (mesmo que subalternizado) a um entendimento com o PS, eleições antecipadas permitiriam ao PS libertar-se do BE e do PCP (que em certas matérias terão sempre posições antagónicas relativamente ao PS “normal”). E permitiriam também garantir um apoio complacente e a formação de um governo PS e PSD. Ou seja, do “bloco central”.
O PS que não é da extrema-esquerda, António Costa em alguns dias da semana e o actual Presidente da República adorariam que isso acontecesse. Dava-lhes jeito e aos seus amigos.
E não é, portanto, por aqui que passa o ódio, recalcado e frustrado, de António Costa a Pedro Passos Coelho?



terça-feira, 28 de outubro de 2025

O PS de Caldas da Rainha atirou-se pelo cano abaixo




Comecemos pelos números:


Nas eleições para a Câmara Municipal de Caldas da Rainha realizadas em 2017, o PSD teve o mais fraco de todos os seus candidatos: Tinta Ferreira, um homem da burocracia camarária que acabara de fazer um primeiro mandato. Inábil, politicamente, e associado a obras urbanas desastrosas, Tinta Ferreira foi derrotado em 2021 e deu a vitória ao grupo Vamos Mudar (VM).

Em 2017, o PS era o partido que estava no Governo. Tinha o poder nacional, tranquilamente, nas suas mãos. Mas, nas eleições para a Câmara Municipal de Caldas da Rainha, teve só 5276 votos. E depois, entre 2017 e 2021 perdeu 2802 eleitores. 

Será tentador dizer que o total dos 6500 votos perdidos pelo PSD e pelo PS entre 2017 e 2021 explicam a vitória do Vamos Mudar, em 2021, mas não tenho bases para fazer essa leitura.

Nas eleições realizadas no passado dia 12, o PSD conseguiu, em parte, recuperar a sua posição, embora o modo tardio como lançou a sua candidatura e entrou em campanha tenha contribuído para impedir a sua vitória. 

O PS, no entanto, desistiu. Nem tentou. Desistiu desde o primeiro momento. E é quase embaraçoso ver como um partido nacional com implantação local desaparece e aceita submeter-se a um grupo que, sendo formalmente de cidadãos independentes, tem um funcionamento de partido. Ou, melhor, de seita. O VM chegou à fase final desta campanha a pedir um voto de fé cega ("acreditar") num indivíduo apresentado como um homem providencial. O seu comportamento foi, claramente, o de uma seita religiosa.

O PS, na sua submissão ao VM, parece ter conseguido agora um lugar na Câmara Municipal e mais alguns na Assembleia Municipal e em assembleias de freguesia. Mas é curto. E até é impossível saber se era essa a sua intenção, se o resultado correspondeu ao que os militantes do PS queriam alcançar, que contas é que fizeram. Como uma prostituta muda, o PS entrou calado na campanha, esteve ausente e saiu da campanha igualmente em silêncio.

E valeu a pena? Não.

O PS não pôde cantar vitória porque não a teve e, no seu silêncio, mostra uma clara vergonha de assumir a derrota do esquema em que se meteu: o acasalamento entre o VM e o PS devia ter conseguido, pelo menos, 11 511 votos e só relativamente a 2021. Mas não: esta estranha aliança ficou-se por 9460. 

O VM e o PS não lucraram com o truque.

Na realidade, de 2021 para 2025, o VM e o PS perderam votos (e eleitores): 2055 votos. 

Sem ligar ao silêncio embaraçado do PS, bem pode o VM fazer de conta, como o seu chefe proclamou, que tinha tido mais votos do que em 2021. Não teve. E nem se pode saber, por exemplo, de onde vieram os 9460 votantes do VM. Quantos eleitores do PS é que estiveram nestes 9460? Vergonha das vergonhas, o PS nem saberá. 

O PS foi, nitidamente, pelo cano abaixo em Caldas da Rainha. Ou, então, anda escondido por ter vergonha do que fez e para ver se ninguém se lembra da asneira.

O que pensarão os socialistas de Caldas da Rainha? Se é que ainda os há, claro.

E, já agora, o que pensará o equívoco mentor desta desgraça, que foi António José Seguro? A derrota do PS de Caldas da Rainha também lhe é devida.








    domingo, 30 de março de 2014

    Hospital termal: entre o alargamento dos passeios e o Pai Natal enquanto se conversa com o porteiro

    O hospital termal de Caldas da Rainha está fechado. É uma instituição que tem um valor histórico significativo e que poderia ter um valor económico importante para o concelho. Há dinheiro para alargar passeios mas para o hospital termal não, e toda a gente parece estar à espera do Pai Natal.
    A situação foi abordada recentemente na Assembleia Municipal e a "Gazeta das Caldas" desta semana fornece elementos interessantes para permitir fazer um ponto de situação.
     
     
    400 mil euros mas só para alargar passeios - A "ressurreição" do hospital custa, pelo menos, 400 mil euros numa perspectiva de alargamento e de melhoria da oferta. A sua tutela cabe, actualmente, ao Estado. Note-se que as obras que decorrem na Avenida 1.º de Maio (que consistiram, principalmente, no alargamento dos passeios e na criação de uma rotunda com um repuxo junto à moribunda estação ferroviária) custam, pelo menos, 400 mil euros. Por mais controversa que possa ser a comparação, é útil ponderar quais os benefícios que se tiram do alargamento de passeios numa avenida por onde pouca gente anda a pé e sem muito comércio e quais os benefícios de um hospital termal capaz de chamar à cidade e à região milhares de visitantes por ano.

    Um presidente de câmara municipal tipo director-geral - A posição da Câmara Municipal de Caldas da Rainha e do seu presidente oscila entre o enfado e o desinteresse. A Câmara não quer "património" e, traduzindo por miúdos, não quer investir no que não é seu. A possibilidade de uma concessão por parte do Estado é matéria para umas conversações prolongadas (na lógica do "não é para se fazer mas para se ir fazendo") com a Direcção-Geral do Tesouro e já chega. Um presidente de câmara realmente interessado traria um ministro à capital do concelho e abriria um processo negocial. Mas este, possivelmente, não quer, não consegue, não sabe como se faz ou... não lhe passam cartão. A direcção-geral depende sempre do secretário de Estado, o secretário de Estado depende do ministro. Estar, neste caso, a falar com a Direcção-Geral do Tesouro ou com o porteiro do Ministério das Finanças na Praça do Comércio é perfeitamente igual. O presidente de câmara que nos calhou em desgraça ainda convidou Pedro Santana Lopes, na qualidade de presidente da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, mas este não deu sinais de grande interesse. Facilmente se percebe que qualquer potencial investidor ficará sempre desconfiado quanto ao que se pretende fazer numa cidade esventrada, calamidade que deve ser caso único no país, e recomenda-se à vereação e presidente de Caldas da Rainha que leiam o que escreveu Santana Lopes na passada sexta-feira no "Correio da Manhã".

    A desorientação dos partidos - Se, dispondo de meios, a câmara (PSD) não sabe o que há de fazer, os restantes partidos sabem ainda menos e o que se vê são lamentáveis manifestações de impotência, tanto mais vergonhosas quanto o PS, o CDS, o PCP e o BE estiveram, e têm estado, em posição, na câmara e na Assembleia Municipal, de evitar que as coisas chegassem a este ponto. Entre o PS, que quer ir em peregrinação a Bruxelas, e o CDS, que quer mais estudos, é o "venha o Diabo e escolha". Quanto a nós, só poderemos (voltar a) escolher em 2017.
     
    Uma proposta pragmática do MVC - O MVC, o movimento independente que começou a alterar o xadrez político de Caldas da Rainha nas eleições de Setembro de 2013, foi mais pragmático e, pela voz de José Rafael Nascimento, propôs uma "carta de princípios, objectiva e consensual" como base para uma decisão, enquanto Edgar Ximenes, defendendo uma visão mais abrangente de Caldas da Rainha como cidade termal, punha o dedo na ferida: "Pior do que a 'legionella', a contaminação ideológica é que pode estragar tudo". E a contaminação ideológica tem esses sintomas: desorientação absoluta.

     
    Um processo negocial com o Estado (e nunca a nível de direcção-geral...) e com potenciais investidores (num estabelecimento termal e no aproveitamento turístico dos pavilhões), com base numa "carta de princípios" urgente, é a única forma de recuperar muito do que se perdeu e de relançar o hospital termal, "sob pena de, por excessivo protelamento e eventual ruína, nunca mais o poder fazer", como salientou Edgar Ximenes.
    A elite caldense, que objectivamente votou ao desprezo o hospital termal (e tudo o que possa trazer visitantes de fora ao concelho e à cidade), está ainda e tempo de seguir este rumo e de fazer o seu acto de contricção.
    Pode ser que não o saibam mas não há nenhum Pai Natal que "ressuscite" o hospital termal.