sexta-feira, 12 de agosto de 2022

A "mudança" da toponímia


"Vamos Mudar", prometeram há onze meses...

E "mudaram": as placas toponímicas ficam assim, no chão, que dá menos trabalho. É na Rua da Eira, na Serra do Bouro, em Caldas da Rainha.







quinta-feira, 11 de agosto de 2022

Estupidez e incompetência grosseiras

Hoje, dia 11, ao passear os cães, deparei-me com este "aviso" colado num caixote do lixo num dos cruzamentos da Serra do Bouro por onde não tenho passado desde segunda-feira, dia 8.




O "aviso" é só mais uma demonstração da estupidez e da incompetência grosseiras de quem gere os serviços, ou a junta, ou o raio que os parta, da União de Freguesias de Santo Onofre e Serra do Bouro, de Caldas da Rainha.

Ignoram, sabe-se lá por que carga de água, que há quem passeie os cães (e não, não sou só eu) por uma área que é mais abrangente do que este cruzamento e que isto talvez não sirva para a população estrangeira (que o anterior presidente da junta de freguesia quis "conhecer" e até pagou 2250€ para o efeito).

É possível que os "herbicidas" sejam inofensivos para cães (e gatos, que há aqui em grande número), mas é muito mais provável que muitos cães (e os gatos) tenham andado a cheirá-lo e, sabe-se lá, a mastigar ou mesmo ingerir ervas que tenham esse tipo de veneno.

Este acto incompetente e estúpido é da responsabilidade de quem foi eleito há onze meses, para esta junta de freguesia e para a Câmara Municipal de Caldas da Rainha, com o lema "Vamos Mudar". 

Neste caso, nem mudou para pior porque isto já se fazia e é difícil fazer pior. Mas é mais uma da fraude política que se revelou o movimento "Vamos Mudar".




 

quarta-feira, 10 de agosto de 2022

Meias de meia-dose em meias-doses de imaginação





A modalidade de fitness conhecida por pilates, a partir do nome do médico alemão Joseph Hubertus Pilates (1880-1967), que a criou, deve ser praticada -- avisam os especialistas -- com o máximo de fixação dos pés, e do corpo, à superfície. 

Fazer os exercícios com os pés nus torna mais seguro, mais fácil e mais lógico o contacto com o chão e é benéfico para a postura, fortalecendo os músculos dos pés, melhorando o equilíbrio  ajuda o próprio corpo a adaptar-se ao meio ambiente. 

Se as luvas são úteis para as mãos, para as proteger de lesões causadas por temperaturas insuportáveis para a pele ou pelo manuseio de objectos, seria estranho que andássemos sempre de mãos enluvadas. A sensibilidade perder-se-ia e o contacto com o mundo também. É um princípio que só ganha em ser adaptado aos pés.

Quando comecei, há pouco mais de um ano, a frequentar regularmente aulas de pilates, e descalço, fiquei surpreendido com a quantidade de pessoas que o fazia, e faz, de meias. E homens e mulheres, sendo estas a maioria das pessoas que praticam a modalidade. 

Quer faça calor, quer faça frio, há quem não largue os seus peúgos. Há quem, indo de calçado sem meias, enfie meias para estas aulas. Há mulheres (e homens?) que têm as unhas dos pés pintadas (o que significa que as mostrarão ao mundo) e que calçam meias para o pilates. E serão sempre as mesmas meias, para as três (ou mais?) aulas semanais a que vão? Lavá-las-ão à semana ou quando as meias, por si só, e pelo uso, ganharem forma sozinhas?

E o mais estranho é que as meias que mais usam são as de meia-dose, que ficam abaixo dos tornozelos, geralmente escuras e todas iguais nas suas cores lisas, quer se trate de produtos das lojas chinesas, da marca "low cost" da Decathlon ou com os logótipos das grandes empresas de vestuário desportivo. 

Não há, neste desfile de envergonhadas (e de envergonhados), quem exiba meias coloridas, com padrões originais ou com qualquer tipo de merchandising (do cinema de animação e da banda desenhada). Não há qualquer frémito de imaginação, ou de criatividade, que dê origem a uma maior exuberância de ostentação, por contraste com certas aparências mais "produzidas". O que reina é um cinzentismo que não abona a favor da mentalidade de quem, por exemplo, exibe os "leggings" e outras coisas mais sofisticadas... para falhar nos peúgos. Mas, enfim, também já vi praticantes de pijama. Ou, pelo menos, com vestuário parecido com pijamas.

O que se vê é deprimente. Mas o pilates, felizmente, não é.


[Pratico pilates no Balance Club de Caldas da Rainha, incluído na minha prática das várias extensões do fitness. Há aí cinco professores que orientam esta actividade e que é de justiça citar pela qualidade do seu trabalho: além de Vanessa Cordeiro e de Nelson Lopes, João Cordeiro, João Oliveira e Rafaela Paterno.]


terça-feira, 9 de agosto de 2022

A crise de Taiwan será o princípio do fim da crise ucraniana?

Lenine recomendava que se procurasse saber, a cada momento, quem é o inimigo principal. Porque seria errada uma dispersão de meios e de atenção com aquele inimigo que não fosse tão imediatamente perigoso.

Para o governo dos EUA há dois inimigos, e em vários domínios, e só um deles pode ser considerado o inimigo principal: a Rússia e a China. 

Com o primeiro já entraram num conflito armado, por interposta parte, que é o Estado-vassalo informal constituído pela União Europeia. Este Estado-vassalo informal compra aos EUA armas e munições e combustíveis e, com os europeus e os ucranianos transformados em carne para canhão, forma uma espécie de tampão a ocidente para os interesses da Rússia. Para os EUA, é possível que o assunto esteja resolvido e um dos seus grandes objectivos (afastar a Rússia da Europa) já parece ter sido alcançado.

Poderá assim dizer-se que a Rússia, salvo em caso de catástrofe nuclear generalizada, já não é o inimigo principal para os EUA. E que a China, agora, é o inimigo principal, em quase todos os domínios.

Só que, mesmo com a ilha de Taiwan pelo meio, o risco neste caso é maior: um conflito militar com a China será directo e envolverá o envio de soldados americanos para morrerem no Oriente (coisa que o eleitorado americano acaba sempre por detestar).

A liderança política americana poderá achar interessante meter o país em dois conflitos à escala mundial. Mas o país estará disposto a isso?

É possível que a crise de Taiwan represente o princípio do fim da crise ucraniana. E que o presidente do governo de Kiev acabe a mandar num país diminuído, ou mesmo fisicamente afastado do seu cargo. 





segunda-feira, 8 de agosto de 2022

Como se fossem animais de tiro

Uma das coisas que mais me irrita, nesta pacatez geral da província (que acontece com maior frequência fora da cidade que é a capital do concelho), é o comportamento imbecil e grosseiro dos cabrõezinhos, normalmente velhos egoístas que pensam que é tudo deles, que páram as viaturas em qualquer lado, no meio da estrada, em cima das passagens de peões, onde calha, obstruindo as vias e causando dificuldades a quem circula.

Não os poupo na buzina.

E se há quem levante uma das patas dianteiras em jeito de pedir desculpa, a maioria também buzina, a protestar.

Normalmente, mostro-lhes o dedo do meio da mão esquerda ou berro-lhes um insulto. Mas a minha vontade, confesso, e ciente de que violaria as leis instituídas se o fizesse, é parar o carro, ir ter com eles e arrancá-los de lá dentro para lhes esfregar o focinho no chão.

Não sei se é assim que se disciplinam os animais de tiro, que puxam carroças e páram onde podem, mas sempre será melhor do que disciplinar estes imbecis à vergastada.



Um filho da puta é sempre um filho da puta


[Para que não subsistam dúvidas, não estou a referir-me ao entrevistado, Joe Mulhall, autor de "Tambores ao Longe" (Temas e Debates/Círculo de Leitores), mas sim ao entrevistado que nem sequer menciona o nome do tradutor do livro. Que, por acaso, fui eu.]













sábado, 6 de agosto de 2022

Caldas da Rainha merece melhor do que isto



Onde estão as empresas do concelho de Caldas da Rainha com actividades que podem ser mostradas ao público e com produtos (de artesanato, de cultura e de gastronomia) que podem ser vendidos directamente ao público? 

O que se pode saber da actividade comercial e industrial das empresas deste concelho? 

O que fazem as juntas de freguesias e as muitas entidades de raiz popular que existem em Caldas da Rainha?

Zero. É isso?

Quem for à pomposamente designada "Festa dos Sabores & Saberes", nome que disfarça uma acumulação de "tasquinhas" no recinto conhecido por Expoeste, em Caldas da Rainha, não ficará a conhecer os "saberes" comerciais, industriais e culturais do concelho. Pode ser que, se acertar, contacte com "sabores" inéditos ou sempre merecedores de aplauso saídos das mãos eventualmente sábias de quem está nas cozinhas improvisadas. E também pode ser que saia do recinto a cheirar a fritos.

As "Tasquinhas" acabam por ser uma decepcionante acumulação, num recinto impreparado para o efeito, de dezenas de entidades que não são empresas de restauração e que, em poucos dias, se transformam em restaurantes para os milhares de pessoas que os procuram num recinto aberto. 

Em contrapartida, ao longo dos anos, a participação de empresas ou de outras entidades nesta acumulação de "tasquinhas" que não queiram transformar-se em restaurantes tem vindo a diminuir. O que já esteve quase a ser uma exposição do que se fazia em Caldas da Rainha vai desaparecendo e é deprimente ver ainda alguns stands, com pessoas lá dentro, perdidos no meio da confusão.

Se há lugar para as "Tasquinhas", onde, aliás, deixei de ir há vários anos comer por estar farto de sair do recinto com a roupa a cheirar a fritos, também devia existir um espaço - digno! - para a actividade comercial, industrial, cultural e associativa se mostrar. E com preços moderados para os expositores. 

Esta espécie de feira de restaurantes amadores é promovida pela Câmara Municipal de Caldas da Rainha e pela Expoeste e a Expoeste é apresentada do seguinte modo no seu site: "a ADIO-Associação para o Desenvolvimento Industrial do Oeste é a entidade gestora da EXPOESTE – Divisão de Feiras e Congressos, dela fazendo parte a Câmara Municipal das Caldas da Rainha, a AIRO-Associação Industrial da Região Oeste, a ACCCRO-Associação Comercial dos Concelhos de Caldas da Rainha e Óbidos e um conjunto de freguesias do Concelho".

É muito paleio e muitas estrutura para um resultado tão pobre. Como é que este conjunto de estruturas e de pessoas consegue convergir numa coisa destas, onde a circulação de dinheiro sem suporte contabilístico deve ser colossal, e, ao mesmo tempo, ignorar o tecido económico do concelho? Demonstrando tamanha incompetência, os seus dirigentes deviam demitir-se. Já devem ter amealhado mais do que suficiente ...

 


sexta-feira, 5 de agosto de 2022

FozBus: mais um exemplo de como, mudando, mudam sempre para pior



"Jornal das Caldas", 3.08.22

Não há nada a fazer: quando as criaturas que ocuparam a Câmara Municipal de Caldas da Rainha fazem alguma coisa, o resultado é uma mudança para pior. 

Veja-se o caso do FozBus, o serviço de autocarro que liga a praia da Foz do Arelho a vários pontos de estacionamento de viaturas e que é gratuito.

É um serviço que funciona, salvo erro, há mais de dez anos e que é uma maneira inteligente e confortável de ajudar as pessoas a dirigirem-se para a praia, onde os espaços de estacionamento são curtos para tanta gente.

O FozBus tem funcionado apenas na primeira quinzena de Agosto, durante todos os dias, e o seu pressuposto parece ser o de as maiores enchentes se situarem durante esses quinze dias.

Este ano houve uma mudança: o FozBus existe desde 23 de Julho a 11 de Setembro. Que bom, não é?, pensará o leitor. 

Não, infelizmente não é bom. Porque as pessoas que estão de férias e procuram a praia da Foz do Arelho fazem-no, e em maior número na primeira quinzena de Agosto, todos os dias... e não aos fins-de-semana e feriados. 

Ou seja, o FozBus desaparece quando é mais útil. É estúpida, a decisão. E é reveladora do severo conflito com a realidade que têm os gestores da Câmara Municipal de Caldas da Rainha.

E se a ideia é poupar dinheiro, seria preferível (como, aliás, já defendi) que as pequenas viagens do FozBus fossem pagas. Nem que fosse a 50 cêntimos. Toda a gente ficaria a ganhar.




quinta-feira, 4 de agosto de 2022

A história de Max



"Olha, é um cocker!"

O alerta, cheio de boas intenções, chegou-me de pessoa ligada a uma associação de resgate de cães e de gatos, de Caldas da Rainha, a quem eu tinha dito que queria ter mais um cocker. No nosso agregado familiar de duas pessoas já havia dois cães, ou melhor, duas cadelas, uma cocker spaniel inglesa (a mais velha) e uma pastora da Anatólia. Chegara o momento, consensualmente, de alargar a família canina e a opção fora mais um cocker, a nossa raça favorita.

Há um ano, aliás, eu já tinha dado o primeiro passo, contactando uma associação de resgate de cockers e manifestando o meu interesse. Em resposta, a associação enviou-me um questionário completíssimo para eu preencher como adoptante. Depois de passar uma tarde inteira a preenchê-lo, e o mais exaustivamente que era possível, enviei-o à dita associação e... digamos que ainda não tive resposta. Portanto, o interesse mantinha-se.

E, há dois meses e meio, chegou-me este aviso. A fotografia que aparecia no Facebook, que apanhava a "cara" submissa do cãozinho, fazia pensar realmente num cocker. O cão fora recolhido por uma associação de resgate de cães de Rio Maior depois de ser encontrado na rua.

E era mesmo um cocker? Parecia ser, mas não era. No regresso de uma viagem de fim-de-semana a Melides, passámos por Rio Maior e fomos ver o jovem candidato. Simpático, sem dúvida, mas, na melhor das hipóteses, híbrido de cocker. Não foi a caricatura daquilo que se compra on line e do que efectivamente se recebe, mas quase se aplicava. 

Havia lugar a dúvidas, então? Se podia haver, o jovem decidiu por si próprio e, de certa forma, foi ele que adoptou os dois humanos que o foram ver, chegando-se a nós como quem pede: "Levem-me". Já tinha acontecido uma coisa parecida, há seis anos, com a Elsa.

E a decisão foi essa: adoptá-lo. O cãozinho perdeu o nome transitório de Bonsai e, uma semana depois da visita, juntou-se à família. Com o nome, talvez banal, de Max. Mas apropriado, na sua energia de cachorro e nas fúrias destruidoras conjunturais, como abreviatura de Karl Marx... ou de Max Rockatansky.

Com, talvez, menos de um ano, uma pelagem cor de mel e branca, um pulso torcido (sem solução) e um quisto sebáceo no nariz (à espera de operação), uma gastroenterite que já passou e algumas debilidades digestivas, o novo membro da família revelou-se um épagneul breton (uma raça prima dos cockers), cheio de energia, brincalhão, desafiador e muito inteligente.

E qual será a sua história, até ser recolhido pela associação de Rio Maior, a Patinhas de Rua?

Só é possível especular.

Há em Rio Maior um criador de cães desta raça. O jovem Max é de raça pura e sem cauda (terá sido cortada, ou nasceu assim?). O pulso ligeiramente torcido, e que pode ter sido um defeito de nascença, inviabilizou-o como objecto comercial. É possível que tenha sido entregue a alguém (de mais idade?) que lhe dava comida feita em casa e que talvez o mantivesse preso ou com movimentos limitados. Foi encontrado na rua, aparentemente abandonado ou perdido. Ou, pura e simplesmente, descartado? Valeu-lhe a Patinhas de Rua, como tem valido a tantos outros.

Agora o Max tem casa, camas e comida adequada, tal como as suas duas "manas": uma, a Elsa (pastora da Anatólia nada feminista que parece sentir-se intimidada pelo jovem macho que é quase três vezes mais pequeno do que ela), e a outra, a cocker de nome Joaninha (que o tolera sem grandes problemas). O Max ambientou-se e acomodou-se. Tem brinquedos e gosta de dormitar no sofá com a sua "mãe" adoptiva. 

E é feliz, muito claramente. E nós podemos, também, sentir-nos felizes porque o tirámos, tal como à Elsa, de uma vida incerta e sem grande futuro. Triste sorte que ele não merecia ter, como, aliás, nenhum outro cão.


Max e Elsa: um desafio permanente, o do jovem à enorme pastora da Anatólia


Max e Joaninha: já se aproxima a hora de comerem, à tarde




A caça às lagartixas: muito esforço, muita expectativa, resultados quase zero