sexta-feira, 31 de julho de 2015

Relicários vulvares



Foi há dois anos que houve obras de substituição de uma conduta de água na rua da povoação onde moro, numa freguesia do interior do concelho de Caldas da Rainha.
Dois anos depois dessas obras mais do que atribuladas apareceram agora o que parecem ser relicários aplicados à canalização de águas.
Podem ser úteis, ou não, mas têm quase todos uma curiosa particularidade: um pormenor que faz lembrar uma vulva.
Talvez seja uma manifestação de arte urbana, coisa de que alguns sectores locais muito gostam, embora com resultados sempre contraditórios.





É pena, entretanto, que a instalação dos relicários não tenha sido acompanhada pela recuperação (ou "requalificação", como agora gostam de dizer) do que pode ter sido, em tempos, um arremedo de fontanário, que continua com o aspecto miserável que a imagem documenta.
Mas também não admira. As autoridades municipais estão-se nas tintas para o interior e a Junta de Freguesia foi uma das que foram "transferida" para a cidade, que fica à extraordinária distância de 12 (doze) quilómetros e cujos responsáveis também não gostam muito de sair da capital do concelho. 


terça-feira, 28 de julho de 2015

Sardinhas



 
Acho que foi quando comecei a vir para esta região (São Martinho do Porto - Caldas da Rainha) que me tornei realmente apreciador de sardinhas, e as que se comem cá em casa vêm, invariavelmente, de uma loja que nunca me decepcionou em matéria de peixe fresco: a Peixaria Chagas, em Alfeizerão.
As de hoje, gordas e grandes, eram mesmo boas e, em segundo plano, está o "companheiro" delas escolhido para o jantar de hoje, um Dão tinto de 2012 da Quinta do Sobral (Santar), que foi perfeito no acompanhamento que fez a estes peixes.

Cheira a merda em Caldas da Rainha





... E não, não tem a ver com o gosto que a Câmara Municipal tem pelo lixo e pelos nojentos contentores verdes que gosta de espalhar por todo o lado, e a que aqui me tenho referido.
Tem, sim, a ver com o cheiro que paira em zonas próximas de entradas da capital do concelho, uma a noroeste na freguesia do Campo e a outra na zona industrial, perto de uma das entradas (e saídas) da A8.
O cheiro provém de grandes extensões cultivadas e é de supor que tenha a ver com a estrumagem das terras. As nuvens mais baixas, o calor, o vento e o tempo seco ajudam à festa, expandindo o odor pelos campos e pelas casas mais próxima, sem que ninguém lhes escape nessas redondezas.
Curiosamente, o PS local referiu-se ao assunto no início deste mês, chegando a pedir explicações à Câmara Municipal. Talvez não fosse causa para tanto e só demonstra aquilo que ando a dizer há muito tempo: os políticos locais pouco se aventuram fora cidade porque, percorrendo as estradas vizinhas, teriam percebido rapidamente o que se passava.
Não sendo obviamente agradável, este cheiro a merda é um sinal positivo do dinamismo da actividade agrícola do concelho.
O mesmo já não se pode dizer, claro, do lixo que a Câmara Municipal vai deixando espalhar por tudo quanto é sítio e cujo cheiro, felizmente, não se espalha como o do estrume. Pelo menos, por enquanto, claro.

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Como a oposição se transforma em "situação" e o PSD caldense confirma a sua incompetência


Não há um cano roto, uma rua esburacada, uma sequela que seja das obras que devastaram a capital do concelho; as ruas e as estradas estão um brinquinho; o Hospital Termal é assunto para daqui a alguns anos quando alguém reparar que continua sem funcionar; as dragagens na Lagoa de Óbidos não interessam; o lixo é rei.
Ou seja: não se passa nada. A oposição à Câmara Municipal do PSD calou-se, em geral. E reina a ordem em todo o concelho de Caldas da Rainha
Repare-se bem: o PS continua activo mas a meio gás; o CDS anda calado por obrigação à coligação nacional com o PSD e porque o seu chefe Manuel Isaac deve andar a ultimar assuntos de antes de férias nos milhentos postos de trabalho que mantém (como a "Sábado" revelou); o PCP desinteressou-se mesmo de Caldas da Rainha em nome do combate ao "pacto de agressão". E o MVC, essa esperança perdida das eleições locais de 2013, continua cada vez mais dedicado às eleições presidenciais, talvez convicto de que mais vale um pequeno lugar no Palácio de Belém do que um grande lugar na câmara municipal de um concelho praticamente irrelevante. (E do BE nem vale a pena falar porque não existe.)
A oposição caldense faz cada vez mais parte da "situação".
E o PSD local ainda nem deve ter percebido a sorte que está a ter, confirmando mais uma vez a sua incompetência pela incapacidade de aproveitar a capitulação objectiva dos seus opositores políticos para canalizar votos para as eleições legislativas e para a coligação governamental.

domingo, 26 de julho de 2015

A vida privada das crianças

Não sou praticante do carácter completamente "aberto" do que agora se designa por "redes sociais" e quem vir o que publico aqui e no Facebook perceberá que grande parte da minha vida privada está omissa. Aceito, claro, que haja quem opte por expor a sua vida privada e, em certos casos, ate me surpreendo por certas facetas mais íntimas estarem tão pormenorizadamente à vista.
Mas, neste caso, estamos no domínio dos adultos, a quem a lei permite isso e muito mais. E mesmo a acção deliberada, ou não, de com isso poderem estimular, ou satisfazer, "voyeurs". É uma questão de opções individuais de quem, e legalmente, é proprietário do seu próprio corpo e da sua própria individualidade e os usa com toda a liberdade.
Esta liberdade, no entanto, já não é a das crianças.  
É comum pais e mães, avôs e avós exporem os filhos, de bebés até praticamente à adolescência (talvez quando os próprios já se acham no direito de o recusarem), nas mais variadas situações e nos inevitáveis fatos de banho nas "redes sociais".
Quando o fazem, no entanto, não estão só a expor os filhos ao mundo mas também a usar as suas imagens sem proteger os seus direitos (que os têm). Estão, na realidade, a oferecer as imagens dos filhos a qualquer pessoa e para qualquer uso. Mesmo para um simples exercício de prazer solitário.
Aliás, seria interessante saber se os pais e as mães que se mostram indignados quando, na praia ou num parque infantil, um estranho lhes fotografa as crianças (uma notícia banal no "Correio da Manhã"), põem no Facebook as fotografias que eles próprios tiram.  
Esta prática suscita-me as maiores reservas e, se tivesse agora filhos pequenos (como já tive), não os exporia nas "redes sociais".
Não prevalecendo neste domínio o bom senso (como não prevalece em muitos outros casos nesses mesmos meios), só se pode saudar um acórdão do mês passado do Tribunal da Relação de Évora que, não fazendo jurisprudência, pode indicar um rumo. E as citações, mais longas, justificam-se:
 
(...) Na verdade, os filhos não são coisas ou objectos pertencentes aos pais e de que estes podem dispor a seu belo prazer. São pessoas e consequentemente titulares de direitos. Se por um lado os pais devem proteger os filhos, por outro têm o dever de garantir e respeitar os seus direitos. É isso que constituiu o núcleo dos poderes/deveres inerentes às responsabilidades parentais e estas devem ser sempre norteadas, no «superior interesse da criança», que se apresenta, assim, como um objectivo a prosseguir por todos quantos possam contribuir para o seu desenvolvimento harmonioso: os pais, no seu papel primordial de condução e educação da criança; as instituições, ao assegurar a sua tutela e o Estado, ao adoptar as medidas tendentes a garantirem o exercício dos seus direitos e a sua segurança.
Quanto ao perigo adveniente da exposição da imagem dos jovens nas redes sociais, as organizações internacionais e os Estados têm manifestado crescente preocupação porquanto é sabido que muitos predadores sexuais e pedófilos usam essas redes para melhor atingirem os seus intentos. (...)
Neste quadro a imposição aos pais do dever de «abster-se de divulgar fotografias ou informações que permitam identificar a filha nas redes sociais» mostra-se adequada e proporcional à salvaguarda do direito à reserva da intimidade da vida privada e da protecção dos dados pessoais e sobretudo da segurança da menor no Ciberespaço, face aos direito de liberdade de expressão e proibição da ingerência do Estado na vida privada dos cidadãos (...).
(O texto do acórdão relativo ao processo n.º 789/13.7TMSTB-B.E1, pode ser lido aqui.)
 
Não sou um defensor da intervenção do Estado na vida privada dos cidadãos mas, neste caso, a lei andará bem se conseguir compensar essa deplorável ausência de bom senso.
 
*
 
E, já agora, há uma obra, a que aqui já me referi, que explica fundamentadamente uma parte desta problemática: "Perversões", de Jesse Bering. É um excelente complemento ao citado acórdão e ajuda a perceber muita coisa. 

sábado, 25 de julho de 2015

Em cima da passadeira de peões é que eles estão bem





Viatura da empresa Esegur (de matrícula 17-94-UM) hoje às 12h50 à frente da porta de entrada
 do supermercado Intermarché de Gaeiras (concelho de Óbidos)

Não consigo perceber porque é que os motoristas dos veículos de transporte de valores gostam tanto de estacionar em cima das passagens de peões.
Terão instruções expressas para isso? Será um requisito para o exercício da profissão? Desconhecem o significado dos riscos brancos no chão e do sinal quadrado azul com um triângulo e uma figura humana estilizada a caminhar sobre riscos pretos? Ou acharão que nada disso tem significado porque no pavimento os riscos são brancos e no sinal são pretos?

sexta-feira, 24 de julho de 2015

12 páginas

 
 
São só doze as páginas que vale a pena reter de "Cercado - Os Dias Fatais de José Sócrates", de Fernando Esteves (Matéria-Prima Edições).
É nessas doze páginas, entre as páginas 53 e 68, que se registam os vários movimentos de milhares de euros que circulam, dentro e fora de contas bancárias, às vezes (segundo a tese da acusação ao ex-primeiro-ministro) disfarçados de "fotocópias", de "aquilo de que eu gosto" e de outras designações igualmente pitorescas, numa descrição que impressiona. E onde até admira que não apareçam palavras como "robalos" ou "quilómetros".
O conteúdo destas páginas amplia uma série de movimentos pelo menos estranhos que já haviam sido descritos de forma resumida em jornais e revistas e sugere realmente que, logo desde o início, o Ministério Público teve, e tem, fundadas razões para suspeitar de que o ex-primeiro-ministro e um círculo restrito de algumas pessoas (pelo menos as já arguidas na "Operação Marquês") andaram durante bastante tempo a contornar a lei e o que se dirá ser o bom senso em matéria de movimentos bancários.
Fora isto, "Cercado", nas suas restantes 280 páginas, é pouco interessante.
A estrutura, que não se adequa a uma obra desta natureza, é errática, anda para a frente, volta atrás, procura um dinamismo desnecessário e que só distrai. Muito do que conta é conhecido e, às vezes, as descrições parecem apressadas e pouco esclarecedoras (o caso da "licenciatura" e o caso das "casas da Guarda") e pelo caminho a linguagem perde-se (abusa-se do "alegadamente" e não lembra ao Diabo ir buscar a palavra "adultez" em vez de "idade adulta".


quinta-feira, 23 de julho de 2015

... -se!!!











 
A asneira-mor da imprensa nacional já chegou a esta imprensa regional. Agora é o "Jornal das Caldas" a escrever a fase idiota "O XIV Mercado Municipal de Óbidos iniciou no dia 16...".
Mas "iniciou" o quê?! Quando muito deveria ser "iniciou-se".
Custará muito perceber que isto é escrever mal, sem o "-se" que se impunha? E não seria mais simples ou mais eficaz escrever "abriu"?
É daquelas coisas que custa a perceber se é moda ou ignorância e que apetece comentar com um simples... "f... - se!"



xxx

Onde é que elas estão?


A terceira temporada já começou nos EUA e está anunciada a quarta


"Orange is the New Black" (sobre a qual já aqui escrevi), "Daredevil", "Mad Men" (a segunda parte, e final, da 7.ª temporada) e "Better Call Saul" - onde é que estão estas séries de televisão?
"Daredevil" parece estar reservado para a Netflix portuguesa, que irá, ao que se diz, arrancar no Outono. "Orange..." (de que até já vi a segunda temporada, em edição legal) é da Netflix e terá sido comprada mas... por quem? "Mad Men", que andou pela RTP2, acabou há dois meses... e nada. "Better Call Saul" (uma curiosidade por ser um "spin-off" de "Breaking Bad") também não aparece.
A programação de séries, nos canais do cabo e sobretudo nos canais generalistas, parece mover-se por motivos aleatórios. É pena, sobretudo quando se trata de séries de qualidade já comprovada.

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Um restaurante de que não gostei


O restaurante é grande, com uma sala circular pejada de mesas quase costas com costas. Pouco passa das sete e meia e já tem gente. O parque de estacionamento enche-se rapidamente de carros, as pessoas parecem correr para o interior.
À mesa chegam pão (que é bom), azeitonas (não convidativas), dois croquetes e dois rissóis pequenos (os croquetes são bons, os rissóis não se provaram). O vinho (tinto, a jarro) é bom.
A escolha recai em "Aba de Vitela Grelhada e em "Carne de Porco à Alentejana". A vitela está mais passada do que seria desejável mas ainda sabe a carne grelhada. A carne de porco não entusiasma e as amêijoas são das que se vendem como "vietnamitas" e são mais as cascas que os bichos. Quem gosta de amêijoas sabe que não é a mesma coisa das que, das mais variadas origens da costa nacional, se encontram num viveiro da Foz do Arelho em razoável variedade mas sempre boas. As batatas fritas vêm em duas travessas enormes, aos palitos e aos cubos (estas estão melhores, as outras quase nem se comem). Há uma pequena travessa de arroz de feijão que passou pelo forno, onde os feijões secaram ponto de se abrirem ao meio.
No fim vieram fatias de queijo de ovelha com marmelada. Do queijo pode dizer-se que era "honesto", era, disse uma das empregadas, "dos do Pingo Doce".
A conta do jantar (paga ao balcão) não saiu discriminada. A refeição (duas pessoas) ficou por 20€. No fim há digestivos oferecidos. O serviço foi simpático e esforçado.
A sala, já passa das nove, ficou entretanto completamente cheia. O barulho é insuportável.
Há quem goste, portanto, e até podemos ter errado na escolha, ou ter tido azar. Acontece, às vezes. Mas eu não gostei.
O restaurante chama-se Paraíso do Coto. Não o recomendo.
 
(O que recomendo como restaurante "popular" capaz de albergar muita gente, com uma cozinha muito melhor e serviço simpático e competente, a poucos quilómetros na estrada da Tornada, é O Cortiço.)