terça-feira, 19 de dezembro de 2023

Feliz Natal




Um cartão de Natal diferente, da New Beginnings Shepherd Rescue, uma associação de defesa e resgate animal da Carolina do Sul (EUA), que pode ser visitada aqui




segunda-feira, 18 de dezembro de 2023

Notas de prova (Oeste)

 



 

Arruda — Tinto 2019 — DOC Arruda
Castelão, Aragonez e Tinta Miúda
Adega Cooperativa de Arruda dos Vinhos, Arruda dos Vinhos
14% vol.

 
 
 
Montecapucho Cabernet Sauvignon — Tinto 2018 — Vinho Regional Lisboa
Cabernet Sauvignon
Quinta dos Capuchos, Évora de Alcobaça
14% vol.



 

Quinta da Lapa Syrah — Tinto 2018 — Vinho Regional Tejo
Syrah
Quinta da Lapa, Manique do Intendente
14% vol.
 
 
 
Reserva das Côrtes — Tinto 2018 Reserva— Vinho Regional Lisboa
Castelão, Tinta Roriz e Alicante Bouchet
Paço das Côrtes, Leiria
13,5% vol.
 
 
 



 Encosta do Sobral — Tinto 2019 — Vinho Regional Lisboa
Syrah, Aragonês e Touriga Nacional
Encosta do Sobral, Outeiro – Serra, Tomar
13,5% vol.
 
 
Montecapucho Castelão — Tinto 2018 — Vinho Regional Lisboa
Castelão
Quinta dos Capuchos, Évora de Alcobaça
14,5% vol.
 
 



 
Confraria Syrah — Tinto 2018 — Vinho Regional Lisboa
Syrah
Adega Cooperativa do Cadaval, Cadaval
13% vol.
 
 
 
Reserva das Côrtes — Tinto 2021 — Vinho Regional Lisboa
Castelão, Tinta Roriz e Alicante Bouchet
Paço das Côrtes, Leiria
13,5% vol.


 
Terras do Rendeiro — Tinto 2019 — Vinho Regional Lisboa
Syrah, Aragonez e Touriga Nacional
Caves Rendeiro, Freixial do Meio, Aldeia Gavinha
13,5% vol.






domingo, 17 de dezembro de 2023

O cão avariado


Mais de cinco anos separam esta fotografia e as restantes.




Esta foi tirada talvez em 2018 e mostra um podengo ainda jovem que vinha, logo de manhã, bater-me ao portão para brincar com as suas "primas" Elsa e Joaninha. Azougado, cheio de energia, magríssimo e ansioso por comida e água, parecia incansável. Depois, quando elas se fartavam, ele acabava por desistir e ia pôr-se ao portão, para se ir embora. Quando eu passeava com elas, ele acabava também por vir atrás. Parte da história está descrita aqui.

As coisas começaram a alterar-se quando vi o modo como os seus "donos" agiam. Não o passeavam e cheguei a ouvi-los vangloriarem-se, a visitas, à porta de casa, que já tinham um criado para lhes passear o cão... e sem terem de pagarem o serviço. Ou seja: eu,

Antes disso, e num dos dias em que ele estava a brincar, ouvi um dos "donos" a chamá-lo. Sabia onde estava o cão e a criatura podia ter percorrido as dezenas de metros que separam o seu portão do meu. Mas não. Não quis falar comigo. O cão, claro, não foi ter com ela. Mas o mais significativo foi perceber como esta atitude os caracterizava, e caracteriza. Julgam-se superiores a todas as outras pessoas. Não admira que, aqui, ninguém lhes passe cartão.

Nos passeios comecei a reparar que o cão bebia água de charcos imundos e repletos de mosquitos. Que apanhava, e comia, o que encontrava pelo caminho. Que andava de diarreia durante vários dias seguidos. E que, um dia, controlados os meus cães porque andavam de trela, só não foi atropelado porque não calhou, mesmo à nossa frente.

Mas foi-o mais tarde, e julgo que por mais do que uma vez. Um dos atropelamentos foi muito grave e terá tido fracturas severas nas pernas de trás. 

Não era de admirar que isso acontecesse, porque o cão começou bem cedo a sair do espaço da casa dos "donos" (mas nunca saiu "de casa" porque não deixavam entrar, nem mesmo nos invernos mais rigorosos), pelas zonas de passagem de uma cerca instalada com incompetência e pelos buracos que, sucessivamente, ia abrindo na cerca. Os tipos não se importavam, e não se importam. Deixam-no andar à vontade, deixam-no sozinho durante horas e dias. E deixam-no, agora, ser agressivo.

O que foi um jovem cão simpático é agora um cão velho, antipático e agressivo. Ladra e investe, mas sem se aproximar muito, contra os outros cães e contra as pessoas que passam. Só poupam um casal de vizinhos que, como eu, passeiam regularmente os seus próprios cães e que até o tratam bem. Os "donos" também os devem ver como criados deles.


Descontroladamente à solta, com os novos "criados"


O modo negligente como este pequeno cão tem sido tratado e o seu territorialismo descontrolado hão de ter estado na origem deste comportamento. Que um cão possa ser agressivo, se for muito territorialista, é, infelizmente, natural. Mas pode ser corrigido. Que os "donos" o permitam, e que permitam ainda que ele ande à vontade a incomodar os outros, e sem lhe corrigirem o comportamento, é que já não é natural. É estúpido, pelo menos. 

Com tudo o que de errado têm feito conseguiram dar cabo do cão, psicologicamente e sabe-se lá mais onde, até porque parece baço de pelo, mais baço do que a idade explicaria, e coxeia com alguma frequência.

Hoje de manhã, e enquanto os seus "donos" continuavam de janelas fechadas, e quando eu andava a passear a Elsa, ele decidiu investir contra nós. Mas, cobarde como é, cobarde como os "donos" são, nem se chegou. A Elsa, que gostava muito dele, pareceu-me ter ficado surpreendida com o esboço de ataque. Felizmente, e apetece-me dizer que infelizmente, não haverá um confronto que o permita saber.




Talvez achem que a agressividade do cão lhes dê estatuto,
ou lhes dê a importância que não têm mas julgam ter



sábado, 16 de dezembro de 2023

Ler jornais já não é saber mais (197): a parcialidade da CNN tuga






É interessante ver como a imprensa destas bandas (a CNN tuga, no caso) dá destaque às perdas russas segundo fonte oficial ucraniana, mas ignora as perdas ucranianas segundo fonte oficial russa (Ministério da Defesa russo, na agência noticiosa russa Sputnik).

As duas entradas são de hoje, sábado.

Objectividade e jornalismo? Zero.



sexta-feira, 15 de dezembro de 2023

A falácia dos automóveis eléctricos

 


... Eu devo ter um automóvel movido a electricidade porquê? Porque a publicidade do sector automóvel é o que agora promove? Por causa das "alterações climáticas"? Para poupar no consumo? Porque sim?... 

Pode haver um milhão de boas razões mas, no fim, quando fazemos as contas em termos de consumidor individual e não de empresa, a opção é esta: eu preciso de um veículo automóvel capaz de transportar em viagens longas, com um mínimo de conforto e de capacidade de carga adequada, duas pessoas e dois cães (já foram três). 

Por pouco mais de 20 mil euros (20 000€) consigo ter um veículo com motor de combustão que me serve para esse fim, como o Dacia Duster e com a opção de GPL (e não é publicidade, é um exemplo concreto... e o 15.º carro que comprei). Se quiser um veículo com motor eléctrico, os mesmos 20 mil euros só me permitirão comprar um automóvel pequeno e citadino, aquilo a que se tem chamado sempre um "utilitário". 

A questão fundamental é, em primeiro lugar, esta, e não outra. 



quarta-feira, 13 de dezembro de 2023

Notícias (?) muito convenientes

 



Estas "notícias" são mesmo convenientes quando o presidente do governo de Kiev anda nos EUA a garantir (Burisma?...) que o presidente do governo de Washington lhe dá mais alguns trocos e em conversações com fabricantes de armamento e a bater à porta da União Europeia, onde o delirante Scholz e a nazi van der Leyen anseiam metê-lo à viva força, só faltando anunciar que a "contra-ofensiva" já chegou a Moscovo.

E nós, entretanto, continuamos a pagar a mesada ao comediante...



segunda-feira, 11 de dezembro de 2023

O "rio atmosférico" e a parvoíce estratosférica que fomenta o alarmismo















 

Se consigo, com alguma imaginação, pensar que a expressão "rio atmosférico" pode ser aplicada a qualquer situação de chuva mais forte, só me ocorre (e, pelo menos, ao longo dos vinte anos em que moro nesta zona rural do concelho de Caldas da Rainha) o que aconteceu no dia 1 de Janeiro deste ano. Choveu pesadamente e durante muitas horas, tornando muito difícil, mas não impossível, circular fora de casa e quase estaria tentado a afirmar que nunca tinha visto chover desta maneira, pelo menos aqui.

E nem me parece que quando vivi uma noite de chuva mais intensa a cerca de 40 quilómetros daqui, em meados de Dezembro do ano passado, fosse razoável falar em "rio atmosférico".

E, no entanto, parece ter-se generalizado, entre o que dificilmente pode ser tido como comunicação social e aquela comunicação social que se julga mais importante e onde o nível da mão de obra devia ser mais elevado, o recurso ao "rio atmosférico" ... para descrever situações de chuva mais forte que são absolutamente normais nos meses de Novembro e de Dezembro. Ou seja, na transição do Outono para o Inverno. 

Só que se caiu numa banalização profundamente idiota: usam-se as expressões mais pitorescas, sem qualquer preocupação de verificar depois se elas têm alguma razão de ser. O que neste caso até talvez tenha vantagem: habituados à chuva no tempo da chuva, talvez a grande maioria das pessoas ligue pouco a esta parvoíce e, com sorte, menos acreditam nos autores destes delírios.

Como é que é possível ir buscar coisas tão pitorescas, além do "rio atmosférico", como "ciclogénese explosiva" "ciclone-bomba", "bomba meteorológica", "comboio de depressões", "comboio de tempestades", "bloqueio escandinavo" e, até, "uma verdadeira vaga de frio" no Inverno?

A intenção de causar alarmismo, em consonância com outras tentativas do mesmo teor feitas na época medonha dos confinamentos, pode ser real e é uma hipótese a ter em conta quando se olha para estas parvoíces de dimensões estratosféricas. Mas acharão os seus cultores que, assim, vão lá?




domingo, 10 de dezembro de 2023

PSD, 1 - Vamos Mudar, 0

 

O ambicioso presidente da Câmara Municipal de Caldas da Rainha
já começa a ver a sua reeleição por um canudo


Foi há seis meses que, depois de o ministro da Saúde ainda em funções ter anunciado que o novo hospital do Oeste seria construído no Bombarral, o presidente da Câmara Municipal de Caldas da Rainha proclamou que o concelho a que ainda preside iria fazer "luto" e estaria em "luta" contra a decisão. Porque, recordemo-lo, o presidente de Caldas da Rainha queria, e às vezes ainda quer, um hospital público em exclusivo para o seu concelho e para sua glória política. 

Passados seis meses... aconteceu o quê? Nada. O presidente de Caldas da Rainha ainda espevitou os ânimos de alguns crentes e dos eternos sonhadores locais (a Linha do Oeste, o hospital, etc.) para duas ou três manifestações de rua e chegou. 

Ele, Vítor Marques, como empresário esperto mas político desastrado, já terá percebido que o hospital esteve sempre perdido. E também terá percebido que, tendo alienado os seus colegas das outras câmaras municipais do Oeste com a sua reivindicação de exclusividade, nem sequer conseguiu assegurar qualquer tipo de vantagem para poder negociar qualquer tipo de contrapartidas.

Condenado à irrelevância nesta matéria, e com problemas na Vamos Mudar, a associação unipessoal que criou e onde já se viu obrigado a tomar as rédeas da direcção, Vítor Marques viu numa recente declaração do presidente do PSD, Luís Montenegro, uma oportunidade de fazer prova de vida.

E o que Luís Montenegro disse foi isto: "Nós precisamos do hospital novo e creio que se nos embrulharmos em discussões apenas focadas na localização estamos a dar argumentos para adiar mais a sua construção”, “o que nós queremos mesmo é que o hospital veja a luz do dia” e “neste momento há uma localização que foi escolhida e é preciso andar para a frente com o projeto, executá-lo”,

Tem toda a razão o presidente do PSD. A decisão está tomada e qualquer leilão de feira em torno do futuro hospital do Oeste, já anunciado para o Bombarral, pode atrasar a sua construção. C0m eleições legislativas à vista, todas as câmaras municipais vão querer tudo e mais alguma coisa. Neste caso é um hospital. Pode ser, ainda, um aeroporto ou, como aconteceu noutros tempos, uma universidade.

A moção, em que Vítor Marques se atira a Luís Montenegro como não se atirou ao primeiro-ministro e ao ministro da Saúde, foi rejeitada com os votos do PSD e a abstenção do PS e o presidente da Câmara Municipal ainda teve de levar com a acusação de estar a fazer "baixa política", feita por Hugo Oliveira (PSD), que esclareceu que o presidente do PSD quisera apenas "transmitir que seria fundamental e essencial para o Oeste que [o hospital] fosse construído com celeridade".

Com esta rejeição, o grupo Vamos Mudar teve uma derrota politicamente significativa. Como significativo foi o facto de a votação, na Assembleia Municipal, ter ocorrido há mais de dez dias (foi a 28 de Novembro) sem que os crentes de Vítor Marques e da sua "luta" se tenham manifestado.

Esteve bem o PSD na rejeição da moção de Vítor Marques e no comunicado com que lhe respondeu. 

É assim que se faz política a sério e é um primeiro passo, e decisivo, para afirmar o seu estatuto de oposição. E tenhamos esperança de que seja, também, indicativo de que o PSD já está a preparar-se para as eleições municipais de 2025. Em que, para bem do que ainda de jeito sobrevive no concelho, Vítor Marques não pode ser reeleito.

 



A notícia do "Jornal das Caldas" sobre a rejeição da moção pode ser lida aqui:

https://jornaldascaldas.pt/2023/12/06/chumbada-mocao-de-repudio-por-afirmacao-de-montenegro-sobre-novo-hospital/

 

O comunicado do PSD pode ser lido aqui (na "Gazeta das Caldas"):

https://gazetadascaldas.pt/opiniao/comunicado-do-psd-das-caldas-da-rainha/

 

O ataque do Vamos Mudar ao presidente do PSD pode ser lido aqui (na "Gazeta das Caldas"):

https://gazetadascaldas.pt/politica/mocao-de-repudio-pelas-declaracoes-de-luis-montenegro-presidente-do-partido-social-democrata/





sexta-feira, 8 de dezembro de 2023

À beira do fim, mas com cuecas






A capa da edição do passado dia 2 de Dezembro da revista inglesa "The Economist" diz tudo sobre a actual situação da crise ucraniana ao dar destaque a uma pergunta terrível: "Putin está a ganhar?" 

"The Economist" é uma publicação insuspeita de ser, como cá se diz, "pró-Putin" ou "pró-russa" e não é a única publicação que, nos últimos meses, tem afirmado, sugerido ou dado espaço ao que já foi uma certeza absoluta. Que era a de que a Federação Russa podia ser militarmente derrotada por interposto adversário. Mas, agora, e ainda para mais com uma referência à indústria militar russa na capa? É o fim, de certo modo.

E bastou uma semana para ficar claro que, na frente de batalha, os chefes e soldados que restam das forças armadas ucranianas estão a recuar e que há uma crise, no governo ucraniano, entre a liderança política e a liderança militar.

O conflito na Ucrânia, antes e depois da "operação militar especial" da Federação Russa, foi e tem sido alimentado pela influência política directa, pelo dinheiro e pelas armas entregues a uma das partes (o governo de Kiev) por uma larga frente político-militar onde se reúnem os EUA, a liderança política da União Europeia, o Reino Unido e a NATO. 

É possível que esta frente, unida e organizada e num confronto directo com a Federação Russa, até pudesse conseguir no campo de batalha o que outros não conseguiram: conquistar, militarmente, a capital russa e submeter o Estado russo. Até podemos imaginar que conseguisse atingir o Kremlin e os centros de decisão militares com mísseis nucleares, antes de a Rússia o poder evitar, e vencer dessa maneira. Mas por interposto adversário? Não.

No entanto, até foi esta certeza que levou, em Março de 2022, o então primeiro-ministro inglês, Boris Johnson, a forçar a ruptura das negociações iniciadas nessa altura entre a Ucrânia e a Federação Russa. A Rússia podia ser derrotada, garantiu.

Viu-se! Tome-se o triste exemplo da "contra-ofensiva". Anunciada durante meses, deu tempo e espaço para o adversário se organizar, criar linhas defensivas que não puderam ser rompidas e intensificar a produção de tudo aquilo que é necessário para manter um conflito armado numa escala sem precedentes. Seis meses depois, a "contra-ofensiva" está virada do avesso: a Ucrânia recua e a Rússia avança.

Com o Inverno à porta, já ninguém consegue esconder que a situação da Ucrânia é catastrófica e que há o conflito aberto entre o presidente comediante, Zelensky, e o chefe das forças armadas, Zaluzhny. Não é muito diferente do que já aconteceu noutros países, e mesmo entre nós. Num lado temos os políticos a quererem que os militares ganhem uma guerra impossível de ganhar e, no outro, os militares que se esforçaram até ao limite e que, sem armas, sem munições e se soldados, não podem fazer milagres. Quando já não havia qualquer dúvida de que a "contra-ofensiva" tinha fracassado, Zaluzhny descreveu-a como "impasse" à "The Economist", para fúria de Zelensky. 

Esta crise é, além disso, agravada pela diminuição drástica dos apoios, em equipamento e em dinheiro, dos aliados de Zelensky e pelo desvio do financiamento americano para Israel, no meio de uma tempestade política interna.




Quando já é motivo de sátira a "expulsão" do conflito na Ucrânia da comunicação social devido ao conflito entre Israel e o Hamas, a propaganda do regime de Zelenksy é inútil
e os chefes da UE e dos EUA já receiam o fim




E até se vêem os próprios dirigentes europeus e da NATO a avisar para as "más notícias" que poderão vir da Ucrânia, o que é qualquer coisa de espantoso: como raio é que não perceberam que os dirigentes políticos e militares ucranianos estavam, literalmente, a desperdiçar soldados, dinheiro, munições e demais equipamento? Como é que não perceberam que não havia capacidade industrial para fazer mais armas e munições, por exemplo durante os meses em que a contra-ofensiva ia sendo anunciada, e que a Federação Russa nunca deixou de produzir tudo aquilo de que necessitava, e de forma cada vez mais perfeita, e comprando o que não conseguia fazer? 

É significativo que, no período de uma semana, se generalize a convicção de que a Ucrânia está a perder a guerra para que foi empurrada, de que a Rússia, com o seu presidente indiscutivelmente reforçado num mundo que já não gravita em torno dos EUA, está a ganhar e de que o desfecho só poderão ser negociações, com o actual Estado ucraniano a perder grande parte do seu território.

Nem as cuecas portuguesas, nesse magnífico contributo da ministra da Defesa para o equipamento do pessoal feminino das forças armadas ucranianas, chegarão a tempo...









terça-feira, 5 de dezembro de 2023

Cá se fazem, cá se pagam




Todos o fazem: o Presidente da República, o primeiro-ministro, os ministros, os secretários de Estado, os directores-gerais, os indivíduos que dirigem isto ou aquilo no sector público e no sector privado. Não é a "cunha" no sentido mais clássico, em que alguém pede um tratamento de favor para uma pessoa ou um procedimento ou um processo, mas a versão mais benigna em que o peticionário se limita a pedir ao destinatário da sua intervenção uma atenção para um assunto.

A intervenção do Presidente da República no "caso das gémeas" (as duas crianças luso-brasileiras que beneficiaram de um tratamento hospitalar milionário depois de uma intervenção de teor desconhecido do filho do Presidente junto do pai Presidente) poderá ter sido apenas isso. 

Não se sabe, em concreto, o que lhe pediu o filho em questão, nem se insistiu ou falou com o pai. Sabe-se, sim, que de um organismo da Presidência da República saiu para o Governo uma comunicação "para os fins tidos por convenientes" e que, depois disso, o Ministério da Saúde interveio e um hospital público acolheu, e tratou, as duas crianças.

É possível que o Presidente da República já tenha enviado para o Governo muitos pedidos que cidadãos, de maior ou menor relevância lhe tenham remetido. E que uns tenham sido acolhidos e outros não. E que muitos dos que foram acolhidos e favoravelmente despachados o tenham sido com toda a legitimidade. 

Só que, neste caso, o peticionário é um filho do Presidente. E no outro lado está agora um primeiro-ministro que vai ser formalmente demitido por decisão do Presidente, a quem culpa pela actual crise política, e que é incapaz de perdoar.

Exposto num caso de tratamento de favor, o Presidente pôs-se a jeito. E ainda não devem ter chegado ao fim os elementos que o chefe do Governo em exercício há de querer usar para o seu ajuste de contas com o Presidente da República.

Enlevados não poucas vezes nos braços um do outro, o Presidente e o primeiro-ministro estão agora na fase do "cá se fazem, cá se pagam". 

O desfecho é incerto, mas já todos sabemos, incluindo o Presidente, que quem se mete com o PS leva...