terça-feira, 14 de junho de 2022

"Caso" da Junta de Freguesia da Foz do Arelho com acusação de peculato e julgamento


O Ministério Público precisou de cinco anos para acusar. Terá sido difícil?


O presidente da Junta de Freguesia da Foz do Arelho, Fernando Sousa, os antigos tesoureiros Luís Vila Verde, Jorge Rafael Constantino e José António Ferreira, e a ex-secretária Maria dos Anjos Sequeira, antiga funcionária desta junta de freguesia, foram acusados pelo Ministério Público pelo crime de peculato.

No habitual estilo da acusação pública, "com as suas condutas, os arguidos apropriaram-se de quantias pertencentes à Junta de Freguesia de Foz do Arelho em proveito próprio ou em proveito de terceiros”, 77.614,56 euros (Fernando Sousa), 6.748,17 euros (Luís Vila Verde), 6.768,65 euros (Jorge Rafael Constantino), 43.594,23 (Maria dos Anjos Sequeira) e 60.388,48 euros (José António Ferreira)".

O julgamento deverá começar em Leiria em 15 de Setembro e os principais pormenores estão descritos aqui.

A acusação saiu cinco anos depois de uma auditoria que concluiu pela saída irregular de cerca de 200 mil euros das contas da junta de freguesia. 

Referi-me ao assunto aqui, em 9 de Junho de 2017, com seis notas de que se justifica repetir agora quatro: 

1 - A gestão da Junta de Freguesia sai, obviamente, mal e, perante o que é apurado, é normal o envio de todos os elementos para o Ministério Público. Será natural que haja inquérito, arguidos, processo judicial e julgamento.
2 - As declarações do presidente da Junta da Freguesia, arguindo "desconhecimento" dos procedimentos formais, são infelizes e precipitadas. Não ajudam, em nada, a sua defesa. Apesar de tudo, tem o direito de se defender. Mas terá de se defender melhor.
(...)
5 - Houve muita coisa de positivo que foi feito na freguesia da Foz do Arelho ao longo dos últimos quatro anos. É pena que este caso ensombre tudo o que foi feito.
6 - É necessário não ter medo, e desde já, de fazer também uma auditoria à Associação para a Promoção e Desenvolvimento Turístico da Foz do Arelho, se é verdade que há ligações (ou suspeitas delas) com a gestão da Junta de Freguesia. De qualquer modo, a ser aberto inquérito pelo Ministério Público, será natural que também a queiram ver de perto. Podem é chegar tarde demais.

Respeitando o princípio, mal compreendido, de que ninguém pode ser considerado culpado de uma acusação judicial sem que transite em julgado a eventual sentença condenatória, fica aqui este registo.




segunda-feira, 13 de junho de 2022

Ler jornais já não é saber mais (145): "puns"

 




















MEO/Altice: não estou esquecido

Há três meses, depois de uma avaria inaceitável e incompreensível, perguntei à MEO/Altice se podia anular o contrato sem ser penalizado antes do fim do período de fidelização (que termina em Novembro).

A MEO/Altice, demonstrando uma má-criação digna de uma criança mal-educada, nem respondeu. Quem viu a carta não a soube ler, ou achou que devia castigar o cliente por querer uma coisa tão inesperada. Ou achou que este cliente desistiria da sua pretensão e, como quem acredita em elefantes cor-de-rosa, prolongaria a sua ligação contratual à empresa para lá de Novembro.

Não será o caso. Não me esqueço do que aconteceu e destes gestos de má-criação. Três meses depois da avaria que me fez perder a confiança na MEO/Altice e a seis meses do fim da fidelização, só posso continuar a dizer que em Novembro o contrato não será renovado e que mandarei à merda a MEO/Altice. Não merecem menos.

(E se alguém da NOS anda por aí... arranjem-me propostas, porque deve ser essa a operadora que vou escolher.)




sábado, 11 de junho de 2022

O fecho da pastelaria Machado e a morte da Rua de Camões


Foi no Natal de 2014 que a Rua de Camões, em Caldas da Rainha, começou a morrer. Com o fecho da emblemática pastelaria Machado, há poucas semanas, a rua morreu de vez.

A Rua de Camões podia ter tido outro destino, e continuar a ser o que já foi: uma rua de comércio e de restaurantes e cafés, que tem a particularidade de unir o centro "histórico" da cidade ao que também deviam ser outros elementos emblemáticos da sua vida urbana, como o parque da cidade com a sua entrada para as ruínas fantasmagóricas que o assombram, e o hospital termal. 

Numa cidade onde há transportes públicos urbanos, mas onde uma parte significativa da população que a frequenta mora fora, não podendo passar sem meios próprios de transporte, a Rua de Camões tinha, ainda, um problema adicional: pouco estacionamento e acesso difícil. Este factor, que depois ainda se agravou, foi decisivo para a morte do comércio. 

Mas a condenação à morte, evitável, foram as obras de há oito anos.

Aconteceu tudo no âmbito de umas desastradas obras de "regeneração urbana", mal planeadas, pior concretizadas e desenvolvidas de forma suspeita, a que presidiu o anterior presidente da Câmara Municipal, Tinta Ferreira, e cujo feito maior é... um parque de estacionamento subterrâneo que mete água.

Com Caldas da Rainha totalmente virada do avesso, a Rua de Camões oferecia este triste aspecto em Novembro de 2014: máquinas paradas, poucos homens no local e não a trabalharem e o trânsito interrompido.


Rua de Camões, em Novembro de 2014: nada resiste a obras deste tipo

Nessa época, recorde-se, viviam-se os anos da austeridade que se seguiu ao pedido de empréstimo a entidades estrangeiras para ultrapassar a situação de bancarrota deixada, em 2011, pelo governo do PS (chefiado por José Sócrates e onde já pontificava o actual primeiro-ministro, António Costa). Havia menos dinheiro para compras e as pequenas lojas, a que se chama "comércio tradicional", perderam clientes. 

Como habitualmente, e se verificou também nos períodos dos confinamentos imbecis de 2020 e de 2021, essas lojas não têm capacidade de sobreviverem sem clientes. Vivem do que têm para vender. Se não vendem, não têm receitas. Não têm receitas, fecham.

À crise económica juntaram-se as obras. A rua ficou, durante meses, esventrada e intransitável. 





A "regeneração urbana" do anterior presidente da Câmara Municipal esteve na origem do desastre


A situação até acabou por levar a que o presidente da Câmara Municipal reconhecesse, com alguma hipocrisia, que existia um atraso nas obras da Rua de Camões. 

O que, como sempre aconteceu, não fez com que o problema se resolvesse. Nem foi sequer uma excepção, porque as obras de "regeneração urbana" sofreram atrasos inexplicáveis sem que as empresas culpadas fossem responsabilizadas.


"Gazeta das Caldas", 21.01.2015: Tinta Ferreira até foi lá...

A Rua de Camões reabriu na Primavera de 2015. Com o mesmo erro de sempre saído das cabeças pouco inteligentes dos vereadores e presidentes camarários que se acham transformados em especialistas de trânsito urbano só por sentarem os traseiros nas cadeiras do poder: menos estacionamento e passeios demasiado largos,

Em termos práticos, o trânsito tornou-se mais difícil. Ou seja, o acesso aos estabelecimentos ainda existentes tornou-se quase impossível. 

A pastelaria Machado foi, obviamente, afectada e eu, sendo seu cliente na época do Natal, percebi como a afluência de pessoas ia diminuindo. Para a frequentar, como café, era necessário ir a pé ou ter a sorte de encontrar um lugar vago para o carro. Podia ter tentado diversificar-se, com serviço de refeições, mas isso teria sido suficiente para garantir público. Isolada numa rua sem comércio, esta grande casa acabou, inevitavelmente, por sucumbir.

Haveria alguma coisa capaz de a salvar? Penso que sim. E passaria pela compreensão (não é difícil...) de que o centro da cidade não pode ficar reservado a consumidores que só andem a pé. Os discursos sobre o pequeno comércio são muito lindos, mas falta o resto: perceber que as pessoas frequentam os supermercados porque aí têm quase tudo... e estacionamento. 

(O caso da Praça da Fruta é exemplar: pode servir para os residentes no local, para os ociosos e para os que não se importam de perder tempo à procura de lugar para estacionar, mas não para todos os outros. E eu, por exemplo, que até poderia ser cliente regular do comércio da Praça da Fruta, não vou lá porque não estou disposto a perder tempo a tentar estacionar.)




Depois de uma justificadíssima glória, com tradição, um fim desgraçado

Lamento o fecho da pastelaria Machado. Não sendo consumidor habitual de bolos e de outras gulodices, posso dizer que a pastelaria Machado me fez gostar de bolo-rei. Os seus requintados bolos-rei e a simpatia com que sempre fui atendido, como toda a gente, deixam saudades. Não sei se encontrarei igual.

A estupidez, a incúria e a incompetência camarárias (das anteriores vereações e desta que prometia que íamos "mudar"...) estão na origem deste lamentável acontecimento. E não vejo nada que previna ou evite outros encerramentos.


[Podem ler aqui o que escrevi neste blogue sobre as desastradas obras da Rua de Camões: https://pedrogarciarosado.blogspot.com/search?q=Rua+de+Cam%C3%B5es]






sexta-feira, 10 de junho de 2022

"Vamos mudar"... para o Bombarral!

 

Quiseram fazer de conta que eram crescidinhos e até perdem o hospital. Espantoso!










Não se morde a mão do dono

 

Disseram-me que a "Gazeta das Caldas" e o "Jornal das Caldas" receberam esta informação. Mas que não quiseram incomodar a Câmara Municipal. 

Compreende-se. É de onde vêm o dinheiro e os favores.

É por isso, claro, que nem sequer aludem ao facto de já terem passado 9 meses desde as eleições e de a Câmara Municipal estar paralisada.





quinta-feira, 9 de junho de 2022

Ler jornais já não é saber mais (144): a imprensa vendida e os jornalistas (?) comprados


Lembram-se da promessa, com mais de um ano, de que as apressadas vacinas para a covid-19 serviriam para eliminar o temido vírus SARS-CoV-2, numa dose ou duas, consoante os fabricantes? E de como eram tão milagrosas que iam dar à humanidade a imunidade para a doença que - segundo os muitos "especialistas" famintos de notoriedade - ameaçava de extinção a própria humanidade?

A promessa, passado este tempo todo, tem o mau sabor da publicidade enganosa, onde foram queimados milhões de euros saídos dos nossos bolsos por via da brutal carga fiscal que nos afecta. E de tal modo que já se fala em doses sucessivas das vacinas. Mais dinheiro para uns, menos para outros... numa ex-pandemia que só é mantida viva pela loucura dos testes.

O jornalismo, a existir, devia fazer o escrutínio desta situação. E, também, fazer perguntas. Mas como, se o dinheiro fala mais alto?

Veja-se, num excelente trabalho de quem faz jornalismo a sério, como o sacrossanto "Expresso" e a sensacionalista SIC e jornalistas (?) que aí trabalham recebem dinheiro das farmacêuticas. Pode esperar-se dessa gente o escrutínio das farmacêuticas, das promessas, de quem decidiu e de quem ganhou (das farmacêuticas ao conveniente Dr. Froes)? Nunca...

Os pormenores estão aqui, no Página Um, um projecto jornalístico independente e profissional, que não posso deixar de admirar (e de recomendar como leitura): "Expresso e SIC Notícias têm agora nas farmacêuticas um ‘ventilador financeiro’".






domingo, 5 de junho de 2022

Empresa de Vítor Marques, presidente da Câmara Municipal, com negócio exclusivo numa iniciativa da Câmara Municipal a que Vítor Marques preside


O Oeste Lusitano, que se realizou nos dias 27, 28 e 29 de Maio deste ano em Caldas da Rainha é um certame que visa promover e divulgar os cavalos puro-sangue lusitanos, organizado pela Associação de Criadores do Puro Sangue Lusitano do Oeste com a parceria da Câmara Municipal das Caldas da Rainha. 

Os seus materiais de promoção apresentam, sem explicitar o grau de apoio concedido ao certame, o leque das várias entidades que colaboram com esta iniciativa. 

No alinhamento aparece, em primeiro lugar, a Câmara Municipal de Caldas da Rainha, em segundo lugar a Associação de Criadores do Puro Sangue Lusitano do Oeste, em terceiro a Rodoviária do Oeste e, em quarto, a empresa A. Marques, Lda.







A Câmara Municipal de Caldas da Rainha é presidida, há nove meses, por Vítor Manuel Calisto Marques, empresário.





Quando se procuram informações sobre a empresa A. Marques, Lda., distribuidora de bebidas, encontra-se uma página (https://www.amarques.pt/page1.html) onde Vasco Manuel Calisto Marques figura em lugar de destaque.





Não se sabe qual é a função que o presidente da Câmara Municipal de Caldas da Rainha detém na empresa A. Marques, Lda., mas o destaque que aqui lhe é dado sugere que a função é importante.

Numa entrevista ao "Jornal de Leiria" em 11.12.2021, pode-se ler, sem que se perceba a que empresa se refere, que o presidente da Câmara Municipal de Caldas da Rainha "tirou uma licença" desde Outubro de 2021 sem que os filhos e a esposa deixassem de trabalhar nessa "empresa familiar".

Será a A. Marques, Lda.?





Esta manhã, enviei um e-mail à A. Marques, Lda., onde pedia informações sobre o cargo e as funções do presidente da Câmara Municipal de Caldas da Rainha nessa empresa. A empresa não respondeu. 

A situação, por efeito dessa falta de resposta, torna-se realmente pouco transparente.






E o facto de a situação não ser transparente torna ainda mais estranho o episódio a que a página do Facebook Caldas Mornas aludiu a respeito do Oeste Lusitano no passado dia 1 de Junho:





Dois dias depois, a Caldas Mornas divulgou parte de um e-mail oriundo da Associação Criadores PSL Oeste Oeste com data de 8 de Maio deste ano onde se afirma, com toda a clareza, que a "exclusividade das bebidas (...) ficou a cargo da empresa A. Marques, Lda.", indicando dois números de telefone, um dos quais o número de telefone fixo que aparece na página da empresa. 





Em termos práticos, a ser verdade, isto significa que a empresa que pertence ao presidente da Câmara Municipal de Caldas da Rainha apoia e retira benefícios comerciais, receitas ou lucros, de uma iniciativa que a própria Câmara Municipal de Caldas da Rainha co-organiza.

Esta manhã enviei também um e-mail ao remetente deste e-mail citado, a pedir a confirmação da informação sobre a exclusividade, mas não tive resposta. 











Actualização (em 1.03.2023)

Até esta data nenhuma das entidades a quem me dirigi, para esclarecer as dúvidas, legítimas, sobre o eventual favorecimento da empresa citada, me respondeu nem, que eu saiba, prestou qualquer esclarecimento público que possa servir para tornar esta situação devidamente transparente. 

As dúvidas que expressei, sobre esta questão, e não só, adensam-se com a falta de esclarecimento. 

Não posso, por isso, alterar qualquer pormenor deste post (tal como não devo fazer das minhas dúvidas suspeitas expressas ou afirmações que não tenham fundamento).




quinta-feira, 2 de junho de 2022

Notas de prova

 


Altas Quintas  Tinto 2019 — Vinho Regional Alentejano
Aragonez, Trincadeira e Alicante Bouschet
Altas Quintas, Lda., Herdade do Porto da Bouga, Estrada de Alegrete (Serra de São Mamede)
14% vol.
Bom!
(Bebido no restaurante Pirolito - Wines & Tapas, em Castelo de Vide.)




Carlos Reynolds  Tinto 2019 — Vinho Regional Alentejano
Alicante Bouschet, Aragonez, Alfrocheiro e Trincadeira
Reynolds Wine Growers SA, Monte Figueira de Cima, Arronches
12,5 % vol.
Bom.
(Bebido no restaurante Merkado na Lagoa, Bom Sucesso, Óbidos)



Monte Capucho  Tinto 2016 — Vinho Regional Lisboa
Syrah, Cabernet Sauvignon e Tinta Roriz
Entreflores, Quinta dos Capuchos, Alcobaça
15% vol.
Muito bom!
(Bebido no restaurante O Melro, em Óbidos, a acompanhar Bacalhau à Lagareiro.)




Martha's  Tinto 2019 — DOC Douro
Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Roriz
Gold Mountains Company, Lda., Santa Marta de Penaguião
13% vol.
Muito bom.
(Bebido no restaurante O Recanto, em Caldas da Rainha, a acompanhar petingas fritas e Churrasco de Javali com Molho de Alho.)




i9 INOVE  Tinto, sem data, Elegance Edition
Sem indicação de castas
Casa Restolho, Arruda dos Vinhos
14% vol.
Muito bom.




Lembram-se do disparate?