sexta-feira, 16 de novembro de 2018

Em defesa do IRA e da ira


A maldosa "reportagem" da TVI sobre a organização Intervenção e Resgate Animal (IRA) é um nojo e o trabalho jornalístico (?) foi feito sem objectividade nenhuma, tornando clara a sua inspiração, descontextualizando factos e destacando quem se queixa e não quem apoia.
O que o IRA tem feito - como se vê - põe em causa interesses instalados e nem sempre muito claros. Mas tem servido para despertar consciências.
Não faltam pessoas que sentem a mesma vontade de fazer mal a toda a corja que maltrata os animais de companhia. 
Essas pessoas - e são muitas, e somos muitas - encontraram no IRA uma esperança de as coisas poderem mudar, e a sério, para lá das muitas dificuldades legais e das diversas incapacidades das autoridades. 
Porque, sim, o que sentem é mesmo ira perante a desgraça que vêem todos os dias. E também a vontade e o desejo, humanamente compreensíveis, de fazerem passar pelos mesmos sofrimentos de muitos animais as criaturas humanas que geram esse mesmo sofrimento. 
Este insólito ataque via TVI vai causar mossa mas também vai mostrar, com maior clareza, o apoio de que merecidamente desfruta o IRA. E eu continuo a acrescentar neste "bando de encapuzados", lamentando apenas que não existam no País todo, mas sempre com na esperança de que o exemplo frutifique. Seria, aliás, a melhor resposta à ofensiva que agora visa o IRA.
Só é pena que isto sirva, indirectamente, para promover o PAN, que não é, muito francamente, flor que se cheire.

quarta-feira, 14 de novembro de 2018

"Site meu, site meu, há algum presidente mais belo do que eu?"




A questão fundamental há de ser esta: para que serve o site do produto do acasalamento idiota de duas freguesias, uma rural e outra urbana, que passam por cima de uma terceira freguesia, acasalamento esse que se traduziu na degradação ainda mais acentuada dessa zona do interior rural do concelho de Caldas da Rainha?
Para facilitar a vida aos residentes na zona geográfica abrangida ou para satisfazer a vaidade do respectivo presidente, que é figura única no site? 
Quem abre o site (http://stonofre-sbouro.pt/) depara-se logo com o senhor dr. presidente da União de Freguesias de Santo Onofre e Serra do Bouro, enquadrado por várias crianças numa "Visita de alunos à sede da junta". Queremos saber mais? Podemos querer à vontade porque o "Ler mais" leva-nos a uma página de contacto com a sede da coisa. Aliás, esse formulário de contacto é geral. Onde quer que se clique, é-se logo encaminhado para o formulário. 
O formulário é multi-usos. Serve para "Contactar a Junta",  "Informar uma ocorrência", "Marcar uma reunião com Presidente", "Registar o cão/gato", "Ver os editais/avisos/taxas", "Preencher um formulário" e "Preencher um requerimento". Calcula-se o intenso movimento de comunicações da elevada população de idosos que, tendo ficado sem a Junta de Freguesia, se dedicam diariamente a teclar nos formulários do Dr. Varela a partir dos seus bens equipados postos de internet.
E os formulários servem realmente para alguma coisa? Não.
Na quinta-feira passada, usei-os para fazer duas perguntinhas: 
"1 - A Junta de Freguesia tenciona fazer alguma coisa quanto ao chafariz terceiro-mundista e rebentado existente no centro do núcleo urbano da povoação de Cabeço da Vela? 2 - Quando é que é asfaltado o troço de terra batida da Rua Vasco da Gama que faz a ligação com a Estrada do Vale?"
Anteontem, segunda-feira, pelo meio-dia, chegou-me esta resposta: 

"Encarrega-me o Sr. Presidente da Junta de Freguesia, Dr. Jorge de Sousa Varela, de agradecer o trabalho que teve em participar esta situação e de o informar que será dada a melhor atenção ao assunto em referência."
Até hoje não passámos disto. 
E, no entanto, a resposta não pode ser assim tão difícil. Ou melhor, sê-lo-á, se quem dirige a junta desconhecer as situações aludidas que, por sinal, até estão bem à vista.
A primeira pergunta refere-se a esta chafariz, que está há muito nesta situação miserável. É impossível que não o tenham alguma vez visto (nem no local, nem neste blogue…). Portanto… o dr. presidente não sabe o que se passa, não é?



A segunda pergunta refere-se a um troço da rua principal da povoação de Cabeço da Vela que está neste estado: terra batida. Liga a povoação a uma estrada principal. E nesta rua mora gente. 
Portanto… ele também não sabe o que é? Mas já as ruas todas e becos da zona urbana é que devem ser bem conhecidas porque, afinal, "o mar" fica longe, a centenas ou mesmo milhares de quilómetros de distância, a horas ou mesmo dias de viagem…



Este presidente de junta, eleito há mais de um ano, inaugurou a sua intervenção eleitoral(ista) com a proclamação de que queria "embelezar" a Serra do Bouro. 
O chafariz do Cabeço da Vela é o melhor símbolo desse "embelezamento". 
"Ex-aequo" com o site da coisa, claro, e com a reprodução coreana do presidente. Que, todos os dias, deve abrir o computador, extasiar-se com o site e, de olhos em alvo perante tamanha beleza, gritar de enlevo aos quatro ventos: "Site meu, site meu, há algum presidente mais belo do que eu?!"



domingo, 11 de novembro de 2018

Abandono: outra vez




Esta gente não tem emenda. Em Julho, o pobre do cão ficou ao abandono durante quase uma semana, o SEPNA veio cá duas três vezes, falaram com o sujeito que é o putativo "dono". 
Este fim-de-semana voltou a acontecer: o cão ficou sozinho na sexta-feira com duas pequenas tigelas, de onde esteve a comer nesse dia, e no sábado de manhã já não tinha comida. 
Desde ontem de manhã que não se ouve o cão, nem tão pouco se vê. A cerca tem buracos atrás de buracos que os tipos vão tapando mas, ultimamente, há um outro que não tapam e ele, perante a mais absoluta indiferença dos "donos", vai-se esgueirando, saindo e entrando. Portanto, que terá acontecido? 
Estando o SEPNA inactivo ao fim-de-semana, enviei-lhes hoje (domingo) um e-mail com a descrição dos factos. 

*

O cão reapareceu na segunda-feira de manhã, ao mesmo tempo que a "empregada". Mas só foi levado, se foi isso que aconteceu, depois de eu ter feito esta denúncia no Facebook.
Quem não apareceu foi o SEPNA, onde a minha comunicação de domingo deu origem ao número de processo 74297/2018.

sábado, 10 de novembro de 2018

De como o Hospital Termal vai pelo cano abaixo

Obras grandes que ficam bloqueadas, que derrapam com prazos mais do que ultrapassados ou que correm mal (a maior obra do concelho é um parque de estacionamento subterrâneo… que mete água), festarolas a mais e manutenção de infraestruturas a menos, incapacidade de gerir a rede de distribuição de água, abandono absoluto das freguesias do interior, dispositivos de comunicação modernaços mas na prática ineficazes*, falta de vontade e de capacidade de criar uma "imagem" turística e culturalmente úteis…
Isto é, e não é só isto, a Câmara Municipal de Caldas da Rainha, numa situação que se agravou com a gestão (?) de um novo presidente desde 2013 (e que nem consegue fazer um balanço da sua actividade, quando para tal é convidado por um dos jornais do concelho): incapacidade total.
É esta mesma câmara que, fica agora confirmado, vai gerir o já mítico hospital termal do concelho, depois de o tentar entregar a uma entidade local, solução que foi rejeitada pelo Tribunal de Contas.
Ou seja: um empreendimento de gestão muito complexa na área difícil da saúde fica, de vez, nas mãos de quem só se mostra competente em festas de encher o olho.
Conseguem perceber o que vai acontecer?





*Do site propagandístico do acasalamento da freguesia (urbana) de Santo Onofre com a freguesia (rural) da Serra do Bouro falarei em breve.

quinta-feira, 8 de novembro de 2018

Porque não gosto dos CTT (135): bloqueio

Depois de mais de uma semana sem entrega de correspondência, entraram-me na caixa do correio 11 (onze) cartas de diversas proveniências, uma delas com data de envio de 29 de Outubro.
Entre elas estava uma carta da própria empresa CTT, com o mesmo articulado de sempre em formato de conversa da treta, a responder a uma reclamação minha. Não adiantava nada, claro.
Há já algum tempo que não se verificava uma situação de bloqueio desta natureza. Mas não há que enganar: a empresa CTT, que por vezes parece ser completamente inútil e que me parece ser sempre incompetente, não se endireita nesta bela porcaria de "serviço público", a que se sobrepõem, como sempre se sobrepuseram, os interesses privados de grande parte do seu pessoal. 

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Tancos: podridão





Notas de prova




Quinta de Sant'Ana - Tinto 2006 - Vinho Regional Estremadura
Aragonez (40%), Touriga Nacional (40%), Castelão (10%) e Merlot (10%)
Quinta de Sant'Ana, Gradil, Mafra
13 % vol.
Bom!

Notas de prova





Voo Real Seleção de Enólogos Reserva- Tinto 2016 - Vinho Regional Lisboa
Syrah, Touriga Nacional e Alicante Bouschet
Quinta do Gradil, Vilar, Cadaval
13,5 % vol.
Bom!

sábado, 3 de novembro de 2018

Deixem a hora em paz!

Às seis horas, de manhã, já estou habitualmente sentado a trabalhar. 
É de noite, em regra, e só há um período breve do ano em que a esta hora já posso ver a claridade do dia.
Prefiro trabalhar com a luz do dia mas a escuridão da noite não me perturba e também não tenho medo do escuro. Prefiro ter mais claridade ao entardecer e que o dia não desapareça tão cedo. Mas, lá está, também faço o que tenho de fazer, dentro ou fora de casa, quando já cai a noite ou quando ainda é de dia.
Quando, como jornalista, escrevi sobre educação e políticas educativas, tive ocasião de conversar algumas vezes com o militar que, depois de ter servido na PSP de Macau, montou um sistema de segurança nas escolas básicas e secundárias que precedeu, e com enormes vantagens, o propagandístico "Escola Segura" do PS. 
Uma das coisas, do mais elementar bom senso (mas em que não tinha ainda pensado), que me disse o discreto e competentíssimo major Jorge Parracho foi que a criminalidade em torno das escolas e dentro delas, quando ela "furava" o esquema dos seus homens do seu eficaz Gabinete de Segurança, se fazia sobretudo sentir ao entardecer. Quando escurecia. Não era de manhã que a violência da criminalidade assolava as escolas. Nessa altura, a maior parte dos meliantes ainda estava a dormir. 
A situação não se deve ter alterado, embora os defensores da mudança da hora tentem estribar-se, infelizmente sem contraditório, no que seriam as muitas "vantagens" (invisíveis, aliás) de ter os alunos a sair da escola à noite e a entrarem de dia. Acho que ninguém as percebe.
A falácia escolar e a da economia justificam um finca-pé idiota (que sempre o foi…) dos defensores da mudança da hora. 
Talvez as "vantagens" laborais da mudança da hora se apliquem à função pública. Porque quanto ao resto do País, não há muita margem para dúvidas: onde há competência, qualidade e disciplina, o trabalho tem de ser feito, de noite ou de dia. Como eu faço, diariamente.
Entre os decisores, loucos por porem o País a mexer nos relógios como parece que gostam de fazer, também não há outra preocupação: a de perceber que o ajustamento milenar do ritmo biológico humano ao ritmo da sucessão do dias e dos seus período de maior ou menor claridade ajuda a que tudo funcione melhor -- os dias e as noites são, na vida de todos os seres humanos, naturais e não acredito que tenha alguma vantagem serem artificialmente induzidos.
Na União Europeia (que sirva assim para algumas coisas mais práticas!) foi reequacionada a questão. Com sorte, a decisão de não mexer na hora poderá ser vinculativa. 
Cá, a bosta de governo que temos prefere andar a brincar com a hora. É típico. É o entendimento que têm daquilo que, verdadeiramente, interessa a todos. Disso só conta o que lhes dá jeito. Porque, no que toca às vantagens pessoais que os seus caciques tiram das decisões políticas, nisso, são muito mais habilidosos e maleáveis.