domingo, 6 de novembro de 2022

Ler jornais já não é saber mais (165): o jornalismo fazia-se com factos, o jornalixo faz-se com adivinhações

 

"Nascer do Sol", 5.11.22

"A covid está mesmo de volta", proclama o tudólogo V. Rainho, que é um dos directores do clandestino "Nascer do Sol", ignorando que as pandemias evoluem sempre para endemias, fase em que já entrámos há muito tempo.

E depois lá vem o falso epidemiologista de turno e, a seguir, uma extraordinária palavra-chave: "Adivinha-se um inverno complicado".

"Adivinha-se"?!

Esta gente não passa disto, entre o "pode" e as "adivinhas", numa caldeirada manhosa. O jornalismo fazia-se com factos. O jornalixo contenta-se com as adivinhações.

Arre, porra, que é demais!




sábado, 5 de novembro de 2022

2 metros


À espera de uma encomenda que é distribuída por uma empresa espanhola, recebi na sexta-feira um e-mail a informar que ela chegava na sexta-feira (mas não chegou), com uma mensagem de "protocolo Covid" bastante curiosa, mas datada.



Ainda fui ver se a dita encomenda estaria largada a dois metros do portão, mas nada.

De qualquer modo, tendo em atenção que o "protocolo Covid" deve ser de 2020, penso que a encomenda é bem capaz de só me chegar daqui a dois anos. Sendo entregue a dois metros do portão, claro.



Ler jornais já não é saber mais (164): a mentira em torno de Manuel Carmo Gomes


Manuel Carmo Gomes NÃO é epidemiologista.

O seu próprio currículo, estranhamente disponível apenas em inglês, indica que é licenciado e doutorado em Biologia.



Currículo do biólogo, em inglês, visível aqui.




Os jornalistas apresentam-no como "epidemiologista", sem qualquer tipo de correcção e sem que se saiba se o próprio, que devia possuir algum rigor científico, faz essa correcção ou prefere deixar passar em branco a objectiva usurpação de funções.

Curiosamente, um "fact check" do "Observador" serve para refutar que o dito é "doutorado em sardinhas" mas chama-lhe, de forma mentirosa, "epidemiologista".



O "Observador" faz um "fact check" mentiroso aqui.



Repete-se: não se sabe se Manuel Carmo Gomes, que devia dar provas de maior rigor, corrige, ou tenta corrigir, a forma mentirosa como o apresentam.



Meo/Altice: bardamerda!

 



Até às 17 horas do dia 4 de Março deste ano, não tinha razão de queixa da empresa Meo/Altice e dos seu serviço de internet, tv, telemóveis e telefone fixo. 

As coisas funcionavam bem, as reparações eram feitas com diligência, o contacto telefónico com o "apoio ao cliente" parecia estar a ser feito com pessoas que queriam realmente apoiar os clientes, a ligação por fibra fora instalada há pouco tempo. Com o fim do período de fidelização num horizonte de oito meses (Novembro), não via motivos para mudar de operadora.

A realidade começou a impor-se, lentamente, nesse dia já por volta das 22 horas. Ainda não eram 17 horas quando o sistema de telecomunicações se foi abaixo. Um contacto telefónico deu-nos a indicação de que às 22 horas a avaria estaria resolvida. Saímos para jantar e à hora prevista a avaria continuava.

E continuou. Durante cinco dias, sendo o serviço reposto apenas por volta das 13 horas do dia 8 de Março.

Durante esses dias, o contacto com o "serviço de apoio" da Meo ia-se revelando cada vez mais difícil. 

Previsão para o fim da avaria e respectiva reparação? Nada. Qual era a avaria? Nada. Como é que podíamos ter qualquer compensação? Nada. As reclamações feitas no Livro de Reclamações Electrónicas davam origem a respostas-padrão que pareciam ser de puro gozo e nem parece, até agora, que a entidade reguladora, a Anacom, dê alguma atenção a este meio de protesto.

Esta avaria e a impossibilidade prática de falar com a Meo/Altice fez-me perder toda a confiança nesta empresa. 

Inclusivamente, levou-me a inquirir a empresa sobre o fim do contrato ainda durante o período de fidelização, por carta registada e com aviso de recepção enviada em 18 de Março. O fim do contrato, nestas condições, até poderia ser penalizado e a empresa ganharia alguns trocos com a rescisão antecipada. Resposta, no entanto, não houve.

A decisão de não renovar o contrato ficou tomada e havia que esperar oito meses, até à data de 4 de Novembro.

Cerca de um mês antes, e por telefone (um sistema complicado e quase inacessível no que toca ao "serviço de apoio" da Meo/Altice), perguntei qual era a forma de informar que o contrato não seria renovado. Por escrito? Numa das "lojas"? No respectivo site? Por telefone? Por telefone, garantiram-me, a ser feito cerca de quinze dias antes da data.

Só que não era assim. O cancelamento do contrato exigia uma carta formal para a Meo/Altice. E -- o que é espantoso, porque nada a isso obriga -- até devia apresentar o motivo que me levava a pôr fim ao contrato.

A carta lá seguiu para a Meo/Altice, e com tudo ao pormenor. Calculo que -- se sabem ler... -- que não tenham gostado. E o certo é que, de uma forma absolutamente inédita, houve um bombardeamento telefónico quase diário por parte da Meo/Altice, e em termos que roçavam a ofensa, a perguntar o porquê da mudança, a anunciar propostas que poderiam ser mais vantajosas, a perguntar qual a operadora a que iríamos aderir (espantoso!). E a própria qualidade do serviço, estranhamente, pareceu diminuir.

O que a Meo/Altice fez, com esse assédio, está, aliás, definido nos artigos 11.º e 12.º ("Práticas comerciais agressivas") do Decreto-Lei n.º 57/2008, de 26 de Março, e configura crime de contraordenação económica grave, punível nos termos do Regime Jurídico das Contraordenações Económicas (RJCE), do Decreto-Lei n.º 57/2008, de 26 de Março. Só que, para justificar uma denúncia, seria necessário ter a respectiva prova... e os telefonemas (dados como gravados, mas, a serem-no, na posse da empresa...) eram do tipo guerrilha, inesperados, às horas mais surpreendentes.

Esta semana, finalmente, na passada segunda-feira, o equipamento da Meo/Altice foi todo ele desligado e os números de telefone, mantidos por meio regime de portabilidade, passaram para a nova operadora. 

E a Meo/Altice foi -- não há outra forma de o dizer -- bardamerda. Merecidamente. E de vez.


*

E quem é que se lhe segue? A Nos. 

Até agora, o processo de transição da Meo para a Nos correu sem problemas. O equipamento é mais moderno. A Internet funciona. E o custo mensal, para um serviço que é desde logo melhor, baixou em quase 30€.

Espero que assim continue a ser.



quinta-feira, 3 de novembro de 2022

Ler jornais já não é saber mais (163): sem nome

 

Reparem: o entrevistado, apresentado mediante algumas particularidades menos vulgares, não tem nome.

Poderão ter-se esquecido, no afã das curiosidades sobre ele, ou pode ser mesmo uma nova maneira de fazer jornais e revistas (ia escrever "fazer jornalismo", mas seria obviamente exagerado).


Revista "Sábado", 3.11.22


terça-feira, 1 de novembro de 2022

O regresso dos feiticeiros



Em dia de bruxas e similares, o mais famoso dos gnomos políticos anuncia o regresso das missas negras do Infarmed.

Os "peritos" da treta ainda não foram convocados, segundo o "Expresso", mas já devem andar todos a babar-se na ânsia do regresso aos palcos...






segunda-feira, 31 de outubro de 2022

Sem princípios

 

A esquerda nacional celebrou em 2015 um pacto com um canalha contra o bicho-papão da direita.

Agora celebra a eleição de um presidente ex-condenado, mas não inocentado nem ilibado, contra o bicho-papão da direita.

Em 2026 há de apoiar um candidato presidencial arguido, acusado de vários crimes, talvez ainda não julgado nem, provavelmente, a cumprir pena, contra um bicho-papão da direita.

A esquerda nacional só mostra, com isto, que deixou de ter princípios e que, como meretriz de baixo preço, vai com o primeiro que lhe aparecer ao caminho só para ter vitórias conjunturais.

Os seus ideólogos de outros tempos, os seus dirigentes políticos históricos e honrados e os seus heróis mais consensuais teriam excomungado esta gente tão reles.


Dois pelo preço de um





domingo, 30 de outubro de 2022

Já não há paciência


Não há paciência para a estúpida brincadeira da mudança da hora, assunto sobre o qual já escrevi aqui, aqui e aqui

E vai-se percebendo, de ano para ano, e até perante as crescentes opiniões desfavoráveis, que isto não passa, agora, de um simples exercício de autoridade do lamentável primeiro-ministro que aguentamos há sete anos.





sábado, 29 de outubro de 2022

Alterações do clima e "alterações climáticas"

 

"Observador", 27.10.22

Às cinco e meia de hoje acordei com uma forte trovoada que foi acompanhada por chuva de intensidade variável. É uma maçada, sobretudo quando se tem cães que estão habituados a ir lá fora (no terreno vedado em redor da casa ou, de trela, no exterior), mas não é a primeira vez que acontece.

Desde que me lembro que no Outono chove, com temperaturas que não são especialmente baixas. É o que acontece nesta altura. Não vejo aqui "alterações climáticas", mas sim oscilações do tempo, num padrão que se vai repetindo ao ritmo, sem margens fixas porque a natureza é o que é, das estações do ano: Outono, Inverno, Primavera e Verão. Vejo alterações do tempo, até aceito que se possa falar de alterações do clima relativamente a padrões que pudemos ter tido como seguros, como fixos.

Não nego a teoria geral das "alterações climáticas", aceito-a como é, como teoria. Porque, na prática, não as vejo. 

O que vejo é um alarmismo onde convergem, num poço de medos quase irracionais, e medievais, uma comunicação social catastrofista e deficitária em tudo (e que pensa que o medo é que faz com que as pessoas comprem jornais...) e os mais diversos bonzos, humanos e institucionais, onde a ciência se mistura com o favoritismo pela pedagogia do medo e com o desejo de palco mediático.

Nada disto é racional. Mas, como o demonstrou o alarmismo da ex-pandemia do SARS-CoV-2, a racionalidade quase desapareceu das várias instâncias do discurso público e os que persistem em ser racionais só não parar à fogueira porque esse tipo de punição já não existe. Pelo menos, por enquanto.