terça-feira, 12 de julho de 2016

O estado da nação pateta


Porque não gosto dos CTT (96): 21 dias de Lisboa a Caldas da Rainha


Calor, praia, futebol, 35 horas de trabalho (ou menos, ainda) ou sabe-se lá o quê - nunca há explicações para fenómenos como este: ontem, dia 11 de Julho, entraram na minha caixa de correio nove (9!) cartas com datas nada recentes, das quais a mais atrasada é a de uma editora com data de expedição de 20 de Junho (deste ano). Que demorou (terá vindo a pé?) 21 dias a chegar.

O conjunto da correspondência e das suas datas de expedição mostra bem o péssimo serviço da empresa CTT:

- carta de uma editora - 20 de Junho;
- carta de uma empresa de electricidade (com uma conta para pagar) - 23 de Junho;
- carta de uma empresa de telecomunicações (com uma conta para pagar) - 28 de Junho;
- carta de uma empresa de electricidade (com uma conta para pagar) - 28 de Junho;
- carta de uma companhia de seguros - 29 de Junho;
- carta de uma entidade financeira - 30 de Junho;
- carta da Via Verde - 30 de Junho;
- carta de uma entidade financeira - 1 de Julho;
- carta de uma companhia de seguros - 3 de Julho;
- carta de uma empresa de supermercados sem data mas com cupões de desconto expirados na semana anterior.


O estado da nação pateta

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Outros tempos

Poucos anos depois do 25 de Abril, no primeiro jornal em que trabalhei, havia um colega que, com a sua ironia bem comportada, proclamava: "Eu sou do tempo em que ser-se antifascista era não gostar de futebol". Agora também já se deixou entusiasmar pelo futebol.
Eu continuo a gostar da ironia e a não gostar de futebol. 

sexta-feira, 8 de julho de 2016

Estrume





Mostra-se a "Gazeta das Caldas" preocupada por haver "maus cheiros" a assolarem "a cidade". Engana-se nisto, como se engana noutra coisa, o distinto semanário que com frequência se esquece de que o concelho de Caldas da Rainha não é só "a cidade".
O cheiro a merda não flagela só a "cidade" mas, por exemplo, a freguesia do Campo (a cerca de cinco ou seis quilómetros da redacção da "Gazeta"), por cuja estrada basta passar para perceber que os "maus cheiros" provêm do estrume que ocupa uma vasta extensão de terrenos agrícolas. Pelo menos. E não é de agora como, por exemplo, aqui registei. 
Não é preciso perguntar a ninguém. Basta dar corda aos sapatinhos e ir lá cheirar. Chama-se a isso fazer reportagem.
Já agora, e só se pode atribuir o lapso ao estrume, não convém à "Gazeta" esquecer que o mau serviço (de que o próprio jornal se queixou, e queixa) da empresa CTT começou muito antes da privatização que agora verbera. Como, aliás, neste blogue documentei e com muitos exemplos, muito antes de se falar sequer na privatização a sério da dita empresa. Ter isso presente chama-se fazer jornalismo. Sem estrume. 

quinta-feira, 7 de julho de 2016

O futebol, o chefe do Estado e os "afectos" em viagem de luxo

Que conste, para os devidos efeitos:

1- Sou completamente indiferente ao futebol. Sempre fui, continuo a ser. Estes campeonatos, onde não vejo que "o País" ganhe, perca ou empate, muito menos me dizem alguma coisa.

2 - Não considero que as corridas dos chefes de Estado e de Governo, e de outros governantes, aos jogos tenham qualquer relevância prática, a não ser pela negativa, por tentarem levar uma função institucional para acontecimentos do domínio privado.

3 - Considero absolutamente incoerente e ofensivo para com as populações mais carenciadas do nosso país em crise a utilização de um avião particular para o Presidente da República se deslocar a um desses eventos, sobretudo depois do teatro que montou quanto à recusa de um automóvel de função (que o chefe do Governo se apressou a abichar).

4 - Respeito o cargo de Presidente da República e quem o exerce a cada momento. Prefiro a dignidade institucional, por mais formal que seja, à ideologia dos "afectos" tontos.

terça-feira, 5 de julho de 2016

O IVA da restauração e o rigor fiscal



A descida do IVA na restauração dá origem a este belo exemplo de rigor fiscal: em vez de serem discriminados os vários elementos da factura, com taxas de IVA diferentes, sai uma factura de "duas refeições" (com produtos com taxas de IVA diferentes, na fórmula trapalhona que o actual governo despachou) com uma taxa uniforme de 23 por cento, logo no dia 1 de Julho.

O governo provisório de António Costa

É tudo muito giro mas...
      


Há semanas que não se fala noutra coisa: as eventuais sanções em que Portugal pode incorrer, no seio da União Europeia, por não conseguir controlar as suas contas públicas.
Ou seja: as contas do Estado.
Durante bastante tempo, e verdadeiramente nunca despareceu do discurso do Governo e dos comentadores, foi-se falando de um “plano B” para a economia nacional, ou seja, um conjunto de medidas que, na prática, reduzissem as despesas do Estado e conseguissem tornar as contas do Estado mais (auto)sustentáveis.
O “plano A” seria o Orçamento de Estado deste ano, aprovado há poucos meses e já sob a sombra de um possível orçamento rectificativo.
O actual Governo, o do PS com o BE e o PCP, não consegue apresentar um rumo estável. Quer antes, com as reversões de decisões políticas do anterior governo com impacto económico e orçamental e o jorro de benefícios, sempre de carácter económico e com impacto orçamental para grupos bem específicos, quer depois: todas as decisões que queira tomar ficam sempre dependentes do favor do BE e/ou do PCP.
O truque que permitiria ao actual Governo “virar a página” da austeridade seria o crescimento económico. Com ele, cobrar-se-iam mais impostos às empresas e aos consumidores e o Estado teria mais dinheiro. Mas o crescimento económico caiu.
A execução orçamental é virtuosa garante o actual primeiro-ministro. Mas a virtude, neste caso, está em evitar ou atrasar as despesas do Estado, como é o caso dos fornecedores no sector da saúde.
O actual governo já tem mais de seis meses de vida. Mas não se vê nele qualquer potencial de estabilidade. Nada do que fez, do que disse ou (lá está…) do que pode vir a fazer, ou não, inspira tranquilidade. 
E a intranquilidade que gera a instabilidade tem, pelo menos, dois efeitos graves: reduz a confiança dos consumidores e põe-nos a consumir menos; reduz a confiança dos investidores e dos potenciais investidores e põe-nos a investir menos e, com isso, a travar a criação de empresas ou, mesmo, o seu funcionamento.
António Costa, que chegou a primeiro-ministro através de um golpe de Estado parlamentar, chefia um governo em permanente estado de provisoriedade. 
Mas pode ser que o seu desfecho, por mau que venha a ser, tenha duas vantagens: a punição política e eleitoral do seu criador e o choque com a realidade por parte do actual Presidente da República.





segunda-feira, 4 de julho de 2016

José Sócrates, 1 - Marcelo Rebelo de Sousa, zero

É certo que todas as pessoas devem ser consideradas inocentes até transitar em julgado a sentença judicial que em definitivo demonstre o contrário e o próprio Presidente da República afirmou-o a propósito de um seu funcionário.
Mas o cidadão José Sócrates não é só um arguido à espera de acusação e, a haver acusação, à espera de julgamento. É um ex-primeiro-ministro que, para contrariar as suspeitas que até o levaram à prisão preventiva, forneceu explicações eticamente duvidosas.
Agiu mal, e provocatoriamente, o presidente de câmara que convidou Sócrates a estar presente na mesma cerimónia em que estaria o Presidente da República.
Agiu mal Sócrates ao aceitar o convite (mas não se esperaria outra coisa de quem quer vencer a justiça fora do seu âmbito específico).
E agiu muito mal o Presidente da República ao sujeitar-se ao encontro. Devia ter cancelado a sua deslocação (e há mil e uma maneiras de uma figura do Estado o fazer) ou feito saber, informalmente e com todo o cuidado, que não poderia ir se a principal figura da Operação Marquês lá estivesse.
Não havia, nem há, motivo nenhum (a não ser uma afinidade político-partidária em que ainda não é possível acreditar...) que justifique este encontro de Marcelo Rebelo de Sousa com o ex-primeiro-ministro arguido que insiste em influenciar políticos e juízes. Ao aceitá-lo, o presidente Rebelo de Sousa deixou-se rebaixar.
Talvez tenha recebido votos a mais.



Há "afectos" que o Presidente da República devia evitar (© José Coelho/Lusa)

O fim do cinema (pelo menos em Caldas da Rainha)


As salas de cinema do centro comercial Vivaci (agora La Vie), em Caldas da Rainha, nunca me entusiasmaram e, pouco depois de me ter mudado para este concelho, ainda cheguei a ir a Leiria vir um filme que muito me interessava. O custo da deslocação (em tempo e dinheiro) não convidou à repetição da experiência.
Ainda fui algumas vezes às salas do Vivaci mas acabei por desistir.
Habituado às grandes salas de Lisboa e arredores, dei-me mal com os seus ecrãs modestos, com o som desequilibrado e com as cadeiras que não me davam espaço para arrumar as pernas.
Acabei por ver cinema em casa, primeiro através de videoclubes, de alguns DVDs que ia comprando e, agora, do serviço de "videoclube" da televisão. E, por vários motivos (nomeadamente, o respeito pelos direitos de autor dos outros e a questão da qualidade), nunca fui "sacar filmes à net".
O fecho, talvez definitivo a avaliar por esta notícia, das salas do agora La Vie não surpreende. O cinema em sala tem estado a perder clientes em todo o mundo e a responsabilidade não é só dos "piratas" mas dos próprios distribuidores e exibidores nacionais.
Neste caso, como terá decerto acontecido em muitos outros concelhos, as salas ter-se-ão tornado pouco atraentes, nunca foram confortáveis, nunca deixaram ver que o cinema em sala pode ser um espectáculo grandioso.
Lamenta-se o fecho, lamentam-se os postos de trabalho perdido, lamenta-se que não haja alternativa. Mas o cinema, por muito que alguns intelectuais não o queiram perceber, é uma actividade comercial e esta, claramente, não rende, pelo menos desenvolvida como tem sido. Ou melhor, subdesenvolvida. Paz à sua alma, portanto.