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segunda-feira, 21 de julho de 2014

Aridez

 
Entre uma estação ferroviária amesquinhada pelo uso que deixou de ter, e pelo "empurrão" visual que levou para o outro lado de uma rotunda realmente desnecessária, e os prédios de habitação que a cercam, a "fonte das rãs", colocada neste ponto da Avenida 1.º de Maio, em Caldas da Rainha, tem um aspecto árido.



Não há vegetação, árvores ou sequer bancos com sombra que convidem as pessoas a parar e a ficar a ver.
As estatuetas "bordalianas" da "fonte das rãs" são vistas de passagem, com um olho nas tampas de esgotos perigosamente salientes e o outro nas figurinhas.
O que há, fazendo da coisa uma ilha, são carros e não pessoas. Mas é uma "rota", dizem.
O que impressiona, nesta concretização de uma ideia que noutras circunstâncias poderia ser bondosa, é a imagem de aridez que o local transmite.






 
E esta tarde, pelo menos entre as 16h30 e as 18h00, a água não corria. Não havia repuxos. Mas, também, para quê?

*

A aridez deste local é o melhor retrato do deserto de ideias que caracteriza a actual gestão da Câmara Municipal de Caldas da Rainha, que se preocupa mais com o "show off" (mesmo do seu presidente...) do que com a realidade. Desta fonte ao Hospital Termal, das obras que nunca mais acabam ao abandono do interior do concelho, sob um enorme manto de incompetência onde, a prazo, tudo o que pode correr mal há de correr mesmo mal.

segunda-feira, 19 de maio de 2014

O estranho caso de Manuel Palito: o novo Leão de Rio Maior?

Em termos de opinião pública, pode dizer-se que Manuel Baltazar, o homem que matou duas pessoas na povoação conhecida pelo colorido nome de Valongo dos Azeites, venceu as autoridades que o procuram há mais de um mês quando no Facebook apareceu uma página dedicada a "Manuel Palito".
"Manuel Palito" é a alcunha de Manuel Baltazar e a página é um prodígio de ironia com fotomontagens geralmente divertidas em que a figura esguia e de cabelo e bigode grandes do fugitivo aparece nas mais diversas situações.
Mas Manuel Baltazar é um assassino e não seria natural a sua transformação (sem nada que lhe condene as proezas) em figura pública vagamente simpática mas o certo é que ilude a GNR e a PJ no terreno que ele bem conhece e isso, de certo modo, transforma-o numa espécie de Robin dos Bosques.
A decisão, que parece ter sido tomada em primeiro lugar pela GNR, de o tentarem abertamente apanhar foi um erro. Transformou-o, à sua maneira, numa versão de duas pernas do Leão de Rio Maior.
E agora a GNR, a PJ (que se juntou às buscas) e o próprio Ministério da Administração Interna encontram-se num dilema: se cessam as buscas, reconhecem a derrota; se não o conseguem apanhar e se retiram, estão derrotados; quanto mais tempo passa sem o apanhar mais derrotadas parecem estar.
O Leão de Rio Maior nunca foi encontrado na época em que o procuraram. E parece que era real. E o Manuel Palito?


Em tempo:

Manuel Palito foi detido dois dias depois de escrito este apontamento e numa situação caracterizada, segundo as primeiras informações, por um aparente afastamento da GNR e por uma emboscada montada pela PJ. (E num estranho "directo" fotográfico, que parece só poder resultar de um aviso prévio feito ao "Diário de Notícias" e/ou ao "Jornal de Notícias".) Talvez devesse ter sido esta a opção quando tudo começou, há um mês.

terça-feira, 13 de maio de 2014

A PSP foi às compras, o resto não interessa


Supermercado Continente, Caldas da Rainha, na tarde de segunda-feira, 12 de Maio:
 
 
 
 
 À direita: uma carrinha de transporte de valores estaciona como é hábito destas empresas, talvez por necessidade de fazerem algum "show off" tipo filme, em cima da passadeira de peões.
À esquerda, um carro da PSP estacionado na zona que o Continente lhes destinou.
 
 
 
 
 
Do supermercado sai um agente da PSP, que transporta um pequeno saco da farmácia local.
 
 
 
 
 
 Depois de pôr o saco na parte de trás do carro-patrulha, o agente põe-se ao volante e a seguir vai-se embora.
A carrinha de transporte de continua estacionada em cima da passagem de peões.
O agente (que se supõe estar em serviço pelo uso do carro-patrulha) teria a obrigação de fazer cumprir o Código da Estrada e de impedir a violação da lei pela empesa de transporte de valores.
Teria?...
 

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Relvas e Sócrates, dois pesos e duas medidas e a mesma falta de idoneidade

Miguel Relvas, ex-ministro do actual governo, foi durante mais de um ano criticado, perseguido pela opinião pública e publicada e até objecto de variadíssimas manifestações de protesto por haver dúvidas sobre a licenciatura obtida na Universidade Lusófona e o ministro da Educação do próprio governo de que fazia parte Miguel Relvas determinou o envio do respectivo relatório da Inspecção-Geral da Educação para o Ministério Público.
Há poucos anos, foram suscitadas numerosas dúvidas sobre a licenciatura obtida pelo então primeiro-ministro José Sócrates na Universidade Independente (mandada fechar pelo governo do próprio Sócrates).
Há cerca de um mês, o ex-vice-reitor da Universidade Independente, Rui Verde, pediu ao Ministério Público a nulidade da licenciatura que teria sido atribuída ao ex-primeiro-ministro (em circunstâncias que pormenorizou em livro e aqui), comparando esse caso com o de Miguel Relvas.
Apesar das notícias publicadas (como aqui, por exemplo), predomina um estranho silêncio de chumbo. As mesmas pessoas que arrepelaram os cabelos, rasgaram as vestes e chamaram tudo e mais um par de botas ao ex-ministro mantêm agora o silêncio em versão de dois pesos e duas medidas. O que, aliás, também lança fundadas dúvidas sobre a sua idoneidade intelectual, política e moral…