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segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Sobre a "A Guerra de Gil", uma opinião de um leitor especial


 

Uma comunicação inesperada, e que muito me sensibilizou, de um leitor muito especial, sobre "A Guerra de Gil" e que, tendo sido pública, aqui me leva a apropriar dela com o devido reconhecimento:
   
Caríssimo Pedro Garcia Rosado,
Pedi-te amizade no Facebook e tu aceitaste. Pedi-ta porque li o teu livro “A Guerra de Gil”. O meu nome é Carlos Jorge Barata Gonçalves e sou advogado no IEFP. Quero agradecer, desde já, o facto de teres aceitado o meu pedido de amizade no Facebook. Não tenho a honra de te conhecer. Ouvi falar em ti apenas quando, há poucos dias, comecei e terminei a leitura do teu excelente livro “A Guerra de Gil”. Tive acesso a esta obra em audiolivro, produzido pela Biblioteca Sonora da Biblioteca Pública Municipal do Porto. Como sou cego de nascença, aproveito os livros no suporte que me chegam: audiolivro, livro em braille ou livro em suporte digital e formato word, rtf, epub, html, pdf (modo texto) ou txt.
Gostei particularmente deste teu livro. Seja-me permitido destacar, em primeiro lugar, o narrador, omnisciente, vocacionado para uma grande e profunda focalização interna, principalmente na personagem principal: Vítor Gil. A propósito: não é que eu conheço um indivíduo chamado Vítor Gil!?... Este narrador, para além da sua omnisciência, é omnipresente, pois que não conta as ações tal como elas transcorreram, mas apresenta-no-las exatamente quando se estão a desenrolar: faz-me lembrar Graham Greene, designadamente o narrador de “O Outro Homem”. O narrador, na sua observação participante, transmite-nos de uma forma assombrosamente pormenorizada, os debates interiores das personagens, sobretudo os dilemas de Gil: na satisfação do pedido de Alda, no auxílio ou abandono da cunhada…
Em segundo lugar, Gil é uma personagem fascinante. Naqueles alucinantes dias, compreendidos entre o rapto e sequestro de Vanessa e a “batalha final” na Serra do Cabeço, face à sua enorme capacidade de observação, associação e relacionação, Gil descobriu o “trilho da droga”, o caminho que os da Funerária do Imaginário percorriam nas arribas, do mar até à estrada; o que eles denominavam de “o nosso sítio”. Gil descobriu que comera carne da sobrinha, considerando o seu travo adocicado, no restaurante Quatro Estações, por vitela branca. Gil identificou o negro que matara Bruno, por entre os cortinados do primeiro andar na Funerária do Imaginário, quando lá fora esboçar tratar da trasladação dos restos mortais de Alda.
Sozinho, quando soube do achamento de membros de corpos humanos nas arribas, descobriu mais factos que os elementos da PSP e da Judiciária juntos. Note-se que estes nem sequer deram credibilidade ao seu depoimento.
A única coisa que Gil não descobriu foi a grande corrupção, compadrio e conivência que havia entre as forças vivas da região. De facto, não persentiu as relações entre o General Martins e Armando Guilherme.
Armando Guilherme intuiu que a sua sobrinha queria utilizar o negro para se vingar do tio. Ela entregava-se ao negro alegadamente como prémio do assassinato de Bruno, mas, na verdade, como fora obrigada a dar-se ao tio, durante anos. Armando acautelou-se naquele jantar algo diferente dos outros, pressentindo que seria também assassinado pelo negro, a mando de Luísa.
Gostei do negro e da metáfora que representou. Este, depois de ter fugido à polícia no Bairro da Mariana, depois de cometer vários homicídios, mediante a utilização da sua navalha, depois de ter sido transportado para o Imaginário num caixão, depois de estar sequestrado, depois de ter sobrevivido à tentativa de assassinato de Armando Guilherme, depois de ter matado a cadela, acabou por se vingar de Luísa com a arma de fogo do tio desta.
No epílogo da obra, os verdadeiros vencedores foram o negro que, dispondo apenas de uma arma branca, derrotou os possuidores de armas de fogo: metralhadoras e pistolas, e o porco de grande porte que ainda se alimentou de “vitela branca” (risos) de Elmano.
A descrição e a narração das cenas mais violentas atinge um impressionante detalhe e revela um importante repertório de conhecimentos da matéria: é como se estivéssemos presentes. Faz lembrar um relato de futebol, em que tudo é descrito instantaneamente. Este livro é um verdadeiro filme descrito e narrado apenas por palavras. Aqui, não se aplica aquele provérbio chinês, segundo o qual uma imagem vale mais que cem mil palavras.
Na leitura deste romance nem eu me lembrei que não vejo. É caso para dizer: neste livro, até um cego vê…
Gostei, pois, de ter lido este romance. Gostarei, com toda a certeza, de ler outros romances teus.

"A Guerra de Gil" foi publicado em 2008 pela editora Temas e Debates e é passado no concelho de Caldas da Rainha, onde me fixei nessa altura.

domingo, 6 de julho de 2014

Uma opinião muito especial sobre "A Guerra de Gil"

Nuno Chaves, dinamizador do blogue Página a Página, foi militar e esteve na Escola de Sargentos do Exército e leu agora o meu romance "A Guerra de Gil" (Temas e Debates/Círculo de Leitores, 2008) com o olhar de quem conheceu alguma da realidade vivida pelo herói dessa história, o coronel Vítor Gil (que foi colocado no Regimento de Infantaria 5, de Caldas da Rainha, antes de este ser a Escola de Sargentos).
A opinião de Nuno Chaves, extensa, rigorosa e elogiosa, não cabe toda neste espaço e publicá-la aqui na íntegra tiraria leitores ao blogue que mantém e que é um dos mutos bons exemplos do que se faz neste momento na blogosfera.
Remetendo os leitores para as páginas de Página a Página, fica um excerto desta opinião que muito me agradou.
Quis, em "A Guerra de Gil", abordar um mundo específico (o militar) e um passado (a guerra em África) e, de certa forma, mostrar (como muitos outros autores têm feito) a simples evidência de que o "thriller" pode abordar praticamente todos os aspectos da sociedade humana. O comentário de Nuno Chaves comprova que, neste caso, o consegui fazer:
 
Foi também um livro que me trouxe à memória os muitos anos que estive ao serviço do Exército Português e das boas recordações que guardo da minha passagem pelas Forças Armadas. É claro que a minha longa “estadia” nas fileiras do Exército, nada tem a ver com este romance, que se passa num conturbado período da nossa história (ainda tão recente) que muitos continuam a fazer de conta que não existiu e outros preferem mesmo esquecer existiu e do qual muitos fizeram parte.
Poderão os leitores “mais jovens” ou aqueles que não estejam suficientemente familiarizados com técnicas, tácticas e alguns pormenores do foro militar, entender a importância deste livro…. Nós, portugueses, que para o bem e para o mal temos uma história tão rica e tão preenchida, não aproveitamos o suficiente essas mesmas histórias, (na minha opinião) para as recriar mesmo que em forma de ficção. Agradeço ao autor que em boa hora e contrariando essa tendência escreveu este livro. O mérito desta história prende-se sobretudo nesse pormenor tão importante, uma ficção assente numa história verídica. (Texto integral aqui.)
 
 
 
 
 
 

quarta-feira, 12 de março de 2014

"A Guerra de Gil" lido por Os Livros do Lars

Lars Gonçalves leu agora e comentou o meu "A Guerra de Gil" (ed. Temas e Debates/Círculo de Leitores, 2008-2010) no seu blogue Os Livros do Lars, com uma opinião muito favorável (que pode ser lida na íntegra aqui).
Sobre esta história de um capitão que foi derrotado pela guerra colonial durante o massacre de Wiriyamu, em Moçambique, e que depois de reformado se mete noutra guerra numa zona recôndita do concelho de Caldas da Rainha, eis um excerto do que escreveu Lars Gonçalves:
 
O enredo deste livro está muito bom, com várias reviravoltas e traições, o final do mesmo é mais uma vez explosivo. Como habitualmente nos livros do Pedro Garcia Rosado a descrição das cenas de violência estão muito pormenorizadas, gráficas e muito bem escritas.
Com um enredo vibrante, uma personagem principal cativante e criminosos impiedosos este livro tornou-se num dos meus preferidos do autor. Um livro mais do que recomendado! E não se esqueçam de comer uma belas costeletas de vitela branca.
 
 

 
A história de Gil e da sua última guerra talvez cheguem ao cinema...
 
 


terça-feira, 18 de junho de 2013

Carne humana: vitela branca ou carne de carneiro?

No meu romance "A Guerra de Gil" (2008), uma pequena quadrilha vendia como carne de vitela branca algumas partes dos corpos das pessoas que ia matando.
Agora chega a notícia de que, na Cidade da Praia (Cabo Verde), um homem andou a vender como carne de carneiro pedaços do corpo do seu companheiro, que matou à facada.
Jonathan Swift, no seu admirável "Uma modesta proposta para prevenir que, na Irlanda, as crianças dos pobres sejam um fardo para os pais ou para o país, e para as tornar benéficas para a República" (1729), não esclarece qual o sabor que a carne humana pode ter mas penso que estará mais perto do porco que, quando é mais novo e dependendo dos temperos, pode ficar parecido com outras carnes.


quarta-feira, 18 de maio de 2011

"A Guerra de Gil": a guerra colonial, o massacre de Wiriyamu, o tráfico de droga e um pouco de canibalismo

O coronel Vítor Gil cometeu um erro durante o infame "massacre de Wiriyamu, em Moçambique, na fase final da guerra colonial: em vez de disparar sobre a população civil, matou o pide que acompanhou as tropas portuguesas nessa acção militar. Trinta e cinco anos depois, quando quer é refugiar-se do mundo e cumprir o último desejo da falecida mulher, é arrastado para uma guerra de tipo diferente, em que intervém uma família que tem uma agência funerária com negócios paralelos: o transporte de droga em cadáveres e a venda de partes de corpos sobrantes como sendo vitela branca. A história desenrola-se no concelho de Caldas da Rainha (onde resido), aproveitando algumas zonas de paisagem natural praticamente selvagem. (Temas e Debates, 2008/Círculo de Leitores, 2010).