sábado, 17 de maio de 2025

Porque não gosto dos CTT (161): violação de correspondência, mais uma vez

Já há muito tempo que isto não me acontecia... e decerto que apenas porque a utilização dos serviços da empresa CTT está reduzida ao mínimo. Mas, lá está, era impossível que não voltassse a acontecer.





Foi, neste caso, mais uma violação de correspondência: um envelope rasgado. O conteúdo é uma revista de cinema, vinda do Reino Unido, e calculo que o assunto não interessa a quem o enfiou, assim rasgado, na caixa do correio. E rasgou-o porquê? Terá tentado ver se o envelope incluiria algum objecto valioso? 

Não se sabe, claro. Nunca se sabe. A impunidade desta gente é absoluta.





sexta-feira, 16 de maio de 2025

Enfiados no pântano

É onde estamos, num pântano: numas eleições legislativas que, pela primeira vez na minha experiência de viver em democracia, não me interessam, com resultados que, muito possivelmente, nem conclusivos serão e de onde poderá sair um governo minoritário e instável ou (o que será muito pior!) uma nova "geringonça". E em que nem irei votar.

O ainda primeiro-ministro, cercado por dúvidas que nunca quis esclarecer sobre a sua vida empresarial, tomou como refém o Governo e a situação política. À sua aventura amarrou o partido a que preside. E, se cair no domingo, derrotado de uma forma ou de outra, arrastará o PSD ainda mais para o fundo.

Não consigo, por isso, votar nesta AD de Luís Montenegro. Nem nas restantes candidaturas da "direita" devido, em primeiro lugar, ao seu alinhamento político com a orientação estupidamente belicista da liderança da União Europeia. O desfile de lugares-comuns, de figuras de pouca qualidade e de frases que são ditas para parecerem programáticas mas que são apenas eructações mediáticas, não me interessa. Na "esquerda" deixei há muito de votar. E não sigo modas políticas e nem vejo nos vários grupos (a começar pelo Livre...) alternativas racionais e convenientes para o País.

Insonsa, a campanha eleitoral começou capturada pela aventura empresarial do primeiro-ministro e parece acabar contaminada por mais um aventureiro: o equívoco almirante que ambiciona ser Presidente da República. Nada de bom sairá disto.

A minha opção não pode ser outra: não votarei. Evitarei um gesto que, nestas circunstâncias, me repugna-me: abster-me-ei. E, aliás, também o faço em nome do direito a não votar.

À noite verei os resultados na televisão, e apenas por me sentir obrigado a estar informado. Sobre a dimensão do pântano, pelo menos.





quinta-feira, 8 de maio de 2025

Repugnante


Não sei o que mais nojo me causa, se a sobranceria da criatura perante os chamados "pequenos partidos" (e não os apoio nem voto neles) se a descrição que a criatura faz das suas próprias patas de baixo. 








(Imagens de fonte aberta de acesso público.)


quarta-feira, 7 de maio de 2025

Patadas na língua, patadas no jornalismo (7)


Não é preciso ser-se excepcionalmente culto, educado ou inteligente para saber (e saber encontrá-los) que existem numerosos recursos on line para escrever com correcção em qualquer língua. Dicionários clássicos em versão digital, sites específicos, a própria formulação
dedicada à pesquisa de termos, mas percebe-se como, em práticas de gestão "de mercearia" por ignorantes, a revisão de textos seja considerada uma despesa supérflua. É uma situação que, onde houvesse rigor, até exigiria cuidados redobrados de quem escreve para o público para não deslizar para o erro, a burrice, a asneira... Não por quem lê, já agora, num universo quase catastrófico, mas pelos próprios que escrevem. Para não fazerem figuras tristes como estas...






Não se chama "à atenção". Chama-se, sim, "a atenção" para... qualquer coisa. Quando se pronuncia, sai "à", mas pela combinação entre os dois "a"s. 



A chave está, as chaves estão... É simples, não?




"Catastroferização"?! 

 


E eis mais do mesmo em três actos, numa frase retirada de um artigo assinado:



Só que silício é uma coisa e... cilício é outra:










*


Já escrevi, algures por aqui, sobre a tradução acéfala do inglês "to make questions" ("fazer perguntas") por "fazer questões". Devia surpreender-me por um doutorado e investigador usar o aborto que é "fazer questões", mas não me surpreendo mesmo nada.







*



Há fenómenos estranhos que só acontecem neste pequeno país. Como este: a explosão de robôs cirúrgicos...


Só é pena ficarmos sem saber se houve feridos ou mortos.











terça-feira, 6 de maio de 2025

4 meses

 

Faltam 4 (quatro) meses para as eleições autárquicas e o PSD de Caldas da Rainha ainda não tem candidato à presidência da Câmara Municipal, que perdeu, vergonhosamente, há quatro anos.





(Imagem de fonte aberta de acesso público.)









segunda-feira, 5 de maio de 2025

Regras de três simples e ficção

Houve uma época em que se exigia à imprensa e a quem trabalhava nas redacções não apenas algum rigor naquilo que se escrevia, mas também algum conhecimento da matéria. E nessa época, o que também ajudou a dignificar o estatuto informal dos jornalistas especializados, era difícil obter informações e, em muitas coisas, não havia arquivo, centro de documentação e arquivistas de qualidade que substituíssem as vantagens que hoje o Google, pelo menos, oferece a todos.

O que se passa na Ucrânia, em termos de condução da guerra em todas as suas frentes de batalha (ou seja, em toda a Ucrânia oriental), é uma simples aplicação do conceito de guerra de atrição. O que interessa ao exército que detém a iniciativa (o exército da Federação Russa) é, em primeiro lugar, o desgaste do adversário (o exército da Ucrânia). Em segundo lugar vem a conquista gradual do território. E que esse desgaste tem dado resultado é o que ressalta da destruição do equipamento militar que o Ocidente colectivo tem atirado para as mãos do governo de Kiev, sem qualquer prestação de contas.

É fácil, claro, aplicar uma simples regra de três para chegar a esta conclusão tendo apenas como base quilómetros e baixas: 






A notícia, ou especulação, que cita um "estudo" da revista "Forbes" é da CNN tuga. Também podiam ter feito um "estudo" sobre a quantidade de armas e veículos e sistemas de defesa e de ataque (em toneladas, vez) e de milhões de euros entregues à Ucrânia, aplicando uma regra de três, mas isso já seria embaraçoso para quem é tão fiel à agenda ucraniana.





A situação é tanto mais curiosa porque se baseia no que é apenas uma reportagem feita com base em opiniões de "analistas" ocidentais e em parte (a parte mais favorável à Ucrânia) do que disse o comandante das Forças Armadas dos EUA na Europa aos parlamentares do seu país. E por alguém que talvez devesse ser levado menos a sério.

É que David Axe, o autor, nem parece ser jornalista. De qualquer modo, pela "Forbes" sabemos que "escreve sobre barcos, aviões, carros de combate, drones e mísseis" e que até é realizador. Aparentemente, sem grande êxito, pelo que se percebe pelo IMDB, que regista as suas longas e curta-metragens fantásticas domésticas. Foi depois de ter passado pelo jornal inglês "The Telegraph" (onde parece ter sido posto na rua) que foi parar à "Forbes" em 2020. É possível que tenha aplicado a sua tendência para a ficção àquilo que tem escrito para a "Forbes". Com mais êxito do que no cinema, calcula-se.




O cv cinematográfico do ficcionista David Axe, segundo o IMDB




(Imagens de fonte aberta de acesso público.)

domingo, 4 de maio de 2025

Primavera

 
















O reino das trevas



Por volta das onze e meia de segunda-feira, quando as luzes se apagaram, estava no ginásio que frequento. 

Tendo terminado um treino de bicicleta, passei a um Pilates mais personalizado (penalizado que estou pela opção dos dirigentes da coisa de fornecerem uma versão rotineira de Pilates tipo "ginástica sénior" durante toda a semana). O apagão não me surpreendeu logo (já estou habituado, desde que vim para esta região, aos apagões da EDP/e-Redes), mas comecei a ficar inquieto ao perceber a sua dimensão: não era só esta região, era o país todo, era também Espanha...

A internet, no telemóvel, começou a ficar com interrupções, ao contrário das ligações telefónicas. Terminado o treino e verificada a impossibilidade de tomar banho, mesmo de água fria, e sem outras informações, decidi pôr de lado o que queria fazer e regressar a casa.  

Pelo caminho, e depois já em casa (onde me resignei a um banho frio), consegui perceber pela rádio, nos carros, o que estava a acontecer. Mas, como toda a gente, não consegui perceber o motivo do gigantesco apagão.

Por entre as quebras, cada vez mais acentuadas, do serviço de internet, consegui aceder episodicamente a alguns sites da imprensa oficial. O Facebook ia funcionando, mas pouco mais dizia. Pelo rádio de um dos carros, que ficou no lado de dentro do portão, fui apanhando fragmentos de informação. E em todas estas fontes fui encontrando explicações... que não explicavam nada: um incêndio em instalações eléctricas espanholas, um "fenómeno extremo" meteorológico, ciberterrorismo (russo, claro), uma experiência concebida para mudar o comportamento social dos cidadãos. E criaturas, com postos e galões diversos, a acumularem maus presságios e perspectivas catastrofistas. 

Sob a ameaça de passarmos a noite à escuras e já condenado à luz das velas, fui fazer o jantar no forno a lenha, apesar de ter fogão a gás, e jantámos no exterior, beneficiando até da temperatura mais amena do dia.

Por volta das 20h30 avistei uma luz fixa no conjunto urbano de Caldas da Rainha (que é visível de casa). Não quis acreditar que fosse uma luz eléctrica. Mas depois, pela janela da cozinha, a luz regressou. A normalidade foi depois restabelecida. 

Este apagão não foi o mais longo de quantos aqui sofri, desde que me mudei para esta zona rural do Oeste. Mas foi o mais inquietante. A sua dimensão exigia um esclarecimento muito rápido sobre o que acontecia. Cinco dias depois, ainda não temos esse esclarecimento. E essa ausência de uma explicação talvez seja pior do que o próprio apagão. Estamos, realmente, no reino das trevas...


*

Como tudo na vida, este apagão teve o seu outro lado: uma ironia. Os entusiásticos defensores dos carros eléctricos ficaram imobilizados ou sob a ameaça de o ficarem. É aquilo a que chamam "mobilidade"!







sábado, 3 de maio de 2025

É tudo tão simples

 



Esta onda multicolorida de "alertas" meteorológicos, na apresentação engalanada do departamento meteorológico do Estado, é um convite directo à iliteracia mais básica. 

É o Estado, acolitado pela imprensa oficial, a dizer-nos: não tentem compreender a meteorologia, não tentem ler as informações meteorológicas, não tentem interpretar o tempo a olharem para o céu ou a pensarem nas vossas experiências; limitem-se a ver qual é a cor dos "alertas" (como os semáforos rodoviários, obviamente necessários para momentos de atenção de segundos) e portem-se bem, de acordo com as nossas instruções.

É tudo tão simples.