segunda-feira, 18 de abril de 2016

18 dias para percorrer 9 quilómetros ou filha-da-putice?

Chega hoje a conta da água, cada vez mais confusa, com data de 31 de Março, e prazo limite de pagamento na quarta-feira, dia 20 de Abril.
Ou seja, levou 18 dias a percorrer os 9 quilómetros que separa a Câmara Municipal de Caldas da Rainha de minha casa. Ou a explicação é diferente?
A empresa CTT é o que é e dela não gosto por estas e por outras mas os Serviços Municipalizados de Caldas da Rainha também não são de fiar. A data da factura é de 31 de Março mas até pode ter saído do "ninho" na semana passada.
Com esta gente tudo é possível. Tudo.

sábado, 16 de abril de 2016

"The Night Manager" na TV





A televisão do nosso século é um meio melhor do que o cinema para a adaptação de obras literárias e a mini-série "The Night Manager", adaptada de um romance de John Le Carré, demonstra-o exemplarmente nas suas seis horas de duração.
O duelo entre um negociante de armas, Dicky Roper (Hugh Laurie), e um "agente infiltrado", Pine (Tom Hiddleston), prolonga-se da melhor maneira nessas seis horas e ficaria amputado e diminuído no formato padrão de hora e meia/duas horas do cinema. É um tempo que se ganha nas interpretações minuciosas (o conjunto de actores está claramente acima da média e Laurie revela que não ficou preso à personagem do Dr. House), na construção dos ambientes (das intrigas dentro da estruturas da espionagem inglesa ao fabuloso "show" da apresentação da mercadoria que Roper vende) e na montagem das várias cenas que fazem o cruzamento das personagens.
"The Night Manager" televisivo faz justiça ao romance da segunda fase de Le Carré (depois do período de Smiley e antes da sua literatura mais panfletária) e é um notável entretenimento.

... e o regresso de "Bron/Broen"

O que é que se faz quando se esgota o tema (irritantemente repetitivo) dos "serial killers"? Bem, procura-se uma outra linha narrativa, voltada para a vida mais íntima das personagens principais.
Foi o que aconteceu com a terceira temporada da série sueco-dinamarquesa "Bron/Broen" ("A Ponte").
Reduzida a uma só cabeça de cartaz, a investigadora Saga Norén (Sofia Helin), "Bron/Broen" constrói um emaranhado narrativo com um "serial killer" inesperado no centro da teia, termina em alto risco com um final demasiado frio e, de repente, ganha energia com a admirável Saga a ajudar um seu novo parceiro de investigação, Henrik (Thure Lindhardt), a passar em revista por conta própria o caso não esclarecido do desaparecimento da mulher e das filhas de Henrik.
Será, talvez, o embrião da quarta temporada, da qual, por enquanto, não há notícias. À falta de "The Killing/Forbrydelsen", "Bron/Broen" é uma excelente opção do "nordic noir".




(Vi "The Night Manager" no canal por cabo AMC e a terceira temporada de "Bron/Broen" na edição em DVD da Arrow Films, Reino Unido, legitimamente adquirido.)  

sexta-feira, 15 de abril de 2016

Em prol da igualdade de género

... e seguindo as preocupações tão extraordinárias do BE sobre o Cartão de Cidadão, proponho que ele mude de nome com seis versões consoante os "géneros". A saber:

- Cartão do Cidadão
- Cartão da Cidadã
- Cartão do Cidadão que às escondidas é Cidadã
- Cartão da Cidadã que às escondidas é Cidadão
- Cartão de Ainda Não Sabe mas Há de Saber
- Cartão de Já Sabe mas Não Quer Dizer.


E, já agora, que se adaptem estas formulações:

o pirilau - a piriloa
o piropo - a piropa
o rabo - a raba
a beterraba - o beterrabo
a batata - o batato
a nádega - o nádego

Arrogância e sobranceria

Desengane-se quem pense que o reinado governamental de António Guterres, na sua primeira encarnação, foi o do consenso enquanto valor universal. Foi-o porque era necessário introduzir uma marca de diferença relativamente ao anterior primeiro-ministro (Cavaco Silva) e porque o PS não tinha maioria absoluta no Parlamento.
A matriz do PS, enquanto partido dominante e de regime, tem sido a da arrogância e da sobranceria. 
Mário Soares teve de se inibir devido ao peso da rua durante o PREC e depois devido à sua aliança com o PPD e ao empréstimo internacional que teve de pedir. Jorge Sampaio parece ter ficado genuinamente dividido entre a choraminguice e a pequena tirania. E depois Sócrates levou o espírito arrogante do PS a um máximo nunca antes alcançado. E com ele andou, como já antes andara com Guterres, o actual primeiro-ministro.
Dizer dele que é tipo “quero, posso e mando” ou “dono-disto-tudo” corre o risco de não ser suficiente. Convém, num caso destes, chamar os bois pelos nomes: sobranceria e arrogância. É este, em definitivo, o retrato do PS e do seu “novo tempo” que Costa quer cavalgar.
O episódio das bofetadas de João Soares ou a soma de desconsiderações feitas pelo ministro da Defesa às Forças Armadas são mais do que sintomas. 
São traços característicos de um PS que, de uma forma mais rústica, teve um dirigente a dizer que “quem se meter com o PS, leva” e outro a falar em “malhar na direita”. 
São sinais de um PS que o BE e o PCP apoiam em troca de migalhas dos orçamentos e que já começou a fazer a ocupação paulatina de todos os lugares que puder arranjar, impondo interlocutores bem controlados a um partido clientelar. 
São expressões bem claras de intolerância e de arrogância. Com o apoio do BE e do PCP. E com os críticos e dissidentes como alvos. Mesmo pela bofetada ou pelo gesto mais rasca.
E a democracia, sobreviverá?

Corrigir a asneira com a asneira?


A redução do número de freguesias em Caldas da Rainha (ou a sua agregação, como foi pomposamente designado o processo) foi uma asneira sem sentido (como aqui analisámos em pormenor). 
Mas menos sentido terá, à boleia da intenção suspeita do actual governo de querer mexer outra vez no assunto, corrigir a asneira com novas asneiras. Infelizmente é o que parece estar no desejo dos políticos locais que parece não terem mais com que se entreter, como revela o "Jornal das Caldas" aqui.
Desde referendos a opiniões delirantes de que correu tudo bem, o que vai na cabecinha da "nomenklatura" local não tem nada a ver com a única correcção que seria desejável: tirar as freguesias rurais do domínio das hegemónicas freguesias urbanas e unir coerentemente as freguesias do litoral do concelho e as freguesias rurais do interior. É a única coisa que há a fazer.


Os representantes do PCP, do PS, do BE, do PSD, do MVC e do CDS ficaram muito bem na fotografia mas isso só não chega (© "Jornal das Caldas")

Promoção sem opinião... porquê?

É interessante constatar como as séries de televisão já chegaram à imprensa dita "de referência": há sempre umas conversas com os actores, umas fotografias, às vezes as primeiras impressões de um primeiro episódio. É sempre tudo muito bom, claro, devendo obrigatoriamente ser visto pelo público considerado "bem informado". Depois, em alguns casos, lá se esclarece que os jornalistas viajaram por conta da empresa produtora da série e/ou do canal televisivo que a vai mostrar.
Mais tarde... zero de opinião.
As apreciações que escorrem abundantemente com um admirável panache de quem tudo sabe, em matéria de cinema, já não se vêem no que toca às séries. Sejam boas, muito boas, assim-assim, ou mais banalmente confrangedoras.
A promoção foi recebida de braços abertos mas a opinião... ficou, de algum modo, bloqueada pela promoção?

quinta-feira, 14 de abril de 2016

Uma política de putanato

Os exames obrigavam os papás e as mamãs a tomarem mais atenção ao que as criancinhas faziam na escola. O Governo aceitou que o BE e o PCP acabassem com eles. Já não há motivo nenhum para os pais serem exigentes com os seus rebentos e podem continuar a dar-lhes telemóveis à vontade.
A função pública passa a trabalhar 35 horas por semana. Ficam com mais tempo livre (o que lhes dá a ilusão de ganharem mais) e a redução do horário permite contratar mais gente.
Os funcionários das empresas de transportes públicos recuperam os benefícios que tinham por trabalharem nessas empresas.
Os empresários da restauração recebem o bónus da redução parcial do IVA que, em termos práticos, fará aumentar os seus lucros (apesar de o IVA ser, por lei, um imposto que se cobra aos clientes e se entrega ao Estado).
Os taxistas recebem 17 milhões de euros para não arranjarem mais problemas de perturbação da ordem pública à pala da Uber.
Os empresários da construção civil vão receber 1400 milhões de euros para fazer obras públicas, mesmo que elas não sejam rigorosamente necessárias, ganhar algum e fazer contratações temporárias.
Apesar de o número de alunos nos ensinos básico e secundário não aumentar, os professores vão ter menos alunos por turma, para o Estado poder contratar mais professores.
Estas medidas governamentais têm uma lógica cristalina: garantem benefícios sectoriais sem considerar o quadro geral (e, nessa lógica, a generalidade dos sectores sociais e económicos) e, com elas, espera o Governo que os beneficiados lhe dêem em troca o seu voto, nas eleições autárquicas ou em qualquer momento em que ele seja necessário. Ou seja, que se vendam. Como putas à beira da estrada.



A única pergunta


.. que se deve fazer ao MVC (ou ao que dele resta) e que tem uma resposta simplicíssima é esta: está o MVC em condições de garantir que consegue limitar-se à sua intervenção política no domínio autárquico no concelho de Caldas da Rainha, e mantê-la sem interrupções, entre 2017 e 2021, sem ir entregar a preponderância que alcançou e os votos que conquistou a qualquer campanha alheia e de âmbito extra-concelhio? Sim ou não?





Se não consegue responder, era melhor que fosse brincar à política para outra freguesia...





terça-feira, 12 de abril de 2016

Insultuoso e vergonhoso





A fotografia, da autoria de António Cotrim/agência Lusa, mostra o actual ministro da Defesa a passar revista a uma formação militar. 
O ministro não está em casa mas numa unidade militar.
Os homens que dignamente se perfilam diante deles estão fardados a rigor. Ele não, está sem a gravata, peça de vestuário que pode ser posta de lado se o seu portador o quiser mas que deve ser mantida quando se visita uma casa alheia, onde é devido respeito e honra.
Nesta postura (e já nem falo de tudo o resto, por agora), o actual ministro da Defesa mostrou bem o que lhe merecem os militares portugueses, de todas as patentes, as suas unidades e a instituição militar, em geral.
Insultou-os a todos.
E a instituição militar devia, em defesa da sua honra, do respeito que lhe é merecido e do seu garbo, devolver o insulto ao actual ministro da Defesa.

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Trabalhar... mas só com horas extraordinárias


Durante uma tarde inteira esteve esta máquina numa estrada do interior do concelho de Caldas da Rainha à espera... dos funcionários dos Serviços Municipalizados de Caldas da Rainha que só viriam trabalhar (tapar o buraco com terra) já depois das 18 horas. Quando a Câmara Municipal já paga horas extraordinárias.
Não sei o que será, já agora, mais extraordinário: a desfaçatez de quem aprova (quanto a quem faz, enfim...) ou de quem, sabendo, o ignora por motivos que se desconhecem.



Uns lucram e os outros não se importam...


E eis, no dia seguinte, a grande obra que só podia ser feita em horas extraordinárias: mais um buraco tapado com terra. O pouco alcatrão que havia desapareceu. São assim as obras públicas em Caldas da Rainha:


Muito obra a Câmara Municipal de Caldas da Rainha