domingo, 14 de junho de 2026

Ler jornais já não é saber mais (263): a promoção da irrelevância

 

O "Público", como tantas vezes se tem feito na imprensa nacionaç, publica hoje, ao que percebo, duas entrevistas (ou algo parecido) que têm chamadas de primeira página com frases que, supõe-se, serão retiradas das conversas mantidas com os repórteres deste jornal.



Até aqui, muito bem. É o que mandam as regras: destacar uma frase para prender a atenção do leitor e do eventual comprador.

Mas falta uma coisa: quem são estas pessoas? Porque as frases selecciondas ("Há este grande medo dos homens que é o de serem vistos como mulheres"e "A complexidade é o signo [sic] da época em que estamos a viver") estão entre o lugar-comum e a vacuidade. Qualquer época será complexa, convenhamos. E o "medo" citado seria relevante se fosse sustentado por qualquer estudo ou investigação ou análise factual e, de preferência, de autoria de algum psicanalista, psicólogo ou especialista em "saúde mental". 

A primeira página não diz quem são estas pessoas, o que ajudaria a enquadrar melhor o significado das suas afirmações. Quando a vi, também não fui à procura de saber quem são. Agora, depois de consultar o Google, já sei. 

João Marecos é advogado e Irene Vallejo é escritora. As suas funções, que não são de imediato reconhecíveis, ajudam à relevância do que dizem? Não. E se posso pensar que as entrevistas até ajudam a reforçar as suas opiniões expressas sobre o "medo dos homens" e a "complexidade" como "signo" de uma época, também deverei pensar que, nas entrevistas, nada foi encontrado que pudesse ser mais substancial. O que, afinal, não dirá muito sobre a relevância de João Marecos e de Irene Vallejo.







(Imagem de fontes abertas de acesso público.)

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