sábado, 18 de julho de 2026

A jogada manhosa de Vítor Marques (1)

 


O presidente da Câmara Municipal de Caldas da Rainha, Vítor Marques, anda há anos, mesmo com manifestações de rua pedantes, a exigir que um novo hospital público para o Oeste fique em exclusivo em Caldas da Rainha. 

Agora contratou um parecer baratinho, pondo ele próprio Torres Vedras e Peniche como alternativas a Caldas da Rainha. Não é sério da parte dele. E se o parecer, a ser feito com seriedade, rejeitar a hipótese de Caldas da Rainha, o presidente da câmara deve demitir-se. Porque será uma derrota política pesada para um homem empresarialmente ambicioso e politicamente apenas habilidoso se este parecer não "oferecer" o hospital a Caldas da Rainha.


Em 22 de Outubro de 2024, o presidente da Câmara Municipal encabeçou uma manifestação teatral pela capital do concelho a exigir que o novo hospital ficasse em Caldas da Rainha. Mais de um ano e meio depois, quer que um estudo pago com o dinheiro público "comprove" a sua "convicção"




1

Caldas da Rainha precisa de um novo hospital... e os outros concelhos também



É errado dizer-se, sem mais, que Caldas da Rainha precisa de um novo hospital. Porque não é só Caldas da Rainha, que precisa. São, também, os concelhos de Óbidos, Bombarral, Lourinhã e Cadaval que precisam de um hospital novo. Ou, melhor, de um hospital a sério que possa servir, pelo menos, estes cinco concelhos.

Olhemos para este mapa, da Comunidade Intermunicipal do Oeste, com os doze concelhos do que se convencionou chamar “Região Oeste” ou “Oeste”.



A Região Oeste, de acordo com um mapa estilizado da associação de municípios da região


De Norte para Sul, seguindo os concelhos existentes, vemos que Alcobaça e a Nazaré têm instalações clínicas de nível hospitalar, com o hospital público de Leiria muito perto; que não existem hospitais públicos, ou semelhantes, no Bombarral, em Óbidos, na Lourinhã, no Cadaval, em Alenquer, em Arruda dos Vinhos e em Sobral de Monte Agraço, com os concelhos mais a sul a beneficiarem dos hospitais de Loures e de Lisboa; finalmente, Caldas da Rainha, Peniche e Torres Vedras são concelhos cobertos pelo que era designado "Centro Hospital Oeste Norte" e que agora é a Unidade Local de Saúde do Oeste, que tem instalações nos três concelhos. 

Note-se que a infraestrutura hospitalar de Peniche (Hospital São Pedro Gonçaves Telmo) parece adequada à dimensão do concelho (que não fica no alinhamento da auto-estrada A8) e que a de Torres Vedras (Hospital de Torres Vedras) já existe e parece ter alguma dimensão, ficando a mais de 50 quilómetros (pela auto-estrada A8) de Caldas da Rainha... e a distância semelhante dos hospitais de Lisboa.

O Hospital de Caldas da Rainha está subdimensionado e não consegue dar resposta a todas as solicitações, nem, tão pouco, os centros de saúde existentes no concelho ou a modesta oferta privada. 

Há especialidades médicas que, praticamente, nem no sector privado existem. Há quem, para fazer exames ou mesmo ter consultas, vá a outros concelhos, como Torres Vedras, onde existe um grande hospital privado do grupo CUF com acordos com a ADSE. 

Aliás, quem beneficiar da ADSE gasta menos se for a uma consulta a esse hospital privado, tendo de deslocar-se mais de 100 quilómetros para ir e voltar, do que se for à consulta da mesma especialidade em Caldas da Rainha. 

E se é necessária uma nova infraestrutura, é redutor pensar nela como destinada apenas a Caldas da Rainha. Essa infraestrutura deve poder apoiar também os residentes nos concelhos de Óbidos, Bombarral, Lourinhã e Cadaval. O investimento feito neste sector não pode servir apenas para um único concelho.

E esse foi um dos erros principais, por inépcia ou dolo, do actual presidente da Câmara Municipal de Caldas da Rainha, Vítor Marques.



*


O défice clínico de Caldas da Rainha tem feito emergir diversos projectos de criação de um hospital privado no concelho, com a participação de grupos privados de maior ou menor dimensão, e levou mesmo a associação Montepio Rainha D. Leonor a lançar-se numa aventura arriscada.

Gerindo uma espécie de clínica com algumas valências hospitalares, com instalações dignas de uma clínica de bairro suburbano e preços de hospital privado de grande cidade, o MRDL comprou à EDP, em 2017, um enorme edifício situado numa das entradas da cidade de Caldas da Rainha por um valor difícil de gerir: um milhão e meio de euros. 

O edifício, praticamente votado ao abandono, está onde sempre esteve, tem há anos um cartaz no exterior a garantir que "Caldas da Rainha vai ter um novo hospital" mas, nove an0s depois, o seu futuro continua a ser uma incógnita e um assunto mal esclarecido.


"Caldas da Rainha vai ter um novo hospital": um projecto imaturo
que custou, de base, um milhão e meio de euros









(Imagens de fontes abertas de acesso público.)

A seguir: Depois do exclusivismo barrista, um estudo inquinado


Sem comentários: