Foi o que ouvi, há poucos dias, da boca de uma avó para uma sua pequena neta numa loja de frutas e legumes. "Kuloka, kuloka, kuloka...", dizia ela à criança, indicando-lhe que devia pôr aquilo em que estivesse a mexer ou no sítio onde o produto se encontrava ou num saco, para ela levar e pagar.
Pensando ela que estaria a dizer "coloca" em vez de "põe", "Kuloka" foi o que lhe ouvi. E é, da boca dos portugueses, o que lhe ouço quando estão a pronunciar o verbo que agora está na moda e que é "colocar". E que substitui tudo, ou quase: ainda não perdi a esperança de ouvir dizer "kulukar a mesa" ou "a galinha kulukou o ovo". Em vez de "pôr a mesa" ou "a galinha pôs o ovo".
Quem já ouviu um brasileiro pronunciar o dito verbo, ouve, na sua voz quase cantada, a palavra "colocar", com os ós bem abertos e pouco peso posto nos dois cês. Mas, pronunciado por um português, os ós oscilam entre o som de "u" e um ó pouco firme e os cês ganham o peso demesurado com que essa letra aparece na palavra "cu", por exemplo.
Há, infelizmente, nesta população que não lê e que aprendeu mal na escola, a tendência para usar palavras que parecem mais próprias das elites que vêem na televisão, como se isso a fizesse subir de nível. Não faz, nem essas elites o são, descontando o facto de poderem ter mais dinheiro e notoriedade.
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