![]() |
| Imagem retirada da aplicação Google Earth |
A Serra do Bouro é uma freguesia, ou ex-freguesia, de Caldas da Rainha que ocupa boa parte da orla atlântica deste concelho. Apesar do nome, a Serra do Bouro é uma extensão razoavelmente plana, e não tem habitações, que se conheçam, na sua área florestal.
Os dados colhidos da internet (a Câmara Municipal nada tem de concreto sobre as freguesias e o mesmo acontece com a União de Freguesias que abrange esta zona) indicam que tem uma área de 18 quilómetros quadrados e que em 2011 tinha 703 habitantes.
Com os óbitos de muitos idosos e a instalação de imigrantes europeus e americanos, é possível que a população seja, mais ou menos, a mesma. Apesar de haver pessoas que vivem sozinhas, muitas casas têm dois ou mais habitantes e, por isso, os 703 habitantes de 2011 não correspondem 703 habitações.
Isto significa que visitar cada uma destas habitações não é tarefa impossível, nem demorada. Requer paciência e determinação, mas, também, não é isso que se espera dos dirigentes municipais? É, mas não é o que aqui fazem.
Em Outubro de 2017 houve um incêndio que começou perto da Foz do Arelho e que percorreu grande parte da costa atlântica, com as chamas a serem impulsionadas por um vento forte de sul para norte, já na Serra do Bouro e a poucos quilómetros das habitações. Se o vento se voltasse para o interior, para leste, as chamas percorreriam os matos por limpar e muitas casas teriam sido destruídas. E teria havido mortes.
Nessa noite e nos dias seguintes não houve um dirigente municipal que viesse saber da população. Nem o presidente da Câmara Municipal nem o presidente da então Junta de Freguesia, recém-eleitos, demonstraram um mínimo de interesse pelos habitantes da Serra do Bouro. O então presidente da junta, uma nulidade política, ganhou um 2.º lugar na lista do PSD à Câmara Municipal, no passado mês de Outubro, por motivos que não consigo imaginar.
Há uma semana, a Serra do Bouro, como outras zonas do concelho de Caldas da Rainha (e de outras zonas do País) ficou sem electricidade, com postes e árvores quase destruídas. Foi na quarta-feira de madrugada.
A situação só ficou estabilizada quase uma semana depois. Os habitantes da Serra do Bouro viveram, de maneira diferente, este imenso apagão. Mas não acredito que alguém, pelo menos por aqui, se tenha sentido feliz no meio das trevas, em noites sucessivas de frio, de humidade e de chuva.
Alguns terão resolvido, sozinhos, este problema. Outros foram-se embora. Outros, ainda, terão tentado sobreviver. E mal. Como terão passado os idosos isolados, e empobrecidos, que aqui vivem? Não sei.
O que sei é que o padrão se repetiu: não houve um único dirigente da União de Freguesias de Santo Onofre e Serra do Bouro (uma junta de freguesia da capital do concelho que canibalizou a Serra do Bouro) e da Câmara Municipal de Caldas da Rainha que aqui viessem.
![]() |
| Imagem retirada da rede social Facebook |
Muito concretamente, o Sr. Nuno Aleixo Santos, o arrogante presidente da União de Freguesias que vem para as festarolas mas não para o resto, não desceu ao terreno. Não veio falar com os residentes nesta “sua” freguesia. O máximo que fez roçou o ridículo: disse aos residentes que ligassem as casas com luz às casas com luz mediante uma extensão eléctrica e que, na dúvida, contactassem a e-Redes, o que, sendo difícil em situações normais, se revelou uma impossibilidade nesta situação.
É difícil ser-se mais desastrado, e mais arrogante. E mais ofensivo, tratando com desprezo as pessoas que devia representar e ouvir e, até, aquelas que, indo atrás da propaganda do partido unipessoal Vamos Mudar, lhe deram o voto e o alcandoraram a presidente da União de Freguesias.
O Sr. Nuno Aleixo Santos fez, claro, o que os outros fizeram: esteve-se nas tintas para o sofrimento, a ansiedade e o desespero das pessoas. Iam mudar, não iam?


Sem comentários:
Enviar um comentário