Na passada quarta-feira, acordei por volta das 5 horas da madrugada e reparei que estava tudo escuro. As luzes da iluminação pública tinham-se apagado e, dentro de casa, não havia interruptor que desse luz.
Através do Facebook fui sabendo que havia um apagão generalizado no concelho, em Caldas da Rainha e em zonas limítrofes, devido a uma tempestade de ventos arrasadores. Uma cadeira exterior, um vaso (que ficou de pé, mas noutro sítio) e um chapéu de sol caído foram, em minha casa, os sinais deixados pela tempestade.
O que mais me afectou foi a falta de electricidade. Mas acreditei que a situação se resolveria, porque a e-Redes, esse enigma, indicava constantemente que o “incidente” seria resolvido na hora seguinte: às 13h, às 14h, às 15h, etc. A cada telefonema, o “relógio” da e-Redes ia-se adiantando. Em matéria de respeito pelo cliente, enfim…
À tarde, doze horas depois da tempestade, vi nuns campos próximos uns funcionários de uma empresa que trabalha para a e-Redes a cortarem árvores que estavam encostadas aos cabos de electricidade. Disseram-me que a solução seria rápida… se não houvesse pior. Iam seguir as linhas de electricidade para norte.
Tiveram de passar quase 48 horas para que, na minha zona, começasse a haver electricidade, depois de duas deprimentes noites à luz das velas. Mas nesse momento já estávamos exilados, em casa de excelentes amigos, na vila nortenha de Esmoriz. E, ao cabo de vários dias, nem se pode dizer que a situação esteja estabilizada.
Quem segue este blogue (e quem não segue pode ver aqui um registo dos meus comentários), sabe que tenho monitorizado os apagões que se verificam na região onde resido (Serra do Bouro, Caldas da Rainha) e que me têm afectado. São frequentíssimos, sem razão aparente, deixando-me sempre a impressão de que há uma manifesta incapacidade de avaliação do estado das redes, por parte da dita e-Redes, o que permite esse sem-número de apagões. E, possivelmente, alguma negligência e falta de manutenção.
Agora, vão-me dizendo que os diversos “especialistas”, comentadores e conhecedores do assunto dizem isso mesmo nas televisões. Ainda bem.
Recordando-me desse abate de árvores que ameaçavam os cabos, só posso perguntar por que motivo é que a maravilhosa e-Redes não fez, ou faz, um levantamento rigoroso de todas as situações de perigo. Custa muito? Mas seria sempre melhor do que este apagão…
Se a e-Redes, agora a correr atrás do prejuízo com alguma arrogância, foi negligente, o que se poderá dizer do comportamento da União de Freguesias de Santo Onofre e Serra do Bouro e da Câmara Municipal de Caldas da Rainha?
Tal no como grande incêndio de 2017, os órgãos municipais (desculpem, mas tem de ser assim… para não ser pior) cagaram-se para a população.
Foi obsceno ver um comunicado da União de Freguesias a elogiar a e-Redes sem uma palavra para os habitantes da sua área rural (a Serra do Bouro). E só não digo que foi também obsceno ver como o Sr. Nuno Aleixo, presidente da União de Freguesias, não andou pelo terreno a inteirar-se da situação da população porque também não esperava que ele tivesse o discernimento para o fazer.
Lamentando o estado de destruição deixado pela tempestade, em que a e-Redes, o Governo e os órgãos municipais falharam estrondosamento, e onde os geradores atirados para a Ucrânia teriam feito falta, publico este registo pessoal do apagão da-Redes, com a devida comenda com que a mimoseio a propósito e, também, em grande estilo:

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