sábado, 7 de fevereiro de 2026

O acto eleitoral não é adiado porque os políticos não querem

 

Fotografia de João Porfírio, no "Observador"



Admito que haja obstáculos legais, na Constituição e noutras leis, que impeçam, tecnicamente, o adiamento do acto eleitoral previsto para amanhã, domingo.

Mas acredito que, a haver uma convergência de vontades, e de vontade política, nesse sentido, seria encontrado um mecanismo que, politicamente, permitiria adiar o acto eleitoral. Nem que fosse, por absurdo, uma declaração unânime de todos os presidentes de câmaras nesse sentido, impedindo as eleições em todos os concelhos amanhã.

Não sei quantas pessoas estão, na vizinha região de Leiria e noutras, sem casa, sem telhado, sem água, sem comida. Sem transporte, sem meios de se deslocarem. Sabendo que, ao quererem deslocar-se, irão encontrar estradas bloqueadas ou mesmo destruídas. Serão cem pessoas? Dez? Mil? Duas? O número, neste caso, importa pouco.

Quando um dos dois candidatos presidenciais, o ainda Presidente da República, o Governo, os deputados, os partidos políticos e a vasta rede de políticos locais voltam costas a esta realidade e mantêm a aparência de uma normalidade inexistente para terem as eleições que legitimam o sistema, a imagem do Estado é a segunda vítima. A primeira é a população – os afectados, primeiro, e toda a gente depois, porque toda a gente pode ser vítima.

A resposta, de um povo consciente, seria a abstenção activa e militante. Mas o que vamos ver é como uma grande maioria vai votar. Sem, sequer, perceber a enorme contradição que é aceitar os avisos histéricos para “ficar em casa” e ignorá-los, para ir acariciar o ego dos políticos.







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