Este blogue é um registo pessoal de impressões, comentários e opiniões do autor, na sua qualidade de cidadão, na forma de um diário privado que é, no entanto, de acesso público e livre. Este blogue não tem fins lucrativos e as apreciações do autor sobre acontecimentos, pessoas e iniciativas, sociais, culturais, políticas, comerciais, mediáticas e outras, são completamente independentes e pessoais.
quarta-feira, 6 de setembro de 2017
Não, não é um bom conselho
A democracia, para mim, inclui o direito de não votar. Aceito, obviamente, os princípios dos votos nulo e branco mas o certo é que estas opções traduzem sempre uma participação no processo eleitoral.
Na ausência de uma candidatura que lhe diga alguma coisa ou numa situação de bloqueio político-eleitoral, o cidadão tem o direito de não ir votar.
Por exemplo: no concelho onde moro, a candidatura do actual presidente da Câmara Municipal vai claramente ganhar e nenhum dos candidatos da oposição conseguirá ter uma votação que se aproxime sequer da votação do presidente.
Não desejando a continuidade da desastrosa gestão deste presidente, mas sabendo que nenhum dos outros candidatos o conseguirá derrotar (e que nenhum candidato quis a unidade contra o presidente), vou votar para quê?! Neste caso, não votar é que será um bom conselho.
domingo, 3 de setembro de 2017
A dinâmica das ilusões (2): como o PSD já ganhou, e sem mérito

PSD
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PS
|
MVC
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CDS
|
PCP
|
BE
| |
AM
|
8603
|
4766
|
2078
|
1986
|
1146
|
786
|
CM
|
9203
|
4866
|
1856
|
1967
|
1089
|
601
|
O quadro que aqui publico refere-se aos resultados das eleições de Setembro de 2013 para a Câmara Municipal e a Assembleia Municipal de Caldas da Rainha (sendo a fonte a Comissão Nacional de Eleições). Utilizei-o em Maio de 2015, aqui e num desafio aos partidos, que o "Jornal das Caldas" publicou.
Defendi, nessa altura, o que defini como uma aliança de boas vontades, assente no pressuposto muito simples de que o PS, o então MVC (Movimento Viver o Concelho, de independentes, entretanto desaparecido) e o CDS tinham votos suficientes para, em conjunto, vencerem o PSD.
Bastaria uma personalidade consensual, um programa credível e uma plataforma programática que também fosse consensual.
Mais de dois anos depois, o que existe nas eleições caldenses é a habitual dispersão de candidaturas, com cinco candidatos diferentes à presidência da Câmara Municipal.
Também já o escrevi: é um jogo de ilusões.
Não tanto para uso interno porque não acredito que alguma das cabeças que, nos principais lugares, povoam as listas do PS, do CDS e do PCP, acredite que conseguirão vencer estas eleições.
Basta olhar para o quadro: o PS precisaria de duplicar a sua votação (com um candidato que já nem é o de 2013, que ainda foi tendo alguma visibilidade) e o CDS precisaria de ter quase cinco vezes mais votos (com um candidato que, tendo visibilidade e demonstrando alguma competência, também só apareceu mais tarde). Nem os votos "órfãos" do ex-MVC chegariam para esse efeito.
Portanto, em termos práticos, estas eleições terão um único resultado: a vitória do PSD caldense e a reeleição do seu candidato. Graças ao PS e ao CDS, em primeiro lugar.
O que gera uma questão pertinente: quem não quer que o PSD caldense continue no poder e sabe que nenhum dos outros vencerá, vai votar para quê?
sábado, 2 de setembro de 2017
"A Invenção da Ciência", de David Wootton
823 páginas, em edição meticulosa da Temas e Debates/Círculo de Leitores, numa análise histórica do nascimento da ciência: "A Invenção da Ciência - Nova História da Revolução Científica", de David Wootton.
Ao receber esta livro das mãos de Guilhermina Gomes, directora editorial da Temas e Debates/Círculo de Leitores, não pude deixar de me surpreender. Não tanto com a dimensão da obra (de que me recordava) mas com o facto de continuar a ter trabalho como tradutor, o que significa que tenho trabalhado bem e num domínio mais complexo, como é a não ficção.
E, para não perder o hábito, já tenho comigo o monumental segundo volume da admirável "História dos Judeus", de Simon Schama. Traduzi, e com muito gosto, o primeiro e segue-se este, muito breve, com as suas também 800 páginas.
sexta-feira, 1 de setembro de 2017
Eleições em Caldas da Rainha: de costas voltadas para as freguesias do interior

A "Gazeta das Caldas" fez 12 perguntas em série aos candidatos à presidência da Câmara Municipal de Caldas da Rainha. Nenhuma delas se refere às freguesias do interior e aos seus muitos problemas específicos.
Que os políticos locais só têm olhos para o seu próprio umbigo e para aquilo que, dentro das muralhas da capital concelho, os rodeia já se sabia.
Que um jornal tão vivaço o faça, e desta maneira, é que ainda consegue surpreender.
quinta-feira, 31 de agosto de 2017
Figos (verdadeiramente) biológicos
"Mort sur le Tage": voilà!...
Traduzido, impresso, com uma capa bem sugestiva (reparem na figura de camisa enrugada, punho fechado e "facies" soturno), eis a versão francesa do meu "Ulianov e o Diabo": "Mort sur le Tage", lançado pela dinâmica editora francesa Chandeigne, que tem divulgado a literatura em português em França, com os exemplares acabadinhos de sair das mãos da sua directora, Anne Lima, num encontro em Lisboa.
Uma primeira impressão
E, para já, registo aqui uma primeira opinião muito animadora da autoria de Pascal Didier, representante de editores franceses na empresa Diffusion Volumen Interforum, publicada no Facebook em 20 de Julho:
«Je rentre à l'instant de Lisboa (Lisbonne) après quelques heures passées au bord du Tage, du côté de Cais do Sodré.
Je ne suis pas parti pour de vrai mais j'y étais quand même pour de bon. Dans les pages de "Mort sur le Tage" de Pedro Garcia Rosado. Un polar sombre, rythmé, très bien écrit et absolument captivant. Où passent quelques soldats perdus de l'ex-KGB - l'analyse est passionnante et intéressera sûrement Alexis Prokopiev, Emmanuel Graff et Nicolas Auzanneau - et des ombres effrayantes.
C'est la première fois que cet écrivain de 62 ans, auteur de plusieurs polars, est traduit en français (par Myriam Benarroch) et son livre publié par les Editions Chandeigne sera en librairie le 5 octobre prochain.
Je reconnais un bon polar au moment où pris par l'intrigue, l'écriture et la force des personnages, j'accélère ma lecture pour la ralentir progressivement vers la fin car je sais qu'hélas l'histoire va se terminer, le livre se refermer et qu'il va falloir attendre quelques mois pour relire à nouveau du Pedro Garcia Rosado.
Si vous aimez le polar islandais, suédois, argentin, italien, danois ou vosgien (là c'est un clin d'oeil à Nicolas Mathieu et à son "Aux animaux la guerre"), vous adorerez le polar portugais !
Du lourd et du bon.»
Merci, Pascal Didier... et Anne Lima!
Regresso ao Monte Horeb
![]() |
| Um dos mais agradáveis recantos do Monte Horeb |
O restaurante Monte Horeb, numa encosta acima da Lagoa de Óbidos, na freguesia do Nadadouro, foi, durante alguns anos, um delicioso porto de abrigo nas minhas vindas para a casa nova no concelho de Caldas da Rainha.
Chegávamos à quinta-feira ou à sexta-feira à noite e íamos para lá, por vezes já um pouco para o tarde.
Havia um chefe de mesa simpatiquíssimo, uma decoração primorosa e pratos indianos, da tradição goesa.
Os preços eram relativamente elevados mas, como às vezes acontece, pagava-se tudo: a comida, a decoração, a localização, a simpatia do atendimento.
Algum tempo depois, o Monte Horeb começou a funcionar irregularmente e acabou por fechar.
Agora, felizmente, reabriu.
Mantém-se quase tudo na mesma (da cozinha à simpatia, passando pela decoração) mas nota-se que há um arranque lento, embora seguro.
Que prospere e recupere a glória de outros tempos é o que espero. Para já, tendo ido lá uma vez, hei de voltar mais vezes.
quarta-feira, 30 de agosto de 2017
Ler jornais já não é saber mais (30): ninguém se acusa?!
Este título, relativamente discreto, do "Jornal de Notícias" oculta as "press junkets"
com estrelas de cinema que são "pagas" com viagens
|
A imprensa (toda ela) e os jornalistas (todos eles) não saem bem desta história das viagens (e outras coisas) pagas por empresas interessadas.
E isto porque há notícias, entrevistas e até mesmo reportagens que ainda devem ser, como já foram, produto de viagens, estadias, visitas turísticas e brindes que têm destinatários jornalistas e outros colaboradores dos órgãos de comunicação social.
O escrutínio destes casos de exercício de influências e de benesses associadas não pode ficar apenas por dirigentes políticos.
A honestidade e a confiança (ainda?!) da imprensa exigem transparência.
Porque é que Costa e o seu PS precisam de eleições antecipadas
O actual chefe do Governo e secretário-geral
do PS precisa, tal como o seu partido, de eleições legislativas até ao final
deste ano ou no começo do próximo, dois anos depois das eleições legislativas
de Outubro de 2015 e dois anos antes das eleições de 2019.
E eis porquê:
1
O PS foi derrotado nas eleições de
Outubro de 2015. Mas está no Governo porque o seu secretário-geral que perdeu
as eleições fez um arranjo com os dois partidos da extrema-esquerda parlamentar
para lhe sustentarem um governo.
O Governo em funções, e que decorre desse
arranjo, tem legitimidade constitucional mas não tem legitimidade democrática.
O seu poder não decorre dos votos expressos.
O actual chefe do Governo, depois de
dois anos de coligação parlamentar e de um Governo que diz não ter problemas,
precisa de legitimar o seu poder nas urnas.
Já mostrou tudo aquilo que pode fazer –
tem agora de consultar o eleitorado sobre se deve ser esse o rumo.
2
O PS tem beneficiado do silêncio
cúmplice do BE e do PCP, que perante tudo se calam e a tudo dizem que sim. Há
uma zona de sombra: estes partidos fazem-no convictamente, consideram que é
isto que quer o seu eleitorado ou estão a “pagar” alguma coisa do negócio
político que fizeram?
Indo a eleições, o PS tornará
completamente clara a relação que mantém com a extrema-esquerda parlamentar (e
esta clarificará a sua posição perante o seu próprio eleitorado).
3
Este Governo está, em algumas coisas que
até parecem ser essenciais, dependente dos seus aliados da extrema-esquerda.
Novas eleições legislativas também esclareceria a situação: o eleitorado quer
que o PS governe em minoria no Parlamento ou acha que deve ter a maioria
absoluta? Só eleições podem responder a esta pergunta.
4
Foi o PSD do então primeiro-ministro
Pedro Passos Coelho que ganhou as eleições de Outubro de 2015.
Desde então, as sondagens (de uma ou
duas empresas) que vão sendo publicadas indicam que o PSD está bastante atrás
do PS em termos eleitorais.
No entanto, o chefe do Governo continua
a atirar-se ao PSD como se receasse que este partido pudesse recuperar o lugar
de vencedor de Outubro de 2015.
A realização de eleições antecipadas
também seria clarificadora neste aspecto: uma derrota do PSD seria, obviamente,
uma derrota de Pedro Passos Coelho, que poderia, nesse caso, sair do palco
político.
É certo que o PS precisa de um bode expiatório para tudo o que lhe
corre mal e que esse bode expiatório é o anterior Governo, mas já está na
altura de o PS se libertar desse complexo e assumir, com a legitimidade das
urnas, tudo aquilo que tem sido e é seu desde Outubro de 2015.
5
Também neste domínio a legitimidade democrática das urnas resolveria o problema e evitaria, caso o PS ganhasse (como o indicam as sondagens, de uma ou duas empresas, que têm sido publicadas), que um dia o PR, por hipótese, lhe atirasse à cara que ele, o PR, ganhou as eleições nas urnas e que o PS só ganhou o Governo nas secretarias parlamentares.
6
As eleições autárquicas de 1 de Outubro traduzir-se-ão
numa vitória do PS ou numa vitória do PSD e, respectivamente, numa derrota do
PSD ou numa derrota do PS. Ao indicar desde já, e antes de 1 de Outubro, a sua
vontade de ir para eleições antecipadas, o secretário-geral do PS e chefe do
Governo daria o passo lógico em qualquer um dos cenários: se perder as eleições
autárquicas, pode desforrar-se nas urnas nacionais; se ganhar, pode reforçar o
seu poder.
7
Derrotado nas urnas em 2015, o PS não
pode ter medo de se sujeitar a novo escrutínio.
O seu secretário-geral e chefe do Governo tem de mostrar, com toda a clareza, que não é um homem com medo.
Se não se lançar a eleições para
legitimar o seu poder, toda a gente pode concluir que ele é, realmente, um
homem medroso.O seu secretário-geral e chefe do Governo tem de mostrar, com toda a clareza, que não é um homem com medo.
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