terça-feira, 26 de setembro de 2017

A dinâmica das ilusões (15): irrelevância














Tive de apanhar do chão, quando andava a passear os cães, um papel A4 com o que parecem ser as intenções eleitorais do irrelevante grupo que se apresenta a estas eleições. 
O que está impresso é igualmente irrelevante: um "projeto de turismo cultural numa escola da Serra do Bouro" (só há uma, do 1.º ciclo), "paredes para grafitis", cinco "requalificações" (a palavra mágica) e "melhorar passeios" (numa zona rural onde eles são praticamente inexistentes).
Uns pensam em nós, eleitores, como sendo estúpidos; outros fazem de conta que existem de quatro em quatro anos; e estes gozam. 
E se fossem bardamerda?



São isto; valem isto.


segunda-feira, 25 de setembro de 2017

A dinâmica das ilusões (14): desastres






Há qualquer coisa de obsceno no modo como o PCP e o BE se apresentam nestas eleições.
Vêm de quatro em quatro anos "picar o ponto", conseguem sempre dar maior atenção a problemas de política nacional em detrimento dos problemas locais e as suas intervenções trazem consigo um cansaço enfadado.
O que propõem, quando se consegue saber (nem sequer é ainda o caso a menos de uma semana do dia de voto e as entrevistas aos jornais locais não fazem lei nesta matéria), é um arrazoado de lugares-comuns para situações e locais que se percebe que conhecem mal. 
Como é que, com um mínimo de honestidade intelectual, podem vir pedir que se vote neles?


*


O grupo de independentes que há quatro anos se apresentou como MVC, e que este ano se esfumou sem uma única justificação dada aos seus eleitores de 2013, ainda se enfeitou discretamente com algum triunfalismo - tinham conseguido "quebrar a teia", argumentam.
O simbolismo é adequado, afinal: é como as teias de aranha que se limpam num dia num canto da casa e no dia seguinte já lá estão outra vez. Se não se matar a aranha, claro. Ou se as pessoas não mudarem de casa. Ou desistirem.
Na prática foi tudo ao que aconteceu ao MVC desde o seu pequeno e inglório triunfo de 2013. Cuja única herança é, muito objectivamente, a situação nebulosa da Junta de Freguesia da Foz do Arelho.
Paz à sua alma.



Notas de prova

Torre de Ferro — Tinto 2014 — Dão DOC
Touriga Nacional, Tinta Roriz e Jaen 
Global Wines, Carregal do Sal 
13% vol.
Medíocre

domingo, 24 de setembro de 2017

A dinâmica das ilusões (13): não há programas mas há chavascal


Hoje passaram à minha porta dois carros com bandeiras do CDS. Buzinaram muito. Rapidamente desapareceram. Há dias foi um do PS, no mesmo modelo: muitas buzinadelas, nada de programa. 
Não sei se é desta maneira que o PS e o CDS querem ganhar votos na ruralidade interior de Caldas da Rainha mas a única coisa que conseguem é pôr os cães todos a ladrar.
E, já agora: à exceção da "lista de compras" demagógica do PSD local (e, mesmo assim, só soube por acaso), não chegou aqui nenhum programa eleitoral, de nenhuma das candidaturas; nem, muito menos, qualquer grupo de activistas de nenhum dos partidos em modo civilizado.

EDP - A Crónica das Trevas (75): apagões

Vários, a durarem pouco tempo mas daqueles que parecem meticulosamente concebidos para lixaram os electrodomésticos. Porquê? 

sábado, 23 de setembro de 2017

A dinâmica das ilusões (12): devem pensar que somos todos estúpidos















Esqueceram-se, talvez pelas suas afinidades electivas, das questões do lixo, em geral


"Como todos sabemos, uma Junta de Freguesia não tem a capacidade financeira de, por si só, realizar obras avultadas (...) tendo como principal objetivo ajudar a melhorar a qualidade de vida de todos os que residem e trabalham em Santo Onofre e na Serra do Bouro, a candidatura do Partido Social Democrata compromete-se a tudo fazer para que sejam concretizados os seguintes projetos..."
É desta forma que a candidatura do PSD caldense no acasalamento das freguesias da Serra do Bouro e de Santo Onofre (que é encabeçada por Jorge Varela, professor do ensino politécnico em Leiria e advogado em Caldas da Rainha) começa o que parece ser o seu "programa". Diz que não pode fazer... mas apresenta coisas que entram em contradição com essa postura.
São 23 promessas exíguas que, apesar do aviso prévio, oferecem "reabilitação urbanística", várias "construções" (uma rotunda, um passeio, uma estrada e um centro de saúde) e "requalificações" diversas. A freguesia de Santo Onofre, no centro da capital do concelho, é a mais beneficiada pelas várias promessas.
Há duas promessas claramente demagógicas: a de uma estrada inútil (a que já aqui me referi) e a de uma "revisão geral de todos os caminhos agrícolas e florestais e criação de percursos pedonais, aproveitando antigos caminhos rurais" (formulação que nada diz e cujo ridículo pressuposto só não é percebido por quem não anda, nem nunca andou, por estes "caminhos").
E, finalmente, há a espantosa promessa de "estudar uma forma de limitar a velocidade automóvel" na Estrada Atlântica e noutros pontos. "Estudar"?! Deve ter havido alguém que se lembrou de, em regime de "encher chouriços", meter esta na lista.


Álvaro Baltazar, Jorge Varela e Abílio Camacho: tipo "o menino entre os doutores"?


O absurdo disto tudo é que Jorge Varela se apresenta rodeado por dois ex-presidentes de juntas de freguesia. E, a avaliar pelo que se tem visto, os seus graus académicos da Universidade de Coimbra e da Universidade Autónoma de Lisboa talvez valham pouco perante os "doutores" da vida político-partidária que são os seus antecessores... e talvez os seus tutores.
À sua direita, Jorge Varela, tem Álvaro Baltazar, presidente da Junta de Freguesia da Serra do Bouro durante vários mandatos, e, à sua esquerda, Abílio Camacho, da Junta de Freguesia de Santo Onofre e, nos últimos quatro anos, presidente da duas freguesias.
Os dois homens que acompanham Jorge Varela podiam ter feito muito do que agora prometem fazer. Tiveram tempo, verbas, apoio político da Câmara Municipal e poder absoluto nas juntas e assembleias de freguesia. (E, no caso de Álvaro Baltazar, ainda houve tempo para, em acumulação, representar os investidores milionários que tinham 300 milhões de euros para o "elefante branco" do Plano de Pormenor da Estrada Atlântica, iniciativa que parece ter sido ser objeto de um pacto de silêncio de todos os partidos.)
Virem agora os candidatos do PSD local, como virgens impolutas, fazerem de conta que querem fazer tudo o que não quiseram fazer durante tantos mandatos é, no mínimo, demonstrar que não têm grande consideração pela capacidade intelectual dos eleitores.  
Pelo menos os da Serra do Bouro, porque os de Santo Onofre estão sempre bem salvaguardados pela sua situação no centro do poder político.
E o cabeça-de-lista Jorge Varela parece estar demasiado controlado por quem talvez realmente mande para poder fazer, ou pensar, outra coisa.


Abandono

Mal se vê mas a placa, escurecida e coberta de ferrugem, indica o nome de uma povoação do concelho de Caldas da Rainha: Campo.
Está num cruzamento com uma estrada principal (Tornada) e é emblemática do estado de abandono do interior deste concelho, aspecto ignorado pelas campanhas eleitorais.




sexta-feira, 22 de setembro de 2017

A dinâmica das ilusões (11): e o Plano de Pormenor da Estrada Atlântica, já agora?














"Gazeta das Caldas", 22.09.17

Os candidatos do PSD caldense das freguesias da Serra do Bouro (/Santo Onofre, para respeitar o disparate) e da Foz do Arelho andam tão de cama e pucarinho que, não lhes bastando a girândola de promessas demagógicas em que se especializaram, até querem estender os passadiços da Foz do Arelho à Serra do Bouro.
Como a ideia, a ser concretizada, demorará decerto uma boa dúzia de anos, bem podiam, entretanto, dar explicações sobre o tal empreendimento de luxo de 275 hectares de terreno que valia um investimento de 300 milhões de euros e cujas obras iam começar... há quatro anos.
A coisa ocupava uma extensão de terreno das duas freguesias e, de importante que era, até obrigou a uma alteração do Plano Director Municipal de Caldas da Rainha e à criação do Plano de Pormenor da Estrada Atlântica.
O tema, no entanto, morreu, envolto num pacto de silêncio que abrangeu todos os partidos locais. 
O PSD caldense, no entanto, estará perfeitamente à vontade para explicar este mistério, porque o então presidente da Junta de Freguesia da Serra do Bouro era também o representante dos investidores, estando hoje a acompanhar o candidato do PSD caldense à Serra do Bouro (/Santo Onofre).
Os pormenores, bem picantes, estão (quase) todos aqui.

terça-feira, 19 de setembro de 2017

A dinâmica das ilusões (10): sexo, mentiras e vídeo















A inovação tecnológica entrou na campanha eleitoral de Caldas da Rainha pela primeira vez com dois candidatos a recorrerem a vídeos, embora de sentido muito diferente.
O vídeo do presidente da Câmara Municipal e candidato de novo à presidência, Tinta Ferreira (PSD), é uma peça de descarada e banal propaganda, onde só falta dizer que o sol se levanta e se põe graças à intervenção magnânima do bonzo caldense. Enfadonho e irritante, pode ser visto aqui. Mas não o recomendo. 
Rui Gonçalves (candidato do CDS à presidência da Câmara Municipal), com três vídeos já divulgados, é necessariamente mais crítico e incisivo.
Os seus vídeos, para já muito concentrados na capital do concelho, abordam questões fundamentais como a limpeza, a desgraçada situação da zona industrial e as entradas da cidade. Podem ser vistos aqui e resumem bem aquilo que toda a gente vê: o estado de degradação generalizado da cidade de Caldas da Rainha. Com eles, Rui Gonçalves mostra duas coisas: que sabe o que diz e que tem soluções. Venham mais, com referências ao interior!


Rui Gonçalves: uma boa campanha que começou bem




Notas de prova



Andreza — Tinto 2013 Reserva — DOC Douro
Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Roriz
Lua Cheia em Vinhas Velhas, Ílhavo
13,5% vol.
Muito bom.